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6. BULGULAR VE YORUM

6.1. Hastane Alanlarının Kimlik Bilgileri ve Biyoharmolojik Uygunluk Değerler

6.1.7. Hastane 7 Kimlik Bilgileri ve HABUD Tespit Formları

6.1.7.2. Hastane 7 HABUD tespit formları

Às 20h do dia 23 de março de 1962, no Salão de Reuniões da Associação Comercial de Porto Alegre, localizada no 6º andar do Palácio do Comércio, foi fundado o IPESUL em assembléia, da qual Antonio Jacob Renner foi presidente.93 Na ata desta Assembléia Geral de

Constituição94 consta que Álvaro Coelho Borges, primeiro presidente da entidade recém-

criada, fez uso da palavra e comentou a respeito do contexto em que se inseria a fundação do IPESUL.

Para Borges, diante das propostas de soluções para os problemas brasileiros que desvirtuavam das tradições democráticas, os empresários deveriam “contrapor a êsses pronunciamentos a nossa orientação, de conformidade com o que, na realidade, mais convém aos cidadãos e à Pátria, com fundamento em dados técnicamente apurados e lealmente analisados”95. O destaque dado ao saber objetivo se contrapõe à suposta irracionalidade do

“comunismo” ou da aceitação deste no Brasil, pois tratava-se de uma ideologia importada que nada tinha a oferecer aos brasileiros a não ser a privação da liberdade, entregue ao Estado. Através da ciência, técnica e objetiva, as qualidades da “democracia” e da livre iniciativa seriam provadas. Este tipo de discurso será analisado no Capítulo 2.

O presidente do IPESUL prossegue citando três conferências onde apoiou teses que defendiam a proposição de soluções para o país dentro da livre-iniciativa: a III Conferência Brasileira de Comércio Exterior, realizada em setembro de 1959 em Recife; a IV Conferência, realizada em novembro de 1960 em Porto Alegre; a V, realizada na Bahia em outubro de 1961; e a II Reunião Plenária das Classes Produtoras Nacionais, realizada em dezembro de 1961 no Rio de Janeiro.96 Borges dá destaque à última, afirmando que nesta foi produzido um

documento chamado “Carta do Rio de Janeiro” onde

além de definir-se claramente a posição das classes empresariais, inscreveram-se decisões do mais alto sentido patriótico, do ponto-de-vista da consolidação e

93 IPESUL. Ata da Assembléia Geral de Constituição, 1962. p. 1.

94 A ata de fundação do IPESUL e seus estatutos encontram-se no Anexo C. 95 Ibid., p. 4.

aprimoramento do regime, da função social do capital e do trabalho, da necessidade de se promover o aceleramento do desenvolvimento econômico e a melhoria das condições de vida do povo brasileiro, inclusive pela remuneração justa e pela possibilidade de participação dos trabalhadores no capital e a sua ascenção [sic] aos postos dirigentes das emprêsas.97

Este documento, que reforça a importância da livre iniciativa, da “democracia” e do capitalismo, teve particular importância para o IPESUL, pois foi publicado posteriormente pela entidade. Na reprodução da Carta, destacamos alguns pontos que serão importantes para nossas análises posteriores. Logo no início, o documento se posiciona a favor do combate aos extremismos, que deve ser realizado “mediante a adoção de uma posição ideológica, definida, clara, indiscutível, de repulsa total e indisfarçável a quaisquer de suas formas, mas também, e sobretudo, por uma posição de afirmação inquebrantável nas virtudes do sistema democrático”98. No documento há uma série de propostas para problemas econômicos,

políticos e sociais do país, as quais não detalharemos aqui, mas que serão retomadas através do Capítulo 3, onde poderemos ver que os discursos do empresariado de modo geral convergiam, ressalvadas matizes e diferenças de opinião inerentes à pluralidade desta e de todas classes. No entanto, destacaremos aqui a adesão aos princípios da Aliança para o Progresso99, a necessidade de “democratizar” o capital e a própria empresa através da venda

de ações aos seus empregados100. Também enfatizaremos a participação destes nas instâncias

decisórias e a preocupação com a formação de uma imagem favorável da livre empresa no Brasil através de diversos mecanismos de mobilização da opinião pública, inclusive a imprensa101. Cabe lembrar que, em dezembro de 1961, mês em que a Carta foi escrita, o IPÊS

já atuava, e é possível identificar clara convergência entre as propostas da Carta e os objetivos da entidade que explicaremos em seguida.

O documento, de modo geral, orientava os empresários a unirem-se contra os extremismos e a agirem politicamente para defender a “democracia”. Para alcançar estes objetivos, Álvaro Coelho Borges afirmou que era necessário um órgão estruturado com

97 Ibid., p. 5.

98 IPESUL. Carta do Rio de Janeiro. Relatórios parciais das comissões da II reunião plenária das classes

produtoras. 1962?, p. 3. Localização: Biblioteca Central da PUCRS, Delfos, Centro de Documentação sobre a Ação Integralista Brasileira e o Partido de Representação Popular (CD-AIB/PRP), Fundo 5 – Diversos, Série 3 – Folhetos, Seção 3.1 Documentos.

99 Ibid., p. 4. 100 Ibid., p. 6. 101 Ibid., p. 4-5.

participação plural102, e fundou o IPESUL junto com “individualidades do mais alto gabarito

moral e intelectual”103. De acordo com Borges,

através dêsse Instituto, serão realizados trabalhos objetivos, no sentido de evitar que a situação difícil que atravessa o país venha a comprometer nossas instituições democráticas e tradições cristãs, com risco para a sua preservação, promover o bem- estar geral, com respeito à dignidade humana, e, finalmente, atualizar a nossa organização social de modo a satisfazer as aspirações de um número sempre crescente de cidadãos, sem prejuízo de suas liberdades, inclusive a de iniciativa.104

Portanto, o IPESUL foi constituído como uma entidade para ação política em defesa da “democracia” e da livre iniciativa por parte do empresariado do Rio Grande do Sul, através, principalmente, de trabalhos “objetivos”.

A entidade foi fundada com um Conselho Orientador, formado pelos sócios

fundadores, e tinha 29 pessoas105, em grande parte empresários importantes na economia do

Rio Grande do Sul, como A. J. Renner, Fábio Araújo Santos e Paulo Vellinho. Havia representantes de cada uma das principais forças econômicas do estado naquele momento dentre os sócios-fundadores, sobre os quais faremos alguns comentários a seguir.