1.3.1. Amputasyon Tedavisinin Başarısını Etkileyen Faktörler
1.3.1.2.3. Hemostaz Yöntemi
Pôde-se expor anteriormente que os enunciados prescritivos que permitem construir a norma de tributação são o produto do processo legislativo e, em alguns casos, expedidos pelo Poder Executivo, em outras palavras é o resultado do exercício da competência tributária impositiva. Nesta enunciação, o agente competente volta-se para o mundo fenomênico, encontra ocorrências previstas na Carta Maga como passíveis de tributação e prescrevem as características que almejam ser objeto de tributação. Assim, põem no ordenamento jurídico os predicados que os eventos devem possuir para serem considerados jurídicos, mais especificamente jurídico-tributários. Posteriormente, o aplicador do direito – Poder Judiciário, Administração Pública ou o particular – realiza a tradução entre a linguagem social e jurídica
ao trazer ao mundo do direito aquele fato social mediante um relato em linguagem competente.
O conjunto desses enunciados, positivos e negativos, constituem ambas hipótese e consequente da norma jurídica de tributação. Todavia, a descrição das notas constitutivas do fato jurídico tributário deve determinar com rigidez a completude das características juridicamente relevantes na ocorrência social que deve ser distinguida pelo intérprete. Deve determinar o que obrigatoriamente deve ser encontrado e o que necessariamente não pode. Ignoram-se somente as propriedades acidentais. Reconhecida a possibilidade de tradução entre os dois mundos de linguagem deve-se constituir a relação jurídica obrigacional tributária prevista em todas as suas propriedades pelo legislador.
Na teoria das relações, o cálculo proposicional admite quatro e apenas quatro relações entre dois predicados, caracterizando a regra do quinto excluído: um com um (unívoca), um com vários (uniplurívoca), vários com um (pluriunívoca) e vários com vários (pluriplurívoca). Aplicando este cálculo às combinações possíveis que o legislador pode estabelecer entre a hipótese e a consequência, na estrutura implicacional da norma jurídica, podem-se construir, também, quatro relações: uma hipótese para um consequente (relação unívoca); uma hipótese para vários consequentes (relação uniplurívoca), várias hipóteses para um consequente (relação pluriunívoca) e várias hipóteses para vários consequentes (relação pluriplurívoca).
Deve-se, contudo, tomar muito cuidado ao transplantar, sem mais considerações, o raciocínio para o direito. Cada implicação (hipótese-consequente) constitui uma norma jurídica em sentido estrito. E o agente que detém competência para estabelecer um destes vínculos, ao traduzir a ocorrência do mundo social para a linguagem jurídica, não é necessariamente o mesmo para todos. O agente da administração que relata o fato ilícito decorrente do não pagamento de tributo com sonegação, por exemplo, não é o mesmo que relata o fato que constitui o crime tributário, competência exclusiva do Poder Judiciário. O fato jurídico, neste caso, não é o mesmo, apesar de ter-se o mesmo evento.
A analogia é possível de construção em termos mais genéricos. O mesmo contribuinte pode estar em relação obrigacional jurídica com o mesmo ente político, no mesmo valor, em consequência a fatos jurídicos diversos. Por exemplo, Tício deve ao Estado de Pernambuco o valor de R$ 35.000,00 por ICMS do mês de janeiro e do mês de fevereiro. Uma vez tratar-se de meses diversos e, portanto, elementos temporais diversos, os fatos jurídicos tributários não são os mesmos, não obstante os sejam as relações tributárias. Ao contrário, Tício também é sócio de uma empresa que optou pelo regime de tributação com base no lucro presumido.
Logo, paga CSLL e IRPJ, constituindo duas relações jurídicas distintas, em função do mesmo evento jurídico tributário: o faturamento. As normas são duas, são diversas por encontrarem fundamentos de validade distintos. Não obstante, apresentam o mesmo fato jurídico tributário enquanto dois relatos distintos, porém idênticos, um para a CSLL e outro para o IRPJ.
Em outras palavras, é possível que um cidadão torne-se sujeito passivo tributário e constituir relação com um ente político, ou quem lhe faça as vezes, em decorrência de várias situações fácticas previstas no ordenamento jurídico e de uma mesma situação fáctica constitua várias obrigações tributárias.
Neste momento, voltando-se à hipótese tributária, deve-se reconhecer que esta apenas existe se existir também o consequente tributário. Um, sem o outro, não é; ou melhor, não impõe um dever-ser, independentemente de o consequente tributário existir para várias hipóteses e haver várias hipóteses para o mesmo consequente.
Há, porém, duas situações inaceitáveis na teoria da norma jurídica. A primeira prevê a impossibilidade de construir uma norma com mínimo de manifestação do deôntico na ausência de enunciados prescritivos que permitam o desenvolvimento de uma hipótese e de um consequente. Lourival Vilanova é enfático: “as hipóteses fácticas valem porque foram constituídas por normas do sistema jurídico positivo, e valem porque são pressupostos de conseqüências. O sistema pode ligar a uma hipótese qualquer conseqüência, mas não pode deixa-la isolada e neutra em sua valência”324. A inexistência no ordenamento jurídico de previsões expressas ou implícitas que permitam desformalizar e dar sentido a todos e a cada um dos critérios da regra-matriz de incidência tributária impede a construção de uma norma de tributação. Na ausência de alíquota ou da base de cálculo, do sujeito ativo ou passivo, por exemplo, não há que se falar em norma de tributação: o tributo não foi instituído.
Diferente é a situação em que há uma norma de tributação construída, completa em todos os seus critérios, mas que possua determinados elementos negativos que determinam situações sobre as quais não deve ser incidida. Esta característica, entende-se, deve estar constante já na própria formulação da norma de tributação, especificamente em sua hipótese, como situação não autorizadora de relato do fato jurídico tributário por não coincidir a situação fáctica com as previsões normativas.
324 VILANOVA, Lourival. Analítica do Dever-Ser. In: ______. Escritos jurídicos e filosóficos. v. 2. São Paulo:
Essa situação impede falar-se em isenção que delimite o consequente da norma de tributação, sob pena de existir uma hipótese que não dispare um consequente, ou seja, de haver um fato jurídico tributário que não implique uma relação obrigacional. Como exemplo, pode-se falar das previsões normativas que isentam certas pessoas. Sem um critério subjetivo no antecedente, seria possível construir duas hipóteses idênticas, enquanto uma dispararia a causalidade jurídica e outra não, porque apenas o critério pessoal do consequente, especificamente o sujeito passivo, é que seria delimitado. O mesmo se daria a previsão de uma alíquota zero para determinada mercadoria. Haveria a subsunção do fato jurídico à hipótese tributária (foi realizada operação de circulação de mercadoria), mas não haveria a constituição de uma obrigação tributária.
Destarte, ter-se-ia a comprovação lógica da falsidade do condicional, que, tratando-se de linguagem deôntica, implica a invalidade (inexistência) da norma. As lições de Irving M. Copi são contundentes:
Um enunciado condicional afirma que seu antecedente implica seu conseqüente. Não afirma que seu antecedente seja verdadeiro, mas unicamente que, se seu antecedente for verdadeiro, então seu conseqüente também será verdadeiro. Tampouco afirma que o conseqüente é verdadeiro, mas apenas que o conseqüente é verdadeiro se o antecedente o for. O significado essencial de um enunciado condicional reside na relação de implicação que se afirma existir entre o antecedente e o conseqüente nesta ordem.325
A tabela de verdade demonstra essa relação de implicação entre o antecedente e o consequente, demonstrando que apenas será falsa a condição em que, exatamente, o antecedente for verdadeiro e o consequente for falso, sendo verdadeira para todas as demais relações:
O enunciado condicional não afirma seu antecedente ou seu consequente, mas a verdade da implicação do consequente pelo antecedente. No caso, a tabela de verdade, como instrumento da Lógica, não revela correspondências empíricas, apenas a relação sintática ideal e quase vazia de conteúdo (proposição como proposição, sem conteúdo específico). A verdade, no caso, não é a relação da fórmula proposicional ou uma proposição com conteúdo específico e definido com uma situação empírica concreta. Como bem explica I. M. Copi, “as
tabelas de verdade estabelecem que um enunciado falso implica qualquer enunciado, e que um enunciado verdadeiro é implicado por qualquer enunciado.”326. Por isso a falsidade do
antecedente implicar a verdade do consequente e a falsidade do antecedente implicar a falsidade do consequente são situações chamadas de paradoxo do condicional. Tratam-se de falsos paradoxos porque a tabela de verdade tem por objetivo não a verificação empírica da verdade da proposição, uma vez desformalizada, e sim a confirmação de sua coerência lógica.
Na tabela de verdade do condicional, tem-se, portanto, e apenas, que o antecedente é condição suficiente do consequente, uma vez que, ocorrendo aquele, certamente ocorre este. Ou seja, para o consequente “q” ser verdadeiro basta ocorrer o antecedente “p”. Porém, nada impede que se verifique “q” sem a ocorrência de “p”, pois para um mesmo consequente podem haver vários antecedentes. Por outro lado, diz-se que o consequente é condição necessária do antecedente, porquanto este não é sem aquele: se o antecedente for verdadeiro, necessariamente também o será o consequente327. Assim, pode existir “q” sem o antecedente “p”, em razão dos antecedentes “r”, “s” ou “t”, enquanto que a verificação de “p”, para que a proposição condicional seja verdadeira, implica inexoravelmente a ocorrência de “q” .
Voltando às isenções, afirmar que esta pode delimitar um dos critérios do consequente da regra-matriz de incidência tributária é incorrer em dois problemas: i) afirmar que a ocorrência do mundo fenomênico se deu conforme previsão do direito positivo, porém não haverá implicações jurídicas, mesmo que estas sejam previstas na norma de tributação; o que leva à afirmação de que o fato não é jurídico, pois “deu-se a hipótese e não se dará o consequente”; ii) há ocorrências que em certas situações disparam relações tributárias e situações idênticas que não apresentam o mesmo efeito. Pense-se novamente no ICMS: uma operação isenta não deixa de ser uma operação de circulação de mercadoria (fato jurídico
326 COPI, Irving. Introdução à Lógica. Trad. Álvaro Cabral. 2. ed. São Paulo: Mestre Jou, 1978, p. 255.
327 “En términos más rigorosos puede decirse que lá fórmula condicional no afirma su antecedente ni su
consecuente: sólo afirma que no es el caso de que el antecedente sea verdadeiro y el consecuente falso; que si el antecedente es verdadero también lo es el consecuente; y que, por lo tanto, si es falso el consecuente también lo es el antecedente.” (ECHAVE, Delia Tereza; URQUIJO, Maria Eugenia; GUIBORG, Ricardo. Lógica, proposición y norma. Buenos Aires: Astrea, 2008, p. 59).
tributário), mas na operação não isenta constitui-se a obrigação tributária. A solução para estes problemas pode ser encontrada ao afirmar que as situações, as hipóteses tributárias, não são idênticas e buscar o critério de diferenciação (discrímen) para reconstruir a norma de tributação.
A partir das análises do direito positivo é possível reconhecer a necessidade, pois, de acrescentar o critério subjetivo no antecedente da regra-matriz de incidência tributária, sem o qual não é possível falar em fatos jurídicos tributários antecedentes de relações jurídicas tributárias, além de reconhecer com mais clareza os elementos negativos da hipótese tributária. Ademais, autoriza reelaborar a aproximação com enunciados que reduzem a uma classe vazia algum dos critérios do consequente que realizam um retorno necessário ao complemento do verbo constante do critério material.