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GIDA ÜRÜNLERİ DIŞ TİCARETİNE YÖNELİK TEKNİK MEVZUAT

As análises feitas permitiram aceitar a segunda hipótese de meu trabalho: existiu sim um diálogo entre os preceitos higiênicos, a materialidade do livro e a prática da leitura. Ao analisar essa hipótese, a pesquisa buscou avançar na pesquisa sobre a história do livro didático no Brasil, mostrando que o livro didático pode ser fonte e objeto de pesquisa.

Foi por pensar assim que Aimé Riant (1884) criticou a materialidade dos livros escolares que circularam na Europa do fim do oitocentos. Para o médico, a má qualidade dos livros didáticos foi responsável pelos casos de miopia em estudantes franceses. Ele imputou a culpa não só aos tipos usados na produção do livro, mas à própria distribuição deles no texto. Então ele faz a referência a um “silabário estrangeiro”.

Ao participar do II LIHED, realizado em maio de 2009, no Rio de Janeiro, assisti à apresentação de Izabel Frade mostrando os resultados parciais de sua pesquisa com livros didáticos usados nas escolas brasileiras do final do XIX e começo do XX. A certa altura de sua explanação eu comecei a ficar em suspense. Explico. Quando analisei o manual Higiene scolaire par Aimé Riant (1884) vi a referência dele sobre um manual escolar que era um exemplo de risco para a saúde ocular dos alunos. Ou seja, era o que poderíamos considerar um “mau livro” do ponto de vista (me desculpem o trocadilho) da higiene escolar.

Fiquei pesquisando vários meses para descobrir de qual ele tratava. Não achava nenhum vestígio. É aqui que volto ao II LIHED a ao trabalho de Frade (2009) e a Izabel mostrando a imagem da Cartilha Maternal, da autoria de João de Deus com seus recursos gráficos.

Os sentidos podem nos enganar, mas, também, fazem maravilhas conosco. Reconheci os mesmos tipos que Riant destacou como um malefício à visão do estudante.

Como disse o poeta e literato Vinícius de Morais “ A vida é feita de encontros”.

Quando Riant (1884) estudava as doenças dos escolares denunciou o livro didático como um dos fatores causadores da miopia escolar. Dois elementos da materialidade do livro foram incriminados: quando os livros têm caracteres pequenos, ou quando os livros são muito pequenos. Eles são bons para transportar e para vender, mas “quantos míopes eles produzem” (RIANT, 1884, p.275).

Para o autor, um dos livros mais perigosos para a visão da criança é da autoria de João de Deus, que circulou nas escolas brasileiras.

Fonte: BNRJ. Arquivo eletrônico. Data: nov.2009.

Os tipos usados na produção dos textos usam duas cores, uma negra e a outra em tom mais claro entre as sílabas. Para Riant (1884, p.378) “a oposição é marcada...é uma idéia imperfeita.” Para ele assinalar a disposição errada do texto é fazer compreender que ela deve ser evitada.

A considerar o diálogo entre as artes gráficas e os preceitos higienistas, o manual “O Livro do Povo” atendia, parcialmente, aos preceitos higienistas. É um livro pequeno (16 cm x 11 cm) e compacto para suas 254 páginas, segundo Riant (1884) bom para transportar, mas causa danos à saúde do aluno. Por sua vez, as linhas, justificadas, têm cumprimento de 8 cm conforme preceitua o cânone higienista (MELLO, 1902).

CAPÍTULO 4

CONSOLIDAÇÃO E APOGEU DO ENSINO DA HIGIENE.

...“O resultado é que as crianças e jovens das classes dominantes são bem-

sucedidas na escola, o que lhes permite o acesso a graus superiores do

sistema educacional. As crianças das classes dominadas, em troca, só

podem encarar o fracasso ficando pelo caminho”. (Tomaz Tadeu da Silva,

1999, p.35, falando sobre as teorias críticas do currículo).

Entre 1870 até 1889 teve início e maturação a crise do Segundo Reinado que levou à Proclamação da República. Vários sinais tornavam visível que sua instalação. Segundo Boris Fausto (2008, p.217) a queda do regime monárquico foi permeada por fenômenos que, mesmo tendo uma importância diferenciada, contribuíram para a Proclamação da República. Ele apontou como as mais importantes as seguintes questões: o fim da escravidão e os debates que giraram em torno dela, o republicanismo e todos os seus desdobramentos, a tensão entre a Igreja e o Estado, a participação dos militares no poder e os conflitos resultantes desta participação, o positivismo e suas significações, o reformismo do Império e os impactos destas reformas e, por fim, questões intrínsecas ao poder, como a doença do Imperador que o afastou da arena dos debates e disputas.

Durante os primeiros anos da vigência da República, aqueles que militaram para sua implementação foram os mesmos que creditaram na educação como a via para redimir o Brasil e tirá-lo do atraso histórico. A idéia, fortalecida por muitos intelectuais do período era de que o aumento numérico das escolas, seguido pela educação popular, representavam o meio de inserção da massa ao progresso, elevando o Brasil à categoria de uma grande nação, a exemplo dos Estados Unidos da América.

Para Vanilda Paiva (1973) a educação popular se caracterizava pelo seu caráter de ubiqüidade, universalidade e de gratuidade. Era constituída pela instrução primária e os cursos profissionalizantes. Entretanto, não se pode pensar que havia um só projeto de educação popular. Na realidade, o que havia era diferentes modelos, desde aqueles de cunho liberal ao socialista. Ganhou o primeiro.

Com as graves questões de saúde pública instalados urgia que ações de controle das enfermidades e outros agravos à saude fossem implementadas. Uma dessas vias foi a escola, posto que a família fora declarada incapacitada para criar e educar seus filhos. Como esclareceu Margareth Rago

Na empresa da constituição da família nuclear moderna, higiênica e privativa, a redefinição do estatuto da criança pelo poder médico desempenhou um papel fundamental... a criança foi paulatinamente separada e elevada à condição de figura central no interior da família, demandando um espaço próprio e atenção especial: tratamento e alimentação específicos, vestuários brinquedos e horários especiais, cuidados fundamentais nos novos saberes racionais da pediatria, da puericultura, da pedagogia e da psicologia” (RAGO, 1997, p.117, o negrito é de minha autoria).

Sendo deste modo, pergunto: Como se estruturou este projeto de educação em Pernambuco? O ensino da Higiene foi contemplado em suas propostas curriculares?

A parceria com o Governo do estado proporcionou a implantação das primeiras escolas municipais. No ano de 1897, o número, relativamente alto das escolas municipais -100 instituições de ensino – não foi acompanhado da qualidade. As escolas isoladas, de uma sala só (PERES, 2000)

Benzer Belgeler