BÖLÜM 3: CEMAAT İÇİ FİKRÎ AYRILIKLAR
3.1. Halife/Yöneticinin Özellikleri Hususu
Tratemos agora daquela que é, certamente, a mais importante função do estímulo verbal no que diz respeito ao comportamento do ouvinte, tomando por base o esquema classificatório proposto por Skinner (1957) para a delimitação do campo de estudo do comportamento verbal. Estamos falando da função discriminativa do estímulo verbal, que é a que atende com maior aderência à definição de comportamento do ouvinte, na forma como implicada pela definição formulada por Skinner (1957):
“(…) The practical behavior of the listener (the consequences of which are ultimately responsible for the development of the verbal response in the first place) must be formulated as a discriminated operant involving three terms, no two of which provide a parallel for the notion of a symbol. (…)” (Skinner, 1957, p. 88)
O comportamento do ouvinte é, em um sentido estrito, um tipo de comportamento operante, e não um respondente, como vem Skinner explicitar nessa passagem. E, sendo um operante, é patente que a função discriminativa desempenha papel fundamental na determinação da forma específica da resposta. Vimos como o estímulo verbal obtém sua função discriminativa, inclusive a partir de um ambiente não verbal, nesse caso envolvendo a emergência de uma comunidade verbal (Skinner, 1957, pp. 461-470). O estímulo verbal fortalece uma forma específica de resposta que irá, contingentemente, levar ao reforçamento mediado do comportamento do falante. Ainda, sabemos que a função discriminativa da propriedade de estímulo verbal foi estabelecida por meio de contingências reforçadoras, mantidas pelos falantes ou pelo ambiente não verbal ou, ainda, não social do ouvinte.
O que discutimos a respeito do estabelecimento da função discriminativa do estímulo verbal será suficiente ao nosso presente intento, e por isso nos deteremos doravante principalmente em como o estímulo verbal exerce controle discriminativo sobre o comportamento do ouvinte. Em um sentido mais exato, formularemos, a partir de subsídios fornecidos pela interpretação skinneriana do comportamento humano, uma apresentação das formas em que propriedades discriminativas verbais podem fortalecer respostas do ouvinte.
O controle discriminativo exercido pelo estímulo verbal não difere, em natureza, do controle exercido por outros tipos de estímulos discriminativos no controle do comportamento operante. Por essa razão, podemos vislumbrar, amparados pelas noções de fortalecimento, propriedade, contínuo e complexidade, o modus operandi do controle discriminativo exercido pelo estímulo verbal. Antecipando esse ponto, afirmamos que o estímulo verbal fortalece respostas do ouvinte por apresentar propriedades de estímulos estabelecidas em contingências reforçadoras, possivelmente em combinações complexas de propriedades, de estímulos e de respostas.
As propriedades discriminativas do estímulo verbal fortalecem propriedades de respostas do ouvinte o que, somado a outras variáveis, como estímulos aversivos, operações motivacionais e emocionais, pode levar à ocorrência da resposta que mediará, geralmente, o reforçamento do falante. Muitas vezes, o fortalecimento proporcionado por uma determinada variável não é suficiente para emissão da resposta, e o mesmo se dá com a propriedade discriminativa do estímulo verbal. Mas o fato de uma determinada variável fortalecedora ser suficiente ou insuficiente para uma ocorrência não precisa ser considerada nesse momento, uma vez que o processo comportamental é precisamente o mesmo em ambos os casos, em termos da relação funcional que estamos enfocando. Consideremos, portanto, as formas em que o estímulo discriminativo verbal pode fortalecer a resposta do ouvinte.
Infelizmente, Skinner oferece raras explicitações sobre o modo como estímulos discriminativos verbais fortalecem o comportamento do ouvinte. Contudo, depreendemos, a partir das noções e da interpretação skinneriana do comportamento verbal, uma primeira categorização a respeito do tipo de controle que os estímulos discriminativos verbais podem exercer fortalecendo respostas do ouvinte. Trata-se de considerar a possibilidade de fortalecimento por estímulo discriminativo verbal simples ou complexo. É importante, contudo, averiguarmos se a distinção simples-complexo será produtiva em nossa interpretação das formas de controle discriminativo verbal supostas pela abordagem skinneriana do comportamento verbal. A questão que se coloca, no presente caso, é se há outras variantes de controle discriminativo verbal além de simples e complexo.
Explicitemos, portanto, as possibilidades de fortalecimento discriminativo do estímulo verbal. Ao se falar do comportamento operante, uma questão importante diz respeito à unidade comportamental – trata-se, nesse sentido, de reconhecer que o nosso objeto de estudo deve ser interpretado tendo em vista a possibilidade de analisá-lo até o limite representado pela unidade. Em sentido oposto, significa que o comportamento não é, mesmo em seus casos mais sofisticados, nada além do que a combinação complexa de unidades. Propor que o comportamento possa ser tomado como um complexo de unidades não é, como vimos, uma perspectiva empobrecedora do fenômeno estudado, pelo menos sob o ponto de vista de B. F. Skinner. A interpretação skinneriana, ao assumir noções como a de propriedade e força, permite lidar com a complexidade comportamental, sem desnaturalizá-la, e de um modo preciso e com toda a sofisticação que o objeto de estudo pode apresentar. Concluímos, com isso, que a distinção que ora fazemos, entre simples e complexo, em se tratando do controle discriminativo exercido pelo estímulo verbal sobre o comportamento do ouvinte, é legítima e tem desse modo grande possibilidade de proporcionar uma explicação adicional consistente
de parte dos fenômenos que se dão no episódio verbal. Vejamos, portanto, o que entendemos por controle discriminativo simples e complexo do estímulo verbal.
O controle discriminativo verbal pode ser simples ou complexo. O controle, sendo simples, será por propriedades de estímulos discriminativos isoladas ou em conjunto, próximas em termos de valores de estimulação situadas no contínuo, mas, o que é importante, todas caracterizando um único estímulo verbal. Por outro lado, o controle complexo envolverá uma multiplicidade de estímulos verbais e, portanto, uma multiplicidade de controles simples, acarretando desse modo todas as suas características, mas em uma combinação complexa: controle por propriedades isoladas ou em conjunto, e proximidade em valores no contínuo.
É importante, nesse ponto, explicitar como é possível distinguir duas variantes de fortalecimento discriminativo que parecem se referir a um mesmo caso, o de fortalecimento exercido por um conjunto de propriedades de estímulos: 1) complexo de propriedades que caracterizam um mesmo estímulo e 2) complexo de propriedades que caracterizam estímulos diferentes. Se o estímulo é um complexo de propriedades, como podemos distinguir um complexo de propriedades de outro, dizendo que num caso envolve apenas um estímulo e que, no outro, envolve dois ou mais? A distinção pauta-se em um ponto de vista que, primeiramente, coloca-se como formal, mas que tem importantes implicações funcionais. Como dissemos no primeiro capítulo, é preciso manter a distinção entre propriedade e estímulo, pois propriedades não ocorrem isoladamente, mas apenas atreladas a conjuntos de propriedades referidos como estímulos que, por sua vez, pertencem a determinadas classes definidas por conjuntos de propriedades. Dito isso, verificamos que se trata de uma complexidade de estímulos, e não uma complexidade de propriedades de estímulos, quando a estimulação envolve mais de uma classe de estímulos ou, se quisermos em outros termos, quando a estimulação envolve propriedades de estímulos que não definem conjuntamente classes de estímulos envolvidas em relações operantes. Nota-se que não precisamos, desse
modo, recorrer a um aspecto topográfico para realizar tal distinção que ora é justificada recorrendo-se à história de reforçamento.
O controle discriminativo se dá de um modo simples quando um único estímulo verbal é suficiente no fortalecimento da resposta do ouvinte. Nesse momento parece-nos arrazoado fazer tal asserção, pois raramente o estímulo verbal gerado pelo falante é tão simples que não seja composto de unidades topográficas, como palavras, letras ou fonemas. Nesse ponto, lembramos que a unidade comportamental não se define apenas formalmente, e que uma frase proferida pelo falante pode, de fato, funcionar como um único estímulo verbal no controle do comportamento do ouvinte (Skinner, 1957).
Ainda, parece razoável supor que respostas verbais simples gerem estímulos discriminativos simples no controle do comportamento do ouvinte. Mas isso não é necessariamente assim, uma vez que a questão da complexidade está relacionada ao repertório envolvido, falante no caso da resposta e ouvinte no caso do estímulo discriminativo verbal. Como exemplo de estímulos discriminativos verbais simples poderíamos citar: “vice-versa” (Skinner, 1957), “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. Ainda que possamos tomar frases como compostas de unidades que exercem funções isoladas no controle do comportamento do falante, devemos reconhecer a possibilidade de um controle pela unidade representada pelo estímulo verbal como um todo – e é essa possibilidade que denominamos “relação simples”.
Mas não são, realmente, incomuns casos em que o controle discriminativo verbal simples esteja relacionado com estímulos topograficamente bastante elementares como, por exemplo, “Obrigado.” (Skinner, 1957, pp. 38-39); “Vermelho.” e “Telefone.” (Skinner, 1957, pp. 84-85). A interpretação desses casos não exige maiores complicações, assumindo-se que, no mais das vezes, não seja incomum que estejam envolvidos em relações discriminativas
simples do ouvinte. São estímulos verbais com propriedades discriminativas que já definem, em conjunto, classes de estímulos no controle operante de respostas do repertório do ouvinte.
Há, certamente, variantes que dirão respeito à novidade do estímulo discriminativo verbal simples no controle da resposta do ouvinte. É claro que um estímulo verbal absolutamente novo, como um caso ideal, não fortalecerá qualquer resposta operante do ouvinte. Um estímulo discriminativo verbal novo somente fortalece respostas do ouvinte ao apresentar propriedades de estímulos já estabelecidas e, ainda, se tais propriedades estiverem próximas de valores no contínuo estabelecido. Essa lógica explica suficientemente como um estímulo verbal novo pode fortalecer respostas operantes do ouvinte – o que implica em uma consideração da história de reforçamento que estabeleceu as propriedades de estímulos fortalecedoras.
É importante, ainda, considerar que casos em que a resposta do ouvinte é fortalecida por um estímulo discriminativo verbal novo estão envolvidos com ocorrências quando outras variáveis fortalecedoras combinam-se, muitas vezes, inclusive, ajudando a caracterizá-las, no sentido de fortalecer propriedades de respostas adicionais. Isso se dá porque geralmente estímulos discriminativos verbais novos têm poucas propriedades fortalecedora se por isso são consideradas novas. Dentre os exemplos skinnerianos de estímulos verbais novos que fortalecem respostas de um modo simples, temos neologismos, mas termos mal estabelecidos no repertório do ouvinte também podem funcionar dessa forma, como se nota nos erros de compreensão de um ouvinte adulto interagindo com um falante de uma língua com a qual aquele não está familiarizado.
Há uma complicação na interpretação do fortalecimento da resposta do ouvinte. É verdade que algumas ocorrências de respostas do ouvinte podem ser explicadas por meio de aspectos como os de generalização de estímulos, denotando mais uma vez a autonomia e flexibilidade do comportamento no que diz respeito ao conjunto de propriedades de estímulos
que o controlam. Há casos, no entanto, em que processos simples de generalização de estímulos não subsidiam sozinhas uma explicação satisfatória do comportamento do ouvinte. Conforme já sabemos, principalmente ao tratarmos da noção de força, as causas de uma resposta podem ser uma complexidade – é nesse aspecto, o da complexidade, que verificamos realmente a produtividade explicativa da noção de força. Trata-se de considerar que as ocorrências de respostas do ouvinte podem ser fortalecidas por um conjunto de estímulos, correspondendo a um arranjo preciso de propriedades discriminativas, necessário em cada detalhe para o fortalecimento da resposta.
Comecemos com um exemplo de controle discriminativo verbal desse tipo: o falante diz “Bola vermelha.”. O ouvinte, ao reagir a tal estímulo, não responderá da mesma forma que responde aos estímulos “bola” e “vermelha” separadamente. Nesse exemplo, estamos supondo que o complexo “bola vermelha” exerça um controle complexo devido à composição de unidades já estabelecidas, no caso “bola” e “vermelha”. Vemos isso, por exemplo, quando o ouvinte, um adulto, está ensinando uma criança a nomear objetos. As respostas do ouvinte fortalecidas por esse complexo pode ser “É isso mesmo.”, ou um simples sorriso.
É possível, naturalmente, que controles simples e complexos se sobreponham, exercendo uma espécie de colaboração “dispensável” no fortalecimento da resposta. No exemplo que oferecemos, com o controle discriminativo exercido por “bola vermelha”, a sua repetição pode levar ao estabelecimento da unidade “bola vermelha”, com resquícios fortes do complexo “bola vermelha”. No desenvolvimento dessas relações comportamentais, é possível que a relação fortalecedora simples torne-se isoladamente suficiente para fortalecimento da resposta em ocorrências posteriores, assim como a relação fortalecedora complexa o foi antes do seu estabelecimento.
Mas parte importante do controle discriminativo complexo do estímulo verbal não pode ser explicado desse modo. Envolvem casos em que o estímulo discriminativo verbal é
novo em sua complexidade e ao mesmo tempo prontamente efetivo no controle do comportamento do ouvinte. Em outras palavras, trata-se de admitir que não podemos explicar tais casos com base apenas em ocorrências similares na história de reforçamento. Temos, como exemplos desse tipo, o controle geralmente exercido pelos estímulos discriminativos: “Siga para o oeste.”, “Reforçar é tornar um comportamento mais provável nas mesmas circunstâncias”, “Proust foi um adolescente doentio.”. Tais estímulos verbais estão incluídos naquilo que Skinner denomina controle por regra.
O comportamento governado por regras é fundamental no controle do comportamento do ouvinte, o que constatamos principalmente ao considerar que é bem mais fácil gerar estímulos discriminativos com função de regra por meio do comportamento verbal, como mostra Skinner (1969).