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ve VI. Michael Stratiotikos (1056-1057)

BÖLÜM 3: PEÇENEKLER, HAZARLAR VE DE ADMINISTRANDO

3.2. Hazarlar

3.2.2. Hazar-Bizans İlişkileri

A análise desenvolvida neste trabalho tem como base os fundamentos teóricos básicos dos estudos de Ricardo (1817), Von Thünen (1966) e Alonso (1966). A ideia de Ricardo, assim como a de muitos outros autores clássicos, empregou grande ênfase nas questões relacionadas à agricultura e à fertilidade da terra. Este autor, no contexto de uso da terra, baseou-se na renda diferenciada desta, que dependia do nível de escassez da terra e do diferencial de produtividade entre os seus tipos possíveis. A hipótese que este autor assumia como plausível era de que o crescimento populacional forçaria a utilização de quantidades crescentes de terra para produção agrícola. Inicialmente, as terras mais produtivas8 seriam empregadas na produção, o que geraria certo nível de renda aos proprietários. Devido à necessidade de se aumentar a produção agrícola, terras menos produtivas passariam a ser adotadas no processo produtivo; gerariam uma renda inferior àquela proporcionada pelas terras mais produtivas. Assim, a capacidade de criação de excedentes9 no sistema econômico seria decrescente em relação à utilização marginal ascendente da quantidade de terra. Avançando-se ao limite da ocupação de terras menos férteis, o excedente marginal das terras menos produtivas seria suficiente apenas para cobrir os custos de produção. Isso comprometeria a acumulação de capital da economia, com consequências sobre o nível de investimento e expansão do sistema.

      

8 O conceito de produtividade, neste caso, estava relacionado à fertilidade natural da terra.

9 Corresponde ao lucro que seria simplesmente referente ao resíduo do produto após a dedução dos custos; ou ao

Von Thünen, com relação aos fundamentos relacionados ao uso da terra, integra a discussão pela via de suas teorias sobre a formação das cidades. Este autor aplicou a teoria dos retornos provenientes do uso da terra para explicar a localização das atividades agrícolas em torno das cidades. Nesta abordagem, as terras localizadas distante do centro da cidade foram consideradas de “menor qualidade”, tomando como referência a análise ricardiana. Portanto, a atividade produtiva agrícola deparava-se com um trade-off entre acessibilidade ao mercado consumidor (localização) e o uso da terra com nível mais elevado de fertilidade. A qualidade da terra era definida de modo decrescente à medida que a sua distância do centro da cidade aumentasse. Como resultado, a cidade era rodeada por anéis concêntricos de uso da terra sob diferentes maneiras. Esta ideia simples foi adotada na construção de modelos para a definição de escolhas de localização das atividades econômicas dentro de uma cidade, adotando como referência o centro desta em vez da cidade como um todo e a área metropolitana ou cidade urbana em vez da área de maior influência em termos econômicos da cidade (NIEHANS, 1990; KYUREGHIAN, 2000).

Alonso adotou esta ideia na formulação do seu modelo para economia urbana. O modelo de Alonso considerava a renda fundiária ou renda da terra como resultado da competição no espaço por terra entre residentes, firmas e agricultores. Assumiu-se tal competição ocorrer supondo um comportamento monopolístico, uma vez que a terra foi definida como um bem de propriedade. Assim, a configuração espacial do uso da terra, segundo os três usuários, dependia do preço da oferta de terra. As ideias de Alonso inspiraram o desenvolvimento de outros modelos de localização urbana. Fujita (1991), tendo como referência os trabalhos de Von Thünen e Alonso, usou uma abordagem baseada em “curvas de bid rent” para estudar o processo de escolha residencial dentro das cidades. Uma característica deste modelo foi o tratamento adotado para a terra: os tamanhos das propriedades não foram restringidos e a terra foi assumida ser um bem divisível. Este modelo teve como implicação um resultado em que a separação espacial dos agentes nas cidades ocorreria ao longo das linhas de renda10. A discussão acerca da distribuição do tamanho das cidades ou do tamanho relativo das cidades, assim como outros tópicos, também tem ocorrido na literatura (HENDERSON, 1974). Basicamente, os modelos desenvolvidos para analisar isso tentam identificar fatores ligados

      

10 O padrão de uso da terra baseado em Alonso foi utilizado por muitos outros trabalhos, que, assumindo

hipóteses sobre a distância relativa, traçavam um intervalo de geometria urbana para definir uma distribuição dos tamanhos das cidades (FUJITA; KRUGMAN, 1995; FUJITA; THISSE, 1996; FUJITA et al, 1999).

ao crescimento das cidades e ocupação do espaço (KRUGMAN, 1996a; IOANNIDES; OVERMAN, 2003; DURANTON, 2006).

As ideias apresentadas pelos autores clássicos formam um contexto básico de análise para muitos trabalhos já desenvolvidos ou em desenvolvimento que consideram o uso da terra e seu relacionamento com os rendimentos que os diferentes tipos de usos podem fornecer. No caso das teorias ricardianas, trabalhos atuais têm empregado seus princípios gerais na estruturação teórica de seus modelos, em conformidade com o fato de que os rendimentos da terra podem ser associados a um parâmetro para definição da qualidade desta (MENDELSOHN et al, 1994; DARWIN, 1999; SCHLENKER et al, 2005; TIMMINS, 2006). Além disso, a hipótese de retornos decrescentes de escala no uso da terra para produção agrícola é aceita entre alguns modelos econômicos e seu mecanismo é explicado muitas vezes pela ideia de A. R. J. Turgot com relação à margem “intensiva”. Esta ideia defende que o declínio da produtividade é derivado da aplicação de doses sucessivas de capital e trabalho à mesma porção de terra, o que se contrapõe ao conceito da chamada margem “extensiva” de cultivo, utilizada por Ricardo para se referir ao declínio da produtividade derivado da utilização de terras menos férteis (SHEPHARD; FÄRE, 1974; MANESCHI, 1987). Estes pensamentos foram seminais para explicar os fatos básicos que podem estar presentes na definição de padrões de uso da terra.

As externalidades, por sua vez, são também tratadas com o suporte da teoria clássica nos modelos, e o exemplo da interação entre duas propriedades agrícolas, uma destinada à apicultura e a outra à produção de frutas, é comumente utilizado na literatura para ilustrar tal conceito (JOHNSON, 1973; SIEBERT, 1980; OLMSTEAD; WOOTEN, 1987). Alguns mecanismos criados para o tratamento de problemas econômicos relacionados ao uso da terra vieram como reflexo, em parte, dos trabalhos recentes desenvolvidos no âmbito da NGE. Por um bom período, após as contribuições da geografia econômica cunhada pela literatura alemã da análise da localização (Alfred Weber) e da teoria do lugar central (Walter Christaller e August Lösch), pouco foi desenvolvido em termos teóricos sobre o tema. Segundo Hubacek e Van der Bergh (2006), a agricultura ao longo do tempo passou a ser um setor econômico menor, principalmente nos países desenvolvidos, em que a integração vertical dominou o esquema de produção, contexto este sobre o qual boa parte da teoria econômica moderna foi estabelecida (HERTEL et al, 2008a).

O uso da terra, neste período, foi também tratado como um fator de menor interesse. A distância, sendo um fator importante na estratégia de modelagem acerca dos custos de transação, era frequentemente parametrizada via adoção de custos de transporte iceberg sem um modelo bidimensional explícito da superfície terrestre (SAMUELSON, 1954). Krugman (1998a) enxergou isso como consequência do fato de que a formação das cidades poderia apenas ser explicada por uma combinação de externalidades provenientes de congestionamento e aglomeração. Neste contexto, o modelo de Dixit e Stiglitz (1977) representou um novo marco em termos teóricos para explicar a formação das cidades tendo como base a hipótese de concorrência monopolística. A possibilidade de obtenção de retornos crescentes de escala (economias de aglomeração) seria possível em razão de um ambiente de competição imperfeita e existência de externalidades pecuniárias (KRUGMAN, 1991).

Em meio a este período, as contribuições notáveis realizadas na linha da geografia econômica de Isard (1959) e Isard et al (1998), forneceram suporte técnico à análise de questões espaciais e sugeriram métodos preocupados com a avaliação, a nível regional, de problemas econômicos. Destas iniciativas, a Regional Science foi cunhada para representar a forma de economia geográfica e espacial baseada na aplicação de teoria econômica matemática para estudar a localização das atividades econômicas e seus problemas relacionados (MARTIN, 1999). O diferencial das abordagens desenvolvidas nesta linha é com relação à aplicabilidade dos métodos: podem ser utilizados para análise empírica considerando fenômenos desde locais até globais. Os avanços realizados na linha da NGE se preocuparam mais com o rigor matemático na construção dos modelos, com uso de microfundamentos baseados em sistemas de equilíbrio geral das atividades no espaço (KRUGMAN, 1998b).

Parte considerável dos modelos da NGE fundamenta-se em uma teoria da localização baseada em retornos crescentes de escala provenientes de economias de aglomeração. Nesta visão, retornos crescentes são essencialmente fenômenos regionais e locais. Diferentes autores observam, de formas distintas, os retornos crescentes da aglomeração. Como apontou Martin (1999), uma destas visões entende que as forças de aglomeração (centrípetas) correspondem basicamente à tríade das externalidades de localização marshalliana, relativa ao agrupamento no mercado de trabalho, transbordamentos técnicos e efeitos de encadeamento na demanda e oferta de produtos intermediários. A atuação desta força tende a concentrar as atividades econômicas localmente (local clustering). Ao nível regional mais amplo, as externalidades pecuniárias, que se devem ao tamanho do mercado, conduzem a um padrão centro-periferia de

grande proporção no processo de desenvolvimento econômico dentro das nações. As forças contrárias a este movimento (centrífugas), relativas aos fatores que induzem a uma maior dispersão das atividades, ao nível local, surgem da competição no mercado de produtos e fatores. Assim, custos de transporte e mobilidade do trabalho foram os principais fatores verificados para determinar o estabelecimento de um padrão essencialmente de aglomeração ou dispersão. A atuação de forças espaciais aglomerativas tende a prevalecer sobre a de forças de dispersão quanto menor os custos de transporte e maior a mobilidade do trabalho (KRUGMAN, 1991; KRUGMAN; VENABLES, 1996; PUGA; VENABLES, 1997a; 1997b; VENABLES, 1996a; 1996b; OTTAVIANO; PUGA, 1997).

Alguns destes elementos essencialmente formalizados no contexto da NGE foram adotados por outras abordagens. Uma delas relaciona retornos crescentes de escala com a teoria de crescimento endógena para analisar questões relativas à transferência de capital humano e progresso técnico localizado como mecanismos subjacentes à concentração locacional das atividades econômicas. Alguns autores utilizaram esta estratégia para verificar como mobilidade de capital e migração poderiam influenciar no crescimento de algumas regiões, conduzindo ou não a um equilíbrio de maior ou menor concentração (BERTOLA; ICHINO, 1995); e como inovação pode gerar economias de aglomeração (BALDWIN, 1999; MARTIN; OTTAVIANO, 1999; 2001). A ideia dos retornos crescentes de escala também foi empregada para modelar o crescimento das cidades. Basicamente, estes modelos apoiam-se na hipótese de que as pessoas se concentram nas cidades porque estas oferecem maiores salários relativos e maior variedade de bens, e de que as firmas lá se concentram em razão da existência de maiores mercados consumidores (KRUGMAN, 1993a; 1993b; 1996b; HENDERSON, 1996).

A desvantagem dos modelos da NGE em relação à “old” economic geography (HERTEL et

al, 2008a) — correspondente aos modelos sugeridos por Isard — é quanto às possibilidades

de aplicação numérica, bem restritas, especialmente para a análise de questões envolvendo uso da terra e mudanças climáticas, que envolve escolhas com base no comportamento dos agentes e calibragem de informações. Segundo Martin (1999), estes modelos não conduzem facilmente por si só à aplicação ou estimação empírica; ao mesmo tempo em que possuem muitas simplificações, podem ser muito abstratos e idealizados: muitos fatores são mantidos constantes ou ignorados, o que comprometeria o significado dos resultados à luz do mundo real.