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1.2 ÖRGÜTLERE KÜLTÜREL BAKIŞ

1.2.1 Ö RGÜT K AVRAMI

1.3.6.4 Hikayeler

O processo de encarceramento feminino vem crescendo de forma considerá- vel nos últimos anos. O número de mulheres presas no ano 2000 representava aproximadamente 4% da população carcerária nacional. Atualmente, o número

de mulheres presas é de 36.13520, o que representa cerca de 6% da população

carcerária total. Embora a população masculina ainda seja a grande maioria, nos últimos 12 anos o número de mulheres cresceu 256%, enquanto o número

de homens teve um crescimento médio de 130%21.

seus-direitos/politica-penal/acesso-a-informacao/estatisticas-prisional/anexos-sistema- -prisional/total-brasil-junho-2013.pdf. Último acesso em 15 de dezembro de 2014. 18 Dados do Infopen de junho de 2013. Disponível em: http://www.justica.gov.br/seus-direi-

tos/politica-penal/acesso-a-informacao/estatisticas-prisional/anexos-sistema-prisional/ total-brasil-junho-2013.pdf. Último acesso em 15 de dezembro de 2014.

19 De acordo com os dados do International Center for Prison Studies, o país com a maior população carcerária é os Estados Unidos com mais de 2 milhões de presos, em segundo a China com mais de 1 milhão e meio de presos, em terceiro a Rússia com mais de 600 mil de presos e em quarto o Brasil com mais de 500 mil presos. Disponível em http://www.pri- sonstudies.org/highest-to-lowest/prison-population-total?field_region_taxonomy_tid=All. Último acesso em 15 de dezembro de 2014. De acordo com o Novo Diagnóstico de Pessoas Presas no Brasil, elaborado no âmbito do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e divulgado em junho de 2014, se forem consideradas as pessoas presas em regime domiciliar, o Brasil passa a ocupar a 3ª posição no ranking de países com maior população prisional do mundo, com 715.655 indivíduos encarcerados. O documento do CNJ está disponível para consulta no endereço: http://www.cnj.jus.br/images/imprensa/pessoas_presas_no_brasil_final.pdf. Acesso 7 de janeiro de 2015.

20 De acordo com os últimos dados disponíveis, de junho de 2013, o número total de presas mulheres no Brasil era 36.135. Dados do Infopen disponível em: http://www.justica.gov.br/ seus-direitos/politica-penal/acesso-a-informacao/estatisticas-prisional/anexos-sistema- -prisional/total-brasil-junho-2013.pdf. Último acesso em 15 de dezembro de 2014.

21 Documento Basilar para a Elaboração da Portaria Interministerial MJ/SPM n°210/2014 , que dispões sobre a Política Nacional de Atenção às Mulheres em Situação de Privação de

No estado do Rio de Janeiro, também se observou a tendência de cresci-

mento da população carcerária feminina. Em dezembro de 2008, havia 1.40722

mulheres presas e em 2013 esse número passou para 1.905 presas mulheres23.

Um aspecto que chama a atenção é que quase metade das presas mulhe-

res no país, 45%24, foram presas por crimes de tráfico de drogas. Uma pesquisa

realizada pelo Ministério da Justiça em 2012 levantou que aproximadamente 80% das mulheres presas possuem envolvimento com o tráfico nacional ou

internacional de drogas25. Esse número expressivo denota uma necessidade de

se fomentar políticas públicas voltadas à prevenção e ao enfrentamento às dro- gas, além de indicar que deve haver uma revisão legislativa sobre tal temática. A pesquisa também apontou que a “maioria das mulheres presas por tráfico de drogas possui uma posição coadjuvante no crime, realizando serviços de

transporte de drogas e pequeno comércio” 26.

Apesar da demanda crescente, a infraestrutura dos presídios não acompa- nha a necessidade real. Em razão disto, verificam-se problemas como superlo- tação, condições precárias, insuficiência de profissionais, dentre outros.

A superlotação acarreta, inegavelmente, uma série de outros déficits. Ape- sar dos grandes esforços de construção, reforma e ampliação, a falta de vagas é uma constante nos anos apontados. Em 2013, havia no Brasil um déficit de

mais de 13.000 vagas para a população carcerária feminina27.

Em relação aos profissionais de saúde, que deveriam atuar no sistema dan- do especial atenção às mulheres, também se observa um número insuficiente

Liberdade e Egressas do Sistema Prisional, p. 11. Disponível em: http://portal.mj.gov.br/ser- vices/DocumentManagement/FileDownload.EZTSvc.asp?DocumentID={3B328D57-424B- 46F1-A7D0-013FE52F1650}&ServiceInstUID={4AB01622-7C49-420B-9F76-15A4137F1C- CD}. Último acesso em 15 de dezembro de 2014.

22 Disponível em: http://www.justica.gov.br/seus-direitos/politica-penal/acesso-a-informa- cao/estatisticas-prisional/anexos-sistema-prisional/rj-dez-2008.pdf. Último acesso em 15 de dezembro de 2014.

23 Disponível em: http://www.justica.gov.br/seus-direitos/politica-penal/acesso-a-informa- cao/estatisticas-prisional/anexos-sistema-prisional/rj_201306.pdf. Último acesso em 15 de dezembro de 2014.

24 Em junho de 2013 havia 16489 mulheres presas por tráfico de drogas, num total de 36.135 mulheres presas. Disponível em: http://www.justica.gov.br/seus-direitos/politica-penal/ acesso-a-informacao/estatisticas-prisional/anexos-sistema-prisional/total-brasil-ju- nho-2013.pdf. Último acesso em 15 de dezembro de 2014.

25 Documento Basilar para a Elaboração da Portaria Interministerial MJ/SPM n°210/2014 , que dispões sobre a Política Nacional de Atenção às Mulheres em Situação de Privação de Liber- dade e Egressas do Sistema Prisional, p. 14. Disponível em: http://portal.mj.gov.br/services/ DocumentManagement/FileDownload.EZTSvc.asp?DocumentID={3B328D57-424B-46F1- A7D0-013FE52F1650}&ServiceInstUID={4AB01622-7C49-420B-9F76-15A4137F1CCD}. Úl- timo acesso em 15 de dezembro de 2014.

26 Ibidem.

27 Em junho de 2013 havia 22.666 vagas para uma população de 36.135 presas. Disponível em: http://www.justica.gov.br/seus-direitos/politica-penal/acesso-a-informacao/estatisticas- -prisional/anexos-sistema-prisional/total-brasil-junho-2013.pdf. Último acesso em 15 de dezembro de 2014.

de clínicos gerais e ginecologistas. Em 2013, os presídios femininos no país pas-

saram a contar com apenas 21 ginecologistas28 para uma população carcerária

de mais de 36.000 mulheres, o que equivale a um profissional para um grupo de aproximadamente 1.720 mulheres.

Em contrapartida, os presídios possuem um número muito maior de clí- nicos gerais — o que, na verdade, não atende à especialidade exigida para as internas gestantes. Ao analisarmos os dados do Infopen, esse número variou bastante durante os anos de 2008 e 2012 e em 2013 havia 391 médicos clínicos

gerais no país29. Vale frisar que o número de médicos clínicos gerais se refere

ao total de médicos disponíveis tanto para o presídio masculino quanto para o presídio feminino.

A Coordenadora Nacional da Pastoral Carcerária para a Questão da Mu- lher, Heidi Cerneka, relatou, em uma entrevista, que além da falta de médicos nas penitenciárias para garantir o atendimento às gestantes e a seus filhos, há relatos de presas no Talavera Bruce que não estariam recebendo assistência médica e denúncias de detentas que deram à luz algemadas. Ainda, na mesma entrevista, há o relato de uma das detentas da Penitenciária Talavera Bruce no sentido de que, assim como as outras internas, por estar na condição de presa,

não receberia um bom tratamento naquela Unidade.30

O número de creches e berçários no país diminuiu de 84 em 2010 para 75

em 201331. Também diminuiu o número de módulos femininos para gestantes

parturientes. Em 2010 havia 49 no país e em 2013 passou a ter 46 leitos32.

No Rio de Janeiro, o número de creches e berçários teria passado de 20

em 201033, para apenas 2 em 201334. Já o número de módulos femininos para

gestantes parturientes teria passado de um em 2010 para 20 em 2013.

Após esse breve panorama, sobre a população carcerária feminina no país e no Rio de Janeiro, passemos à análise da estrutura do sistema penal do Esta-

28 Disponível em: http://www.justica.gov.br/seus-direitos/politica-penal/acesso-a-informa- cao/estatisticas-prisional/anexos-sistema-prisional/total-brasil-junho-2013.pdf. Último acesso em 15 de dezembro de 2014.

29 Disponível em: http://www.justica.gov.br/seus-direitos/politica-penal/acesso-a-informa- cao/estatisticas-prisional/anexos-sistema-prisional/total-brasil-junho-2013.pdf. Último acesso em 15 de dezembro de 2014.

30 Disponível em: http://oglobo.globo.com/infograficos/especial-mulheres-presas/. Último acesso em 29 de outubro de 2014.

31 Disponível em: http://www.justica.gov.br/seus-direitos/politica-penal/acesso-a-informa- cao/estatisticas-prisional/anexos-sistema-prisional/total-brasil-junho-2013.pdf. Último acesso em 15 de dezembro de 2014.

32 Idem.

33 Disponível em: http://www.justica.gov.br/seus-direitos/politica-penal/acesso-a-informa- cao/estatisticas-prisional/anexos-sistema-prisional/rj-dez-2010.pdf. Último acesso em 15 de dezembro de 2014.

do do Rio de Janeiro e em seguida faremos uma análise das legislações aplicá- veis ao universo de presas mulheres e grávidas.

Benzer Belgeler