2. FİNANSAL RİSKLERİN ÖLÇÜM YÖNTEMLERİ
2.10 Riskin Tanımlanması
2.10.2 Gri Sistem Analizinin Tanımı ve Uygulanışı
O que se chama neste trabalho de textos não autorais são aqueles que, segundo as categorias de análise adotadas na pesquisa, não possuem ocorrências significativas de itens lexicais individuantes, nem a presença significativa de marcas linguísticas indicadoras dos sujeitos do discurso e textos cujo complexo argumentativo não promova uma ruptura em relação ao lugar-comum. Além disso, observa-se nesses textos, aquilo que chamamos de rede dialógica restrita. Ou seja, o que aparece no texto identificável enquanto proposta de diálogo com textos e outros discursos, se restringe, ou aquilo que se acomodou no imaginário social como um dado amplamente difundido ou fica restrito aos textos que funcionaram como base no contexto de proposição de escrita das produções analisadas na pesquisa.
Embora encontremos nos textos não autorais desta investigação fenômenos discursivos que poderiam conferir identidade a cada um deles, o que nos levaria a propor uma análise para cada texto, preferimos fazer uma análise por meio da qual possamos enxergar os aspectos gerais que fazem com que essas produções tenham sido consideradas não autorais. Enquanto tais, acreditamos que esses textos nos permitam esse tipo de análise, justamente por causa de sua índole geral de caráter padronizante.
a) Em relação aos itens lexicais não individuantes, podemos ver nos textos características tais como as que se observam em parágrafos elaborados por Carine, Melissa e Miguel:
QUADRO 6 – Comparação entre os textos em relação a itens lexicais individuantes
Sujeitos Carine Melissa Miguel
Parágrafos com baixa incidência de itens lexicais individuantes
Muitas pessoas não são capazes de reconhecer que no período dito ocorreram muitas mudanças positivas no país. Ao contrário disso, o povo só traz a tona suas heranças negativas. O que os jovens de hoje não sabem é que se não fosse pela ditadura eles não saberiam o que é protestar e que a escola modelo e o ensino de qualidade que eles buscam hoje já existiu um dia, e foi na ditadura militar.
Se a ditadura retorna-se haveria alguns benefícios, pois no Brasil atual, há corrupção, violência, estrupo, má qualidade na educação e com a volta do governo militar o Brasil iria melhorar. Nessa época foram feitas as universidade públicas, havia repeito e a violência era muito menor. A única desvantagem que consegue ser tão desagradável que supre todas as vantagens é o fato da falta de expressão”.
Embora os militares impunham a ordem, eles governavam de uma forma dura e rigorosa, manchando o governo por torturas e mortes. Neste período, pessoas lutaram pela liberdade social do país, houve muitas manifestações contra o regime e ações de repressão com violência e tortura por parte dos militares contra as pessoas que demonstravam detentoras de uma conduta negativa em relação á ditadura. Inúmeras pessoas foram torturadas e mortas em nome do “combate à
esquerda” e da “segurança nacional”.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Os itens lexicais individuantes, quando ocorrem nos textos autorais, justamente por funcionarem dentro de um complexo geral que é de índole pessoalizante e original estão organicamente ligados às outras dimensões do texto, sobretudo na macrodimensão argumentativa que inclui as marcas linguísticas indicadoras dos sujeitos do discurso e a rede dialógica. No entanto, acusamos as ocorrências individuantes, no caso dos textos não autorais, como manifestações isoladas, sem encontrar ressonância no todo do texto, criando um complexo argumentativo capaz de conferir à produção um status de individualidade significativa.
Os itens negritados do Quadro 6 – parágrafos os quais são centrais na estratégia argumentativa das produções em questão – demonstram isso. A expressão trazer à tona, de Carine; e a expressão “segurança nacional”, do texto de Miguel, causam uma ruptura no
próprio parágrafo dos autores. No caso de Carine, em virtude de ser uma expressão de feição erudita, em relação aos textos de seus pares. No caso de Miguel, a expressão dá uma feição técnica ao texto, própria de quem conhece o assunto e o aborda no sentido de produzir conhecimentos novos que se vão instaurar para os leitores. Revelam-se, no entanto, na trama argumentativa geral de seus textos como espasmos em meio àquilo que, de fato, lhes confere substância: termos e ideias que não avançam em relação à generalização e ao lugar-comum. O parágrafo de Melissa não chega a apresentar uma ocorrência sequer de índole individuante, segundo nossa análise.
(b) As marcas linguísticas indicadoras dos sujeitos do discurso são raras nos textos não autorais objetos de nossa análise. Lendo os parágrafos de conclusão dos textos podemos constatar isso, lembrando que os parágrafos de introdução e conclusão, enquanto pontos- chave da alternância dos sujeitos do discurso, tendem a ser marcados pela presença destes sujeitos no nível linguístico, uma vez que o produtor está consciente de que terminar o texto significa entregar seu enunciado ao leitor. Entregar o enunciado ao leitor, no viés dialógico bakhtiniano, significa abrir-se à compreensão ativamente responsiva do outro, o que influencia para que, no nível do texto, o produtor se dirija a esse leitor, muitas vezes, se incluindo nesse processo, por intermédio de pronomes pessoais e/ou verbos de primeira pessoa, tal como vimos nos textos considerados autorais. O parágrafo de Bruno exemplifica o exposto:
Para estabelecer um Brasil que cresça deveríamos juntar o melhor de cada época. Portanto teríamos que amar o país em que nascemos e ter liberdade de expressão, fazendo isso faríamos com que o Brasil melhorasse em diversos aspectos e fosse melhor visto no exterior.
QUADRO 7 – Comparação entre os textos em relação a marcas linguísticas indicadoras dos sujeitos do discurso
Sujeitos Carine Melissa Miguel
Último parágrafo com baixa incidência de marcas linguísticas indicadoras dos sujeitos do discurso
Para muitos foi apenas um período de conflitos, massacre, dor e repressão, mas para outros ela trouxe muitos benefícios. Se houvesse hoje, um pouco mais das coisas que haviam naquele período, não seria necessário sair às ruas protestando pelas coisas que reivindicamos
hoje.
A ditadura foi um período bom, mas a forma que o Brasil e os brasileiros estão acomodados com a vida atual faz com que eles não consigam, em sua grande maioria, perceber como o governo atual é pésimo.
Desse modo, conclui-se que muitos indivíduos e famílias lutaram pela liberdade de expressão negada pelo governo, sofrendo repressão dos militares e, hoje, ainda
convivemos com vários abusos da mídia que articula a opinião pública.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Ao olhar para a baixa incidência de marcas que apontem para os sujeitos do discurso, o que se constata é que o lugar de fala do texto é o da distância. Ou seja, o produtor, tomando distância de sua própria subjetividade fala como o outro em si mesmo. É a partir dessa posição que constrói seu projeto de discurso, comprometendo seu ato de linguagem enquanto ato comunicativo. Os verbos conjugados na primeira pessoa, negritados, nos textos de Carine e Miguel, surgem no segundo período de seus parágrafos, como pálida inserção do sujeito em seu próprio discurso, uma vez que o conjunto da conclusão do texto não nasce dessa voz- subjetivada, mas da posição de quem apenas testemunha os fatos sem neles se misturar. É como se o sujeito discursivo instituído como voz que fala no texto mantivesse distância do sujeito que empiricamente vive no mundo e toma essa vivência como referência para o ato de escrita.
Não pretendemos fazer uma aproximação imediata entre o sujeito empírico e o sujeito de discurso, mas enfatizar que o sujeito de discurso da escrita pessoalizante, produtora de sentidos inovadores, parece constituir-se enquanto tal tomando as experiências do sujeito empírico enquanto seu fundamento. E esse sujeito discursivo da escrita autoral, ao ser constituído em uma relação íntima com as experiências do sujeito empírico no mundo, surge, necessariamente, enquanto forma discursiva que o denuncia na superfície linguística, já que o sujeito empírico no mundo também é discursivo. Ou seja, conseguir ver o sujeito discursivo
em marcas linguísticas significa não só acusar um fenômeno de superfície, mas entrever o fundamento do fenômeno geral a partir do quê a escrita autoral é possível.
c) O plano argumentativo dos textos considerados não autorais denuncia esse mesmo distanciamento impessoalizante que se serve do lugar-comum como estratégia de persuasão. Tomando os mesmos trechos utilizados para análise dos itens lexicais individuantes, poderemos também ter um vislumbre da natureza das estratégias argumentativas mobilizadas nos textos de Carine, Melissa e Miguel, uma vez que se tratam dos parágrafos de desenvolvimento do conteúdo temático trabalhado nas produções.
QUADRO 8 – Comparação entre os textos em relação a parágrafos-chave da estratégia argumentativa
Sujeitos Carine Melissa Miguel
Parágrafos- chave da estratégia argumentativa dos textos não
autorais
Muitas pessoas não são capazes de reconhecer que no período dito ocorreram muitas mudanças positivas no país. Ao contrário disso, o povo só traz a tona suas heranças negativas. O que os jovens de hoje não sabem é que se não fosse pela ditadura eles não saberiam o que é protestar e que a escola modelo e o ensino de qualidade que eles buscam hoje já existiu um dia, e foi na ditadura militar.
Se a ditadura retorna-se haveria alguns benefícios, pois no Brasil atual, há corrupção, violência, estrupo, má qualidade na educação e com a volta do governo militar o Brasil iria melhorar. Nessa época foram feitas as universidade públicas, havia repeito e a violência era muito menor. A única desvantagem que consegue ser tão desagradável que supre todas as vantagens é o fato da falta de expressão.
Embora os militares impunham a ordem, eles governavam de uma forma dura e rigorosa, manchando o governo por torturas e mortes. Neste período, pessoas lutaram pela liberdade social do país, houve muitas manifestações contra o regime e ações de repressão com violência e tortura por parte dos militares contra as pessoas que demonstravam detentoras de uma conduta negativa em relação á ditadura. Inúmeras pessoas foram torturadas e mortas em nome do
“combate à esquerda” e da “segurança nacional”.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Nos trechos dos três textos considerados não autorais, observa-se uma construção de argumentos de índole generalizante e que se valem do lugar-comum enquanto recurso de convencimento.
Em nenhum dos três há, por exemplo, algum exemplo que ancore os argumentos em fatos concretos, criando referências situadas de uma construção discursiva que ocorre no presente da enunciação. Em todas há uma evocação da época da ditadura, a qual não encontra ressonância no presente. E essa evocação do passado histórico está diluída em fatos que se apresentam nos textos, mas que já estão presentes no acervo da memória social como um pré- dado anterior à escrita do próprio texto. Os fatos evocados que fogem, em alguma medida, a essa perspectiva são referências ao texto-base. Em Melissa: Nessa época foram feitas as
universidade públicas, havia respeito e a violência era muito menor. Nesse trecho, o dado de
que as universidades públicas foram feitas durante a época da ditadura é um dado do texto de Marco Antônio Villa (ANEXO A). Em Miguel: Inúmeras pessoas foram torturadas e mortas
em nome do “combate à esquerda” e da “segurança nacional”. A influência da “segurança
nacional” como uma perspectiva abraçada pelos militares e como conceito norteador das ações de proteção do país também é um fato que consta no texto de Emir Sader (ANEXO A). Os outros argumentos desses autores são de ordem amplamente conhecida e são argumentos que se repetem em outros textos da série analisada.
No texto de Carine, vemos uma tentativa de romper com esse lugar-comum, quando a produtora cria uma relação entre o período do regime e uma sua herança observável nos dias de hoje: O que os jovens de hoje não sabem é que se não fosse pela ditadura eles não
saberiam o que é protestar e que a escola modelo e o ensino de qualidade que eles buscam hoje já existiu um dia, e foi na ditadura militar. Ao enunciar: o que os jovens de hoje não sabem, a aluna cria a possibilidade de estabelecer uma relação nova entre os fatos de amplo
conhecimento em torno da ditadura e algum aspecto contemporâneo que ela enxerga e que guarda relação com esse período. Então, ela propõe que os jovens contemporâneos desconhecem que se não fosse pela ditadura eles não saberiam o que é protestar e que a
escola modelo e o ensino de qualidade que eles buscam hoje já existiu um dia, e foi na ditadura militar. Aqui há um trabalho que aponta para a criação de uma ruptura em relação ao
lugar-comum, revelando o trabalho de um sujeito discursivo situado historicamente. Produzindo uma informação fruto da relação do fato histórico amplamente conhecido e o que ela observa enquanto sujeito sócio-historicamente situado, ela produz um sentido que convida o leitor a ter uma posição ativamente responsiva em relação ao que enuncia. Esse, no entanto, é um caso isolado no todo do texto da aluna e, por outra parte, falta ao argumento dados mais precisos sobre que jovens são esses e que protestos ocorreram tendo os jovens como protagonistas, de modo a precisar ainda mais os referenciais com os quais está trabalhando.
(d) A rede dialógica dos textos dos não autores se restringe, em grande medida, àquilo que é de senso comum e às informações que circularam nos textos-base utilizados na proposta de produção textual construída na turma X.
3.3 PERFIL DOS SUJEITOS DA PESQUISA, A PARTIR DOS DADOS DO