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Os personagens principais deste estudo foram professores do Ensino Fundamental I (1º ao 5º ano) e gestores – diretores ou coordenadores pedagógicos – das duas escolas participantes. A escolha por realizar o estudo com professores do Fundamental I (1º ao 5º ano) se deu pelo fato desses docentes serem polivalentes, ou seja: ministravam as aulas de todas as

disciplinas de uma mesma turma, o que facilitaria ainda mais nosso acesso a eles por se encontrarem fixos em apenas uma turma. Além disso, os docentes do Fundamental I tinham um tempo estipulado para realizar seu planejamento pedagógico em conjunto com os demais professores do Fundamental I. Nesse período, eles ficavam liberados de sua prática docente para planejarem suas aulas ou desenvolverem atividades que lhes parecessem úteis à sua prática docente, e assim também podíamos manter contato com eles de maneira efetiva durante seus horários de planejamento. Por fim, é necessário destacar que o Ensino Fundamental I constitui-se num nível escolar primordial, onde os alunos tem contato com as primeiras noções das disciplinas fundamentais (matemática, português, ciências, história e geografia), e onde tentarão constituir uma base pedagógica capaz de lhes servir de suporte aos demais níveis escolares que irão enfrentar (SAVIANI, 2011).

O perfil dos participantes do estudo em cada escola, assim como suas formações de graduação e formação continuada, estão contidos nas tabelas a seguir11:

Tabela 1 – Perfil dos participantes da pesquisa na escola de Fortaleza-CE12 Participante Categoria Idade Formação Básica Complementar Formação Tempo de Docência

ou Gestão

Tempo na Instituição Diretora da

Escola Gestora 50 Pedagogia Psicopedagogia 11 anos (como diretora)

2 anos

Profa. Mari P.R.A13 43 Pedagogia Psicopedagogia (em

andamento) 25 anos 12 anos

Profa. Bete P.R.A 45 Pedagogia Psicopedagogia (em

andamento) 19 anos

3 anos

Prof.

Netônio P.R.A 33 Pedagogia Psicopedagogia 5 anos 4 anos

Profa. Clau P.R.B 48 Pedagogia -- 10 anos 1 ano

11

Dados coletados em 2015, época em que foi realizada a pesquisa de campo.

12

Os nomes dos professores da escola de Fortaleza-CE apresentados na tabela acima são todos fictícios, e a identidade dos participantes da pesquisa foi mantida em absoluto sigilo.

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Os professores participantes da pesquisa na escola de Fortaleza-CE se dividiam em duas categorias: professores P.R.A (Professores Regência “A”), que lecionavam matemática e língua portuguesa; e professores

Profa. Léia P.R.B 46 Pedagogia -- 2 anos 1 ano

Profa. Rosi P.R.B 33 Pedagogia Psicopedagogia 4 anos 2 anos Fonte: Elaborado pelo autor.

Tabela 2 – Perfil dos participantes da pesquisa na escola de Brejo Santo-CE14 Participante Categoria Idade Formação Básica Complementar Formação Docência ou Tempo de

Gestão

Tempo na Instituição Coordenadora

da Escola Gestora 53 Pedagogia Psicopedagogia coordenadora) 8 anos (como 6 anos

Profa. Cida PR 115 49 Pedagogia Psicopedagogia (em

andamento) 21 anos 9 anos

Profa. Luci PR 1 43 Pedagogia Psicopedagogia (em

andamento) 15 anos

7 anos

Profa. Valda PR 2 26 Geografia -- 1 ano 1 ano

Profa. Sinhá PR 1 50 Pedagogia -- 19 anos 19 anos

Profa. Célia PR 1 40 Pedagogia Psicopedagogia (em andamento)

17 anos 17 anos

Fonte: Elaborado pelo autor.

Conforme se percebe em supracitadas tabelas, participaram da pesquisa 13 profissionais da educação, sendo 11 professores (6 em Fortaleza-CE e 5 em Brejo Santo-CE) e 2 gestores (uma diretora de escola em Fortaleza-CE, e uma coordenadora pedagógica em Brejo Santo-CE). De uma forma geral, os participantes do estudo eram profissionais experientes na área da Educação, havendo profissionais com quase duas décadas de magistério (professora Célia, de Brejo Santo, com 17 anos de experiência em sala de aula).

A ampla maioria dos participantes da pesquisa (12 pessoas dum total de 13

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Os nomes dos professores da escola de Brejo Santo-CE apresentados na tabela acima são todos fictícios, e a identidade dos participantes da pesquisa foi mantida em absoluto sigilo.

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Os professores participantes da pesquisa na escola de Fortaleza-CE se dividiam em duas categorias: professores P.R.1 (Professores Regência “1”) que lecionavam matemática, língua portuguesa e ciências; e professores P.R.2 (Professores Regência “2”) que lecionavam história e geografia.

participantes, que totalizam 92,4%) possuía formação básica no curso de Pedagogia, e apenas 1 professora, professora Valda, era formada em Geografia. Todavia, apenas 4 participantes (30,7% do total) já possuía formação complementar à época da realização da pesquisa (todos na área de Psicopedagogia Institucional). Desses 4 participantes, é necessário ressaltar que 2 eram os próprios gestores que participaram do estudo (a diretora da escola de Fortaleza e a coordenadora da escola de Brejo Santo-CE). Outros 5 professores (38,4% dos participantes) se encontravam em pleno processo de formação complementar, todos também no curso de Psicopedagogia Institucional.

Podemos ainda fazer pequenos aprofundamentos nos dados apresentados sobre os participantes desta pesquisa. Dos 4 profissionais a possuírem formação complementar no curso de Psicopedagogia Institucional, 3 (75% do total) pertenciam à escola participante da capital (a diretora da instituição e mais 2 docentes) e somente 1 (25%) pertencia à cidade de Brejo Santo-CE. Interpretamos esse dado como algo natural, uma vez que na cidade de Brejo Santo-CE, a formação continuada dos professores do município era dada diretamente e de forma constante – pelo que percebemos no discurso dos participantes da pesquisa – pela própria Secretaria de Educação da cidade, motivo que talvez tenha feito os próprios docentes confiarem a responsabilidade de sua formação complementar à gestão municipal, ainda que essa formação nos tenha transmitido a imagem de simplesmente tentar “[...] suprir as lacunas

existentes na formação inicial docente; sanar dificuldades escolares que acontecem no cotidiano escolar; e implantar políticas, programas, projetos e campanhas, principalmente

governamentais” (ALVARADO-PRADA, 2010, p. 374). Já na escola de Fortaleza os participantes da pesquisa fizeram questão de ressaltar que não recebiam nenhum tipo de formação continuada que fosse relacionada ao uso de tecnologias em sala de aula. Não temos dados suficientes para afirmar que os docentes da escola da capital não recebiam também formações continuadas sobre outros assuntos ligados à área da Educação; acreditamos que eles recebam, mas a aproximação entre os docentes que participaram de nossa pesquisa na capital e a Secretaria de Educação de Fortaleza nos pareceu ser diferente em relação aos contatos mais frequentes entre os docentes de Brejo Santo-CE e a Secretaria de Educação daquele município. Esse talvez seja um dos motivos que tenham feito os professores de Fortaleza procurarem cursos de pós-graduação em Psicopedagogia por contra própria, como forma de não confiarem apenas na boa vontade da Secretaria de Educação da capital cearense. Finalmente, gostaríamos de destacar que 4 professores (30,7% do total de participantes da pesquisa) não tinham nenhuma formação complementar, e não nos

transmitiram nenhuma informação a respeito de futuramente fazerem ou não um curso de pós- graduação.

Apesar da escolha em realizar a pesquisa com professores do Fundamental I ter sido relativamente fácil de ser definida, a definição dos próprios professores a participar da pesquisa revelou ainda algumas outras dificuldades; a primeira delas diz respeito à divisão das “categorias” dos docentes do Fundamental I. Na escola da capital, os professores polivalentes do Fundamental I se dividiam em P.R.A (professores de matemática e português) e P.R.B (professores de ciências, história e geografia). Essa divisão também ocorria na escola do interior com uma pequena diferença de nomenclatura e classificação, eles se dividiam em “Regência 1” (professores de matemática, português e ciências) e “Regência 2” (professores de história e geografia). Apesar das poucas diferenças existentes entre a divisão de classes nas duas escolas participantes, o fato é que havia uma divisão docente de “categoriais funcionais” e isso por sua vez ocasionava dificuldades para que conseguíssemos reunir os professores que queriam participar da pesquisa em horários comuns a todos os interessados (já que os horários de planejamento das categorias eram diferenciados). Além disso, os próprios professores pareciam ter uma certa rivalidade de interesses de acordo com suas “categorias” (P.R.A, P.R.B, “Regência 1” ou “Regência 2”) e isso deixava os acertos de datas para as visitas e realização dos encontros do grupo focal bastante difíceis.

Na escola de Fortaleza, a escolha dos participantes da pesquisa foi mais problemática que na escola de Brejo Santo. Primeiramente, nem todas as professoras P.R.A demonstraram interesse em participar do estudo. Por outro lado, algumas professoras P.R.B demonstraram interesse em participar da pesquisa, fato que nos levou a arranjar formas de conciliar os encontros do grupo focal e atender todos os interessados em participar de nossa pesquisa. Assim, pudemos substituir as professoras P.R.A que decidiram não participar do estudo (professoras do 3º e 5º Anos do Fundamental I) por professoras P.R.B que atuavam também em suas turmas, de modo que cada turma (do 1º ao 5º ano) fosse representada por pelo menos, um professor (P.R.A ou P.R.B). Por isso, na escola de Fortaleza, optamos por realizar dois grupos focais com horários separados: em um horário, participariam das discussões apenas os professores P.R.A que haviam mostrado interesse (professora Bete do 1º Ano; professora Mari do 2º Ano; e professor Netônio, do 4º Ano). E em outro horário, participariam das mesmas discussões em outro grupo focal as professoras P.R.B que tivessem mostrado interesse (professora Clau, P.R.B do 2º Ano; professora Rosi, P.R.B do 3º Ano; e professora Léia, P.R.B do 5º Ano), totalizando ao todo 6 professores participantes.

Na escola de Brejo Santo, a definição dos professores participantes foi bem mais tranquila. Lá, quase todos os professores “Regência 1” mostraram interesse em participar do estudo, à exceção da professora do 4º Ano que teve de se afastar de suas atividades por motivos de saúde. Essa professora foi substituída pela professora “Regência 2”, que atuava em sua turma. Assim, participaram dos encontros do grupo focal as seguintes docentes: professora Luci, “Regente 1” do 1º Ano; professora “Sinhá”, “Regente 1” do 2º Ano; professora Cida, “Regente 1” do 3º Ano; professora Valda, “Regente 2” do 4º Ano; e professora Célia, “Regente 1” do 5º Ano

No que diz respeito aos gestores das escolas, a intenção inicial era entrevistar todos os gestores das duas instituições. Porém, o grande volume de compromissos dos gestores, especialmente dos diretores das escolas, nos fez ter de escolher apenas um representante da gestão em cada instituição, por conta da grande dificuldade de agendamento de horários com eles. Assim, na escola de Fortaleza, foi entrevistada a diretora da instituição, ao passo que na escola de Brejo Santo foi entrevistada a coordenadora pedagógica. As entrevistas com os gestores foram as mesmas realizadas com os professores participantes do estudo, com a única diferença de que na conversa com os gestores tentamos captar como eles enxergam a utilização da TV nas aulas dos professores que estavam atuando em suas escolas.

Com isso, encerramos aqui a descrição dos caminhos para a definição metodológica deste estudo. No próximo capítulo passaremos à análise da relação entre a televisão, como instrumento de comunicação, e a escola, como instrumento educativo, e de como essa relação se dá de maneira confusa e muitas vezes contraditória. Antes, porém, finalizaremos este capítulo apresentando os procedimentos para construção do corpus e para

Benzer Belgeler