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Helsinki Sonrası Dönem ( 2000-2006)

2. BÖLÜM

3.5 Helsinki Zirvesi’nin Önemi Ve Zirve Sonrası Türkiye-AB İlişkileri

4.1.2 Helsinki Sonrası Dönem ( 2000-2006)

Três possibilidades de classificação para as artes são apresentadas no livro Système des Beaux-Arts. A primeira classificação apresenta dois grupos que se distinguem na multiplicidade das artes e das obras: as artes da sociedade ou coletivas e as artes de estúdio ou solitárias, entendendo que não existe arte solitária quando se fala em termos absolutos. A classificação é empregada considerando-se que o desenho, a escultura, a cerâmica e a arte do mobiliário se explicariam suficientemente pela relação do artesão com o objeto, sem a concorrência direta da ordem humana presente como nas artes coletivas. No que se refere à música é natural pensar que ela estaria mais vinculada a um concerto que a uma improvisação solitária; uma voz sozinha seria demasiadamente vulnerável às paixões pessoais, ao passo que, se sustentada por um instrumento ou combinada harmonicamente a outras vozes poderia levar ao encantamento. O mesmo se pode dizer da dança e da indumentária, que são de todos para todos. Quanto à poesia e à eloquência, certamente estas passariam naturalmente do indivíduo ao público presente, ainda que a poesia possa se desenvolver prontamente em solitário. A arquitetura marcaria o elo entre a arte coletiva e a arte solitária. E a literatura em prosa estaria claramente separada das artes coletivas definindo a cultura do isolamento e do silêncio.

A estrutura humana poderia proporcionar razões mais concretas para uma divisão análoga a esta. A imaginação, como foi visto, busca seu objeto, e o objeto mais próximo se encontra nas ações do sujeito que imagina. Considera- se que o corpo está sempre sujeito às manifestações dos sentidos, logo, neste aspecto estaria sempre pronto a agir mesmo quando apresenta uma aparência inerte. Existe um vínculo natural que permite que o gesto acompanhe a imaginação, de tal maneira que, imaginar que se faz e fazer ou começar a fazer seria a mesma coisa. É assim que as palavras ou o canto que se imaginou se faz ouvir imediatamente pela voz; a percepção da voz orientaria e conduziria ininterruptamente um som seguido a outro, fazendo do sujeito que emite a voz, também um espectador de sua própria música.

Outro recurso da imaginação, tão imediato e presente como a voz, seria aquele atribuído ao tato, e que se realizaria nos gestos e nos movimentos de contato, desde que o gesto segue imediatamente à imaginação.

Desse vínculo natural provém a mímica, a dança e também os artifícios do vestuário, na medida em que são apreciados diretamente de acordo com a segurança, a liberdade e a audácia que se sente fortemente por todo o corpo81 (ALAIN, 1999, p. 43, tradução minha).

O recurso para os olhos seria de outra natureza e seria sempre o objeto. Há um gesto que traça a forma para os olhos e que é muito diferente da mímica, visto que esse gesto na medida em que deixa traços, definiria as artes plásticas, como o desenho, a escultura e a arquitetura, sempre de acordo com a matéria, como já foi dito. A mesma relação se observa aqui entre a inspiração e a ação, pois, imaginar e desenhar, imaginar e construir não seriam sempre duas coisas, nem dois momentos. A concepção de um modelo preexistente, traduzido pela execução seria também imaginaria.

Segundo essas observações, o filósofo propõe uma segunda classificação das artes e as distribui em três grupos: as artes dos gestos, as artes vocais e as artes plásticas. As artes dos gestos ou da mímica e suas variedades são imitativas e coletivas, as atitudes e expressões são trocas ou experiências em comum. As artes vocais ou de encantamento deixam transparecer a ideia de que a postura antecede em poucos segundos a voz. As artes plásticas podem ser definidas como uma contribuição dos gestos para os olhos, sobretudo quando permanecem em uma obra durável. Entre elas, a arquitetura é naturalmente coletiva; e a escultura e a pintura não se desprendem, em tempo algum, completamente dela. O desenho é mais abstrato e mais solitário. E a escrita, que é o desenho mais abstrato, definiria, com a ajuda da tipografia, a mais solitária das artes.

E, a terceira classificação, ressalta a distinção entre as artes em movimento e as artes em repouso, que definem a arte no tempo e no espaço; sendo as

81 ŖDe cette liaison naturelle résultent la mimique, la danse et aussi les artifices du costume, autant qu'ils sont goûtés directement d'après la sécurité, la délivrance et l'audace, si fortement senties alors dans tout le corps.ŗ (ALAIN, 1999, p. 43).

primeiras, as artes em movimento, artes que se desenvolvem em um tempo definido e pela ação do corpo vivo e as artes em repouso, aquelas que deixam traços duráveis ou monumentos, no sentido mais amplo da palavra. No monumento, a memória que se quer perpetuar com o decorrer do tempo acaba por mostrar as duas dimensões, o tempo e o espaço, como no soneto do poeta romântico inglês, Percy Bysshe Shelley (1792-1822), ŖOzymandiasŗ, escrito em 1817:

Encontrei um viajante de uma terra antiga

Que disse: Duas pernas de pedra enormes e sem o tronco Erguem-se no deserto. Próximo delas na areia,

Meio enterrado, jaz um rosto despedaçado, cujo cenho E lábios enrugados e desdenhoso sorriso de frio comando Dizem-nos que seu escultor soube ler bem as paixões Que ali ainda sobrevivem, estampadas nessas coisas inertes A mão que delas zombou e o coração que as alimentou. E no pedestal, estas palavras se inscrevem:

ŖMeu nome é Ozymandias, rei dos reis:

Contemplai as minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos!" Nada mais resta em torno das ruínas

Daquele destroço colossal, ilimitadas e áridas, As areias solitárias e planas estendem-se ao infinito82

(SHELLEY, 1968, p. 385, tradução da autora).

Shelley utiliza a imagem de uma estátua de Ozymandias (nome grego do faraó Ramsés II) para tornar explícito o tempo inexorável e descrever temas como a transitoriedade do poder, a arrogância e a permanência da arte.

Dentro deste esquema das artes em movimento e das artes em repouso, podem-se considerar a poesia, a eloquência e a música como artes intermediárias, pois de alguma maneira elas se fixam nos monumentos, ainda

82 I met a traveller from an antique land / Who said:

ŕTwo vast and trunkless legs of stone / Stand in the desert. Near them on the sand, / Half sunk, a shatter'd visage lies, whose frown / And wrinkled lip and sneer of cold command / Tell that its sculptor well those passions read / Which yet survive, stamp'd on these lifeless things, / The hand that mock'd them and the heart that fed. / And on the pedestal these words appear: / "My name is Ozymandias, king of kings: / Look on my works, ye mighty, and despair!" / Nothing beside remains: round the decay / Of that colossal wreck, boundless and bare, / The lone and level sands stretch far away. (SHELLEY, 1968, p. 385).

que esses monumentos não as apresentem de forma concreta, propriamente dita. Mas, segundo Alain, é fato que mesmo quando o criador já não está ali presente no espaço, temos muito mais música, que gesto. Todas essas classificações concordam e determinam detalhadamente a ordem de exposição que lhes convêm.

Benzer Belgeler