2. GENEL BİLGİLER
2.7. Diyabette Tedavi ve İzlem
2.7.5. Diyabet Eğitimi ve Hemşirenin Sorumlulukları
A Constituição Federal de 1988 não oferece precisão quando, muitas vezes, traz palavras ou expressões, em seu texto, genericamente e abertamente interpretáveis. É possível conceber que esta opção do legislador constituinte foi de extrema valia para que o texto constitucional recebesse uma flexibilidade e uma mutação com o passar dos anos, adaptando- se às mais diversas situações sociais, políticas, econômicas e culturais. Nesse sentido, o julgador e intérprete da Constituição, em especial os presentes no STF, exercem essa tarefa de aplicar dispositivos vagos ao conflito sub judice.
Assim ocorre com o art. 24, da CRFB/88, no qual as competências legislativas concorrentes não recebem parâmetros linearmente definidos para demarcação exata dos limites da União, dos Estados-membros e do Distrito Federal, quando se refere a “normas gerais”, “atender a suas peculiaridades”, “competência suplementar”, expressões que, isoladas de um contexto, pouco significam. Então, o julgador traz esse esforço interpretativo ao caso que lhe é submetido. Assim, acontece também quando tem que diferenciar as matérias do rol de competências legislativas privativas da União com as matérias do rol das competências legislativas concorrentes, ou quando precisa definir quando o Município pode legislar sobre as temáticas do art. 24, da CRFB/88, para atender o seu “interesse local” e para suplementar a legislação federal e estadual “no que couber”.
A partir de casos julgados pelo STF, pôde-se ter a forma como esta Corte, tradicionalmente, após a promulgação da Constituição de 1988, aprecia tais conflitos. É bem verdade que, lá, há uma forte tendência em se concentrar as competências legislativas no âmbito da União.
Em conflitos que envolvam a competência legislativa concorrente propriamente dita, a posição do STF perfaz-se no sentido de desvalorizar algumas iniciativas legislativas estaduais ou distritais em apreço às normas gerais editadas pela União. Tal afirmação ficou bem clara nas três matérias analisadas em capítulos anteriores. Assim, se a lei regional encontra-se satisfazendo muito mais outros comandos basilares do texto constitucional, mormente os relacionados a direitos fundamentais, do que a norma geral da União, ainda assim, é possível perceber que o STF defende que a norma do Estado-membro ou do Distrito Federal não pode ampliar ou restringir qualquer disposição da União em termos de normas gerais.
Também é possível perceber que, quase nunca, questiona-se, no STF, a inconstitucionalidade de normas gerais da União, mesmo se estas não se limitaram a regular
disciplina relacionada a princípios ou diretrizes. Já quanto ao fato dos Estados-membros ou do Distrito Federal exercerem competência plena para atendimento de suas peculiaridades, os acórdãos analisados pouco se debruçaram sobre tal alçada, uma vez que, em muitas ocasiões, a norma geral já estava posta, ou, ainda, a matéria legislada pelo ente regional se assemelhava com matéria do rol de competências privativas da União, no qual, muitas vezes, a norma regional era encaixada, sendo declarada inconstitucional. Assim, pelos julgados postos, não foram encontrados parâmetros ou tendências, postas pelo STF, que pudessem ditar a interpretação das peculiaridades no exercício da competência plena dos entes regionais.
É igualmente bastante comum que haja o encaixe da norma regional em alguma das matérias presentes no rol de competências privativas da União. Assim aconteceu, a título de exemplo, quando norma sobre proteção ambiental foi relacionada a trânsito e a transporte (art. 22, XI, da CRFB/88), ou quando norma sobre educação foi interpretada como de direito civil (art. 22, I, da CRFB/88), ou, ainda, quando norma de procedimento foi declarada ser disposição sobre processo (art. 22, I, da CRFB/88). Com efeito, o STF, para basear essa acomodação, não se utiliza de critérios. É neste ponto que é possível perceber uma maior falta de fundamentação dos julgados, pois a subjetividade na escolha do rol em que se insere a lei questionada perfaz grande parte dos acórdãos.
Além disso, é possível observar que o STF, ao analisar a competência dos Municípios em face das competências legislativas concorrentes, nem sempre entende que haja interesse local sobre tais matérias, excluindo a legitimação deste ente federativo para legislar sobre alguns dos temas arrolados. No entanto, quando reconhece sua competência, entende que, em nenhuma hipótese, o Município pode legislar a mais sobre qualquer disposição de lei estadual ou federal. Além disso, é possível perceber que o STF, algumas vezes, nega-se a inferir que o ente estadual ou central invadiu a autonomia municipal para edição de normas específicas e relacionadas aos interesses da coletividade imediata e local.
No entanto, pode-se perceber que a maior problemática encontrada nos precedentes do STF não se relaciona à centralização das competências legislativas, mas sim à falta de critérios claros que possam demonstrar o porquê dessa centralização. De tal modo, não se firma, neste Tribunal, posicionamentos seguros que possam ser invocados como precedentes vinculantes. O STF, tradicionalmente, soluciona os casos de conflito legislativo federativo de modo obscuro, inclusive, afirmando parâmetros decisórios discricionários para declarar, muitas vezes, extrapolação dos limites da competência pelos atos normativos dos entes regionais e locais. É bem perceptível que há dificuldade, entre os Ministros deste
Tribunal, na delimitação e na interpretação de conceitos jurídicos indeterminados e na sua aplicação ao caso concreto.
É de bom alvitre salientar que, muitas vezes, nos acórdãos analisados, apontam-se alguns direcionamentos doutrinários, os quais estabelecem padrões interpretativos para os casos, mas no momento em que é necessário justapor essa interpretação à norma questionada, o encaixe da substância legal, em algum parâmetro da repartição de competências, é feito com subjetividade, através de critérios imprecisos, com a falta de fundamentação exigida para as decisões judiciais.
Entretanto, é possível observar uma mudança tímida de posicionamento do STF, em alguns dos julgados mais recentes. Assim, debruçando-se mais sobre a norma, enfrentando mais os pontos perseguidos por ela e, por fim, esclarecendo mais os parâmetros utilizados para a adequação da norma em algum rol de competências constitucionais, é possível observar tanto uma preocupação em se garantir uma autonomia maior às unidades federativas, no discurso de alguns Ministros, como em se utilizar de fundamentos mais concretos para instituir a legitimidade dos entes federativos regionais ou locais na legislação sobre as suas normas impugnadas na Suprema Corte.
Como outrora visto, não se pode, efetivamente, dizer que o Estado brasileiro é Unitário em virtude dessa limitada competência legislativa das unidades federativas. Com efeito, elas possuem poder político decisório, capacidade governamental e poder constituinte, ou seja, em última análise, autonomia, o que as diferencia das divisões territoriais nos Estados Unitários descentralizados.
No entanto, essa autonomia, como força dinâmica, pode ser acomodada de diferentes formas nos Estados Federados, não podendo deixar de conter os elementos essenciais acima mencionados, influenciando a repartição de competências dos entes federativos prescrita em texto constitucional. Como visualizado, o posicionamento tradicional do STF deixa margens para se entender que a autonomia das unidades federativas brasileiras, exceto da União, expressa-se em menor potencialidade, tendo em vista o assíduo centralismo exercido por este Tribunal.
Como a autonomia tem viés político, a judicialização do federalismo é, em ultima instância, uma judicialização da política. Nesse sentido, podem ser observados fatores externos aos próprios julgamentos para a tomada de decisões que conferem centralização da Federação brasileira no STF.
Em uma democracia ainda muito fragilizada como a brasileira, a tendência centralizadora parece ser ainda bastante absorvente. Isto porque regras gerais para todas as
unidades federativas parecem sufocar vontades de minorias regionais ou locais, garantindo a própria coexistência e a unidade do Estado brasileiro.
Ainda, é possível a observação de fatores econômicos para a tomada das decisões do STF, relativas a uma maior centralização. Nesse sentido, torna-se bastante preponderante a concentração de rendas no domínio da União, a qual se mostra com melhores condições para a realização de atividades político-administrativas do que entes federativos regionais ou locais, os quais, em sua grande maioria, não possuem aportes necessários de recursos financeiros para a consecução de seus fins, o que os torna dependentes do assistencialismo do governo central. Como a maioria dos preceitos normativos vincula-se às atividades desempenhadas pelas pessoas políticas, em atenção ao princípio da legalidade que rege toda a Administração Pública, seria possível inferir que a União tem mais condições de realização de suas normas do que as outras unidades federativas.
Portanto, o federalismo brasileiro, ainda que influenciado e modelado pela Corte Constitucional, deve ser compreendido num contexto ainda mais abrangente, onde intricadas relações intergovernamentais, em todos os seus vieses políticos, históricos, econômicos e sociais, implicam nos processos decisórios do Supremo Tribunal Federal, o qual não está condicionado, apenas, a fatores eminentemente jurídicos.
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