6. BULGULAR VE YORUM
6.1. Hastane Alanlarının Kimlik Bilgileri ve Biyoharmolojik Uygunluk Değerler
6.1.6. Hastane 6 Kimlik Bilgileri ve HABUD Tespit Formları
6.1.6.2. Hastane 6 HABUD tespit formları
similar ao IPÊS, criado anteriormente, em 1961, e com sede em São Paulo, inicialmente. Tinham como objetivo, em suma, produzir e distribuir críticas ao governo de João Goulart e seus apoiadores. Além destes dois institutos, havia outros em Curitiba, Belém do Pará, e Belo Horizonte, por exemplo.81 Aqui abordaremos as relações entre o IPESUL, o IPÊS de Belo
Horizonte e os IPÊS centrais do Rio de Janeiro e de São Paulo, buscando compreender se houve autonomia, dependência ou autonomia relativa das entidades regionais em relação às centrais. Falaremos apenas sobre dois institutos em função da escassez de estudos sobre os IPÊS regionais, com exceção do de Belo Horizonte.
De acordo com a reunião da Comissão Diretora do IPÊS do dia 27/3/1962, foi dito pelo presidente da entidade: “acho que devemos fundar IPES nos Estados, já havendo cinco solicitações (Nordeste, M. Gerais, R. G. do Sul, etc). Definição de ordem política, orientação
comum. Esfôrço nacional – Convicção geral, que deve ser a do IPÊS”82. Na mesma reunião, é
dito que não se deve desprezar o trabalho feito pelos IPÊS estaduais, pois dariam substância ao IPÊS.83 Ora, o IPESUL foi fundado em 23 de março do mesmo ano, portanto antes da
reunião ocorrer. O IPÊS de Minas Gerais, no entanto, foi fundado em 9 de maio de 1962, após a reunião ocorrer. Seria possível que a Comissão Diretora não soubesse que o IPESUL já havia sido criado? Tais informações nos permitem supor que houve alguma comunicação entre membros do IPESUL e dos IPÊS centrais antes da fundação da congênere gaúcha, e foi criada a entidade sem a anuência daqueles. Houve, portanto, uma certa autonomia do IPESUL em relação aos IPÊS centrais no processo de sua fundação.
Já em 12/4/1962, o primeiro ponto da reunião do Comitê Executivo era “São Paulo não reconhece o IPÊS-SUL, não tomou conhecimento de sua existência”84, e continuou em
discussão como “Caso do IPÊS-SUL”. De acordo com Hernán Ramírez, a criação do IPESUL “foi objeto de algumas restrições iniciais pela seccional de São Paulo e que era alentada pelos
membros do Rio de Janeiro”85. O autor também afirma que tais restrições estavam inseridas
81 DREIFUSS, René Armand. 1964: a conquista do Estado. op. cit., p. 813-184.
82 IPÊS. Reunião da Comissão Diretora, 27/3/1962. p. 1. Localização: Arquivo Nacional, Fundo IPÊS (código
QL), Caixa 3, PAC 01, Súmulas da Comissão Diretora 1962, Súmula das reuniões da Comissão Diretora (cópias) 1962.
83 Ibid., p. 2
84 IPÊS. Reunião do Comitê Executivo, 12/4/1962. p. 1. Localização: Arquivo Nacional, Fundo IPÊS (código
QL), Caixa 3, PAC 01, Súmulas do Comitê Executivo 1962, Súmulas das reuniões do Comitê Executivo cópias 1962.
na disputa pela direção do IPÊS entre as seccionais do Rio e de São Paulo, que só cessou temporariamente em outubro de 1962 até 27 de maio de 1964, quando as duas seccionais se separaram definitivamente.86 No entanto, temos a informação de que o General Moziul
Moreira Lima teria auxiliado a organizar o IPESUL, provavelmente a mando do IPÊS de São Paulo. Falta de informação ou não, talvez a organização da campanha golpista não tenha sido tão eficiente quanto aparenta nesta questão. Pensamos que é possível falar de uma autonomia relativa do IPESUL na questão da fundação.
Em um depoimento de Carlos Gastaud Gonçalves, diretor do IPESUL no pós-golpe, este afirmou, a respeito da fundação e da atuação da entidade, que
inclusive, por exemplo, esse pessoal da esquerda, dizia tudo que o IPESUL tava ligado [...] ao similar que tinha em São Paulo e no Rio, que [...] estavam fazendo propaganda da interferência americana, e querendo que o Brasil se submetesse aos [seus] princípios. Tudo errado, [...] o IPESUL não tinha nada que ver com os outros. Foram revistas, que foram criadas, isoladas em cada estado, por [...] vontade das representações que tinham, tanto da classe empresarial, da civil e [...] das entidades de classe, que se agruparam para colaborar pra fazer isso. Foi um período muito difícil.87
Gonçalves não participou da fundação da entidade, mas já a conhecia anteriormente e tinha um amigo sócio-fundador. Segundo Gonçalves, seu amigo Itacyr Pinto Schilling, das Casas Masson e sócio-fundador do Instituto, foi quem o convidou para participar deste, ainda antes do golpe.88 Portanto, seu depoimento pode ter algum valor informativo a respeito dos
primórdios desta organização. Neste trecho, Gonçalves tentou distanciar o IPESUL dos IPÊS centrais, talvez em função da má fama que os Institutos do Rio e de São Paulo provavelmente possuíam entre as esquerdas do período. Ou seja, tem a memória de que o Instituto era completamente autônomo em relação às outras entidades, embora concordasse que as classes empresariais estavam mobilizadas pela defesa da “democracia”. Gonçalves não relacionou esta ideia com os ideais dos IPÊS centrais, que eram os mesmos. As revistas referidas eram as publicações dos diversos Institutos, sendo a do IPESUL a DE.
Paulo Vellinho, sócio-fundador do IPESUL, ao ser questionado em um depoimento sobre a autonomia da entidade, argumentou que os ideais eram os mesmos que os IPÊS centrais defendiam, mas não havia uma subordinação daquele em relação a estes: “eu acho que a causa é que era importante. Em função da causa nós agíamos. Sem olhar pro lado nem
86 Ibid., p. 187-189.
87 GONÇALVES, Carlos Gastaud. Sobre o IPESUL, sua participação na entidade e a revista Democracia e
Emprêsa [03/05/2011]. Entrevistador: Thiago Aguiar de Moraes. Porto Alegre. p. 2. Grifos nossos.
pra cima. Eu diria, pra resumir: havia autonomia. Nós não prestávamos conta, porque
supostamente nós executávamos aquilo que os IPÊS praticavam” 89 . O depoente
complementou sua visão, afirmando que não lembrava “de qualquer grau de subordinação nosso às diretrizes deles, porque nós tínhamos absorvido bem quais eram os ideais deles, e praticávamos aqui, dentro da nossa visão. Talvez os caminhos não fossem os mesmos, mas o
objetivo era o mesmo”90. Vellinho chama a atenção para a comunhão de ideais, mas também
defendeu a autonomia do IPESUL, mesmo a relativizando.
Diante destes depoimentos e das informações elencadas anteriormente, cabe destacar uma imagem mostrada em uma reunião do IPÊS que diz respeito diretamente à questão da autonomia dos congêneres regionais (ver Imagem 1).
Imagem 1 Relação entre os IPÊS centrais e periféricos
Fonte: IPÊS. Reunião do Comitê Executivo (pleno) Rio/São Paulo, 22/1/1963. p. 6. Localização: Arquivo Nacional, Fundo IPÊS (código QL), Caixa 3, PAC 01, Atas e súmulas 1963.
Esta imagem demonstra o suprimento de informações do IPÊS do Rio de Janeiro através do IPÊS de São Paulo, da Assessoria de Brasília, do IPÊS de Minas Gerais e do IPESUL, além de outras fontes, rumo à ação política por parte do próprio IPÊS do Rio de Janeiro. Se houve uma autonomia relativa na fundação do IPESUL e também em sua atuação,
89 VELLINHO, Paulo D’Arrigo. Sobre o IPESUL, sua participação na entidade e a revista Democracia e
Emprêsa [27/04/2011]. Entrevistador: Thiago Aguiar de Moraes. Porto Alegre. p. 5.
é necessário ter em mente que o pensamento dos IPÊS centrais, principalmente do IPÊS do Rio, era de centralizar as informações para atuar politicamente e utilizar os IPÊS regionais de forma instrumental para o esforço realmente importante que seria das entidades centrais. Não havia subordinação em termos de prestação de contas ou de satisfações de suas atividades, mas comunhão de interesses na defesa da “democracia” e no combate ao “comunismo”, onde com certeza houve troca de informações. É evidente que se o IPÊS do Rio pensava em centralizar informações para agir, isso não impedia o IPESUL de munir-se das informações e estudos produzidos e publicados pelas outras entidades para atuar no Rio Grande do Sul.
Da mesma forma, Heloísa Starling argumenta que “o IPES-MG procurou difundir amplamente a idéia de que sua ação era autônoma, embora mantivesse uma <<afinidade de pensamento>> com o Rio e São Paulo”91. A autora também observa que a manutenção da
denominação do Instituto “idêntica à utilizada pelo Rio de Janeiro e São Paulo foi justificada por possibilitar, a médio prazo, a criação de um Conselho Nacional de Institutos de Pesquisas e Estudos Sociais, de forma a garantir no futuro uma ação coordenadora pública, de âmbito nacional”92. Se tal conselho fosse criado, o que não ocorreu, possivelmente a ação
coordenadora seria realizada pelo IPÊS do Rio, se nos basearmos na Imagem 1. Além disso, é importante enfatizar a sutileza do nome que o IPESUL recebeu de seus membros: Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais. Os IPÊS de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo se chamam Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais. Até mesmo no nome o IPESUL procurou se diferenciar, e possivelmente de forma consciente. Portanto, com base no que foi explicitado acima, pensamos que havia uma autonomia relativa do IPESUL em relação aos IPÊS centrais, seja em sua fundação, seja na sua atuação no pré e no pós-golpe.