3.1. Sağlık Hizmetlerinde Performans Değerlendirme
3.1.2. Hastane Performansı
A região do Seridó é composta pelo bioma denominado Caatinga (hiperxerófila arbóreo), na qual existem várias espécies com potencial energético para utilização na queima dos fornos da Cerâmica Peruana. Esse processo é realizado com lenha extraída da região do Seridó e utilizada por algumas Cerâmicas até hoje, pois outras Cerâmicas já se modernizaram e instalaram fornos elétricos, deixando essa prática de utilizar lenhas nos fornos.
Vejamos a seguir no quadro 2 algumas espécies de plantas encontradas na região do Seridó.
Quadro 2 - Levantamento de algumas espécies de plantas que compõem a flora da Região do Seridó oriental do RN.
Nome Popular Nome Científico Família
Jurema Preta Mimosa hostilis Mimosaceae
Catingueira Caesalpinia pyramidalis Caesalpinaceae
Pereiro Aspidosperma pyrifolium Apocynaceae
Faveleira Cnidoscolus phyllacanthus Euphorbiaceae
Marmeleiro Croton hermiargyreus Euphorbiaceae
Imburana Commiphora leptophloeos Burceraceae
Aroeira Astronium arundeuva Anacardiaceae
Jucá Caesalpinia érea Caesalpinaceae
Algaroba25 Prosopis Juliflora Leguminosae
O levantamento realizado sobre as espécies de plantas que compõem o bioma caatinga na região do Seridó Oriental do Rio Grande do Norte foi baseado em estudos realizados por Costa, Oliveira, Accioly e Silva (2009). Existem outras espécies de plantas na região do Seridó que não nos interessa citar nesta ocasião, citamos essas, pois segundo os oleiros eram as espécies mais utilizadas por eles nos fornos das Cerâmicas.
Hoje a espécie mais utilizada é a Algaroba (Prosopis Juliflora). Ela não é propriamente do bioma caatinga, mas se adaptou perfeitamente ao clima e ao solo, assim, tornando-se a principal espécie para estoque lenheiro da Cerâmica Peruana. O IBAMA, órgão responsável
25 Algaroba, espécie que tem origem dos Andes no Peru. Espalhou-se pelo México, sudoeste dos Estados Unidos, Índia, África do Sul, Austrália, Jamaica e Havaí. Hoje faz parte da Caatinga. A madeira é muito boa para lenha. Não exige muita água e cresce em terrenos salobros, UFPB (2011).
pelo monitoramento da vegetação da região do Seridó, permite a utilização dessa espécie com acompanhamento do reflorestamento “guia de desmate”. As espécies Catingueira (Caesalpinia pyramidalis), Jurema Preta (Mimosa hostilis), entre outras são monitoradas e proibidas para o desmate pelo IBAMA por serem plantas nativas e já se encontrarem num estado avançado de extinção. Podemos observar o estoque lenheiro da Cerâmica Peruana na figura 13.
Figura 13 - Estoque de Algaroba (Prosopis Juliflora) da Cerâmica Peruana.
Fonte: arquivo pessoal.
A lenha mostrada na figura 13, acima, faz parte do estoque de lenha da Cerâmica Peruana, pois assim como a retirada da argila no período das chuvas, o corte da lenha dentro da vegetação também é de difícil acesso no período chuvoso. A lenha acima empilhada, ou melhor, “metrada26” segundo o Sr. Luan Carlos, com “6 metros de lenha”, é o volume do
empilhamento que detalharemos a seguir usando as explicações do Zé Fernandes que corta e vende a lenha para Cerâmica Peruana.
Segundo Sr. Zé Fernandes, para facilitar a comercialização da lenha é preciso cubá-la. Para isso, primeiro ele organiza a lenha da seguinte maneira: empilha a lenha de forma retangular, de maneira que sejam o comprimento, largura e altura medidos com uma “vara” de um metro. A unidade de comprimento utilizado, por Sr. Zé Fernandes é uma vara medindo da “ponta do nariz” dele até à ponta do dedo indicador de um dos braços esticados, como podemos ver na figura 14 abaixo.
26 Metrada vem da palavra metro, logo é uma nomenclatura utilizada na cubação da lenha que os oleiros da Cerâmica Peruana utilizam para comprar as lenhas.
Figura 14 - Zé Fernandes mostrando como mede a vara antes de cortá-la.
Fonte: arquivo pessoal.
É verdade que a unidade de medida um metro do nariz ao dedo indicador de um dos braços esticados varia de pessoa para pessoa. No caso do Sr. Zé Fernandes, afirma: “quando eu levo a vara da ponta do meu nariz ao dedo maior da minha mão, dá um metro”.
Voltemos à cubagem da lenha. Como já falamos, para facilitar a comercialização da lenha pelo Sr. Zé Fernandes, é preciso cubá-la. Para isso ele corta a lenha medindo um metro de comprimento, em seguida organiza da seguinte maneira: para três metros de lenha solicitada, ele coloca duas estacas fincadas no chão a uma distância de três metros entre elas. Em seguida vai organizando a lenha até a altura de um metro. Nesse caso, ele afirma que tem três metros de lenha, como podemos ver na figura 15, abaixo. Se o freguês quiser mais ou menos que três metros, Sr. Zé Fernandes ajusta apenas as duas estacas fincadas no chão e segue o mesmo processo, como ele mesmo afirma, “se um monte de lenha arrumada tiver comprimento de cinco metro, tem cinco metro de lenha”.
Figura 15 – Empilhamento de lenha pronta para ser comercializada.
Fonte: arquivo pessoal.
Levando esse processo de cubagem do Sr. Zé Fernandes para Matemática formal, ele utiliza a “vara” para medir a largura, o comprimento e a altura do empilhamento das lenhas. A
altura e a largura desse empilhamento seguem a mesma medida, um metro, que faz referência ao tamanho da “vara”, já o comprimento do empilhamento varia.
O processo de empilhamento das lenhas serve para cubar ou “metrá-la” e é calculado
da seguinte forma: multiplicam-se as dimensões do empilhamento
largura*comprimento*altura. Matematicamente 1,0 m x 3,0 m x 1,0 m, assim totalizando 3,0 m³. Para o Sr. Zé Fernandes esse valor equivale a “três metros de lenha”. Desse modo, as lenhas empilhadas estão consequentemente “metrada” ou cubada, prontas para serem vendidas. Mais detalhes sobre esse procedimento serão esclarecidos no capítulo referente às análises dos conhecimentos dos oleiros.