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A. KALİTE GÜVENCESİ SİSTEMİ

A.2. İç Kalite Güvencesi

Existe uma grande quantidade de conceituações para definir o que vem do povo em diferentes momentos históricos as coisas pertencentes ou relativas ao povo foram vistas sob vários aspectos que revelavam as faces e contrafaces de seu tempo. Muitos sinônimos também já foram utilizados: povo, popular, massa, motim. Em diferentes línguas: populus,

politikos, plêion, ta plèthè, polus antrôpos56, etc. Essas palavras envolvem ambigüidades, incoerências, conflitos, intrigas, etc. Geneviève Bollème57 aponta que desde a antiguidade as multidões já ocupavam um lugar, do qual havia um distanciamento, pois se cultivava um “medo das turbas”. Martín-Barbero58 observa que no século XIX ainda existia um preconceito aristocrático em relação ao “sórdido povo”, ao povinho reles.

De modo geral podemos entender o povo sob uma série variada de matizes. A multidão como turba ou massa anônima; um somatório ou ajuntamento qualquer de pessoas; uma comunidade restrita de pessoas; a classe dominada (em oposição à classe dominante); a ralé, a parte humilde da sociedade; um conjunto de pessoas que tem nível cultural médio ou baixo e até a coleção de todos os indivíduos de um país: o povo-nação.

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Para obter mais detalhes, consultar Bollème (1988), que realizou um acurado estudo sobre as formas de se falar e representar O povo ao longo da história. Apesar de ser uma pesquisa vernácula, ela traça importantes imagens da cultura.

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Op. Cit.

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Atualmente, existem duas formas predominantes de falar sobre o povo, escondidas sob a égide de dois chavões: cultura popular e cultura de massa. Ambas as terminações se entrelaçam historicamente, enquanto experiências do mundo da vida e da arte. O fato é que a idéia de uma sociedade de massa está implicitamente associada à noção de povo. A maioria dos estudos das ciências sociais coloca o surgimento da massa no período pós- guerra, associado ao fenômeno da sociedade de consumo, desconhecendo as matrizes históricas e culturais deste conceito.

O povo que na antiguidade já fora tido como impetuoso, primitivo, infantil. É hoje visto com uma massa pouco esclarecida, não-pensante, sem espírito nobre, sem polidez. O povo que já fora visto como ciumento, apaixonado, irritado, frívolo. É hoje a massa tomada pela inconstância e pela emoção. Mas esse povo também já foi aquele do Romantismo, em que sua força vai caracterizar tradições, expressões artísticas e gêneros literários. Para alguns autores, essa experiência marca a origem pelo interesse do estudo do conhecimento cultural do povo associado às suas formas artísticas; momento também em que a noção de povo foi sendo substituída progressivamente pelo termo “popular”, e das primeiras tentativas de tornar a cultura popular símbolo da cultura nacional.

Há tempos que existe uma zona de encontro entre o povo, o popular e a massa. A proximidade é gerada pelo julgamento estético que os localizam na “narrativa do exagero e do paradoxo, da paixão e da emoção, aquela que mistura ética e estética, aquela que a história do pudor e da racionalidade do triunfo da burguesia nos acostumou a descartar como popularesca e de mau gosto”59 Assim era a concepção de cultura popular na Idade Média e no Renascimento, conforme já havia retratado Mikhail Bakthin60; assim continua julgando as concepções puristas da cultura popular que vê a cultura de massa como

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Martin-Barbero,Op. Cit., p.333.

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BAKTHIN, Mikhail. A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento: O Contexto de François Rabelais. São Paulo: Hucitec, 1987

degeneração das práticas do povo, transformadas pela assimilação da técnica, o rebaixamento progressivo dos elementos mais fortemente caracterizadores da tradição.

Dentro deste debate, os meandros que nos permitem situar o nosso enfoque empírico parte da cumplicidade que o folclore tem com a massa, lugar de chegada de uma tradição oral e ponto de partida de uma nova cena, que leva da cultura popular à cultura de massa. Nosso enfoque empírico parte da mediação de artistas da Cidade de Campina Grande-PB que retratam os conflitos e limites deste contingente da migração da cultura popular para as cidades e a explosão da cultura de massa urbana. Lourdes Ramalho, que inicia sua produção cultural na década de 50; Bráulio Tavares e Jessier Quirino, que nasceram nesta década e Astier Basílio, que é seu remanescente. Pretendendo encontrar os liames entre uma geração e outra e traçar os caminhos que levam de uma identidade rural a uma urbana; Todos estes artistas estão preocupados com os costumes ditos populares, ao passo em que se propõem a dialogar a tradição com uma rede de atores sociais composta de outros artistas, intelectuais, jornalistas, literatos.

Malgrado o víeis tradicionalista da cultura popular ter negado qualquer elo em comum com a cultura de massa, Martín-Barbero já sugerira que pensar a denominação do popular atribuído à cultura de massa propõe em pensar positivo o que se passa culturalmente com as massas. Por este motivo, pretendemos delinear na literatura escrita destes quatro artistas os elementos que permitem essa mediação, estejam eles implícitos ou explícitos em suas obras, admitidas proposital ou aleatoriamente, a partir da apropriação de duas linguagens: a tradicional e a contemporânea.

A especificidade dos trabalhos de Lourdes Ramalho, Bráulio Tavares, Jessier Quirino e Astier Basílio, deriva da apropriação daquilo que as pessoas “ordinárias” possuem e representam como sendo suas formas de vida, seus modos de acreditar, e sua posição nas relações sociais. Promovendo à mensagem da cultura do povo com a cultura de massa, e também com a cultura erudita.

Dentre os autores-poetas investigados, todos eles têm uma incursão com o que convencionalmente se cultua como erudição61, mas também transitam no universo da cultura popular, como constatamos neste trabalho. É exatamente por ter a propriedade de circular entre estes universos que todos eles estão aptos a articular simbolicamente a cultura popular e sua expressão numa cultura de massa. Esse movimento é o mesmo apontado por Martin-Barbero ao analisar as transformações sofridas no campo da literatura a partir da insurgência da imprensa. Ele constata tanto uma transformação do autor-escritor, quanto da narrativa das classes populares e afirma que essa movimentação redirecionou a figura do escritor na direção da figura do jornalista, o que possibilitou que as classes populares tivessem acesso à literatura escrita.

Lourdes Ramalho escreve num momento em que a busca pela construção de uma identidade nacional unificada abre caminho para a emergência de uma cultura de massa, como estratégia de unificação de um mercado consumidor e da centralização das forças do poder estatal. Ainda que sua linguagem não tenha se tornado um fenômeno no meio massivo, a sua autora assim o foi. Considerada uma sumidade pela imprensa local, a teatróloga sempre aparece em entrevistas de jornais escritos, consagrada pela insígnia da autora premiada e reconhecida internacionalmente.

Em sua escrita, Lourdes Ramalho acredita estar imortalizando algo da cultura do passado, dos ditos, falares, práticas e crenças que estariam se dissipando no tempo. A própria autora estaria antecipando as transformações pelas quais a cultura popular urbana estaria passando e, acredita estar imortalizando a cultura do passado.

Jessier Quirino, embora atuando nos palcos, é um excelente atrativo no campo da mídia. Em seus livros, estão acoplados ao encarte um cd, que “traduz” a maioria dos

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Lourdes Ramalho é de uma família culta no sertão, filha de diretora de escola, depois dona da sua própria escola e escritora de teatro, o que normalmente é tido como categoria de alta cultura. Jessier Quirino, filho de poeta, formado em arquitetura, pesquisador, letrista e escritor. Bráulio Tavares, filho de jornalista, membro de uma família de escritores, bilíngüe, romancista, poeta, contista, roteirista, musicista. E por fim, Astier Basílio, jornalista, formado em Comunicação Social e Letras, poeta e também teatrólogo.

poemas para a linguagem falada. Desde a associação do livro ao CD, eles se tornaram um sucesso de vendagem. Suas aparições ou espetáculos declamatórios são todos acompanhados pela imprensa escrita e televisiva, que não perde a oportunidade de anunciar previamente as apresentações, entrevistando o poeta e, ainda, fazendo a cobertura ao vivo da apresentação. Mesmo se considerando tímido, Jessier Quirino aparece constantemente na televisão, em programas de abrangência local, regional ou nacional62. Além disso, seus espetáculos são marcados por conduzirem sempre uma casa cheia, ou seja, um público numerosamente expressivo no Nordeste e fora dele.

Bráulio Tavares, este parece ser polivalente. Além de autor de vários livros o artista é auto-intitulado amante do cinema e da ficção científica. Já fez roteiros com temática e ambientação nordestinas para programas de televisão como o Brasil legal (TV Globo), e roteiros de minisséries como a Pedra do Reino (TV Globo), adaptação à tv do livro homônimo de Ariano Suassuna. No cinema, o último sucesso do roteirista foi o filme intitulado “O Homem que Matou o Diabo”. Bráulio Tavares é ainda poeta versado em motes decassílabos e já teve musicado alguns destes versos com cantores famosos como Lenine e Elba Ramalho. O autor escreve ainda para uma coluna diária no Jornal da Paraíba.

Cada visita de Bráulio Tavares a Campina Grande é notificada pela imprensa, que também o aproveita como motivo de notícia. Além de ser cortejado pelos seus amigos de juventude, é recebido por familiares e admiradores, seja qual for a razão da sua passagem. Normalmente o escritor é convidado para fazer palestras na universidade e em eventos multiculturais, como foi o caso do Primeiro Rap e Repente.

Astier Basílio é também jornalista contratado pelo Jornal da Paraíba e escreve para a sessão cultural do mesmo jornal. Portanto, além de fazer coberturas de eventos diversos como música, teatro, poesia, cordel, festivais, cinema; ele mesmo é persona alvo de notícias

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O programa Seis e Meia da TV Itararé (filiada paraibana da TV Cultura na Paraíba e sediada em Campina Grande) exibido aos domingos às seis e trinta horas, eventualmente trás os shows de Jessier Quirino apresentados no Teatro Municipal de Campina Grande. Além disso, o poeta já foi entrevista por Jô Soares na TV Globo, e já foi convidado do Programa Ensaio da TV Cultura paulista.

jornalísticas, já que atua enquanto poeta cantador, autor de livros de poesia e escritor de teatro. Sua peça foi vigorosamente anunciada no Jornal da Paraíba pela boa aceitação que recebeu na região sudeste. Uma espécie de reconhecimento auferido a um talento da casa.

Como vimos, todos eles têm passagem no mundo multimidiático, este que é um dos alvos centrais da cultura de massa, pelo menos numa visão comum que temos da relação entre desenvolvimento técnico, surgimento dos meios de comunicação como jornal, rádio, cinema e televisão e a ploriferação da cultura de massa.

A direção do nosso trabalho caminha de dentro do popular para fora, para a cultura de massa, do que o conduz ao diálogo com processo de massificação. Logo, nossos artistas são unânimes em nos oferecer em forma de poesia, metáforas daquilo que aproxima a linguagem e a estética populares da cultura dos meios massivos.