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3. FİNANSAL TABLOLAR VE HİLE DENETİMİ

3.1 Genel Bilgilerle Finansal Tablo Açıklamaları

As rendeiras de Ponta Negra mencionam a existência de cinco pontos na produção de suas rendas – Traça, Trança, Pano, Coentro e Pingo –, sendo o ponto da Traça considerado por elas o mais característico da renda de bilro (figura 4-38). Elas desconhecem os pontos denominados Finagran e Tijolo, mencionado por Maia (1980, p. 72) como pontos realizados nas rendas da região Nordeste. As rendeiras ainda nomeiam de Pancada-inteira e Meia-pancada o ato de cruzar os fios de linha de formas distintas para gerar diferentes pontos.

Os pontos da renda de bilro são combinados em uma grande quantidade de composições a partir de desenhos que são produzidos e reproduzidos, utilizando-se linhas de uma única cor ou uma combinação de cores, como ilustra a figura 4-39.

Figura 4-38 – Pontos da renda de bilro encontrados na Vila de Ponta Negra TRANÇA – Fio produzido a partir do

enrolamento de 4 fios de linhas. TRAÇA – Espécie de “pétala” que compõe uma rosa (ponto

característico da renda de bilro).

PANO – Área fechada. Tipo de “malha” produzida através do cruzamento de várias tranças.

COENTRO – Ponto composto através do cruzamento de tranças

PINGO – Pequenas voltas realizadas com a linha no meio de uma trança, formando uma espécie de “pingo”.

Figura 4-39 – Quadro demonstrativo de algumas tramas de renda produzidas no Núcleo Fonte: SALDANHA (2007)

Segundo Saldanha (2007), apesar da diversidade na composição de tramas e cores, fazendo com que cada produto tenha certa originalidade, os trabalhos tradicionalmente produzidos pelas rendeiras do Núcleo possuem baixo nível de inovação. Consistem basicamente de bicos, entremeios, toalhas e trilhos de mesa, panos de bandeja, colchas de cama, vestidos, camisetas, xales e saias. Tal qual já afirmado, o tempo de produção depende do tipo de produto, da complexidade do desenho, do tamanho da peça e da habilidade e velocidade da rendeira, variando entre alguns dias ou meses, como sustenta o relato a seguir:

[...] O tempo de produção varia por peça. Uma camiseta dessa (apontando para camiseta que está fazendo), elas (referindo-se as outras rendeiras do Núcleo) faz num mês. Eu trabalhando, eu faço em 17 dias, 18... no máximo

20 dias uma camiseta, porque eu trabalho mais rápido. Os vestidos aí é mais de 30. Esse aí nem se fala, tem um que eu levei quase dois meses pra fazer [...] [sic] (RN4 – Rendeira do Núcleo, 59 anos).

A tabela 4-4 demonstra os principais produtos produzidos no Núcleo com algumas de suas características produtivas – o tempo de produção médio e a respectiva imagem fotográfica. Ressaltamos que, no tempo médio apresentado na tabela, não está incluso o tempo de montagem manual das peças, que é relativo. Para montar uma camiseta, por exemplo, consomem-se em média 12 horas de trabalho.

Tabela 4-4 – Produtos confeccionados no Núcleo.

PEÇA CARACTERÍSTICAS TEMPO MÉDIO DE PRODUÇÃO (HORAS) TEMPO MÉDIO DE PRODUÇÃO (SEMANAS) IMAGEM Camiseta regata feminina

Produzida em oito partes e unidas através de costura manual.

80 horas* 4 semanas

Saia Produzida em oito partes

(tiras) e unidas através de costura manual. A barra (cós) é confeccionada separadamente.

Vestido Produzido em quatro ou oito partes (dependendo do desenho) e unidas através de costura manual.

200 horas* 10 semanas

Xale Produzido a partir de

quadrados e triângulos, variando tamanho e quantidade. As peças são unidas através de costura manual.

90 horas* 4,5 semanas

Pano de bandeja (30 x 20 cm)

Produzido de uma única vez, variando o tamanho,

a forma e o desenho 18 horas* 3,5 dias

Caminho de mesa (estola) (60 a 80 cm)

Produzido de uma única vez ou em partes, dependendo do desenho. As partes são unidas por costura manual. 60 horas* 3 semanas Toalha de mesa redonda média (1,70 m de diâmetro) Confeccionada a partir de quatro quadrados e quatro semi-círculos que

contornam a peça. Peças unidas por costura manual. 160 horas* 8 semanas Colcha de cama (Casal) Produzida por 6 rendeiras. Cada artesã confeccionou 12

quadrados, totalizando 72 partes que foram unidas manualmente por uma única rendeira. 1200 horas* (valor aproximado) 44 semanas (11 meses) Bicos e entremeios diversos

Produzidos por metro e variando muito de acordo com a largura e desenho

10 cm/hora (8cm de largura)*

(*) Informação verbal

Além de peças de vestuário e artigos de casa, produtos como roupas de animais domésticos, redes de dormir e bijuterias (brincos) também já foram confeccionados. Em termos de capacidade técnica para produção, pode-se dizer que essas artesãs são capazes de

confeccionar qualquer artigo que tenha seu desenho desenvolvido corretamente e analisado previamente.

A partir de informações verbais e de um levantamento de estoque realizado em março de 2008, foi possível verificar alguns dados importantes sobre a produção e os produtos no Núcleo. A tabela 4-5 mostra as quantidades de produtos encontradas no estoque quando da realização desse levantamento.

Tabela 4-5 – Quantidade de peças em estoque no Núcleo Fonte: Bezerra (2008) PEÇAS QUANTIDADE EM ESTOQUE PORCENTAGEM Panos de Bandeja 68 22,5% Porta-copos 57 18,1% Blusas 38 12,06% Caminhos de mesa 25 7,94% Vestidos 19 6,03% Bicos 15 4,76% Toalhas redondas 12 3,81% Saias 12 3,81% Almofadinhas

(miniaturas de almofadas para venda) 10 3,15%

Golas 9 2,86%

Toalhas quadradas 7 2,22%

Entremeios 6 1,9%

Toalhas de banho com aplicação 6 1,9%

Xales 6 1,9%

Aplicações diversas 5 1,59%

Blusão 2 0,63%

Palas 2 0,63%

Tiaras 2 0,63%

TOTAL DE PEÇAS ESTOCADAS

EM MARÇO DE 2008 301 100%

Segundo Bezerra (2008), o estoque do Núcleo em março de 2008 contava com um total de 301 peças de 17 tipos diferentes, número esse que varia com certa constância de acordo com a venda e produção. Desse montante, chamamos a atenção para o elevado número de “panos de bandeja” encontrados (68), correspondendo a 22,5% de todo o estoque. Pesquisas posteriores constataram que nem todos os panos de bandeja encontrados em estoque correspondem à produção das rendeiras. Destes, 42 (62%) foram produzidos por elas, os demais (26) foram comprados em cidades do Ceará para revenda no Núcleo e cópia de desenhos – passando as artesãs, nesse momento, de produtoras a atravessadoras. Essa atitude

das rendeiras também demonstra uma preocupação com a inovação e diversificação dos modelos por elas produzidos.

Ainda conforme Bezerra (2008), as cinco rendeiras que se reúnem diariamente no Núcleo são responsáveis por 80% do valor monetário em estoque. Salvo as peças compradas em outros estados, isso reforça a hipótese já mencionada de que, trabalhando unidas, as artesãs produzem mais do que as que trabalham de forma isolada em sua residência.

Benzer Belgeler