KURAMSAL ÇERÇEVE
2.5 ELEKTRONİK KİTAPLARIN GELİŞİMİ
Conforme lembram Sorrentino et al. (2005): a palavra política tem origem no grego e significa limite. Polis significava o muro que delimitava a cidade do campo e depois passou a designar o que estava contido no interior dos limites deste muro. Resgatar este significado de política como limite, favorece a compreensão de política enquanto a arte de definir os limites, ou seja, o que é o bem comum (GONÇALVES, 200215 citado por SORRENTINO et al., 2005).
No mesmo sentido, o ambiente coloca limites à sociedade em suas relações com a natureza. Por isso, ainda que no Brasil seja marcante a presença de leis que não tenham representatividade real, políticas públicas16 e questões ligadas ao ambiente se complementam ao passo que ambas impõem limites à sociedade na busca pela sustentabilidade (SORRENTINO et al., 2005).
No Brasil, a presença da educação ambiental nas políticas públicas inicia-se em meados da década de 80, sob a influência de encontros internacionais que trataram da educação ambiental, como a Conferência de Estolcomo, em 1972, o Encontro de Belgrado,
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GONÇALVES, C. W. Natureza e sociedade: elementos para uma ética da sustentabilidade. In: QUINTAS, J. S. (Org). Pensando e praticando a educação ambiental. Brasília: Ibama, 2002.
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“A política pública pode ser entendida como um conjunto de procedimentos formais e informais que expressam a relação de poder e se destina à resolução pacífica de conflitos, assim como à construção e ao aprimoramento do bem comum. Sua origem está nas demandas provenientes de diversos sistemas (mundial, nacional, estadual, municipal) e seus subsistemas políticos, sociais e econômicos, nos quais as questões que afetam a sociedade se tornam públicas e formam correntes de opinião com pautas a serem debatidas em fóruns específicos”.(SORRENTINO et al., 2005)
em 1975, com destaque maior para a Conferência Intergovernamental em Tbilise, no ano de 1977 (SILVA, 2007; SORRENTINO et al., 2005, entre outros).
O processo de institucionalização da educação ambiental no governo federal brasileiro teve início em 1973, com a criação, no Poder Executivo, da Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA), vinculada ao Ministério do Interior. A SEMA estabeleceu, como parte de suas atribuições, a educação da população brasileira para o “uso adequado dos recursos naturais” (BRASIL, 2005).
Porém, a primeira lei que se refere à educação ambiental especificamente é a Lei Federal no 6.902 de 1.981 que estabeleceu novos tipos de áreas de preservação ambiental, entre as quais as Estações Ecológicas, destinadas à realização de pesquisa e à educação ambiental (CZAPSKI, 1998). Alguns meses depois “promulgou-se a primeira lei que coloca a educação ambiental como um instrumento para ajudar a solucionar problemas ambientais” (CZAPSKI, 1998, p. 42), seria a lei no 6938 de 1981, que institui a Política Nacional de Meio Ambiente e impõe a inclusão da educação ambiental em todos os níveis de ensino17, além disso, cria o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), define o Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA), dentre outras deliberações (CZAPSKI, 1998).
Em 1987, o Conselho Federal de Educação (atual Conselho Nacional de Educação) aprovou o parecer no. 226/87 enfatizando a urgência da introdução da educação ambiental nas escolas, em abordagem interdisciplinar e sugeriu também a criação de centros de educação ambiental nos estados (CZAPSKI, 1998).
A Constituição Federal de 1988 tem um capítulo específico de meio ambiente. Nele é estabelecido que a educação ambiental deve ser promovida pelo poder público: “promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente” (BRASIL, 1988, Art. 225, § VI).
Em 1991, foram criadas duas instâncias no Poder Executivo destinadas a lidar com a educação ambiental: o Grupo de Trabalho de Educação Ambiental do MEC, que em 1993 se transformou na Coordenação Geral de Educação Ambiental (COEA/MEC), e a Divisão de Educação Ambiental do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) (BRASIL, 2005).
No II Fórum Brasileiro de Educação Ambiental, em 1992, foi criada uma Rede Brasileira de Educação Ambiental (Rebea), onde se adotou como carta de princípios o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global e, “a partir de então, em diversas unidades federativas do país foram criadas Redes de Educação Ambiental” (BRASIL, 2005, p. 22). Ainda em 1992 é criado o Ministério do Meio Ambiente
onde se iniciou um processo de desenvolvimento de políticas públicas paralelamente e também em parceria com o MEC, impulsionado principalmente pela realização no Brasil da Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a RIO-92 (SILVA, 2007).
Em 1994, o Programa Nacional de Educação Ambiental – PRONEA18 foi editado em uma ação conjunta, contando com os Ministérios da Educação, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia e Comunicação (SILVA, 20007). O PRONEA foi executado pela Coordenação de Educação Ambiental do MEC e pelos setores correspondentes do MMA/IBAMA, e abrangeu três componentes de atuação: (a) capacitação de gestores e educadores, (b) desenvolvimento de ações educativas, e (c) desenvolvimento de instrumentos e metodologias, contemplando sete linhas de ação: educação ambiental por meio do ensino formal, educação no processo de gestão ambiental, campanhas de educação ambiental para usuários de recursos naturais, cooperação com meios de comunicação e comunicadores sociais, articulação e integração comunitária, articulação intra e interinstitucional e rede de centros especializados em educação ambiental em todos os estados (BRASIL, 2005).
Em 1996 foi promulgada a Lei no 9394, a Lei de diretrizes e bases da educação nacional (LDB). Apesar de não haver nenhuma menção específica ao termo educação ambiental, em seu artigo 26o, em que os currículos são abordados, é ressaltada a necessidade do conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política. O 32o artigo, por sua vez, destaca a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores presentes na sociedade (CASTRO; SPAZZIANI & SANTOS, 2000).
No ano de 1997 são aprovados pelo Conselho Nacional de Educação os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN´s) que têm como objetivo serem referenciais para a educação no ensino fundamental, orientando e garantindo a coerência dos investimentos no sistema educacional. Os PCN´s constituem-se como subsídios para apoiar a escola na elaboração do seu projeto educativo, inserindo procedimentos, atitudes e valores no convívio escolar, bem como a necessidade de tratar de alguns temas sociais urgentes, de abrangência nacional, denominados como temas transversais: meio ambiente, ética, pluralidade cultural, orientação sexual, trabalho e consumo, com possibilidade de as escolas e/ou comunidades elegerem outros de importância relevante para sua realidade (BRASIL, 1997).
Os PCN’s referentes ao meio ambiente reiteram que a educação ambiental deva se integrar ao currículo de modo a impregnar toda a prática educativa, não se constituindo em
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Lembrando que sigla PRONEA refere-se ao programa de educação ambiental instituído em 94, enquanto a sigla ProNEA refere-se ao programa instituído em 1999 (BRASIL, 2005)
novas disciplinas, mas permeando as concepções, os objetivos, os conteúdos e as orientações didáticas de cada área (BRASIL, 1997).
Os PCN´s receberam muitas críticas, principalmente pelo seu processo de elaboração, que foi centralizado, sem participação ou discussão, tanto com outros órgãos educacionais, como com a população (KRAMER, 199719 citado por CASTRO; SPAZZIANI & SANTOS, 2000). Contudo, foi um documento muito importante para a abertura de espaços para implantação da educação ambiental no ensino formal.
Em 1999 foi criada a Diretoria do Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA), vinculada a Secretaria Executiva do Ministério do Meio Ambiente que se reformula periodicamente na tentativa de rever e melhor adequar seus objetivos e formas de atuação.
No mesmo ano é editada a Lei no 9.795, sendo esta a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), que veio a ser regulamentada em 2002, com o Decreto no 4.281. Esta define os princípios, as finalidades e as atribuições da educação ambiental, destacando que “é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal” (BRASIL, 1999, Artigo 2o).
O parágrafo 1o do artigo 10o tem outro importante destaque, pois define que a educação ambiental não deve ser tratada no ensino formal, como disciplina específica (BRASIL, 1999).
Com o Decreto no 4.281 de 2002, que institui a PNEA, foi criado o órgão gestor da mesma, ficando a cargo do MEC e MMA (BRASIL, 2002).
Em 2003, é instaurada no Ministério do Meio Ambiente a Comissão Intersetorial de Educação Ambiental (CISEA), com representação de todas as secretarias e órgãos vinculados ao MMA, criando uma instância para um processo coordenado de consultas e deliberações internamente a esse Ministério, e contribuindo para a transversalidade interna e a sinergia das ações em educação ambiental desenvolvidas pelas suas secretarias e órgãos vinculados (BRASIL, 2005).
Naquele mesmo ano, a Coordenação Geral de Educação Ambiental (CoGEA) do MEC, se desvincula da Secretaria de Educação Fundamental (SEF) e passa a ser ligada diretamente à Secretaria Executiva, ganhando desta forma, maior autonomia.
Em 2004 foi criada a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) da qual a CoGEA passa a fazer parte, atuando a partir de então de forma integrada
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KRAMER, S. Propostas pedagógicas ou curriculares: subsídios para uma leitura crítica. Educ. Soc. Campinas, n. 60, 1997.
com as áreas de Diversidade, Educação Escolar Indígena e Educação no Campo, conferindo assim maior visibilidade à Educação Ambiental e oportunizando sua vocação de transversalidade (BRASIL, 2005).
Em abril do mesmo ano, foi realizado em Goiânia o primeiro encontro governamental nacional sobre políticas públicas de educação ambiental, reunindo secretários e gestores públicos das três esferas de governo das áreas educacional e ambiental. O evento teve como objetivo elaborar um diagnóstico dos principais desafios ao enraizamento da educação ambiental no Brasil (BRASIL, 2005).
Em 2005, é concluída a terceira versão do ProNEA, em que seus objetivos e estratégias são revistos. Naquele momento as diretrizes para a educação ambiental como política pública são: transversalidade e interdisciplinaridade, descentralização espacial e institucional, sustentabilidade socioambiental, aperfeiçoamento e fortalecimento dos sistemas de ensino, meio ambiente e outros que tenham interface com a educação ambiental (SILVA, 2007).
Verifica-se, portanto que a legislação existente no país referente à educação ambiental é bastante abrangente e vem se consolidando, nos últimos anos, de forma participativa. Contudo a lei por si só não consegue promover as mudanças necessárias, nem garante que a educação ambiental seja de fato incorporada pela sociedade. Para isso é preciso que a forma com que esta legislação chegue nas escolas, nas ONG´s, nas universidades, nos movimentos sociais seja coerente com a própria lei. Tanto nos subsídios, como nos cursos de formação, nos materiais de apoio, na estrutura física e burocrática, no corpo técnico, nos projetos, enfim, que todo o aparato de apoio à legislação que chega até o seu público caminhe coerentemente com ela.