BÖLÜM 2 - KAMUYU AYDINLATMA VE ŞEFFAFLIK
2.5 İçeriden Öğrenebilecek Durumda Olan Kişiler
Analisamos chegar como predicado simples quando, do ponto de vista distribucional, este for o único verbo a figurar na predicação. Utilizamos, para a análise, os seguintes critérios:
A) Significados de chegar
Uma das nossas motivações para a realização desse estudo diz respeito aos diferentes usos do verbo chegar flagrados no português atual. Quando caracterizado como um predicado simples,
chegar apresenta diferentes significados, o que nos faz atribuir a esse verbo um caráter
polissêmico91 e nos instiga a investigar tais usos, dos mais concretos aos mais abstratos, pois são estes que tornam chegar um candidato à gramaticalização. As diferentes acepções do verbo
chegar como predicado simples, encontradas a partir de uma análise preliminar, são apresentadas
a seguir.
São, então, categorias de análise:
Vir, ir, atingir um determinado ponto físico; Surgir, aparecer, começar, iniciar;
Atingir, conseguir, alcançar; Aproximar;
Bastar, ser suficiente.
B) Classe sintático-semântica de chegar
Para observarmos a classe sintático-semântica do verbo chegar, optamos por utilizar a classificação do Dicionário de Usos do Português do Brasil (BORBA, 2002), por esta já ter sido
aplicada à língua portuguesa. Borba considera os verbos como pertencentes a quatro grupos: Ação, Processo, Ação-Processo e Estado.
Para Borba (2002), os verbos de Ação caracterizam-se por expressar uma atividade associada a um sujeito que origina e controla uma atividade física ou não, ou seja, é um sujeito agente (o galo canta). Os verbos de Processo caracterizam-se por expressar um evento ou uma sucessão de eventos; ao contrário dos verbos de Ação, os verbos de Processo apresentam o sujeito paciente ou afetado (o gato morreu); experimentador (Lina sente a morte da avó) ou beneficiário (Lúcia herdou da avó um gato siamês). Já os verbos de Ação-Processo caracterizam- se, segundo Borba (2002), por expressar uma mudança de estado ou condição levada a efeito pelo sujeito agente, causativo e instrumental, atingindo um complemento que é um afetado ou efetuado (Ana abriu a porta; o medo afugentou o rapaz). Por fim, os verbos de Estado são aqueles cujo sujeito é apenas suporte de propriedades (meu vizinho tem fazenda em Goiás) ou experimentador delas (João amava Maria)92.
Estado; Ação; Processo; Ação-processo.
C. Traços sêmicos de chegar
O verbo chegar é caracterizado como um verbo de movimento com deslocamento espacial. Argumentos Locativos são bastante freqüentes, tanto para indicar origem ou destino: lugar “de onde” e lugar “para onde”.
(159) Ele chegou de Manaus.
(160) Ele chegou a Manaus.
Há casos, entretanto, que o traço direcionalidade encontra-se ausente.
(161) As crianças chegaram!
92 Os exemplos aqui apresentados são de Borba (2002, p.
Considerando usos como esses de chegar, apresentamos, para efeito de análise, seus principais semas:
Deslocamento sim não
Direção sim não
D) Tempo e modo verbal
Pretérito Presente Futuro
Indicativo Subjuntivo Imperativo
Forma nominal
E) Número e pessoa verbal
1ª do singular 2ª do singular 3ª do singular
1ª do plural 2ª do plural 3ª do plural
As categorias D e E foram escolhidas pela necessidade de pesquisarmos quais os usos de
chegar apresentam propriedades verbais plenas, isto é, apresentam variabilidade de modo, tempo
e pessoa. Vale ressaltar que estamos considerando, nesta análise, a noção de tempo gramatical, não cronológica. Nosso propósito, com essas categorias, é verificar se está ocorrendo uma neutralização de marcas morfológicas ou se alguma forma está sendo preferida para expressar um determinado uso.
F) Realização do Argumento 1 (A1)
Sim Não
A realização dos argumentos verbais é um indício de que o verbo apresenta valor lexical, e se localiza à esquerda da escala de gramaticalização. No uso mais concreto do verbo
chegar, dois argumentos (1 e 2) são, na maioria das vezes, realizados.
G) Propriedades sintáticas de A1 SN preenchido lexicalmente SN não preenchido lexicalmente
H) Propriedades léxico-semânticas de A1
Para análise das propriedades semânticas do A1 presente nas ocorrências com o verbo
chegar, consideramos o nome uma entidade que pode apresentar traços ou concretos ou abstratos.
Seguindo uma hierarquia de traços já amplamente conhecida, Givón (2001, p.56) explica que se, uma entidade for fêmea, por exemplo, também será humana; se for humana, também será animada; se for animada, também será concreta93. A diferença básica, para o autor, entre entidades concretas e abstratas reside nos traços Temporalidade e Espacialidade. Esses traços estão presentes em entidades concretas, como faca, árvore, casa, mulher, que existem tanto no tempo quanto no espaço. Ao contrário, entidades como liberdade, bondade, não são possuidores desses traços, pois não existem nem no tempo nem no espaço. Givón chama, ainda, a atenção para as entidades que, embora existam no tempo, como dia, aniversário, sábado, não existem no espaço, sendo classificadas, portanto, como abstratas.
Dessa forma, temos os dois grandes traços semânticos a serem usados em nossa análise: [Concreto] e [Abstrato]. Esses dois traços subdividem-se de acordo com a natureza de cada um. Ainda citando Givón, ressaltamos que entidades que exibem o traço [Concreto] podem exibir os traços [Animado], é o caso de mulher, cachorro; ou [Não-animado], como árvore, pedra. Se a entidade exibir o traço [Animado], podemos, ainda, conferir-lhe os valores [Humano] ou [Não- humano]. Por outro lado, as entidades que apresentam o traço [Não-animado], podem exibir o traço [+Contável], como pedra e árvore; ou o traço [Não-Contável], como é o caso de água e ar, por exemplo94.
Definimos, assim, as seguintes propriedades lexicais de A1:
Concreto Abstrato
Contável Não-Contável
Animado Não-animado
Humano Não-humano
Julgamos relevante a investigação das funções semânticas ou papéis temáticos (casos) de A1, pois consideramos que, em uso mais concreto, o A1 de chegar apresenta o traço [+agentivo].
93
“(...) if an entity is a female, it must also be human; if human, it must also be animate, it must also be spatial (concrete); etc. But not necessarily vice versa.” (Givón, 2001, p.56)
94 Convém dizer que, em conformidade com Heine et alii (1991), consideramos a distinção desses traços como escalar, gradual. Dessa forma, apesar de reconhecermos a redundância (uma vez que o traço humano implica animado, por exemplo), julgamos ser, essa especificação, relevante para flagrar os caminhos de abstratização que se estende no percurso dessas subcategorias.
Como nosso interesse é flagrar os caminhos de abstratização de nosso objeto, é interessante observar a conservação desse traço. Para tanto, baseamo-nos na tipologia de casos de Fillmore (1971), e definimos as funções:
• Agentivo: para o argumento com os traços [+concreto], [+contável], [+animado], [+humano] normalmente o instigador do processo verbal.
• Objetivo: para o argumento não-animado da ação, representado por um nome de objeto atingido pelo processo verbal.
I) Realização do Argumento 2 Sim Não J) Propriedades sintáticas de A2 A + substantivo a + pronome De + substantivo de + pronome Em + substantivo em + pronome K) Propriedades léxico-semânticas de A2 Concreto Abstrato Contável Não-Contável Animado Não-amimado Humano Não-humano
Como funções semânticas foram definidas as seguintes:
Direção Origem Outros
L) Tipos de gêneros
GON; GOR; GOE; GOA; GOP
O corpus que nos serve de base (COMTELPO) para a análise da modalidade escrita do português dá-nos um material muito rico devido à amostragem bastante diversificada de gêneros. Resolvemos, então, considerar os tipos de gêneros como categoria de análise, por entendermos, como Bronckard (1999, p. 137), que o gênero de texto é fator determinante de revelações de atividades de linguagem em funcionamento permanente nas formações sociais.
M) Século:
Século XIII; Século XIV; Século XV; Século XVI; Século XVII; Século XVIII; Século XIX; Século XX.
Como nossa investigação é de natureza pancrônica, e um dos nossos objetivos, nesta tese, é rastrear os diversos usos de chegar no português arcaico, moderno e contemporâneo e identificar o provável século de entrada dos usos de chegar encontrados no corpus, para, então, alocá-los em um cline, além de verificar quando a gramaticalização e/ou os seus estágios tiveram início, a categoria de análise Século será importante para esse propósito.
N) Variedade do português Português Europeu; Português Brasileiro.
Esta tese objetiva investigar os usos do verbo chegar no português europeu e no brasileiro. Essa categoria, além de nos possibilitar uma visão mais ampla do nosso objeto de estudo, vai nos revelar se os diferentes usos de chegar ocorrem, indistintamente, tanto no português europeu quanto no brasileiro, ou se há algum uso que seja mais característico de uma ou de outra variedade. Essa categoria foi utilizada com os dados do português dos Séculos XIX e XX.
As categorias descritas foram aplicadas às ocorrências obtidas a partir de um recorte do COMTELPO. Para a análise da modalidade falada95, excluímos as categorias Tipos de gêneros, Século e Variedade do português, e acrescentamos a categoria (O) Tipos de Inquérito, assim descrita:
• Diálogo entre informante e documentador (DID): Trata-se de entrevistas de dois tipos
básicos – entrevista narrativa e entrevista instrucional. A entrevista narrativa é de caráter intimista em que informante relata, em primeira pessoa, alguma experiência vivienciada; a entrevista instrucional são depoimentos impessoais sobre alguma atividade. Os DID apresentam marcas de formalidade, dada a mediação do documentador e do relacionamento assimétrico dos participantes; e de informalidade, com longos turnos do informante, em que encontramos pausas, anacolutos, marcadores conversacionais e outros caracterizadores da linguagem coloquial.
95 A análise do corpus oral registrou os mesmos resultados observados no corpus escrito, por isso só faremos referência aos dados da lingua oral, para exemplificarmos alguns testes de auxiliaridade.
• Diálogo entre dois informantes (D2): Trata-se de diálogos informais entre falantes com
graus diferentes de intimidade, com variações de assunto. Em virtude de não haver interferência do documentador, esse inquérito ganha em naturalidade, por isso podemos observar uma fala natural, com a presença de grande número de marcadores, anacolutos e expressões próprias do registro coloquial.
• Elocução Formal (EF): Trata-se de amostras da linguagem de aulas e conferências
realizadas por informantes cultos numa situação de comunicação marcadamente didática. Nesse tipo de inquérito, temos uma elaboração mais cuidadosa da linguagem, e pouca variação do assunto, em virtude da atitude formal na qual o inquérito é produzido.
Em virtude do número de categorias selecionadas para análise, e para melhor refinamento, foi necessário separar critérios semânticos e critérios sintáticos. Assim, para efeito de utilização do Pacote Varbrul, realizamos, inicialmente, seis “rodadas”:
1ª) Corpus escrito (Séculos XIII a XX)
a) Análise semântica: categorias A, B, C, F, H, I, K, L, M; b) Análise sintática: categorias A, D, E, G, J, L, M.
2ª) Corpus escrito – PE x PB (Séculos XIX e XX)
a) Análise semântica: categorias A, B, C, F, H, I, K, L, M, N; b) Análise sintática: categorias, A, D, E, G, J, L, M, N.
3ª) Corpus oral (Século XX)
a) Análise semântica: categorias A, B, C, F, H, I, K, O; b) Análise sintática: categorias A, D, E, G, J, O.