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1.8 Ulusal Ve Uluslararası Alanda Hile Ġle Ġlgili GeliĢmeler

1.8.3 Sas no:99 ve getirdiği yenilikler

O primeiro passo para a produção da renda é a escolha do desenho e do produto que deseja confeccionar. Os desenhos utilizados no Núcleo foram, em sua maioria, concebidos e produzidos por algumas das antigas rendeiras da Vila e repassados para a atual geração de artesãs como herança familiar, sendo compartilhados por várias delas. Atualmente, poucas dessas mulheres possuem habilidade para criar novos modelos, reduzindo-se a reproduzir ou adaptar os antigos. Em conseqüência da reutilização e do tempo, vários desenhos estão bastante deteriorados.

10. Maria Etelvina Barbosa Nunes (Dona Etelvina)

59 anos de idade, casada, dona de casa. Aprendeu a atividade aos 53 anos e renda há 6. Rendeira considerada aprendiz por não confeccionar peças muito complexas. Freqüentou o Núcleo por alguns anos e há 2 está afastada. Rendeira sorridente, calma e dedicada ao aprendizado da renda. Continua rendando em sua residência e pretende voltar para o Núcleo.

11. Maria Salete Silva de Lima (Dona Salete)

68 anos de idade, casada, dona de casa. Aprendeu a rendar aos 7 anos, dedicando-se a isso há 59 anos consecutivos. Nunca freqüentou o Núcleo de Produção, mas sempre apoiou as atividades e as rendeiras do Núcleo. Já enviou peças para comercialização, mas costuma comercializar de forma independente.

12. Raimunda dos Santos Correia (Dona Raimundinha)

59 anos de idade, casada, empregada doméstica. Aprendeu o ofício aos 9 anos e renda há 50 anos. Já freqüentou o Núcleo, mas, devido aos trabalhos profissionais externos, deixou-o. Dedica-se à renda diariamente, mas sem compromisso efetivo com a produção. Envia peças para serem comercializadas no Núcleo.

Figura 4-23– Desenho feito à mão Figura 4-24– Renda com seu desenho

Figura 4-26– Rendeira enchendo os bilros Figura 4-25– Par de bilros

Esses desenhos, de acordo com Saldanha (2007), (figuras 4-23e 4-24 possuem um alto nível de complexidade, visto que, além de orientar a produção da renda, requerem um elevado grau de compatibilidade, uma vez que a maioria das peças é produzida em partes complementares, exigindo uma montagem final através de costura manual.

Em seguida, a rendeira decide a cor do produto e passa a enrolar certa quantidade de linha nos bilros, unindo dois para formação de “um par de bilros”, como ilustrado nas figuras 4-25e 4-26 uma vez que as manipulações dessas peças são feitas através dos pares.

O bilro, peça que dá nome à renda, é um pequeno instrumento de madeira com 10 cm de comprimento em média, constituído de uma curta haste, com uma das extremidades apresentando terminação esférica e a outra uma terminação cilíndrica. Os homens que fazem bilros, em geral pescadores, maridos das rendeiras, são chamados de “birreiros”. O depoimento a seguir foi relatado por um desses homens, antigo “birreiro” da vila e esposo de uma das rendeiras.

[...] Eu aleijei as mãos, eu fazia bilro na faca, aí apanhei osteoporose e os

dedo endureceu, não dá mais pra fazer nada. Às vezes fazia uma dúzia e “mudiava”. No outro dia é que eu acabava de ajeitar. Pra o pau não endurecer, eu botava duas, três dúzia dentro d’água, porque ela ressecando ficava mais dura... A madeira era o pau mata-fome, o pau-ferro, o mondé, o murta-braba, pau-mulato... porque o pau quando não é bom, ele tem uma

3 5 c m 4 0 c m

Figura 4-27– Almofada e cavalete

mistura dentro, aí tinha que ser uma madeira legal. [...] [sic] (“Birreiro”,

esposo de rendeira, 77 anos).

Atualmente, os bilros são produzidos por marceneiros da própria Vila, em geral familiares de rendeiras, utilizando técnicas manuais com auxílio de torno e outros instrumentos de marcenaria.

Após essas etapas, a rendeira fixa o desenho em sua almofada, com o auxílio de espinhos de xique-xique ou hastes metálicas e pontiagudas. A almofada é uma espécie de saco de tecido de aproximadamente 35 cm de diâmetro, com seu interior completamente preenchido por folhas secas de bananeira. Segundo a rendeira que confecciona as almofadas, o seu preenchimento deve ser feito com folhas de bananeiras específicas (as que caem naturalmente do pé), sendo esta a melhor alternativa para o preenchimento da almofada, pois as folhas cortadas endurecem com o passar do tempo. Outra possibilidade, menos utilizada, são as folhas de cajueiro ou os retalhos de tecidos; porém, as folhas de cajueiro, com o passar dos anos, desintegram-se, limitando o tempo de uso da almofada, e os retalhos de tecido cedem facilmente à pressão, além de aumentarem o peso da almofada.

A almofada é firme, mas leve, e fica apoiada sob um cavalete de madeira dobrável e sem regulagem de altura. Depois de montada, a altura total (cavalete + almofada) fica aproximadamente na altura do tórax da rendeira sentada (figura 4-27.

Após a fixação do desenho na almofada, os pares de bilros são encaixados em alfinetes previamente colocados sobre o desenho (Figuras 4-28 e 4-29, e só então a rendeira inicia o processo do rendar, mediante o entrelaçamento dos bilros em movimentos laterais da

Figura 4-28– Par de bilros sendo encaixado no alfinete

Alfinete

Rendeira colocando o 1º par de bilros no alfinete previamente fixado no

desenho

Dois pares de bilros encaixados no alfinete. O “trocado” da renda só pode ser iniciado com dois pares

Figura 4-29– Dois pares de bilro encaixados no alfinete

esquerda para direita e vice-versa, de modo a cruzar sucessivamente os fios, até todo o desenho aparecer gradativamente em forma de renda.

A atividade das rendeiras exige grande destreza manual e concentração, uma vez que elas manipulam em média 60 bilros por peça (figura 4-30 4-31 podendo esse número variar para mais ou menos, dependendo do tamanho do produto e da complexidade do desenho. As artesãs escolhem o modelo que deseja fazer, os materiais e as cores a serem utilizados, e realizam o processo produtivo em sua totalidade, com exceção da produção do desenho que em geral é copiado de desenhos antigos existentes.

No Núcleo, cada rendeira possui sua própria almofada, e algumas possuem outra em sua residência. As linhas e alfinetes são comprados em conjunto a partir da verificação do estoque e da necessidade do grupo, e os demais materiais e ferramentas são comprados individualmente, podendo ser compartilhados em caso de conveniência. As rendeiras que

Figura 4-31 – Rendeiras manipulando os bilros

Figura 4-30 – Bilros na almofada (peça com mais de 60 bilros)

Figura 4-32 – Rendeira em atividade Figura 4-33 – Rendeira em atividade

trabalham em suas casas são responsáveis pela compra de seus materiais. As figuras 4-32 e 4- 33 ostram as rendeiras trabalhando no Nucleo de produção.

Concluída a produção da renda, etapa que pode levar horas, semanas, dias ou meses para ser finalizada (a depender do desenho e do produto), a peça poderá sair da almofada totalmente acabada e pronta para venda (bicos, entremeios, alguns modelos de pano de bandeja e peças de menor porte) ou seguir para uma última etapa de produção – a montagem manual (figura 4-34 e 4-35) –, necessária em peças do vestuário ou outras de maior porte (vestidos, blusas, saias, toalhas de mesa, etc.), que são confeccionados em partes separadas.

Essa montagem exige precisão e atenção, pois a linha, guiada manualmente com uma agulha, deve percorrer os pontos da renda de modo a se integrar ao produto e tornar-se imperceptível no local da emenda. Trata-se de uma etapa da produção que é realizada por uma única rendeira do Núcleo, a mais habilidosa nesse tipo de trabalho e que não é remunerada por isso de forma separada. As demais rendeiras apesar de saberem executar esta etapa, não a fazem em virtude de “confiarem” à artesã mais habilidosa esta tarefa. A figura 4-36 ilustra a montagem de uma camiseta feminina em que são confeccionadas oitos partes iguais para

Figura 4-34 – Rendeira costurando duas partes de uma camisa

Figura 4-35 – “Traças” sendo unidas para formação de uma “rosa”

Quatro partes iguais do mesmo desenho são confeccionadas para

montar um lado da camiseta Desenho

Único

A camisa é finalizada com 8 partes iguais, unidas através de costura manual

Figura 4-36 – Montagem manual de uma camiseta feminina

serem unidas posteriormente por meio de costura manual e a figura 4-37 ilustra o fluxo de produção simplificado desta mesma camiseta.

Benzer Belgeler