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Gezi Olaylarında Toplumsal Kutuplaşmanın Oluşumunda Sosyal Medyanın rolü

Belgede Sosyal medya ve kutuplaşma (sayfa 105-110)

2.3. Sosyal medya ve toplumsal hareketler

2.3.3. Sosyal Medya ve Gezi Olayları

2.3.3.3. Gezi Olaylarında Toplumsal Kutuplaşmanın Oluşumunda Sosyal Medyanın rolü

A primeira visita que fiz a algumas famílias dos trabalhadores, em Codó, foi em março de 2006. Permaneci durante quatro dias no município conhecendo as pessoas e observando as suas relações com a questão do trabalho escravo. Era momento de escolha de meus informantes. Depois disso, ainda fui para Codó mais duas vezes antes de começar a realizar as entrevistas e escolhi quatro famílias, que acompanhei durante este ano de 2006.

Com o passar do tempo, e a constância das visitas, percebi que principalmente as quatro famílias começaram a me tratar com mais atenção e, dessa forma, ficaram mais à vontade, inclusive chegando a me convidar para participar de festejos e demais comemorações das famílias, no decorrer do ano. É certo que a empatia se deu mais com algumas famílias do que com outras, mas nada que impedisse de continuar entrevistando os quatro trabalhadores escolhidos.

Mesmo conquistando um pouco mais a confiança dos entrevistados, aquela primeira impressão, ligada à equipe de fiscalização da DRT-MA, vez por outra vinha à tona em algumas conversas. Em certa ocasião, por exemplo, eu fui questionada sobre como deveriam proceder no caso de denúncias de trabalho escravo. Também a sogra de um dos trabalhadores, a Sra. Flora, chegou a me perguntar, certa vez, após me servir um almoço com muita cordialidade, seu eu era “investigadora de polícia”.

Desde que escolhi chegar até esses trabalhadores por meio da equipe de fiscalização, estava consciente de que meu contato com eles sempre teria relação com essa primeira impressão. Apesar disso, assumi a postura de transparência e respeito durante as entrevistas, sempre deixando claro que aquela conversa seria utilizada para uma pesquisa sobre o trabalho no meio rural e que não traria “benefícios” diretos aos trabalhadores, como melhores condições de trabalho ou ainda regularização trabalhista nas fazendas.

Sobre a minha relação com os mediadores em Codó, contei com o apoio da CPT (Comissão Pastoral da Terra) e de integrantes da igreja católica, principalmente da Casa dos Padres Palotinos e da Paróquia Santa Terezinha, localizadas no bairro Codó Novo.

Logo me senti à vontade com eles, que me receberam muito bem e se prontificaram em me ajudar no que fosse necessário. O padre Bento foi quem me acompanhou mais diretamente, nas primeiras visitas no bairro e nas residências das famílias. Além dele, Raimundo, Kelciane e Deílson foram outras pessoas do grupo de jovens da paróquia, que também me prestaram um valoroso apoio no reconhecimento do bairro e no contato com as pessoas, muitas vezes, já conhecidas deles.

Mesmo não tendo me acompanhado nas visitas, os padres José e Orlando também sempre me ajudaram com informações a respeito do bairro Codó Novo.

A CPT foi outro mediador importante para a realização da pesquisa. Embora Antonia Calixto e Pedro Marinho não tenham me acompanhado diretamente em campo, colhi muitas informações interessantes com eles sobre Codó e a questão do trabalho escravo. Eles também sempre demonstraram interessados em ajudar.

Além deles, Martha Bispo, representante da CPT no FOREM (Fórum Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo no Maranhão), foi outra pessoa importante no processo de delimitação do tema, com quem troco informações sobre o assunto, sempre que possível.

Também o Sr. Leonardo, agente da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) foi uma pessoa fundamental para eu começar a me situar geograficamente nos bairros de Codó, já que me cedeu um mapa e vários croquis com as principais localidades que me interessavam para a pesquisa no município.

Em Codó, não posso deixar de citar Marcos, também da CPT, Piedade, do Sintraf (Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar) e Edna, agente da Cáritas Brasileira no município, os quais me prestaram auxílio tanto para a obtenção de informações necessárias à pesquisa quanto no convívio de amizade durante os dias em que passei no município.

Quadro 2: Calendário de viagens para Codó (MA)

Período Atividades realizadas Entrevistados

De 07 a

10/11/2005 Acompanhamento da equipe de fiscalização da DRT-MA na Fazenda Sagrisa

Primeiro contato com alguns trabalhadores

resgatados

De 4 a

9/03/2006 Primeiras visitas às residências das famílias, principalmente no bairro Codó Novo; e apresentação aos mediadores da Paróquia Santa Terezinha (a) trabalhadores:

José Maria Medeiros, Itamar Costa da Silva, Francisco Faustino, Raimundo José Carvalho, José Francisco Rosendo,

Afonso dos Reis Aguiar e o filho Antonio José de Souza

(b) Mediadores:

Padre Bento, CPT e demais religiosos da Paróquia Santa Terezinha

De 24 a 29/03/2006

Segundo contato com as famílias de trabalhadores; período de observação para a escolha das famílias para

acompanhar durante todo o ano, e visitas à agência da DRT em Codó e à FUNASA

(a) Voltei na casa dos trabalhadores:

José Maria Medeiros, Itamar Costa da Silva, Francisco Faustino, Raimundo José Carvalho, José Francisco Rosendo,

Afonso dos Reis Aguiar e o filho Antonio José de Souza e visitei mais Antonio José (Zé Véio)

(b) Mediadores:

Contato com Padre Bento, Luís Carlos (agência da DRT) e Leonardo (FUNASA) De 24 a

28/04/2006 Escolha de quatro famílias para

acompanhar durante toda a pesquisa; início das entrevistas gravadas

Raimundo Carvalho, Antonio José, José Rosendo e sua esposa Ednei e Maria da Conceição Santos, esposa de Afonso Aguiar De 02 a

06/07/2006 Continuação das entrevistas

Raimundo Carvalho, Antonio José, José Rosendo e sua esposa Ednei e Maria da Conceição Santos, esposa de Afonso Aguiar; Conversa com Dona Francisca, esposa do

sub-gato Bodó

De 21 a

26/07/06 Continuação das entrevistas; pesquisa em livros e documentos na Biblioteca Municipal de Codó;

Aplicação da pesquisa quantitativa no bairro Codó Novo junto ao grupo de estudos da UFMA, encomendada pela CPT

Raimundo Carvalho, Antonio José, José Rosendo e sua esposa Ednei e primeira entrevista com Afonso Aguiar (que estava fora de casa nas outras visitas, nas quais conversei com sua esposa)

Conversa com Dona Francisca, esposa do

sub-gato Bodó

Entrevista gravada com o gato Beto, que alicia trabalhadores para o corte de cana, em São Paulo

De 27 a

29/08/2006 Continuação de entrevista Afonso Aguiar e Antonio José De 02 a

05/11/2006 Conversa com Piedade (Sintraf) e finalização das entrevistas com

trabalhadores

Piedade (Sintraf)

Belgede Sosyal medya ve kutuplaşma (sayfa 105-110)