KURAMSAL ÇERÇEVE
2.7 İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.7.2 Elektronik Kitaplarla İlgili Yapılan Araştırmalar .1 Yurt dışında yapılan çalışmalar .1 Yurt dışında yapılan çalışmalar
2.7.2.2 Yurt içinde yapılan çalışmalar
Estudar seriamente um texto é estudar o estudo de quem, estudando, o escreveu. É perceber o condicionamento histórico-sociológico do conhecimento. É buscar as relações entre o conteúdo em estudo e outras dimensões afins do conhecimento. Estudar é uma forma de reinventar, de recriar, de reescrever, tarefa de sujeito e não objeto. Desta maneira, não é possível a quem estuda, numa tal perspectiva, alienar-se ao texto, renunciando assim a sua atitude crítica em face dele (FREIRE, 1977, p. 10).
Com o intuito de complementar a análise do conteúdo, foram levantadas informações específicas e individuais de cada um dos livros didáticos e de seus contextos de produção.
4.2.1 – Matemática: Novo praticando matemática
Este livro foi publicado pela Editora do Brasil e tem como autor Álvaro Andrini e co- autora Maria José Vasconcelos. Para o PNLD de 2005 foi realizada a primeira edição do mesmo, tendo sido publicado em 2002. Possui 272 páginas em formato brochura e papel branco top print.
O autor é licenciado em matemática, física e desenho geométrico pela Universidade de Taubaté e não foram encontradas outras publicações do autor28. A co-autora é licenciada também em matemática, física e desenho geométrico, mas pela Universidade de São Paulo (USP) e possui cerca de 30 publicações didáticas e paradidáticas de matemática pela mesma editora.
A editora do Brasil está instalada na cidade de São Paulo e existe desde 1943, publicando apenas obras didáticas e paradidáticas. Também está entre as seis editoras que mantém uma regularidade de grandes vendas de didáticos ao estado há 40 anos, desde a época em que o MEC co-editava as obras.
No ano de 2005 a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo comprou 170.993 exemplares deste livro para distribuição junto às quintas-séries das escolas estaduais.
O guia do Livro Didático de 2005 destacou como pontos positivos deste livro: a diversidade de enfoques utilizados, a boa estruturação e encadeamento dos temas tratados, o conteúdo sempre contextualizado com o cotidiano e o uso de uma linguagem adequada e acessível. Como pontos desfavoráveis o Guia salientou: que os tópicos são demasiadamente longos e exaustivos, que alguns conteúdos são negligenciados e seguem uma abordagem
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linear, o que também desfavorece a articulação entre outras temas e outras áreas do saber, destaca ainda que os exercícios são de fixação de conteúdos, as atividades repetitivas e de formulação artificial, limitando assim a compreensão da matemática na construção da cidadania.
Este livro teve uma segunda edição revisada para o PNLD de 2008, cujo Guia do Livro Didático traz pontos favoráveis e desfavoráveis semelhantes aos do PNLD de 2005.
4.2.2 - Língua Portuguesa: Coleção palavras
Este livro didático foi publicado pelo Instituto Brasileiro de Edições Pedagógicas – IBEP, tendo como autor Hermínio Geraldo Sargentim. Foi publicado em 2002 na cidade de São Paulo, tendo apenas uma edição. Contém 272 páginas em formato brochura.
O autor é graduado em letras clássicas e filosofia pela Universidade de São Paulo e é autor de livros didáticos há mais 20 anos tendo publicado mais de 40 títulos. Foi responsável por grande parte das vendas da editora nos anos 1980. Até 1983 já havia vendido 3.600.000 exemplares de seus livros didáticos.
A editora IBEP tem sede em São Paulo e foi implantada no Brasil em 1965. Publica apenas edições pedagógicas, sendo uma das maiores do ramo. Em 1980 comprou a Editora Nacional. O IBEP tem um longo histórico de envolvimento comercial com o MEC, estando entre as seis editoras que mantém regularidade nas grandes vendas ao MEC desde a década de 1970. A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo comprou, em 2005, 58.069 exemplares deste livro para a quinta-série das escolas estaduais. O Guia do Livro Didático 2005 avaliou o mesmo, ressaltando mais pontos negativos do livro que positivos.
O Guia do Livro Didático de 2005 trouxe como qualidades deste livro: a promoção do desenvolvimento de habilidades de produção de texto, o rico material textual e a variedade nas atividades de produção de textos. Como pontos negativos, o Guia destacou que não é discutida a variedade lingüística do país, o foco do livro é sempre voltado ao ambiente urbano, não favorece a formação crítica do aluno, infantiliza os temas abordados, possui uma visão retórica da linguagem oral, além de não contextualizar a produção dos textos presentes no livro, dentre alguns outros aspectos.
4.2.3 – Ciências: Ciências novo pensar
O livro didático Ciências Novo Pensar foi escrito por Demétrio Gowdak em co-autoria com Eduardo Marins e publicado pela editora FTD, na cidade de São Paulo, em 2002 na sua primeira edição. Possui 256 páginas em formato brochura e papel branco top print.
O autor é licenciado em história natural pela Pontifica Universidade Católica do Paraná e possui alguns outros títulos didáticos publicados de ciências e biologia. O co-autor é licenciado em ciências biológicas pela USP e publicou uma coleção de livros didáticos de ciências para o primeiro ciclo do ensino fundamental e outros livros didáticos em co-autoria com Demétrio Gowdak.
A editora FTD produz livros na linha exclusiva de educativos. É uma das maiores editoras do país, em 1997 foi a segunda maior em faturamento no Brasil, atingindo U$129 milhões (CASSIANO, 2005). Além disso, é uma das editoras mais antigas no país, está instalada desde 1902, na cidade de São Paulo.
O histórico de envolvimento desta editora com o MEC também é antigo e permanente, pois a FTD esta entre as seis editoras que mais vendem livros didáticos ao MEC há mais de 40 anos, de 1985 a 1991 e de 2002 a 2006 (no PNLD centralizado) foi a segunda a fornecer mais livros didáticos ao estado (CASSIANO, 2005).
Em 2005, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo comprou 178.696 exemplares deste livro voltados à quinta-série do ensino fundamental. O Guia do Livro Didático daquele ano trouxe muitas críticas a este material e poucos pontos positivos. São destacadas no Guia como qualidades do mesmo, as propostas das atividades serem importantes, a linguagem adequada e a busca por desmistificar a ciência como verdade absoluta. Já as críticas trazidas abrangem as imprecisões conceituais, as ilustrações pouco claras, a visão antropocêntrica da natureza, a visão finalista da evolução das espécies, a utilização de parágrafos longos e confusos e poucas propostas de atividades práticas e experimentos. Cafardo (2005) destaca que houve muitas reclamações pelo Brasil inteiro, pois este foi não só o livro mais comprado no estado de São Paulo, mas também em todo o país, apesar de ter sido um dos livros mais criticados pelo Guia do Livro Didático de 2005.
No PNLD de 2008 este material foi aprovado também, porém foi revisado e o Guia do livro didático de 2008 ressaltou mais pontos positivos do que negativos.
4.2.4 – História: História e vida integrada
Este livro foi escrito por Nelson Piletti em co-autoria com Claudino Piletti, publicados também pela editora Ática, em 2002 em sua segunda edição. Possui 191 páginas em formato brochura e tipo de papel branco top print.
O autor é formado em filosofia, pedagogia e jornalismo e é livre docente pela USP e professor na faculdade de educação da mesma universidade. O co-autor é graduado em filosofia e pedagogia e é doutor em educação, também pela USP.
Nelson Piletti possui cerca de 25 livros publicados, dentre didáticos, paradidáticos e universitários, além de artigos acadêmicos e capítulos de livros. O co-autor possui cerca de oito livros publicados.
Conforme mencionado anteriormente, a editora Ática está sediada em São Paulo e foi instalada em 1965. Comercializa apenas livros voltados à educação e os didáticos representam 20% de suas vendas. É uma das maiores editoras por faturamento do país e está dentre as seis editoras que mais vendem ao MEC permanentemente. No período de 2002 a 2006 foi a editora que mais vendeu livros didáticos ao estado, considerando o PNLD centralizado (ou seja, sem considerar o estado de São Paulo), totalizando 81.809.216 exemplares (CASSIANO, 2005).
O livro História e vida integrada para a quinta-série teve 103.107 exemplares vendidos à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo no PNLD de 2005.
O Guia do Livro Didático de 2005 também traz comentários muito positivos a este livro, enfatizando a significância dos temas trabalhados, a coerência entre a proposta e a elaboração do livro, o favorecimento da criticicidade de quem o estuda, a linguagem adequada, a bibliografia adequada, a utilização de conceitos adequados, a freqüência de trabalho com temas transversais, o desenvolvimento de atividades que favorecem a construção do conhecimento, o uso de gráficos e figuras que auxiliam a compreensão do texto, e o Guia conclui, por fim, que este livro é um material completo, salientando apenas que se deve ter atenção quanto à questão da temporalidade, que recebe tratamento pouco cuidadoso no livro.
No PNLD de 2008 este livro também foi aprovado, trazendo elogios semelhantes às do PNLD de 2005. No PNLD de 2002 ele também foi aprovado, sendo o livro mais bem cotado do Guia e o segundo mais vendido naquele ano (CASSIANO, 2004).
4.2.5 – Geografia: Geografia crítica: o espaço natural e a ação humana
O livro Geografia crítica: o espaço natural e a ação humana foi escrito por José William Vesentini em co-autoria com Vânia Vlach e publicado pela editora Ática em 2004. Segundo a ficha catalográfica, esta é a segunda edição do mesmo, porém o livro é publicado desde 1987. Possui 208 páginas em formato brochura e em papel branco top print.
O autor é livre docente em geografia e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e possui cerca de dez livros publicados, dentre universitários, didáticos e paradidáticos, além de outras publicações como artigos acadêmicos e capítulos de livros. A co-autora, Vânia Vlach, é doutora em geopolítica pela Universitte de Paris VIII e professora na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), possuindo cerca de 7 livros publicados, dentre outras publicações.
Em 2005, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo comprou 115.716 exemplares deste livro a ser distribuído gratuitamente às escolas estaduais paulistas. O Guia do Livro Didático de 2005, analisando este livro, trouxe muitos comentários positivos do mesmo e quase nenhuma crítica desfavorável. Nele é ressaltado que o ensino parte da vida cotidiana, os dados trazidos são importantes, as atividades bem elaboradas, com muitas propostas de trabalho coletivo, com bastante coerência entre a fundamentação teórico- metodológica com o que o livro apresenta de fato, além disso, avaliam que o livro auxilia no desenvolvimento da cidadania. Como pontos desfavoráveis o Guia destaca que alguns dados estão desatualizados e sem referência direta e que a linguagem utilizada é demasiado complexa para o público a que se destina.
No PNLD de 2008 o livro também foi aprovado, com algumas críticas trazidas pelo Guia do livro didático 2008, referentes à imprecisão conceitual e incoerência entre a fundamentação teórico-metodológica e a prática.
4.2.6 – Conjunto: corpus de análise
Ao analisarmos as informações específicas de cada um dos livros didáticos, foi possível cruzá-las e ter um panorama geral do conjunto de livros didáticos utilizados como corpus de análise.
Um fator comum entre os livros analisados é o histórico de envolvimento das editoras com o MEC, sendo que todas elas pertencem ao rol das que mais vendem livros didáticos ao estado há mais de 40 anos, conforme verificado por Hofling (2000). Não há nenhuma editora aqui que seja recente. Isto supõe que as editoras já conhecem os livros didáticos das outras editoras, pois compartilham suas vendas ao MEC há mais quatro décadas, ou seja, estas mantêm uma relação entre si ao compartilharem o universo escolar por meio dos livros didáticos mais utilizados nas escolas públicas há mais de 40 anos. Isto significa que todas essas editoras expressam uma visão de mundo, por meio de seus livros didáticos, compatível com a do estado brasileiro. O fato de que essa relação acontece há cerca de 40 anos enfatiza a necessidade e a possibilidade de dialogarem coerentemente entre si por meio de seus livros didáticos.
Destaca-se neste conjunto que não há uma constância entre os pareceres presentes no Guia do Livro Didático de 2005, ou seja, entre os livros didáticos mais comprados pelo estado estão aqueles muito bem cotados, como o História e Vida Integrada e o Geografia Crítica (ambos da editora Ática), como aqueles com muitas críticas negativas, como o Ciências Novo Pensar e o Novo Praticando Matemática.
Ao confrontarmos dados relativos sobre os pareceres presentes no Guia e a quantidade de exemplares comprados pelo estado também não há uma linearidade. O livro Ciências Novo Pensar, por exemplo, foi o mais criticado dos cinco aqui analisados e, no entanto, o mais comprado. Já o livro História e Vida Integrada, foi o mais elogiado e o segundo menos comprado. Ao que parece, as críticas, positivas ou negativas, do Guia não influenciam diretamente na quantidade destes livros didáticos que serão compradas pelo estado.
A centralização da produção dos livros na cidade de São Paulo também é um traço representativo do conjunto de livros. Todos eles são publicados na cidade de São Paulo, não representando o estado inteiro29. Esta centralização pode comprometer a incorporação de elementos da diversidade brasileira (social, cultural, histórica, natural, lingüística etc.) nos conteúdos presentes nos livros didáticos.
As informações sobre cada um dos livros didáticos em outros anos do PNLD demonstram a importância da amostra utilizada nesta investigação que, com exceção do livro Coleção Palavras, todos os outros foram aprovados também no PNLD de 2008, ou seja, podem ser novamente distribuído às escolas públicas brasileiras.
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Vale lembrar que estes livros didáticos são distribuídos em todo o Brasil e, portanto, a centralização no estado de São Paulo como único local de publicação tampouco representa o país inteiro.