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4. UYGULAMANIN AŞAMALARI

4.2 Finansal Risklerin Tespit Edilmesi ve Genel Durum

Sob a ótica da Semiolingüística, o discurso é entendido como um jogo entre interlocutores que, envolvidos num contrato, se reconhecem mutuamente como parceiros de comunicação que são movidos por intenções. Vê-se aqui que a noção de contrato é

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fundamental para o modelo proposto por Charaudeau. Para esse autor, contrato é entendido como a condição básica para qualquer prática de linguagem, uma vez que, para que ela aconteça, é necessário que os parceiros se reconheçam mutuamente como interlocutores, que têm direito à palavra, e mais, a um projeto de fala ao qual é possível atribuir uma pertinência intencional.

Para que o parceiro envolvido no ato de linguagem seja reconhecido no seu estatuto de ser comunicante, é necessário que lhe seja reconhecido o direito à palavra. É necessário que se reconheça uma pertinência intencional no seu projeto de fala. Assim, Charaudeau aponta três condições que fundamentam o direito à palavra:

a) Reconhecimento do Saber: refere-se ao lugar onde circulam os discursos de verdades e crenças em termos de discurso sobre o mundo, que acaba por construir significados consensuais, que ocupam um lugar de verdade pelo seu grau, mais ou menos forte, de verossimilhança.

b) Reconhecimento do Poder: refere-se à identidade socioinstitucional dos atores sociais, que envolvidos em intercâmbios linguageiros se definem numa inter-relação, de uma identidade psicossociológica (espaço externo), de um lado, e de um papel linguageiro (espaço interno), de outro. Assim a legitimidade que é atribuída ao sujeito não vem somente do espaço externo, mas do grau de adequação que se estabelece entre esses dois lados.

c) Reconhecimento do Saber fazer: as duas condições anteriores, capazes de conferir legitimidade de Saber e de Poder ao sujeito, não são suficientes para garantir-lhe o direito à palavra. É necessária uma terceira que lhe confira o reconhecimento de sua capacidade de realizar o que ele comunica. Aqui o conceito de projeto de fala dá conta de explicar esse reconhecimento de Saber fazer. O projeto de fala, nas palavras de Charaudeau (1996), “é o resultado de um ‘ato conjunto’, que se faz num movimento de vai-e-vem constante entre o espaço externo e interno da cena comunicativa”. Essa habilidade de jogar com os dois espaços e seus componentes é que leva o Saber fazer do sujeito a ser julgado e que, por conseguinte, o leva a ter reconhecido o seu direito de fala. Isso lhe dará, então, credibilidade, sem a qual não seria possível realizar seu projeto de fala, mesmo que possua legitimidade pelo Saber ou pelo Poder.

Em síntese, a noção de contrato, cunhada pela Semiolingüística, nos remete à idéia de legitimidade e credibilidade, pressupostos inerentes a uma relação contratual. Dentro deste quadro teórico, a enunciação constrói o sujeito em relação com o outro, tendo em vista

suas determinações históricas e lingüísticas. É na interação com o outro que o sujeito se constitui e se realiza. A legitimação do sujeito se dá em função da posição que ele ocupa nas diferentes situações de interação, através da sua identidade social, cristalizada historicamente. Já a sua credibilidade é constituída pela própria enunciação, ou seja, pela capacidade que o sujeito possui de se instaurar como autoridade através do discurso. Assim, toda situação de comunicação depende de um contrato constituído por componentes que arquitetam o circuito situacional; e por estratégias discursivas, constitutivas do circuito lingüístico, que representam a margem de manobra que o sujeito comunicante dispõe para executar seu projeto de fala, isso é, as escolhas discursivas do sujeito comunicante que produzirão efeitos específicos no destinatário.

Esse projeto de fala do sujeito falante, mencionado acima, se constrói em torno de um certo número de objetivos que vão engendrar o mesmo número de objetivos comunicativos, ou visées comunicativas. Segundo Charaudeau (1999) as visées correspondem a uma intencionalidade psicossocio-discursiva que determina a expectativa do ato de linguagem do sujeito falante e, portanto, da própria troca linguageira. Elas devem ser consideradas do ponto de vista da instância de produção, tendo em vista um destinatário ideal, mas, ao mesmo tempo, devem ser reconhecidas pela instância receptora, para que haja uma inter-compreensão entre locutor e interlocutor. Nas palavras de Charaudeau (1999, p. 10) Elles correspondent donc à des attitudes énonciatives de base que l’on retrouverait dans um corpus large d’actes communicatifs regoupés au nom de leur orientation pragmatique, mais au-delà de leur ancrage situationnelle.15 As visées são definidas por um duplo critério: pela intenção pragmática do eu em relação a sua posição como enunciador na relação de interlocução com o tu, e pela posição que tu deve ocupar se quiser participar do ato comunicativo. Em seu texto de 1996, “Para uma nova análise do discurso”, Charaudeau sintetizava essas visées em quatro tipos: factivo, informativo, persuasivo e o sedutor. Já em “Visées discursives, genres situationnels et construction textuelle” (1999), ele apresenta seis tipos principais: de prescrição, de solicitação, de incitação, de informação, de instrução e de demonstração. Sem nos determos a cada uma delas, pois isso extrapola os objetivos desse trabalho, nos deteremos nas visées de informação, solicitação e incitação.

Como sublinhou Charaudeau (1999), numa situação de comunicação podemos falar de predominância de uma dessas visées, como o fez Jakobson ao tratar das funções da

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Elas correspondem, portanto, a atitudes enunciativas de base que encontraríamos num corpus amplo de atos comunicativos agrupados pelo nome de sua orientação pragmática, mas para além de sua implantação situacional.

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linguagem. No caso específico do nosso corpus, como dito anteriormente, ele se inscreve no tipo de situação midiática informativa. Nesse sentido o objetivo comunicativo ou a visée comunicativa que nele predomina é a de informação, pois é ela que traduz a perspectiva mais geral desse contrato de comunicação, ou seja, ele busca responder a exigência democrática que quer que a opinião pública seja esclarecida sobre os acontecimentos que se produzem no espaço público. Tendo em vista essa visée o que vamos encontrar é um Eu legitimado na sua posição de fazer saber, já que se trata de profissionais, ou seja, jornalistas. Assim Tu, que são expoentes da cena política em questão, se encontram na posição de dever saber alguma coisa sobre a existência dos fatos, ou sobre o porquê ou o como do seu surgimento.

Por outro lado, como se trata de um programa televisivo, temos a visée de incitação para responder a exigência de concorrência comercial que quer que esses discursos se dirijam ao maior número de audiência e, portanto, busca captá-la. A visée de incitação busca fazer fazer, mas como esse Eu, no caso aqui a emissora de TV, não está em posição de autoridade, ele só pode incitar a fazer. Ele deve então fazer crer por persuasão ou sedução ao Tu que ele será o beneficiário do seu próprio ato; Tu está, pois, em posição de dever crer que se ele age é para o seu bem. Assim Eu, representante aqui da emissora, deverá fazer com Tu, o telespectador, creia que ele será beneficiado com o seu ato de assistir ao programa. Além do reforço ao caráter cidadão, uma vez que o tema da entrevista trata de assuntos referentes à esfera pública, que por si só já funciona como uma estratégia persuasiva, criam-se também recursos para seduzi-lo, Tu é convocado a participar por meio de perguntas, daí o caráter interativo da entrevista, e Tu também é levado a sentir prazer por meio das charges.

Como se trata de uma entrevista, temos também a visée de solicitação, uma vez que o Eu, mediador e entrevistadores, está em posição de inferioridade em relação ao Tu quanto ao saber, mas legitimado em seu pedido de querer saber; Tu, por sua vez, está em posição de dever responder a solicitação. Ao aceitarem o convite de participar da entrevista, os entrevistados, de certa forma, assumem o compromisso de atender essa solicitação. É importante para eles se valerem desse espaço público para se mostrar, se promover, se defender, acusar, enfim, jogar com as possibilidades que lhe sejam favoráveis.

Retomando o Quadro 1 sobre a materialidade da entrevista televisiva- interativa, apresentado na página 32 desta tese, podemos notar que no nível mais englobante, em que temos a interação midiática interativa, vemos que a viseé de incitação predomina, uma vez que a emissora tenta criar um produto que atenda aos interesses da audiência. Já no segundo nível, em que se dá a interação entre mediador e telespectador, a viseé preponderante é a de informação, pois o representante da emissora interage com o telespectador, informando-lhe

sobre a dinâmica do programa, sobre os meios pelos quais ele pode participar e sobre as personalidades que serão entrevistadas. Por último, no nível mais englobado, o da entrevista propriamente dita, vemos que a viseé de solicitação é que predomina, pois mediador e entrevistadores é que farão emergir as informações dos entrevistados.

Vale lembrar que a visée não corresponde ao todo da situação de comunicação, mas ela é um dos elementos essenciais que se combina com as características dos demais componentes como, por exemplo, as identidades dos participantes, a instância informante de um lado a instância cidadã do outro, o propósito e sua situação temática, os eventos nos espaços públicos e a materialidade da comunicação. A situação de comunicação é, pois, o que determina, através das características dos seus componentes, as condições de produção e de reconhecimento dos atos de comunicação, condições de enunciação sob seu aspecto externo. Nesse sentido cada situação de comunicação em particular inscreve, ao mesmo tempo, no nível de seus componentes, dados gerais que desenham o domínio / âmbito / a área dessa prática linguageira e traz especificações que lhe são próprias.