2- BASIN AHLAKI, ÖZGÜRLÜĞÜ VE BASININ SORUMLULUKLARI
2.3. TÜRKİYE’DE BASIN AHLAKI VE ÖZGÜRLÜĞÜ
2.3.5. Haberin Yapısal Dönüşümü
Com a artista plástica Betty Leirner a conversa foi realizada via e-mail. Data de envio das perguntas: 15 de março de 2013.
Data de resposta: 19 de março de 2013. BL: Betty Leirner SP: Sidiney Peterson
SP: Fale sobre sua formação.
BL: Nasci no caldeirão das artes de minha família, entre biblioteca filosófica e objetos/sujeitos visuais, ouvindo discos que iam dos cantos tradicionais indígenas e negros à genialidade dos compositores barrocos, românticos e clássicos, passando por Harry Belafonte e Miriam Makeba, Odetta e Theodorakis, indo desembocar na musica concreta de Pierre Henry. Assisti ao teatro de Maria Clara Machado e comecei a pensar o mundo através de Lobato e Clarice Lispector. A televisão trazia os Incas Venusianos de ´Nationaru Kido´ (aonde nasceu meu amor pelo Japão) e as invenções deliciosas da Idade da Pedra pelo duo de cartunistas Hanna e Barbera em os ´Flinstones´, de onde
recebi meu primeiro apelido: Pedrita. A ´telinha´ era também aonde via com prazer o seriado ´Jeannie é um gênio e de madrugada, os filmes de Mojica Marins. O Colégio Rio Branco trouxe para minha vida o professor de Musica Mignone através do qual atentei para a estória da música brasileira; em casa, encima e embaixo da mesa, Lisetta Levy introduzia noções eurocentristas sobre a História da Arte, através do primeiro e inesquecível sotaque multilíngue que ouvi.
SP: Quais as suas memórias sobre a EASP?
BL: Vilém Flusser diz, ´We will survive in the memory of others´. Que tal esta versão proposta para o português, sobrevivemos através da memória dos outros? Se constantemente repensamos e reescrevemos a memória, como considerar a escrita indelével uma imagem concreta da memória? Entendo o conceito memória como um eterno espelho inverso do refazer: me (o eu) - moi (o mim) - re (refeito). A raspa do tacho de minha memória relacionada à Escolinha de Arte de São Paulo remete ao sorriso do gato de Alice: corpo visível ou invisível, sorriso constante traduzindo uma mescla de satisfação e subversão não verbal e silenciosa, aonde a obra traduz uma visualidade processual e não apenas material.
SP: A partir das suas lembranças, descreva as atividades realizadas no âmbito da EASP (outras) e como você avalia essas atividades.
BL: Neste momento acho importante ressaltar que minha mãe, Fulvia, claramente buscou proporcionar-me a fruição do espaço através da livre criação e do fazer: participei da Escola de Arte de Dona Hebe, aonde música, jogos, cinema e natureza eram partes integrantes de nossas experiências. Antes ou depois, tive aulas de carácter intimista com Paulina Rabinovitch. A luz na casa de Paulina era misteriosa, e até hoje me lembro de ter trabalhado um bloco de madeira arredondado com lápis de cera ( seriam Caran d´Ache?), que produziam uma textura sedosa e lustrosa, selados como que por verniz. Paulina sussurrava, mas Memélia, Maria Amélia Carvalho, e Ana Mae Barbosa, falavam cantando com um sotaque que transformava as palavras em cores e as propostas em cornucópias.
SP: Alguns pesquisadores apontam as atividades no ensino de arte no Brasil naquele período como 'livre expressão', deixar fazer, essas são metodologias que você acredita terem sido utilizadas na EASP?
BL: Acredito que a noção de livre expressão se refira ao respeito e ao cuidadoso exercício da liberdade de criação, expressão e concreção do pensamento e dos movimentos, e não ao deixar- fazer que, a meu ver, implica em uma relação
hierárquica e de poder. O clima político do Brasil na época em que pudemos curtir a Escolinha era repressivo, e as revistas às quais tínhamos acesso enquanto material de pesquisa e material de utilização nos encontros criativos eram coloridas, chamativas, trazendo imagens que não estavam presentes nos livros infantis nem nos jornais em preto e branco, aos quais tínhamos acesso diário.
SP: No livro Tópicos Utópicos (1998), Ana Mae Barbosa nos fala a respeito de atividade ligada à questão da percepção, do olhar, do questionamento e capacidade crítica dos alunos da EASP, dessas atividades chama-nos atenção para um trabalho seu, realizado quando você tinha 11 anos de idade e que apresenta a partir das colagens em que transformava palavras em imagens. Pode os falar sobre esse processo de
aprendizagem na EASP?
BL: Qual não foi a minha surpresa ao descobrir resquícios de minha própria trajetória de observação e fruição do amor e do sexo entre as palavras e imagens através do olhar, da escrita e da memória de Ana Mae Barbosa, descrevendo meu trabalho em seu livro ´Tópicos Utópicos. Liberdade e diversidade de materiais, atenção, percepção e encorajamento sutil do trabalho: é Ana Mae quem poderá contar- ela ficou com minhas colagens, que não vejo desde então. O respeito mútuo nutre esta nossa
estória, somos seres pensantes: a aprendizagem torna-se a descoberta de si, do outro, do mundo e do todo em suas incontáveis intersecções.
AUTORIZAÇAO
Eu, Betty Leirner, Artista, nascida em São Paulo e domiciliada nesta capital, Autorizo por meio desta Sidiney Peterson Ferreira de Lima Mestrando do Instituto de Artes UNESP Universidade Estadual Paulista "Júlio Mesquita Filho" a utilizar na íntegra minhas respostas dadas ao seu questionário de cinco perguntas relacionadas à Escola de Arte de São Paulo APENAS para fins não comerciais, mas sim restritos à pesquisa e tendo por objetivo a feitura de sua tese de Mestrado na UNESP.
Esta autorização é valida sem assinatura Betty Leirner, 19 de março de 2013. por email: [email protected]