• Sonuç bulunamadı

1.1 TOPLUMSAL YAPI ve KENT KÜLTÜRÜ

1.1.4 KENTİN AÇIK VE KAPALI ALANLARINDA

1.1.4.1 Grafik Tasarımda Tipografi Uygulamalarındaki Yaklaşımlar

Outros tipos de materiais foram encontrados nos sítios e embora não sejam o alvo prioritário das pesquisas merecem uma breve caracterização. A cerâmica, que na maioria dos sítios com cerritos é a cultura material mais abundante, no Banhado do M’Bororé está representada apenas por alguns poucos e esparsos fragmentos. Os apresento a seguir fazendo algumas considerações. Outro dado que merece atenção é o resultado da análise do solo de ocupação o qual exponho na seqüência.

A cerâmica

A coleção cerâmica está composta de 35 fragmentos de cerâmica, obtidos, em sua maioria, através de doação dos moradores locais. Como já salientei, apenas um fragmento provavelmente pertencente à Tradição Vieira foi encontrado em escavação, no cerrito Butuy 2.

Entre os fragmentos encontram-se um fundo de base plana e cinco bordas. A maior delas tem 28 cm de diâmetro, as outras são muito pequenas e difíceis de reconstituir. Os demais fragmentos são pequenos, sendo que três deles apresentam sinais de decoração escovada, que é uma variedade da Tradição Tupiguarani, com sulcos bem visíveis e paralelos entre si. Devido ao desgaste na superfície da cerâmica, o antiplástico torna-se visível em alguns fragmentos, sendo composto por cacos de quartzo e grânulos de hematita. Oito dos fragmentos são de cerâmica missioneira, caracterizada por uma superfície lisa e as paredes apresentam coloração avermelhada, aparentando ser decoração pintada com engobo vermelho. Há ainda um fundo de base plana e uma pequena borda, ambos de cerâmica missioneira. Os demais fragmentos apresentam superfície lisa.

Um pequeno e altamente fragmentado número de cacos de cerâmica foi recuperado. Por isso a reconstituição das bordas foi prejudicada. Foi possível reconstituir apenas uma delas, a maior, que tem 28 cm de diâmetro. No entanto, partes de um pote foram remontadas e doadas por moradores locais. O bom estado de preservação e o tamanho dos fragmentos possibilitaram a quase completa remontagem do pote e sua reconstituição. A partir deste podemos ter uma idéia do tipo de vasilhas fabricadas, que se assemelham em muito às associadas à tradição Vieira (caracterizada por entre outros por SCHMITZ et al., 1991), descrita como apresentando:

(...) formas de tamanho pequeno, em geral vasilhas de contorno simples como pratos e tigelas com, no máximo, 40 cm de diâmetro e geralmente mostrando um acabamento de superfície grosseiramente alisado ou com muito pouca decoração plástica. Em algumas coleções cerâmicas resgatadas em sítios Vieira parece ocorrer uma mistura de elementos, especialmente aspectos decorativos, da cerâmica das duas outras tradições arqueológicas ceramistas que ocuparam o estado a partir dos primeiros séculos da Era Cristã: a tradição Taquara e a tradição Tupiguarani. (ROGGE, 2004, p. 105-106)

Iriarte (2003) fez associações semelhantes para os fragmentos cerâmicos encontrados na região da Laguna Mirim no Uruguai. Através da reconstituição das bordas ele chegou à conclusão de que os recipientes seriam tigelas, pratos e baixelas provavelmente usados para servir, e sugere a possibilidade que poderiam ter sido utilizados em festas e associados a contextos rituais. Entretanto, ele reconhece que esta é apenas uma hipótese e bastante controversa, uma vez que a cerâmica Vieira tem sido há muito interpretada com finalidades domésticas devido a manufatura simples, homogeneidade e falta de decoração.

Fotografias 51, 52 e 53: Fragmentos de pote relacionado à cerâmica Vieira.

Figura 12: Reconstituição do formato e tamanho do pote.

Fonte: Acervo LEPA

Quanto ao fragmento escavado no cerrito Butuy 2 é muito semelhante aos anteriores: acabamento de superfície grosseiramente alisado, sem decoração plástica, antiplástico de granulação grossa (grânulos de hematita), composto de grãos de quartzo bastante visíveis.

Fotografia 54: Fragmento cerâmico encontrado no cerrito Butuy 2 com antiplástico visível.

Fonte: Acervo LEPA

Fragmentos de cerâmica missioneira foram encontrados após a abertura de um poço teste em um cerrito já destruído. A cerâmica é torneada, com engobo vermelho interno e externo e um dos cacos apresenta uma base em pedestal.

Grânulos de

Hematita

Fotografia 55: Fragmentos de cerâmica missioneira torneada encontrados na região da pesquisa.

Fonte: Acervo LEPA

De acordo com Brochado e Ribeiro a cerâmica de contato recebe as seguintes denominações: fase Reduções, fase Missões e tradição Neobrasileira. A fase Missões está ligada aos Sete Povos das Missões, dos quais o município de São Borja faz parte, apresentando uma maior influência européia. Brochado, Lazzarotto e Steinmetz (1969) a dividem em duas séries: série Ijuí e série Missões. O método de fabricação e a técnica de decoração da primeira estão bastante ligados a tradição indígena local. Já a segunda é torneada, produzida na roda de oleiro, totalmente distanciada da tradição indígena, se encaixando na tradição européia da época. Embora o tratamento plástico da superfície e as técnicas de manufatura sejam indígenas, as vasilhas possuem formas e bases planas de origem européia; tratamento simples ou com engobo vermelho; há padronização da cerâmica, com a repetição de quatro tipos e quatro formas como tigelas e pratos para consumo de alimentos (ZUSE, 2009).

Onde antes havia a estrutura foi feita a horta da família que habita agora o lugar. O plantio ou o nascimento de vegetações sobre cerritos é bastante comum devido à alta fertilidade do solo. Portanto é recorrente a reutilização destes espaços. O que pode ser uma explicação para a presença deste tipo de cerâmica em um aterro.

Vestígios de ocupação humana

As amostras de solo coletadas durante as escavações foram analisadas para que fossem possíveis comparações entre o solo agrícola das cercanias e o solo do cerrito Butuy 1 (Anexo). A composição química do solo no interior do cerrito apresenta-se diferenciada da encontrada na área externa. O alto índice de fósforo indica queima de materiais sobre a estrutura. No entanto, durante as intervenções, não se encontrou vestígios de possíveis fogueiras nem materiais carbonizados. A significativa presença de potássio e cálcio sugere, ainda, a intensa ocupação de grupos humanos por determinado período. Porém, nenhum resto de alimentação ou de enterramento humano foi descoberto durante as escavações.

pH P K Ca Cerrito Butuy 1 – Q11 5.1 146.9 606 18.2 Ponto 414 – 150m 4.5 9.4 129 5.3 Média <5.0 25 120-200 3-4

Tabela 1: Resultados da análise de solo Butuy 1.

Fonte: Confecção própria

A hipótese de construção dos cerritos Butuy 1 e 2 é de que sua fabricação tenha se dado através de material coletado em áreas de captação específicas, onde provavelmente também eram depositados os refugos do grupo. Solos destas áreas obviamente apresentariam alta concentração de vestígios de ocupação humana.

5. O LUGAR BANHADO DO M’BORORÉ: CONTEXTO DE