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2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE

2.2. Grup Piyano Eğitiminin Avantajları

As questões relacionadas à profundidade apresentam a experiência da profundidade na concepção clássica como responsáveis em decifrar fatos dados, enfatizando a grandeza aparente da imagem e a convergência dos olhos recolocando-os nas relações objetivas que os explicam. No entanto, Merleau-Ponty vem dizer que a grandeza aparente e a convergência não podem ser tratadas como elementos de relações objetivas. “A grandeza aparente de um objeto significa que a dimensão percebida por meio de um intervalo interposto entre o sujeito e o objeto marca a diferença entre a grandeza aparente e a real” (LEAL 2012, p. 411). Já a convergência dos olhos pode ser compreendida como “a interseção de duas linhas que podem estar bastante próximas ou tendem a apresentar-se paralelas, se o objeto se afasta mais e mais” (LEAL, 2012, p. 411). Esses termos apresentados precisam ser compreendidos, não como o saber científico os concebe, mas como os sujeito os apreendem do interior. O filósofo percorre caminhos para decifrar o enigma apresentado sobre a grandeza e a convergência. Ele

busca subsídios na psicologia da forma, a qual observa que estas não estão presentes na percepção e o sujeito não tem consciência expressa da convergência dos olhos ou da grandeza percebida à distância. Deste modo, os psicólogos concluem que eles não são signos, mas causas de profundidade.

Quando se reconhece que a grandeza aparente e a convergência não estão presentes na própria percepção enquanto fatos objetivos, ele chama nossa atenção para a descrição pura dos fenômenos, antes do mundo objetivo; ele nos permite entrever a profundidade vivida fora de qualquer geometria (MERLEAU-PONTY, 2011, p. 347).

Segundo Merleau-Ponty, através dessa forma de conceber a profundidade e a convergência, a descrição é interrompida para voltar a se colocar no mundo e derivar a organização em profundidade de um encadeamento de fatos objetivos. Entretanto, essa descrição pode ser limitada após ter reconhecido a ordem fenomenal como uma ordem original e, assim, remeter a produção da profundidade a certa alquimia cerebral, em que a experiência reconheceria apenas o resultado. Essa questão se sobressai, segundo Merleau- Ponty, buscando fundamentos ou no behaviorismo ou na experiência, considerando que o primeiro recusa o sentido da palavra experiência, procurando constituir a percepção como um produto do mundo da ciência e o segundo admite que a experiência nos dá acesso ao ser que, desta forma, não pode tratá-la como um subproduto do ser.

Representando no que poderia ser uma organização em profundidade54 produzida pela

fisiologia cerebral, é possível perceber que aparece no cérebro uma estrutura funcional de comprovação em relação à profundidade; porém, isso implica apenas uma profundidade dada, pois “ter a experiência de uma estrutura não é recebê-la em si passivamente: é vivê-la, retomá-la, assumi-la, reencontrar seu sentido imamente” (MERLEAU-PONTY, 2011, p. 348). A partir dessa ideia, conclui-se, segundo Merleau-Ponty, que a experiência não pode ser relacionada com suas condições de fato, sua causa e, deste modo, na consciência são produzidos valores para a convergência e para a grandeza e, assim, ela só depende desses valores o quanto eles figuram nela. “Convergência e grandeza aparente [...] estão presentes na experiência da profundidade assim como o motivo55, mesmo quando não está articulado e

posto à parte, está presente na decisão” (MERLEAU-PONTY, 2011, p. 348, grifo do autor).

54 A organização em profundidade produzida pela fisiologia cerebral pode ser compreendida da seguinte forma:

“para uma grandeza aparente e uma convergência dadas, apareceria em algum lugar do cérebro uma estrutura funcional homóloga à organização em profundidade” (MERLEAU-PONTY, 2011, p. 348).

55 Motivo possui o mesmo sentido de motivação utilizado quando nos referimos à auto-estima e ao sentimento

Para se compreender essa relação de convergência e grandeza aparente, é preciso relacioná-la com o sentido de motivo e de decisão. O motivo para Merleau-Ponty é um antecedente que age por seu sentido; no entanto, é a decisão que afirma esse sentido com válido. “O motivo consiste numa espécie de antecedente que só ganha validade com a decisão de levá-lo a sério, incorporando-o efetivamente” (LEAL, 2012, p. 412).Esses elementos constituem uma situação. O primeiro engloba a situação, enquanto fato e o segundo, a situação assumida. Podemos dizer que existe uma reciprocidade em relação ao motivante e ao motivado. Para exemplificar, pode-se imaginar uma viagem para visitar um ente querido que esteja doente. O motivo é a doença do parente e a situação requer a presença do sujeito para prestar-lhe votos de solidariedade. A decisão de viajar é a validação da viagem. Do mesmo modo, é a relação entre a experiência da convergência, da grandeza aparente e da experiência da profundidade. Elas são uma forma de olhar à distância. A convergência dos olhos não é uma causa da profundidade, mas “uma orientação em direção ao objeto à distância” (MERLEAU-PONTY, 2011, p. 349); a grandeza em profundidade é “uma maneira de exprimir nossa visão da profundidade” (MERLEAU-PONTY, 2011, p. 350), a certeza que se tem de que a lua se torna maior que todas as estrelas no céu é o exemplo mais familiar que se pode usar. Colocando-se uma moeda bem perto do olho, aparentemente ela se tornará maior que a própria lua. Diante disso, à distância em relação a algo, quando se trata de convergência e grandeza aparente, analisada por uma perspectiva de percepção do sujeito, aparentam estarem ligadas umas nas outras, ou seja, relacionadas entre si, pois pelo ângulo que o corpo próprio percebe se tem uma visão destas como aparentemente iguais. “Sabe-se que a grandeza aparente de um objeto significa que a dimensão percebida por meio de um intervalo interposto entre o sujeito e o objeto marca a diferença entre a grandeza aparente e a real” (LEAL, 2012, p. 41).

Para Merleau-Ponty, as ilusões referentes à profundidade habituaram o corpo próprio a considerá-la como uma construção do entendimento. Supondo ver aquilo que não é, considera-se a inversão da visão pela impressão sensorial, perdendo assim a relação original de motivação, substituída por uma relação de significação. As alterações das imagens retinianas, que o movimento de convergência apresenta, não existe em si, mas apenas em sujeitos que fundem os fenômenos monoculares de mesma estrutura como uma tendência à sinergia. A unidade da visão binocular, juntamente com a profundidade, a qual se faz necessária para a realização desta, estão presentes e as imagens monoculares se apresentam

como disparates56. Ao olhar um estereoscópio, a visão do sujeito se coloca na ordem possível

que se desenha e a situação se esboça e a resposta do sujeito assume essa situação. “É o próprio campo que se orienta em direção a uma simetria tão perfeita quanto possível, e a profundidade é apenas um momento da fé perceptiva em uma coisa única” (MERLEAU- PONTY, 2011, p. 353). Após esse esboço, pode-se compreender a noção de profundidade, utilizando como exemplo certo cubo que possui linhas, que se esconde por trás das linhas que estão à frente. O cubo não deixa de ser no seu sentido último, porém a visão do sujeito é incapaz de percebê-lo do outro lado que se esconde; essa parte que o sujeito não consegue ver é o que podemos associar com profundidade. As linhas são associadas ao cubo, mas nunca visíveis.

O ato que corrige as aparências, que dá aos ângulos agudos ou obtusos valor de ângulos retos, aos lados deformados valor de quadrado, não é o pensamento das relações geométricas de igualdade e do ser geométrico ao qual elas pertencem, é o investimento do objeto por meu olhar que o penetra, o anima, e faz as faces laterais valerem imediatamente como quadrados vistos de viés’, a ponto de que nós nem mesmo os vemos sob seu aspecto perspectivo de losângulo (MERLEAU-PONTY, 2011, p. 356-357).

Segundo Merleau-Ponty, não se pode falar em uma síntese da profundidade, pois a primeira supõe termos discretos e a segunda põe multiplicidade das aparências perspectivas. Mas como diz Husserl, é possível falar de uma “síntese de transição”, que efetua a passagem da dimensão do aqui-ali e a dimensão passado-presente-futuro. Essa transição acontece por meio da relação entre o espaço e o tempo, pois podemos compreendê-la através da recordação de uma projeção da lembrança do passado no presente. “A memória é fundada pouco a pouco na passagem contínua de um instante no outro e no encaixe de cada um, com todo o seu horizonte, na espessura do instante seguinte” (MERLEAU-PONTY, 2011, p. 358). É preciso, como diz Merleau-Ponty, pôr a profundidade na relação das coisas ou entre planos que é a profundidade objetivada. Em uma percepção normal, a profundidade se aplica diretamente às coisas e, desta forma, os impasses envolvidos como o alto e o baixo, direito e esquerdo não são dados ao sujeito como conteúdos percebidos, mas constituídos com um nível espacial, que está em relação aos fenômenos, que se situam comparada a distância e à grandeza, definindo o perto e o longe. A percepção do sujeito, a qual define determinado objeto como pequeno ou grande, se está perto ou distante se dá, não pela comparação em relação com outro objeto ou

56O sentido de disparates diz respeito à diversidade de movimentos e efeitos realizados pela visão monocular

até mesmo com nosso corpo próprio, mas por um alcance de nossos gestos a um poder do corpo fenomenal sobre tudo que está ao seu alcance. “A profundidade não pode ser compreendida como pensamento de um sujeito acósmico, mas como possibilidade de um sujeito engajado” (MERLEAU-PONTY, 2011, p. 360).