B. EĞİTİM VE ÖĞRETİM
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É verdade que as opiniões são importantes, mas as melhores não têm nenhuma utilidade quando não torna úteis aqueles que a defendem.
A cultura de massa também trouxe uma rearticulação das relações entre o culto e o popular tradicional. Através da refutação da mensagem dos meios massivos o popular tradicional, por toda sua carga de significados acumulados ao longo dos séculos, foi ganhando legitimação do saber culto. Esse dado reforça a interdependência entre o culto e o popular, e nos auxilia a compreender as operações artísticas interculturais tomadas
com referências em territórios diversos. Logo, ao culto e ao popular, acrescentam-se as
operações com os meios massivos e as novas tecnologias. As tecnologias eletrônicas têm causado muitos encantos para a maioria dos artistas. Adaptar-se ao seu uso não significa apenas obediência a uma lógica de mercado, mas que “o povo existe enquanto público de um sistema de produção simbólico que transcendeu sua etapa artesanal89”.
O fato é que o público majoritário de Lourdes Ramalho, Jessier Quirino, Bráulio Tavares e Astier Basílio são as massas de migrantes sertanejos. Juntamente com outros artistas e intelectuais que vêem nos seus trabalhos um meio para revalorizar o capital simbólico de uma experiência particular baseada em memórias de infância e juventude, noções de solidariedade social e relações de parentesco, referência a práticas tradicionais, coincidências geográficas e lingüísticas. Na opinião de Renato Ortiz essa é uma forma desses intelectuais reequilibrarem seu acervo cultural e expressarem a situação periférica de sua região e/ou país.
Os mediadores culturais no sentido que estamos trabalhando, não são, contudo, intelectuais orgânicos.90 Eles podem ser considerados realizadores do popular em seu sentido literário, teatral, midiático, cinematográfico etc. Conhecem bem as matrizes criadoras e criativas do popular e jogam com essas matrizes em função da intersecção do
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Ao invés de adotarmos a definição de “intelectual orgânico” de Antonio Gramsci, preferimos a referência do “autor produtor” de Walter Benjamin, pois ela reafirma mais de perto nossa terminação de mediador simbólico. Benjamin explica que a ação do autor como produtor é sempre uma ação de caráter mediador, pois a solidariedade do especialista com o proletariado não deve confundir-se com a proletarização do intelectual, porque a sua solidariedade nunca fará dele proletário. Mais do que isso, o autor como produtor precisa estar comprometido com a socialização dos meios de produção do intelectual e orientar outros produtores na sua produção. Por fim, ele tem interesse na reprodução do campo intelectual, não é inimigo dos poderosos e não rechaça o progresso técnico.
popular com novos receptores. Por isso, nossa ênfase está mais nas mediações do que nos meios, pois as mediações são operações criativas capazes de reformular a ação da indústria cultural e a matriz simbólica do povo.
Desse modo, Lourdes Ramalho, em sua época, contribui com a intenção de fazer o povo entrar em cena, de apresentar-se a si mesmo como sujeito histórico. Embora saibamos hoje que essa intenção pura e simples não é suficiente para tornar o povo sujeito da ação, pois ao ser reapresentado o povo assume significado diferente, encontramos na autora um dos níveis de mediação que não simplesmente a militância. Jessier Quirino, por sua vez, constrói seu trabalho na idéia de que é possível fazer falar o povo, através de uma linguagem paródica pertinente à visualização dos estigmas do matuto e apontando para os cruzamentos culturais do matuto com receptores urbanos. Bráulio Tavares recupera o lugar do imaginário popular em interação com outras correntes culturais, reativando a problematização das divisões do campo literário e as discussões entre realidade e ficção. Astier Basílio, através da matriz cultural popular se conecta com o sentido cultural das novas estratégias de linguagem, captando, por exemplo, a intermediação entre a linguagem popular e a universitária, o popular tradicional e a linguagem jornalística e hipertextual. Astier se faz poeta popular para quebrarmos a tendência de enxergarmos o povo enquanto meros espectadores.
Em Lourdes Ramalho, pela própria condição teatral, o popular está muito concentrado em referência às práticas cotidianas, abrindo espaço para uma rica interpretação do contexto social. Com Jessier Quirino, temos um espaço que pode ser utilizado para reavaliação das hierarquizações semânticas e as lutas verbais entre o popular e a ilustre gramática. Com Bráulio Tavares podemos transcender a interpretação da matriz oral popular de um sentido prático para a explicação de um conjunto de bens espirituais. Bráulio Tavares segue uma matriz mítica, mas a amplia como possibilidade original de experimentação. Astier Basílio parte do lugar controverso de uma nova cultura
comunicacional, ele finca os pés nos vínculos com a tradição e, ao mesmo tempo, assume formas e cruzamentos irreverentes.
Os resultados da mediação cultural não implicam por si só as inovações formais na cultura. As mudanças advindas do trabalho do mediador depende do uso dos diversos agentes sociais para que assim atinjam o poder de provocar transformações no mercado simbólico e, até mesmo, na cultura cotidiana. Da interação dos mediadores com a cultura de massa, podemos apreender que existe um significado original o qual os autores tomam como referência, mas para muitos setores, suas formas de reapresentação do popular são o próprio significado original.
Às vezes, esses mediadores são apenas poetas, artistas ou escritores, que dentro do território do texto conduzem a migração de uma linguagem cultural particular para a comunicação com outras. Em outros casos, através das metáforas que constroem irrompem inesperadamente práticas inéditas. Esse ciclo conseqüente aos processos de trocas culturais contribui para desmantelar as nossas convicções sobre a autonomia das práticas tradicionais e a independência dos processos simbólicos.
Mesmo que suas ações contribuam com mudanças ou intervenções efetivas na cultura. Não percebo em nenhum dos autores em questão, a visão revolucionária e transformadora do popular. Apesar de manterem uma relação tensa e questionadora com a sociedade, esses artistas não crêem que o império da cultura popular seja a redenção para as mazelas sociais. Seus movimentos artísticos têm por base as experiências cotidianas de alguns setores populares e com eles interagem no sentido de compreender e reelaborar os significados subsistentes de algumas tradições. Através desse diálogo, daí sim é possível extrair conclusões críticas a respeito da sociedade de modo geral. Lourdes Ramalho e Jessier Quirino, por exemplo, relembram o poder da sátira popular em relação aos governantes. Bráulio Tavares e Astier Basílio reconstroem a eficácia de poderes paralelos baseados em lógicas controversas à lógica oficialmente predominante.
Por outro lado, o processo de mediação simbólica também pode ser eficiente para entendermos as intervenções artísticas como práticas culturais que atuam sobre as estruturas materiais da sociedade. Muitas vezes as conclusões pessimistas sobre o folclore e a cultura popular são oriundas do preconceito em relação às mensagens artísticas. Isso acontece porque “os paradigmas clássicos segundo os quais foi explicada a dominação são incapazes de dar conta (...) da multipolaridade das iniciativas sociais91”. A qualidade de mediadores simbólicos pode ser conferida a diferentes agentes sociais, agentes políticos, militantes, incentivadores. No entanto, os mediadores aos quais estou me referindo agem sob a eficácia da mensagem poética.
Num contexto de hibridação em que as artes se desenvolvem sempre em relação a outras artes; em que as práticas culturais se colocam nas fronteiras, a busca pela mediação devolve à cultura popular um lugar no seio do desenvolvimento político da sociedade. Assim, os mediadores estão agindo de modo a utilizar as novas tecnologias de comunicação e as novas estruturas de recepção para manter as tradições participando da modernidade.
No livro-cordel de Bráulio Tavares que reconta a lenda dos Ratos de Hamelin, facilmente ele coloca os acontecimentos narrados por um povo, os alemães, em intercâmbio com as tradições e experiências de outro povo, os brasileiros. Do mesmo modo, Lourdes Ramalho aproxima a cultura e a literatura medievais a uma tradição nordestina. Jessier Quirino e Astier Basílio trazem sucessos do cinema hollywoodiano em narrativa proferida pelo matuto, como parte de uma troca de imaginários. A reelaboração dessas mediações está atrelada a um contexto em que existem muitos conflitos entre sistemas culturais e onde a preocupação com a invenção da tradição começa a fazer sentido.
O lugar de onde esses artistas escrevem é também um lugar híbrido, pois já não habitam mais a cidade onde passaram sua infância, nem o lugar onde viveram as primeiras experiências de socialização. Hoje esses artistas escrevem para teatro, compõem músicas, poesias, contos, cordéis a partir de um lugar onde se cruzam várias reminiscências da
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tradição e marcas dispersas do vivido. Todos eles passaram, seguindo uma tendência da sociedade contemporânea, por processos de desterritorialização e reterritorialização, vivenciando “a perda da relação ‘natural’ da cultura com os territórios geográficos e sociais e, ao mesmo tempo, certas relocalizações territoriais relativas, parciais das velhas e novas produções simbólicas”.92
Apesar da assimetria constatada entre as tecnologias culturais e sua apropriação enquanto produção cultural, os mediadores culturais podem se enquadrar entre alguns poucos que se aproveitam das possibilidades tecnológicas93 adequando-as às necessidades produtivas da matriz cultural popular. Através desses mediadores, um grupo de artistas populares, e de outras áreas, faz uso do mass media como recurso para se apresentarem e se expressarem.
Além dos intercâmbios modernos esses artistas estão em sintonia com as tradições reformuladas. O processo de renovação da matriz cultural popular se coaduna com esse movimento comum da tradição que inclui inevitavelmente as mesclas culturais. A maleabilidade ou não com que as classes populares adaptam seus saberes e hábitos tradicionais às mudanças é um dos focos do processo de reelaboração por parte dos mediadores estudados, acompanhando as transformações e tensionamentos através dos quais as tradições fazem parte dos processos modernos.
Esses autores possuem características peculiares por combinarem vivência e pesquisa com representação artística. De algum modo eles são concorrentes do popular e concorrentes também do campo intelectual, isto porque, seus trabalhos normalmente ser acompanhados por explicações críticas dos próprios autores. Além disso, estão irrevogavelmente aptos a participarem do mercado de bens simbólicos com certo grau de
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Lourdes Ramalho foi a única mediadora que se mostrou mais resistente ao uso das tecnologias. Ela não permite o uso de gravador de voz e hesitou quanto ao uso de câmera filmadora. Apesar de manter um site atualizado com a história de toda a sua carreira, ela utiliza poucos recursos de divulgação do seu trabalho. Do contrário, o restante dos entrevistados mostrou-se imediatamente interessado em conhecer os recursos tecnológicos de que dispunha para as entrevistas, justamente por se interessarem pelo seu uso.
legitimidade. Mesmo que não realizem um trabalho de militância declarada, também não se limitam a utilizar a referência da cultura popular como projeto estético. Através de suas relações com outras matrizes conseguem realizar a intersecção da matriz cultural popular com discursos tais como o literário, o teatral e o midiático.
O trabalho de mediação desses autores-artistas atravessa a fase em que o popular ganha legitimidade por meio de sua absorção pela cultura culta e atinge os empreendimentos através dos quais as culturas tradicionais unem-se às modalidades da cultura urbana e massiva. Em meio às migrações do campo para a cidade, as mudanças nas formas tradicionais de comunicação, podemos observar a fragmentação de práticas e símbolos tradicionais. O trabalho de mediação, ao lado do trabalho científico, é um dos únicos que consegue reunir essas práticas e símbolos dispersos e reinterpretá-las enquanto concepções de mundo. Com a diferença de que os mediadores nem sempre precisam recorrer a documentos históricos que comprovem suas referências.
Entre os quatro artistas estudados notamos uma variação em que a necessidade de encontrar uma “essência popular” através de uma “consciência revolucionária”, que vai cedendo forças; passa pelo processo de autonomização do popular em relação a um passado rural; avança em termos de uma consciência regional e formas de recriação local e, finalmente, ganha traços de interação com a simbologia massiva.
Através do trabalho de mediação, a cultura popular livra-se um pouco do “mito das raízes”, em que a lembrança da tradição serve apenas para preencher o vazio ontológico e existencial do citadino moderno. Nesse caso, os seus trabalhos tenderiam apenas a um esforço de resgate em que se procuraria viver uma realidade que não existe mais, ou melhor, um modo de viver no outro uma realidade que não é a sua, que se complementa na vivência da representação utópica das tradições dos outros.
Não queremos negar que a tradição seja fonte existencial para muitas culturas. No entanto, a mediação cultural não é capaz de transpor essa força para o nível do vivido. A
mediação simbólica, na maioria dos casos, reconhece a validade do conhecimento popular. Mas sua interpretação deve incluir uma reflexão crítica sobre a sociedade e não a ilusão de viver por meio da representação a densidade das culturas populares.
Na verdade, esse deslocamento de ponto de vista é muito mais um deslocamento epistemológico que rechaça a idéia vã de fuga ao passado ou revitalização de um passado ideal, que postula para a cultura popular “uma identidade cujo sentido se acharia na origem ou, de todo modo, lá atrás, por debaixo, fora do processo e da dinâmica da história e da atualidade94“.
As novas formas de comunicação trazem consigo a hibridação das classes populares. A existência do popular na sociedade de massa não pode mais ser identificada a partir do tradicional. Portanto, o papel do mediador é exatamente o de requalificar a eficácia ao apelo às tradições populares e incorporar às novas demandas uma memória narrativa, reconciliando os dispositivos que fazem “a memória popular entrar em cumplicidade com o imaginário das massas95”.
Os mediadores culturais são agentes que conseguem alterar o poder da lógica da comunicação de massa e redirecionar a lógica de um sistema vertical de difusão a partir dos fragmentos das expressões marginalizadas. Isso se dá pela capacidade que desenvolveram de interferir no funcionamento habitual da cidade e dos meios modernos de comunicação e informação, utilizando como pano de fundo suas experiências tradicionais e a de muitos citadinos.
Em certo sentido, o trabalho de mediação simbólica subverte a previsão de que antigas formas de solidariedade iriam subsistir aos novos meios de comunicação. É fato notável que o apoderamento das tecnologias comunicacionais tem sido mais democrático do que o apoderamento dos meios de produção e dominação dos bens materiais de reprodução da subsistência. Mas não é porque a disseminação de tecnologias provocou uma revolução
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nas estruturas sociais que ela tem se prestado a inovações. Simplesmente porque as apropriações tecnológicas têm ampliado as possibilidades comunicativas que elas provocaram uma transformação nas formas de sociabilidade. Contudo, é somente pela inovação nas formas de mediação que é possível haver uma reabsorção dos meios. Os meios por si só não são capazes de fazer a transformação, é por isso que o trabalho dos mediadores é eficaz. Os mediadores são aqueles que encontram de um lado, formas de produção e comunicação tradicionais, ancestrais ou corriqueiras, narrativas ou poéticas, locais ou regionais. E do outro, com os circuitos urbanos massivos que encontram na recuperação da experiência tradicional de seus receptores um chavão de eficácia simbólica.
Um dos modos de identificar os traços do popular nos seus trabalhos de mediação por nós analisados é encontrar estes traços deixados no texto. Uma das táticas da tradição oral popular e que serviu à massificação da leitura encontra-se exatamente nos mecanismos de sedução do leitor. Na narrativa popular, a literatura de cordel, por exemplo, além de encontrarmos as informações escritas de modo organizado, divididas por parágrafos lúcidos, letras grandes, espacejamento favorável às pausas necessárias, temos também a fragmentação da leitura em episódios, para incentivar o interesse pela seqüência da leitura; a redundância de algumas informações enfáticas e o registro do suspense que também ajuda a manter o interesse pela leitura subseqüente. Tal forma de continuidade já fora no início encontrada no folhetim e, pode perfeitamente ser identificada na imprensa escrita, em que os títulos das matérias parecem mais estratégias de publicidade. Assim como no cordel, em que os títulos transformam os fatos narrados em extraordinários que provocam a motivação pela leitura e suscitam a reação do público. As manchetes de jornais aprenderam com os títulos dos cordéis a sintetizarem a narrativa de modo a chamar atenção para os principais fatos.
Ás vezes os meios de comunicação mantém essas experiências literárias abertas à confusão e se aproveitam de algumas carências de informação para reativar mecanismos
eficazes de exploração lucrativa da matriz simbólica popular. Por isso, a tarefa do mediador é a de bem conhecer a ordem das matrizes culturais do popular, para enfim aproximar essa memória ao imaginário das massas. Neste caso, é o popular servindo como matéria-prima que alimenta a criatividade do mediador. Porém, essa habilidade não pode ser atribuída unicamente a uma estratégia mercantil. Nem sua eficácia simbólica, expressão deformada da presença do povo na massa.
O que se pode apreender dessa experiência de continuidade, juntamente com o talento mediador, é a capacidade de recriar o texto em função do contexto. Para isso é preciso que o mediador possua um conhecimento mínimo do mundo da cotidianidade popular, das práticas e técnicas narrativas, da subjetividade, das formas de conhecimento e religiosidade, etc. Em cada um dos mediadores citados, encontramos uma dessas facetas da cultura popular, assimiladas sob a experiência de vida e a capacidade de observação e descrição. Assim, contos de fada, histórias de santos e diabos, receitas médicas, canções, provérbios, narrativas heróicas e anti-heróicas, tudo isso completa o universo dos textos contemplados.
A literatura desdenha da possibilidade de esses artistas serem considerados escritores. Essa reação é a mesma que um dia julgou ser o jornalismo a destruição do literário. Pois os estudiosos da literatura enxergam o seu rebaixamento na adequação às expectativas de uma demanda comercial. Outras vezes, o desprezo pelos bens culturais das massas vem sob o rótulo de literatura de entretenimento, pois sendo feita para agradar as pessoas comuns não denota traços de rebuscamento. Em todo caso, a alta literatura precisa negar e desvalorizar a outra, para manter seu status e não se contaminar com a estética e a sensibilidade vulgar.
Escritores de folhetim, jornalistas, poetas, romancistas, todas essas modalidades foram afetadas pelos novos modos de comunicação na sociedade. Mas o fato de escritores deverem direcionar seus textos em função dessa nova postura de mediação, faz com que seu
produto seja recusado enquanto literatura, pois o “culto” se inscreve enquanto categoria à parte do movimento comum das pessoas simples ou da maioria da sociedade.
Segundo Martin-Barbero, o folhetim foi o primeiro tipo de texto considerado um fracasso literário e um sucesso comercial. Porém, o folhetim representa a pluralidade da heterogeneidade das experiências literárias que se abrem com o texto produzido no formato popular de massa. Mais do que isso, o folhetim vem trazer o caminho do reconhecimento de uma escrita popular. Interessante observar que a experiência literária do folhetim implica numa escrita baseada no romance, que transformado em novela e admitido ao corpo do jornal incorporou a narrativa episódica. Por isso, a folhetim requer a experiência do escritor erudito, que escrevendo para um público massivo, vê-se impelido a adotar elementos da memória narrativa popular.
Um tanto quanto interessante são as descrições feitas por Martin-Barbero das trajetórias do teatro, do cinema e do rádio. A base para compreendermos os caminhos desse movimento deve ser encontrada no melodrama. Ele diz que foi a cultura circense que aliada ao melodrama deram origem ao teatro popular, que admitiu certo funcionamento narrativo e