GİRİŞ Çalışmanın Amacı
6. Yegânoğlu Ulvî- Bursavî
1.1.8. Sahâbe (Ashâb), Tâbiîn
1.1.13.6. Harâm, Helâl
Com base nas pretensões e expectativas apontadas anteriormente, foi elaborada uma proposta de ACIEPE intitulada A compreensão sobre a natureza do conhecimento biológico e sua relação com a aula de Ciências e Biologia na Educação Básica. Essa proposta foi encaminhada à Comissão Mista ACIEPE para avaliação, sendo aceita sem modificações. Como consta no projeto, a atividade objetivava problematizar as discussões sobre o pensamento biológico (sua dimensão filosófica, cultural, sociológica e política) e sua interface com o processo educativo, permitindo resignificar o olhar dos(as) professores(as) sobre o ensino de biologia. A proposta na íntegra se encontra em apêndice C.
O público-alvo desta ACIEPE foi professores(as) de biologia da rede pública de São Carlos e alunos(as) do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas. Esta ACIEPE teve como professores(a)/ pesquisadores(a): Profª. Drª. Denise de Freitas15 (ensino de biologia), pelo autor desta pesquisa, Marcos Lopes de Souza (ensino de biologia) e mais dois outros professores da UFSCar, sendo um da área da filosofia e o outro da sociologia. Com a
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colaboração desses(a) professores(a) promoveu-se discussões sobre a história e filosofia da ciência; a natureza do conhecimento biológico e sua inserção curricular e a visão integrada da biologia (abordando aspectos biológicos, sociais, culturais, políticos e econômicos). Entretanto, a organização da seqüência de conteúdos e da dinâmica de interação dialógica em sala de aula ficou sob responsabilidade do pesquisador desta investigação.
A divulgação da ACIEPE foi feita em vários locais da UFSCar (em especial no Departamento de Ciências Biológicas, com o intuito de atingir discentes da Licenciatura) e em todas as escolas estaduais de ensino médio da cidade de São Carlos na segunda quinzena de julho e na primeira quinzena de agosto de 2003. Os(as) licenciandos(as) fizeram inscrição via internet ou compareceram no primeiro encontro, já os(as) professores(as) se inscreveram na própria escola, onde posteriormente foi recolhida a lista com os inscritos.
Os encontros iniciaram-se na última semana do mês de agosto e foram finalizados em dezembro de 2003. Um aspecto a ser discutido foi a gestão de um horário comum que conciliasse a pouca disponibilidade individual de cada um dos participantes. Inicialmente houve problemas para encontrar um horário que pudesse contemplar todas as pessoas envolvidas na atividade. De um lado, os(as) licenciandos(as) tinham poucos horários livres em virtude de cursarem muitas disciplinas, do outro, as professoras da rede estadual não conseguiram a liberação de suas aulas para participarem da ACIEPE, o que diminuiu a disponibilidade de seus horários. Diante dessa situação, optou-se por desenvolver as atividades no período noturno, depois das 18h, já que este foi o único horário mais compatível com as possibilidades das pessoas e, acordou-se com o grupo que eventualmente realizariam- se atividades aos sábados, mesmo assim, houve desistência de alguns(mas) alunos(as) em função da incompatibilidade de horário.
A ACIEPE iniciou-se com cinco professoras e um professor das escolas estaduais da cidade, mas apenas duas professoras permaneceram. Em relação aos(às) graduandos(as), o curso iniciou com cinco e destes, quatro permaneceram até o final. Dessa forma, o curso contou com a participação de seis pessoas sendo duas delas professoras de Biologia da mesma escola pública, dois licenciandos e duas licenciandas do curso de Ciências Biológicas. O principal motivo de desistência dos(as) professores(as) se deu, justamente, em virtude da incompatibilidade de horário, pois, por mais que se tentasse contemplar todas as pessoas, não se conseguiu um horário comum a todos.
Essa dificuldade em encontrar um horário conveniente para as pessoas participantes da ACIEPE também ocorreu em outras ACIEPEs conforme observado em seus relatórios. Dentre as ACIEPEs que tiveram esse mesmo problema destacam-se as seguintes: “Sustentabilidade
urbana e regional: prática e reflexão”, “Integração Universidade – Amor (Associação de Moradores e Amigos dos Jardins I e II)” e “Cooperativas Populares e economia solidária: produção de conhecimento, intervenção profissional e formação de profissionais”.
Os encontros da ACIEPE aconteceram, geralmente, nas quartas-feiras às 19h e tiveram a duração média de quatro horas cada (foram 15 encontros no total). A maioria deles (treze) ocorreu na UFSCar, dois se realizaram na escola onde foi feita a intervenção pontual com alunos(as) do ensino médio e um deles no Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC) da USP.
Durante esta intervenção, uma das prioridades foi garantir a participação das professoras e dos(as) licenciandos(as) para que tomassem posição nas discussões e na intervenção. Dessa forma, procurou-se junto aos envolvidos no curso, produzir novos conhecimentos, adquirir novas experiências e realizar discussões que fizessem avançar o debate acerca das questões abordadas.
Uma primeira reflexão que se pode fazer da ACIEPE é a de que toda atividade intervencionista nos faz pensar até que ponto a ação desenvolvida ao longo do trabalho contribuiu ou não, de alguma forma, para a vida das pessoas que a vivenciaram. Temos sempre receio de que por maior que sejam os esforços dispendidos, não tenhamos conseguido sucesso no alcance dos objetivos projetados. Do mesmo modo, além da dificuldade em assumir que, muitas coisas ficam para trás e não conseguimos contemplar todos os desejos e expectativas. Com a experiência da ACIEPE não foi diferente, num primeiro momento, ainda no período de sua realização, tive aquela sensação de impotência e incapacidade frente a algumas barreiras que não dependiam apenas de mim para serem transpostas. Barreiras que necessitavam do grupo e nem sempre o mesmo estava em sintonia, o que gerava realmente o “desacordo”. Por outro lado, essa desarmonia é relevante, pois nos faz rever o caminho quando estamos trabalhando em equipe, já que este não é apenas de um, mas de todos.
Isso me traz à memória algumas palavras de Horton e Freire (2003) em que ambos reafirmam a importância de que comecemos de onde estejamos, mesmo que não saibamos ao certo os nossos destinos, onde queremos chegar. De qualquer forma, é preciso que comecemos, uma vez que é no caminhar que fazemos nosso caminho. Penso que com a ACIEPE foi mais ou menos assim, o caminho foi sendo construído à medida que íamos avançando, tudo era muito novo e, portanto, muito incerto. Tinha em mente algumas intenções e projeções, mas as incertezas transbordavam no momento em que caminhávamos. Fomos tão acostumados a pisar apenas em rochas firmes e a caminhar em locais já conhecidos, considerados, muitas vezes, seguros que temos receio em buscar o incerto, em
caminhar por estradas desconhecidas. Era o momento de ousar outros percursos, de apostar no inusitado e de se aventurar no diferente.
Diante dessas circunstâncias depositei na ACIEPE a esperança, não aquela vista com certo desdém, receio e incoerência, mas como relata Freire (1999), a que se fundamenta na própria essência do educar e que, naquele momento, se concretizava na formação de um espaço de possibilidades em que se pudesse falar, ouvir, discutir, interagir e porque não sonhar, apostando na utopia, na projeção de uma nova biologia, menos descritiva e fechada, mais aberta e transgressora, em outras palavras, uma biologia mais viva.
Na elaboração da proposta de ACIEPE e, mas intensamente, durante a realização das atividades, um questionamento inicial do trabalho foi: como “planejar” as ações de uma atividade que visa estabelecer o diálogo disciplinar? Essa era uma pergunta difícil pois não havia, de antemão, um “modelo” de como proceder as discussões e as intervenções.
Apesar de alguns/algumas autores/autoras fazerem críticas ao planejamento pois, durante muito tempo foi associado à visão tecnicista de repressão e controle do fazer docente, Corazza (1997) aponta a importância deste como forma de política cultural, que expressa uma intencionalidade. O porquê do planejar se justifica, segundo a autora:
Para que a multiplicidade de cultura implicadas em nossas identidades e na de nossos alunos, bem como as diversas formas de expressão popular possam se tornar materiais curriculares, codificadas em temas de estudo, reproblematização e questionamento (CORAZZA, 1997, p.122).
Neste sentido, assumir o planejar é uma forma de escapar daqueles planejamentos que são impostos por “outros” (livros didáticos, currículo oficial etc.) e, ao mesmo tempo, melhor lidar com a tensão entre o desejável e o real na prática pedagógica. Por outro lado, é essencial que duvidemos constantemente deste planejamento que elaboramos, impedindo-o de ser uma “camisa-de-força” e procurando uma constante re-significação. O planejar não apenas para “cumprir tabela”, mas sim para melhor organizarmos nossas ações, especialmente, quando estas são mais desafiadoras do que costumeiramente.
Neste sentido foi planejado, em linhas gerais, como ocorreriam as atividades. Pode-se dizer que esta ACIEPE teve dois grandes momentos. O primeiro em que se procurou dialogar sobre a natureza do conhecimento biológico e sua relação com a filosofia e sociologia e o segundo, no qual, se priorizou o debate sobre o processo educativo com ênfase no ensino de biologia.
No primeiro momento do curso, foram incorporadas na discussão, olhares e idéias da filosofia e sociologia relacionadas à biologia e discutiu-se a natureza do conhecimento biológico e a própria ideologia presente na biologia. Em comum acordo com os demais formadores, cogitou-se que os encontros ocorreriam da seguinte forma: em alguns dias, haveria a apresentação de uma determinada temática por um dos formadores (filosofia ou sociologia), seguido por discussões com todo o grupo sobre as idéias apresentadas e em outros momentos, o pesquisador desse trabalho, apresentaria temáticas que vislumbrassem discussões com as outras duas áreas. Procurou-se, desde o início, proporcionar liberdade para os docentes da filosofia e sociologia exporem suas perspectivas sem uma imposição do pesquisador, seja em relação ao assunto a ser discutido ou da metodologia trabalhada. Apesar de alguns imprevistos e desencontros, a primeira parte da ACIEPE transcorreu dessa maneira. Já o segundo momento foi marcado por uma discussão mais dirigida sobre os principais aspectos da prática pedagógica, tendo como norte o ensino de biologia e a contribuição de algumas idéias de Morin sobre a teoria da complexidade. Além disso, realizou-se uma intervenção na escola, onde uma das professoras lecionava, com o intuito de vivenciar na prática pedagógica, algumas das discussões obtidas na ACIEPE.
Para que se pudesse avaliar o curso, no ponto de vista das(os) alunas(os), foi entregue, no último encontro, uma folha com a seguinte questão para elas(es) responderem: Quais foram os novos olhares que vocês tiveram sobre o ensino de biologia após terem participado da ACIEPE?
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Após leituras e releituras da ACIEPE propulsionadas pelas indicações apontadas pela banca de qualificação e por novas reconfigurações da tese, buscou-se responder a seguinte questão: De que maneira a ACIEPE, aqui em estudo, se configurou como um espaço de aproximação/distanciamento para o diálogo disciplinar (envolvendo biologia, sociologia e filosofia) na perspectiva da complexidade?
Para responder a esse questionamento utilizou-se de alguns dados coletados durante a atividade, no caso, as entrevistas semi-estruturadas com as professoras de Biologia, os(as) licenciandos(as) de Ciências Biológicas e os formadores de filosofia e sociologia e os registros escrito e gravado dos encontros.
No início da investigação, a entrevista semi-estruturada feita com as(os) participantes do curso foi elaborada como objetivo de atender os seguintes aspectos: i) entender as concepções das(os) participantes(as) do curso sobre: o objeto de estudo da biologia, a produção do conhecimento biológico e o ensino de biologia e ii) perceber as impressões que elas/eles tiveram sobre os debates realizados durante o curso e de que forma estas discussões permitiram ou não resignificar algumas questões do ensino de biologia e da prática educativa. No entanto, com as reconfigurações dos objetivos do trabalho apenas o segundo aspecto foi utilizado como dado para a pesquisa. O roteiro das questões da entrevista com as(os) participantes encontra-se em apêndice D. Além das questões organizadas no roteiro da entrevista, durante a sua execução houve a necessidade de desdobrar e fazer outras questões de acordo com o diálogo com cada participante da pesquisa e, em alguns momentos, foi necessário repetir determinadas perguntas ou apresentá-las de outra forma a fim de esclarecer melhor a(o) entrevistada(o) que mencionasse dúvidas sobre a pergunta.
Essas entrevistas ocorreram nos meses de outubro e novembro, momento em que o curso já estava em andamento. As entrevistas foram realizadas com as seis pessoas participantes do curso num horário compatível com a disponibilidade de cada uma delas. Uma dificuldade que tive foi de conseguir marcar um horário com duas das participantes que, por várias razões (especialmente, a falta de tempo devido a outros compromissos) acabavam sempre adiando a entrevista, inclusive fui entrevistá-las apenas no final do mês de novembro. As entrevistas com as professoras se realizaram na escola em que elas lecionavam, já as entrevistas com os(as) licenciandos(as) ocorreram na universidade. Algumas entrevistas duraram mais do que outras, por várias razões, dentre as quais: pouco tempo disponível para conversar com o pesquisador e a presença de respostas breves sobre as diversas questões apresentadas mesmo quando se desejava compreender melhor algumas idéias da(o) entrevistada(o). Gostaria de mencionar que, durante a entrevista, apesar de algumas pessoas
expressarem mais detalhadamente suas visões do que outras, eu, particularmente, percebi que as pessoas estavam mais desinibidas para falarem. Considero que o fato de conhecê-las(los) em virtude de participarem da ACIEPE, na minha opinião, tenha favorecido a interação entrevistada(o)-entrevistador.
Após o término da ACIEPE e com os redirecionamentos da pesquisa, resolveu-se entrevistar os formadores de filosofia e sociologia, procurando entender como os mesmos avaliaram a sua participação no curso, a participação dos(as) alunos(as), as possíveis reflexões possibilitadas pela atividade, a interação estabelecida com os outros docentes e as possíveis aprendizagens possibilitadas pelo curso. As entrevistas com os professores de filosofia e sociologia ocorreram na universidade em horário e local estipulados pelos mesmos. O roteiro das questões utilizadas nas entrevistas com os professores do curso se encontra em apêndice E. Todas as entrevistas realizadas foram gravadas em fita cassete e, posteriormente, transcritas na íntegra procurando preservar as falas das pessoas entrevistadas.
Com a intenção de preservar a identidade das pessoas envolvidas na ACIEPE serão utilizados os seguintes códigos: AG – correspondendo aos(às) alunos(as) de graduação (numerados de 1 a 4); PB – para as professoras de Biologia da Educação Básica (numeradas com 1 ou 2); FF – para o formador da área de Filosofia e FS – para o formador da área de Sociologia. Destaca-se que como a ACIEPE realizou uma intervenção na escola de Educação Básica, haverá algumas falas dos(as) alunos(as) da escola, representados pelo código AM – alunos do ensino médio (numerados de 1 a 8).
Além das entrevistas, foram utilizadas como dados para buscar respostas aos questionamentos, as transcrições das falas expostas nos encontros da ACIEPE e as anotações feitas pelo pesquisador durante esses encontros. Com esses registros foi possível detalhar o desenvolvimento das atividades, em especial, as reflexões realizadas nas discussões levantadas pelos(as) licenciandos(as), professoras da rede pública e pelos(a) ministrantes(a) do curso.
3.2. A multiplicidade de significados desta ACIEPE para as(os) diversos(as)