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ve VI. Michael Stratiotikos (1056-1057)

BÖLÜM 3: PEÇENEKLER, HAZARLAR VE DE ADMINISTRANDO

3.2. Hazarlar

3.2.5. Hazarlarda Kültür ve Medeniyet

Anteriormente foi discutido o papel do uso da terra na teoria econômica, principalmente no contexto da NGE, e as formas que seu tratamento assumiu ao longo do tempo na literatura. Muitos modelos, no entanto, apenas teorizam como o comportamento dos agentes e processos estruturais de organização do espaço podem ocorrer com o emprego do uso da terra. A aplicação destes modelos é limitada ainda em razão da existência de poucos testes de validação e falta de informações para calibragem (OTTAVIANO; PUGA, 1997). Os modelos EGC representam uma solução alternativa para esta questão, com capacidade de avaliação de problemas econômicos reais. Além disso, tais modelos podem ainda englobar algumas características dos modelos da NGE, como aglomeração e economias de escala (paramétricas). Mesmo estes modelos tendo a capacidade de apresentar resultados numéricos, algumas hipóteses quanto à modelagem são assumidas.

Os modelos EGC têm como base as hipóteses clássicas de modelagem de equilíbrio geral. Os modelos teóricos de equilíbrio geral tomam como válida a existência de uma economia walrasiana quanto ao equilíbrio nos mercados, sendo o seu sistema de equações fundamentado na formalização realizada por Arrow e Debreu (1954). No desenvolvimento desse trabalho e de antecessores, buscou-se tratar a economia sob o aspecto matemático para responder questões emergentes da economia neoclássica, em termos da viabilidade e eficiência do sistema de mercado, com o respaldo de premissas metodológicas de racionalidade dos agentes, as quais buscam maximizar lucro e utilidade e equilíbrio nos mercados (ARROW, 1951; DEBREU, 1951). Nos modelos de equilíbrio geral, a principal preocupação é com a alocação dos bens, que pode se dar entre diferentes regiões, indivíduos, através do tempo, sob incertezas etc.

Nesses modelos, os bens da economia são tratados como objetos quantificáveis, e produção e consumo são definidos em termos de transformação de bens. Esta definição foi realizada para distinguir os bens de outros objetos, como os ativos financeiros. Em uma economia com H consumidores, cada consumidor h tem um plano de consumo (preferência). Assim, os consumidores fazem escolhas entre planos diferentes de consumo, não somente com relação a bens específicos. Cada consumidor tem uma dotação inicial de bens, que, juntamente com as preferências, tem sua demanda por bens definida. Para as preferências, são assumidas hipóteses de completeza, transitividade, convexidade e não saciedade. Assim, a agregação das

curvas de demanda dos H consumidores corresponde à demanda do consumidor representativo da economia, que depende dos preços e é contínua, não negativa e homogênea de grau zero. Os consumidos também são racionais e podem “aprender”, no sentido de que suas taxas marginais de substituição podem depender do estado da natureza, mas essa taxa que podem aprender independe da produção ou consumo. Cada indivíduo h da economia também pode deter uma participação na propriedade das j indústrias. As indústrias transformam os bens de acordo com sua capacidade tecnológica e, nos planos de produção, componentes negativos correspondem aos insumos e componentes positivos, aos produtos. São assumidos para os planos de produção convexidade, retornos não crescentes de escala e impossibilidade de ganhos de especialização. Outras duas hipóteses sobre o ambiente econômico são feitas: irredutibilidade e não distinção dos bens com relação a qual firma os produz ou quem os consome. Os preços são apenas sensíveis (e mensuráveis) como uma relação entre dois bens, i.e., como preços relativos. No equilíbrio, as firmas obtêm lucro zero e os ajustes em todos os mercados e entre todos os consumidores ocorre simultaneamente, definindo os preços e níveis de produção e consumo compatíveis (GEANAKOPLOS, 2004).

Os modelos EGC representam uma forma de aplicação numérica de um sistema que utiliza como referência a estrutura do modelo Arrow-Debreu. A forma de aplicação dos modelos de equilíbrio geral para análise empírica teve como base duas vertentes. Uma delas foi o desenvolvimento do método de solução numérica de Scarf (1967a; 1967b) e Scarf e Hansen (1973). O método de Scarf foi desenvolvido a partir de um algoritmo que, por meio de iterações simuladas entre os agentes, fornecia um conjunto possível de soluções para o problema de equilíbrio geral. Aumentando de forma suficiente o número de iterações, o conjunto possível de soluções poderia ser pequeno o bastante para escolher um ponto de corte, compatível com um vetor de preços de equilíbrio do mercado. Vale ressaltar que Scarf não construiu um modelo de equilíbrio geral aplicado, mas sim contribuiu com uma técnica numérica útil na avaliação de consequências para a economia de uma mudança no ambiente econômico (KEHOE et al, 2005).

O algoritmo de Scarf foi a base para a realização de análises em que vetores de preços poderiam ser encontrados como solução do modelo de equilíbrio geral, dados choques exógenos e ajustamentos necessários. O método sugerido por Scarf foi utilizado seminalmente por Shoven e Whalley (1972) para análise de efeitos de tributação do capital nos Estados Unidos, e novamente por estes mesmos teóricos (1973) na descrição do procedimento

computacional para determinação de um equilíbrio competitivo em um ambiente com tributação de bens de produção e consumo. Outros detalhes sobre o procedimento computacional foram descritos por Scarf (1982). A estratégia de modelagem baseada nesta vertente é reconhecida na literatura como tradição americana de modelagem, utilizada na maioria das vezes para verificar se aspectos teóricos da ciência econômica são observados no mundo real (e.g., TAYLOR; BLACK, 1974; STAELIN, 1976; SCHÄFER; JACOBY, 2006). Nesta vertente, o sistema de equações de equilíbrio geral é tratado como não linear e os resultados são apresentados em nível. Como consequência, os custos computacionais da aplicação destes modelos são maiores.

A outra vertente é baseada em Johansen (1960). Esta vertente se apoiou na estratégia de transposição do sistema de equações do modelo para uma forma linear. O principal objetivo deste autor foi analisar “os desvios da uniformidade no processo de crescimento” (1960, p. 5), em contraste com o equilíbrio geral de Arrow-Debreu ou teoria de crescimento típica, que defendia a hipótese de um crescimento equilibrado em todos os setores. Para isso, inicialmente construiu um “modelo estocástico de insumos fixos” em torno dos dados fornecidos por definições de sistemas de contas nacionais. A razão da natureza estocástica do ano base residia no fato de que dados completos para outros anos geralmente não são disponíveis e, mesmo se séries temporais dos dados estivessem disponíveis, a estrutura da economia poderia mudar significativamente ao longo do tempo. Em seu modelo, uma matriz de insumo-produto foi utilizada para calibrar o banco de dados. Funções de produção para as firmas e demanda para os consumidores foram definidas e elasticidades do comércio intersetorial e entre trabalho e capital foram parametrizadas. Investimento e exportações foram mantidos fixos e assumidos iguais à poupança e importações, respectivamente. Os resultados das simulações dependiam da escolha do comportamento da relação entre os diferentes setores e fatores, com base na definição das variáveis endógenas (MITRA-KAHN, 2008).

Os modelos EGC desenvolvidos com base nesta vertente correspondem à tradição norueguesa/australiana de modelagem. Neste caso, a aplicação computacional ocorreria para um sistema linearizado em que as variáveis do modelo seriam medidas em termos de variação percentual. Choques nos preços não provocariam mudanças sobre variáveis reais e ajustes eventuais nos coeficientes poderiam ocorrer. Esta tradição de modelagem ganhou popularidade para aplicação na avaliação de políticas, por permitir maior detalhamento do

banco de dados e possibilidade de estabelecimento de relações mais realistas de interdependência setorial e regional.

Desde as contribuições de Scarf e Johansen muitos trabalhos foram realizados com base no desenvolvimento de modelos EGC para análises diversas. Em geral, ambas as formas de modelagem baseiam-se no paradigma walrasiano de equilíbrio geral, formalizado por Arrow- Debreu, na teoria microeconômica. No entanto, como ressaltou Mitra-Kahn (2008), o desenvolvimento de novos modelos exige que estes sejam complexos e com um sistema de equações e mapeamento em um formato padrão, para a solução de um problema de equilíbrio geral sobre novos regimes de políticas.11 Na literatura, alguns trabalhos devotaram sua atenção a documentar os modelos EGC desenvolvidos (SHOVEN; WHALLEY, 1984; PEREIRA; SHOVEN, 1988; DECALUWÉ; MARTENS, 1988; BERGMAN, 1990; BANDARA, 1991; ROBINSON, 1991; DIXON; PARMETER, 1996; ROBINSON, 2006).