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2. HİZMET SEKTÖRÜNÜN KAVRAMSAL DEĞERLENDİRİLMESİ 7

2.2 Hizmet Sektörü Faaliyetlerinin Sınıflandırılması 10

Esta categoria surgiu das constantes relações que as pacientes fizeram entre o tratamento e o modo como foram construindo sua auto-imagem. De algum modo, fomos percebendo que, por se tratar de uma doença que tem um tratamento que se inicia logo após o nascimento, o desenvolvimento do corpo e os efeitos do tratamento aparecem intimamente ligados. A forma como as pacientes se descreviam também parecia estar imbricada com o tratamento, como se um e outro não pudessem se separar, dando a impressão de que a identidade destas pacientes está totalmente arraigada ao modo como foram tratadas, olhadas e tocadas. O que foi dito, sugerido como opção terapêutica teve, portanto, uma relação direta no modo como essas pacientes se vêem e se sentem.

 “Todo mundo falava que eu era gorda porque eu tomava muita cortisona, eu realmente

sempre fui inchada, minha mãe se via revoltada porque eu inchava demais. Hoje eu sei que eles acertaram meu tratamento e eu não tenho mais efeitos colaterais, eu não incho mais, a obesidade diminuiu. Cheguei a pesar 96kgs! Hoje o que me incomoda são os pêlos, já fiz muitos tratamentos para isso, eu até deixei meu rosto todo marcado porque não foi bem feito, acho que isso me impede de chegar mais perto dos outros....”

Os efeitos dos hormônios masculinos também parecem ter certa influência no modo como estas mulheres se vêem. Há um questionamento constante sobre o que é ser uma mulher com um corpo semelhante ao de um homem e o que há de diferente entre elas e as outras mulheres, pois percebem estas diferenças.

 “Eu sempre fui diferente da minha irmã, eu não gostava de me arrumar, eu gostava de

jogar bola, eu só mudei quando fui pra Paraíba, eu comecei a emagrecer lá, meu corpo foi mudando, eu tinha muita massa muscular, eu era muito forte, mas fui perdendo corpo e tomando curva. Isso me incomodava, eu era muito atlética, eu me via uma menina com um corpo forte, não uma delicada. Eu era mais forte que as meninas e meu jeito era diferente, mas eu tentava não

ficar olhando pra isso daí. Minha voz era diferente, sempre foi, desde os 10 anos ela foi engrossando. Agora que eu perdi um pouco de massa muscular deu vontade de usar blusinha, antes eu usava mais camiseta, eu queria me esconder. Meus peitos são pequenos, minha família toda tem peito grande, eu também queria ter.”

Alterações decorrentes do mau tratamento também deixaram uma marca no corpo destas meninas. De certo modo, não sabiam se eram mulheres de “verdade”, em função de uma informação mal colocada no início do tratamento, tal como: “sua filha tem dois sexos”, provocando uma constante oscilação no modo de se vestir de duas destas garotas, como se essa dúvida em relação ao sexo a que pertencem se perpetuasse.

 “Me incomoda todas as meninas terem seio grande e eu não, eu não quero ficar uma

tábua eu acho feio. Me falaram que eu tinha os dois sexos quando eu nasci, nunca entendi isso daí. E eu não sei porque todo mundo na rua fica olhando pra mim, eu me vestia igual um menino, mas agora eu tô me arrumando mais, antes não colocava saia, nada disso, eu só gostava de coisa de menino, eu era mais molecão, gostava de carrinho, de bater nos outros, agora minha cabeça mudou, tô mais calma, fico mais em casa.”

Em oposição a isso, encontramos uma paciente que inicialmente foi

registrada como menino, posteriormente (dentro de um mês de vida) re- designada para o sexo feminino e não teve sua auto-imagem alterada. Ela relatou que gostava de brincar com coisas de menino, mas sempre cuidou da aparência e se apaixonou por homens na adolescência, casou-se e teve relações sexuais normalmente:

 “Eu tinha um pouco de medo da relação sexual, mas deu tudo certo e eu contei tudo

para o meu marido.”

Uma das pacientes encontrava-se, no período em que realizamos a

entrevista, totalmente descontente com sua genitália, dizendo que sua malformação a fazia se sentir uma pessoa muito diferente das outras. Somado a isso, relatou que recentemente “descobriu” que sentia atração por outras mulheres e começou a ter relacionamentos homossexuais, o que a fazia se

sentir ainda mais diferente. Deixou evidente seu desejo de se sentir como os outros, identificando, na correção cirúrgica, essa possibilidade. Esta paciente foi, entre as seis entrevistadas, a única que teve um filho. Ao falar sobre isso, comenta que se descobriu grávida por acaso, numa crise de cólicas renais. Descreve a gestação como algo que ela não esperava, uma vez que a médica havia garantido que ela teria poucas chances de engravidar, o que foi entendido por ela como uma impossibilidade de engravidar.

 “Fico muito incomodada com a minha genitália, quero operar, isso me incomoda na

hora de ter uma relação sexual. Quando fui transar pela primeira vez isso me incomodou, parece que é uma coisa constrangedora. Eu não fico à vontade na hora da relação. Mas eu vou fazer a correção de novo e isso vai mudar. Eu engravidei com 20 anos, foi uma gravidez super inesperada porque a médica sempre me dizia que eu dificilmente engravidaria e eu confiei e fui transando. Eu não tinha sintomas de gravidez, eu descobri mesmo porque eu tive uma infecção nos rins e eu tive que ir ao médico, eu tinha cólicas e foi aí que ele descobriu que eu tava grávida de quase 3 meses.”

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