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Glycrrhiza cinsinin biyolojik aktivitesi ile ilgili yapılan çalışmalar

2. KAYNAK ARAŞTIRMASI

2.3. Glycyrrhiza cinsi hakkında genel bilgi

2.3.2. Glycrrhiza cinsinin biyolojik aktivitesi ile ilgili yapılan çalışmalar

O Terceiro Setor relaciona-se ao conjunto de entidades sem fins lucrativos que não integram a estrutura do Estado (Primeiro Setor) e do mercado (Segundo Setor), constituídas como pessoas jurídicas de direito privado com finalidades sociais. Pelo Código Civil Brasileiro (Art. 44), são pessoas jurídicas de direito privado: as associações; as sociedades; as fundações; organizações religiosas; os partidos políticos; e as empresas individuais de responsabilidade limitada.

Desde o período colonial até o início do século XIX, já se pode identificar organizações que, direta ou indiretamente, atuavam através das igrejas cristãs. A Igreja Católica, com o suporte do Estado, era responsável pela maior parte das entidades que prestavam algum tipo de assistência às comunidades carentes que ficavam às margens das políticas sociais básicas (saúde e educação, fundamentalmente). No final do século XIX, percebe-se ativa participação das entidades sem fins lucrativos na sociedade brasileira.

Na década de 30, várias entidades da sociedade civil passaram a se formar, muitas das quais atreladas ao Estado. O período do Estado Novo caracterizou-se por uma continuidade deste processo de criação de organizações com fins públicos. O terceiro setor passava a ser integrado por várias entidades cuja representatividade não era mais tão bem definida. Essa nova realidade acabou sendo determinante para a elaboração de uma legislação específica para o conjunto de entidades não governamentais, sem fins lucrativos e de finalidade pública (Lei de Utilidade Pública).

110 Nas décadas de 60 e 70, verifica-se um processo de constituição e consolidação das organizações não governamentais (ONGs), que surge em um período marcado pelas restrições político-partidárias impostas pelos governos militares. Na década de 80, elas crescem e se tornam visíveis. É oportuno recordar que as ONGs tiveram papel relevante na ditadura militar enquanto catalisadoras dos movimentos e aspirações sociais e políticas da população brasileira.

Na Constituição-Cidadã de 1988, tem-se uma democratização das políticas públicas, com notável participação da sociedade. A própria Constituição prevê o fortalecimento das entidades da sociedade civil como um indicador do nível de organização da sociedade e, portanto, da qualidade da democracia. Verifica-se o estímulo à sociedade para que se organize e crie instituições que defendam seus interesses e direitos.

Já em 1995, a bandeira do programa “Comunidade Solidária”, cujos objetivos consistiam no combate à fome e à miséria e na redução das disparidades regionais e sociais, gera ou reforça novos espaços públicos, não necessariamente estatais, e incentiva formas inovadoras de mobilização e parcerias entre diferentes níveis de governo e agências estatais, bem como entre o governo e as múltiplas e distintas organizações da sociedade civil.

Esse rápido histórico visa assinalar algumas das características das organizações da sociedade civil: trabalham para o bem público e não de seus acionistas; refletem objetivos da comunidade e não a obtenção do lucro; revestem-se de vários formatos legais, como se viu anteriormente; a governança é exercida através de um conselho; os membros do Conselho são voluntários e não remunerados; entre outras.

Na área cultural, em todas as esferas de atuação estatal, essas organizações (geralmente, associações civis) representam, em muitos casos, o braço forte na realização de ações e programas culturais, principalmente depois de a Carta de 1988 reinstalar a burocracia weberiana no Estado. Conhecidas, em geral, como “Associação de Amigos”, adquirem o papel de gestores públicos de cultura, protagonistas ou coadjuvantes, a partir de uma relação estreita com a máquina estatal, e em uma operação que valoriza o compartilhamento de competências institucionais, quer seja no plano estratégico, técnico ou operacional - a dose dessa intimidade é que vai variar de caso a caso. Normalmente integradas por personalidades127, empresários, artistas, políticos e executivos, essas

111 associações possuem boa capacidade de articulação, fator decisivo no processo de captação de recursos públicos128, geralmente via leis de incentivo, responsáveis pela ampliação do orçamento destinado à cultura, oriundo do Estado, e, consequentemente, da oferta de serviços públicos. Captação que elas podem fazer por estarem na órbita do direito privado, mas o Estado não. Mas essa é apenas uma das vantagens da parceria.

Schüler (2012:139) ressalta que

como forma de contornar sua falta de autonomia e incapacidade de realizar as operações de mercado mais simples, como captar um patrocínio ou contratar o restauro de uma obra de arte, generalizou-se, no País, a figura das “associações

de amigos”. Estas nada mais são do que instrumentos informais criados para

devolver alguma flexibilidade e capacidade de gestão que o enrijecimento da estrutura estatal retirou das nossas não instituições culturais.

A par dessa conjuntura, na trilha do que o citado autor denominou de

“instrumentos informais”, referindo-se às associações de amigos, viu-se aqui que o

modelo de OS possui mecanismo que, ao contrário daquele, formaliza a cooperação entre o Estado e o Terceiro Setor, por meio de um contrato de gestão. Esse reconhecimento oficial, naturalmente, aciona importantes instâncias da sociedade e do Poder Público, como os organismos estatais que fiscalizam recursos públicos. No caso das associações de amigos, no entanto, a realidade muda de figura, e dificilmente se verá ações fiscalizatórias nesses territórios como as que são estipuladas, em lei, para as OSs.

Compreender a existência das associações de amigos antes do marco legal das OSs parece ser trivial. Mas e depois dele? Faz sentido que recursos públicos sejam movimentados no campo da informalidade? A ordem jurídica que formaliza as parcerias público-privadas, via OS, também não proporciona flexibilidade na gestão? Quais as vantagens e as desvantagens de um e outro modelo? Na verdade, essa discussão é muito mais complexa do que esses pontos de problematização e, como antecipado, não é objetivo deste trabalho investigá-los.

Porém, para finalizar, parece oportuno trazer a lume mais alguns dados, até para oferecer ao leitor um pouco mais de concretude à discussão. E nada mais oportuno do que se trabalhar com a perspectiva da instituição que se deslocou da Lei nº 5.498/09. A FTM, para a realização de suas atividades artísticas e culturais, conta com a ativa participação

128 Recursos públicos porque, muito embora não entrem no caixa do Tesouro, se constituem em detrimento da arrecadação do imposto devido pelas empresas.

112 da Associação dos Amigos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro – AATMRJ, entidade sem fins lucrativos, e, consoante informado em seu site129, fundada em 1984.

O próprio site da associação revela a importância de sua atuação ao informar que

a entidade é a “responsável pela realização do projeto da Fábrica de Espetáculo”:

a AATMRJ em parceria com a FTM-RJ firmou contrato de patrocínio com o BNDES no valor de R$ 17 milhões para realização do Projeto Cultural "Fábrica de Espetáculos - Fase 2", que consiste na complementação da restauração e adaptação de edifício histórico na zona portuária para a instalação da "Fábrica de Espetáculos", que irá abrigar uma Escola Técnica, a Nova Central Técnica de Produções do Theatro Municipal e uma área para exposições permanentes do acervo histórico do Theatro.130

Também é importante mencionar que a obra de restauração e modernização, a maior reforma da história do teatro, que custou R$ 64 milhões131, foi viabilizada com a gestão conjunta da FTM e da AATMRJ. Segundo o site “Catarse Musical – Técnica Vocal

e Cultura Geral”, a associação, em 2010, foi uma das cinco maiores captadoras de

recursos incentivados do país:

aparece em quinto lugar é a Associação de Amigos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro (AATMRJ). Trata-se de uma associação privada sediada no Rio de Janeiro que atua com projetos na área de patrimônio cultural. Esta associação captou aproximadamente 12,4 milhões de reais em 2010 para realizar seus projetos. Estes recursos foram planejados para serem utilizados na Restauração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro com a intenção de preservar as suas características arquitetônicas, tanto da sua parte externa na cobertura de cobre, quanto na parte interna na sala de espetáculos.

A AATMRJ captou os recursos com 7 organizações. Entre elas, 4 são empresas públicas (Petrobrás, BNDES, Eletrobrás e a Concessão Metroviária do Rio de Janeiro). Além do BNDES, outra instituição financeira também aparece entre os incentivadores, o Bradesco. Uma das organizações é uma empresa de mineração (Companhia Vale do Rio Doce) e outra é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) (Instituto Embratel 21).132

Já em 2013 e 2014, a associação em voga obteve uma receita de mais de R$ 20 milhões133, enquanto a cifra das associações vinculadas a equipamentos culturais da FUNARJ (AMAVILLA, AASCM, AAMI) quase alcançou R$ 4 milhões134, conforme detalhado na Tabela 01.

129 Disponível em: http://www.aatmrj.com.br/home. Acesso em 04/01/16.

130 Disponível em: http://www.aatmrj.com.br/conteudo/5/29. Acesso em 04/01/16.

131 Disponível em: http://www.theatromunicipal.rj.gov.br/historia.html. Acesso em 04/01/16.

132 Disponível em: https://maripaes.wordpress.com/2011/04/05/os-cinco-maiores-captadores-de-recursos/. Acesso em 04/01/16.

133 Informações obtidas por email, em 28/08/15, do consultor indicado pelo presidente da FTM. 134 Informações obtidas por email, em 14/08/15, do Diretor Administrativo e Financeiro da FUNARJ.

113 Tabela 01: Receitas de Associações de Amigos

ENTIDADES RECEITA TOTAL

2013 2014 24.685.270,91

AATMRJ 8.259.729,54 12.579.905,65 20.839.635,19

AMAVILLA 1.686.049,67 1.688.016,16 3.374.065,83

AASCM 190.807,48 250.470,41 441.277,89

AAMI 14.262,50 16.029,50 30.292,00

Fonte: Elaborada pelo autor

Acrescente-se que, apesar dos vultuosos recursos que circulam nas referidas associações, não é possível verificar por que, onde e como são aplicados. O site da AATMRJ, por exemplo, não disponibiliza quaisquer informações financeiras, contábeis ou patrimoniais sob sua responsabilidade, ou seja, não se verifica iniciativa de conferir publicidade à prestação de contas da instituição. Lembrando que recursos provenientes de leis de incentivo têm origem pública, tais entidades deveriam dedicar tratamento, no mínimo, igual àquele propagado pela administração pública, que vem se valendo cada vez mais das diversas mídias para a publicação de dados e informações de interesse da coletividade.

Em que pese sua relevante contribuição, fundamental ao Estado no exercício dos deveres viabilizadores relativos ao acesso à cultura, essas associações deveriam, e é sensato, praticar a lógica de que o conceito de cidadania cultural compreende, além de recursos, eficiência administrativa e de bons projetos culturais, o encargo de comunicação com a sociedade.

Sem a devida transparência, as políticas públicas que se encaminham nesse quadro institucional acabam por ganhar ares primitivos no que diz respeito à gestão, funcionando

não como um retrocesso, mas como um “freio de mão” do desenvolvimento de uma

cultura pública. Assim, ficam várias perguntas para motivar pesquisas sobre o tema. Poder-se-ia acrescentar mais uma: por que interessam as Associações de Amigos?

No próximo capítulo, passar-se-á ao estudo de caso das Bibliotecas Parque. Primeiro, serão verificados como surgiram esses equipamentos. Depois, tratar-se-á do processo de implantação das OSs de cultura no estado do Rio de Janeiro, com ênfase nas bibliotecas. Na sequência, serão apresentadas a pesquisa de campo com os usuários e as respetivas análises. Na parte final, serão abordados os resultados da pesquisa.

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Benzer Belgeler