5. TARTIŞMA
5.2. Hastalığa Ait Bulguların Tartışılması
Pelos ditames constitucionais, o SUS deve garantir atendimento integral e adequado a todo aquele que buscar acessá-lo. Pois bem, cabe definir quem é que pode acessar o sistema de saúde.
Art. 194, Constituição Federal.
Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a seguridade social, com base nos seguintes objetivos:
I - universalidade da cobertura e do atendimento (BRASIL, 1988)
O princípio da universalidade, também conhecido como princípio cosmopolita, reza que os cuidados em saúde devem ser universais. Por óbvio que isso, per si, não diz muita coisa, afinal, o que vem, de fato, a ser cuidados universais?
De fato, todo cidadão brasileiro ou mesmo estrangeiro em território nacional, ainda que em trânsito, tem direito a receber bens e serviços do SUS, tudo em obediência ao princípio macro da isonomia e equidade.
[...] cuida-se de um sistema mantido pela sociedade, para uso de todos os cidadãos dentro de parâmetro de isonomia e equidade (SANTOS et al., 2010, p. 105).
SANTOS et al. (2010) ressaltam ainda que, embora universal, o sistema público de saúde não é exclusivo, convivendo com sistemas suplementares de iniciativa privada. O artigo 199 da Constituição Federal afirma que a “assistência à saúde é livre à iniciativa privada”. Portanto, o indivíduo pode decidir, no caso concreto, se recorre ao sistema público
ou ao privado. É impossível renunciar em definitivo ao direito abstrato a cuidados em saúde pelo Estado, contudo o SUS não é de utilização compulsória, é facultativo. Caso opte pelo sistema privado, nada impede que posteriormente o cidadão volte-se para o sistema público, todavia, enquanto estiver sob a tutela do sistema privado há uma importante característica que merece comento.
Veja-se, essa percepção apesar de básica tem como consequência que no curso de uma eventual, concreta e voluntária relação com o sistema privado, os direitos do usuário derivarão de uma relação privada de consumo, não cabendo ao SUS utilizar recursos públicos para fornecer insumos às instituições privadas, mesmo porque, seus serviços são obrigatoriamente gratuitos enquanto os daqueles são remunerados, o que terminaria redundando em enriquecimento ilícito e invasão ao princípio da livre concorrência.
Embora não exista a possibilidade jurídica de renúncia abstrata e definitiva, pelo cidadão, do direito fundamental à prestação estatal de saúde, lhe é dada a faculdade de utilizar ou não, concretamente, o SUS (SANTOS et al., 2010, p.106).
Não há, no plano constitucional, a obrigação do sistema público de saúde garantir o uso de estruturas públicas ao cidadão que envereda, tópica e concretamente, pelo atendimento privado (SANTOS et al., 2010, p.107).
Assim, há de se diferenciar o usuário “concreto” da assistência pública à saúde daquele usuário “potencial” que optou por uma relação jurídica de direito privado. Aos primeiros se aplica toda a estrutura do SUS7, dentro de parâmetros de adequação, razoabilidade e predominância do interesse coletivo, aos segundos aplica-se a relação contratual dentro de parâmetros de direitos e obrigações mutuamente avençados com predominância do interesse individual.
A regra é que o sistema privado de saúde arque com seus próprios custos. A lei orgânica da Saúde, lei 8080 de 1990, em seu artigo 24, abre uma exceção:
Art. 24. Quando as suas disponibilidades forem insuficientes para garantir a cobertura assistencial à população de uma determinada área, o Sistema Único de Saúde - SUS poderá recorrer aos serviços ofertados pela iniciativa privada.
Destaca-se que o sistema público e o sistema privado são autônomos, não havendo, em regra, complementaridade, salvo nos casos expressos de convênios ou contrato
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Cabe destacar que todos são, em medidas diferentes, usuários concretos do SUS, seja através de serviços de prevenção, de vigilância sanitária etc. A discussão aqui travada diz respeito aos serviços de assistência à Saúde.
público, nos termos do artigo 199, § 1º da CF.
Art. 199:
§ 1º - As instituições privadas poderão participar de forma complementar do sistema único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou convênio, tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos.
SANTOS et al. (2010) bem resume a questão:
O sistema público de saúde e a iniciativa privada formam corpos distintos de prestação de serviços, com premissas sociais, econômicas e políticas distintas. O SUS enfatiza a saúde coletiva e é mecanismo de produção de direitos humanos. [...]. O particular, porém realiza ações em saúde como atividade econômica, obtendo custeio mediante cobrança direta do paciente [...] (SANTOS et al., 2010, p.107).
Por todo o exposto, o SUS está desobrigado a fornecer bens e serviços no específico caso de uma relação capitaneada por um serviço privado. Em suma, o atendimento integral e universal é dirigido apenas aos usuários efetivos do sistema público de assistência à saúde e não aos usuários potenciais.
A universalidade assegura o acesso de todos à saúde, mas a pessoa precisa querer adentrar o SUS, uma vez que a assistência integral somente é garantida àqueles que estão no SUS: quem optou pelo sistema privado não pode pleitear parcela da assistência pública porque ela pressupõe a integralidade da atenção e a integralidade da atenção, por sua vez, pressupõe que o paciente está sob terapêutica pública, escolheu o sistema público. (Lenir Santos, SUS: “contornos jurídicos de integralistas da atenção à saúde”, in Luiz Odorico Monteiro de Andrade, SUS passo a passo. São Paulo: Hucitec, 2008.)
A autora acima considera um sofisma defender que a constituição teria assegurado ao cidadão receber parte da prestação do poder público e outra do ente privado. Considera igualmente equivocado defender que se estaria mitigando o princípio da universalidade.
É um sofisma a afirmação de que a Constituição garantiu ao cidadão optar por receber algumas prestações da área pública, durante um tratamento privado, em decorrência da combinação dos preceitos constitucionais da universalidade e da integralidade. O indivíduo pode, isso sim, por opção e de acordo com sua condição, enveredar pela assistência em caráter privado ou utilizar-se dos serviços públicos de saúde (SANTOS et al., 2010, p.111).
todos são, em medidas diferentes, usuários do SUS.
Primeiro, algumas ações preventivas difusas fornecidas ex oficio, ações que prescindem requerimento ou adesão individual, que por obviedade são distribuídas indistintamente entre todos.
Segundo, alguns insumos específicos eventualmente fornecidos pelo poder público ao cidadão sob atenção do sistema privado, quando previstos em lei especifica (o que pressupõe o legislativo) ou pelos conselhos de saúde (o que pressupõe o Executivo), jamais por decisão judicial, que não integra o sistema político.
Fora disso, o conceito de universalidade remete aos usuários concretos e efetivos da assistência pública à Saúde.