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Em agosto de 1498, a rainha Leonor, irmã de d. Manoel, fundou em Lisboa uma nova irmandade dedicada à Virgem da Misericórdia.90 Instituição paradigmática de auxílio aos pobres, a Misericórdia respondia a uma demanda espiritual bem viva na experiência religiosa da elite portuguesa e estave diretamente relacionada ao movimento tardo-medieval conhecido por devotio moderna,91 que tinha em comum com o franciscanismo a alta estima pela pobreza voluntária. A literatura religiosa manteve os preceitos sobre o bem advindo da pobreza, reafirmando que aquele que se dedicava a ela poderia esperar ser criticado e abandonado pelo resto da humanidade, mas era por meio dela que se abria a possibilidade de imitar Cristo e evitar o pecado mortal de avareza.92

Foi justamente uma visão de mundo profundamente marcada pela religiosidade que possibilitou, em sua origem, a estruturação dos serviços de assistência dentro de uma perspectiva inovadora. A princípio, a fundação das irmandades dedicadas à Virgem da Misericórdia funcionou como um elo que se ancorava em perspectivas tardo- medievais sobre a vida ascética, ao mesmo tempo em que se lançava aos novos desafios

90 A memória das Misericórdias, desde cedo, atribuiu um papel fundamental à iniciativa pessoal da rainha

Leonor na fundação da primeira irmandade, em 1498, e sua extraordinária expansão nos primeiros tempos. Contudo, Isabel dos Guimarães Sá tem questionado o caráter de exclusividade da rainha, entendendo a fundação da Misericórdia de Lisboa dentro de um contexto extremamente específico da cidade: a conversão forçada e a consequente expulsão dos judeus promovida por D. Manuel, a partir de 1497. Segundo a autora, a fundação da Misericórdia pode ter funcionado como uma espécie de compensação, por meio de uma confraria que pretendia personificar o amor ao próximo. Em suma, o papel da rainha seria fundamental, mas apenas pontual, cabendo ao rei a tarefa de incrementar os privilégios de modo a expandir as congêneres pelo império. Ver o instigante artigo de SÁ, Isabel dos Guimarães. A fundação das Misericórdias e a rainha D. Leonor (1458-1525): uma reavaliação. In: As

Misericórdias Quinhentistas...

91 A devotio moderna, ou simplesmente devoção moderna, nasceu em Flandres e nos Países Baixos a

partir de fins do século XIV e representava valores de setores médios urbanos. O movimento rapidamente chamou a atenção de leigos bem educados e de vertentes reformistas do clero, fazendo sedimentar uma nova espiritualidade que mesclava, ao mesmo tempo, a valorização da educação e uma atitude anti- intelectual. Um dos mentores do movimento foi Gerard Groote (1340-1384), um holandês nascido em Deventer, crítico acerbo do materialismo clerical. Como diácono em Utrecht, aproximou-se cada vez mais de uma piedade cristocêntrica, dando suporte a uma moderada reforma na Igreja. Groote traduziu alguns trabalhos do místico John Ruusbroec e produziu textos para os leigos, entre eles um Livro de Horas em língua vernácula, que foi amplamente utilizado. A devotio moderna dividiu com os humanistas cristãos uma alta visão de educação para encorajar uma vida virtuosa. Groote enfatizava a escrita como a base do método pessoal de educação, a importância da formação moral do indivíduo e a necessidade de um forte senso de comunidade. O grupo Irmãos da Vida Comum (do inglês, The Brothers of the Commom Life), fundado por Groote e Flores Radewinjs era constituído por padres e leigos inspirados pelos cristãos primitivos, tal como era descrito no livro bíblico Atos dos Apóstolos. Mais tarde surgiram também grupos de mulheres, as chamadas Irmãs da Vida Comum. Sobre a devotio moderna ver: SHELDRAKE, Philip. A

Brief History of Spirituality…p. 107-109.

37 postos pelo mundo moderno. Em fins do século XV, em Portugal, a misericórdia fazia parte de uma prática cada vez mais compósita e popular. Segundo Ivo Carneiro de Sousa, à época da fundação da primeira irmandade, a doutrina das obras de misericórdia havia invadido os “segmentos sociais seculares elevados, discutindo-se provavelmente mesmo nos meios cortesãos com um evidente sentido ético e religioso”.93 Convém

ressaltar, porém, que essas percepções no momento da criação da irmandade, estavam longe da noção de assistência que orientará as irmandades da Misericórdia tempos depois.

Já na primeira metade do século XV, a doutrina das obras de misericórdia era suficientemente divulgada pela teologia, pela moral e pelas pastorais. Ancorada na passagem do Evangelho de São Mateus,94 as obras de misericórdia tratavam de oferecer uma via de ascese por meio da ação no mundo. O primeiro compromisso da irmandade deixava clara a dimensão penitencial confraternal e pública, objetivada a partir das 14 obras, sete espirituais, sete corporais. Segundo o compromisso primitivo da irmandade:

pois o fundamento desta Santa Confraria e Irmandade é cumprir as obras de misericórdia. É necessário saber as ditas obras, que são 14, sete espirituais: ensinar os simples; dar bom conselho a quem o pede; castigar com caridade os que erram; consolar os tristes e desconsolados; perdoar a quem errou; sofrer as injúrias com paciência; rogar a Deus pelos vivos e mortos. As corporais são remir os cativos e presos; visitar e curar os enfermos; cobrir os nus; dar de comer aos famintos; dar de beber aos que tem sede; dar pousada aos peregrinos e pobres; enterrar os finados.95

Restrita aos que “receberam a água do batismo”, a nova confraria incentivava o ímpeto caritativo a partir da doação de esmolas e do auxílio aos pobres doentes, conclamando em seu compromisso, que se fizessem diligências pela cidade a fim de descobrirem os necessitados e passassem a distribuir semanalmente esmolas, de comida ou dinheiro, segundo a carência de cada um. Segundo Ivo Carneiro de Sousa, o compromisso primitivo desequilibrava a distribuição da misericórdia num exacerbado apoio aos encarcerados. A irmandade estabeleceu pedidores para sua alimentação,

93 SOUSA, Ivo Carneiro de. Da descoberta da Misericórdia à fundação das Misericórdias... p. 14. 94“Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos

está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim. Perguntar-lhe-ão os justos: - Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos? Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar? Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes”, Mateus 25, 34-40. Ver ainda: SÁ, Isabel dos Guimarães. Práticas de caridade e salvação da alma nas Misericórdias metropolitanas e ultramarinas... p. 42-50.

38 encarregar-se da defesa jurídica, protagonizar os rituais de execução pública, personificando a misericórdia face à dimensão justiceira da monarquia.96

No cerne das atividades da confraria estava uma espiritualidade voltada para o culto da Paixão, da penitência, da dimensão protetora e intercessora de Maria e, sobretudo, da misericórdia como percurso individual e coletivo. Se num primeiro momento, as Misericórdias arejaram a experiência religiosa em Portugal, couberam a elas, já no início do século seguinte, orquestrar uma renovação sem precedentes na assistência do reino e seu império.

Diante de uma visão cada vez mais negativa dos pobres, de acepções mais controversas sobre a esmola e a necessidade – moral e política – de controlar a miséria, a irmandade da Misericórdia ganhou uma preeminência invulgar na assistência portuguesa. À semelhança do que ocorreu no resto do continente, as Misericórdias portuguesas participaram de um movimento de homogeneização hospitalar no intuito de amenizar problemas sociais prementes no século XVI.97 A modernização da assistência durante essa época pode ser atestada pelo movimento secularizante das instituições hospitalares, bem como pela centralização de pequenos estabelecimentos em grandes hospitais gerais. Além das medidas administrativas, assiste-se ao crescente pendor devocional, responsável pelo aumento de legados e capelanias administrados pelos estabelecimentos hospitalares.98

Em Portugal, os primeiros movimentos de reagrupamento dessas instituições foram vivenciados em Évora, Tomar e Coimbra. Em Lisboa, a junção foi protagonizada pela criação do hospital de Todos os Santos que reuniu cerca de 43 pequenos estabelecimentos99 e entre 1492 e 1504 – antecipando-se ao resto do continente – obrigou d. João II a negociações a fim de obter licenças papais para administrar fundações que estavam sob a competência canônica. Ao contrário de grande parte da Europa, Portugal não contou com o monopólio eclesiástico da assistência durante a

96 SOUSA, Ivo Carneiro de. O compromisso primitivo das Misericórdias portuguesas... p. 259-306. 97 Sobre a pauperização e a assistência à pobreza na época moderna ver: GEREMEK, Bronislaw. A piedade e a forca...; do mesmo autor: Os filhos de Caim...; DINGES, Martin. A. A History of Poverty and

Poor Relief: Contributions from Research on the Early Modern Period and the Late Middle Ages and Examples from More Recent History. In: ABREU, Laurinda (Ed.). European health and social…p. 23-

50; JUTTE, Robert. Poverty and deviance…; GRELL, Ole Peter; CUNNINGHAN, Andrew (eds), Health care and poor relief in Protestant Europe…; GRELL, Ole Peter; CUNNINGHAM, Andrew (Eds). Health care and poor relief in eighteenth and nineteenth century…

98 Para uma visão geral sobre o processo de criação e afirmação das Misericórdias portuguesas ver SÁ,

Isabel dos Guimarães. Quando o rico se faz pobre...; da mesma autora ver: As Misericórdias portuguesas

de d. Manoel a Pombal...

99 Sobre a reorganização da caridade em Portugal no início da época moderna ver: SÁ, Isabel dos

39 idade média.100 Os pequenos leprosários, gafarias, albergarias e hospitais já estavam, em

sua maioria, sob a autoridade temporal. Como a monarquia moderna procurou arbitrar os destinos da assistência sob o patrocínio laico, coube à Igreja o papel de reafirmar, no plano devocional, a importância da caridade como veículo transformador do destino dos cristãos.101

Desde cedo dotadas de privilégios institucionais e sob proteção régia, a difusão das Misericórdias estava ancorada ainda na importância espiritual dada à caridade e na rede de benefícios pessoais e institucionais que as Santas Casas forneciam aos seus confrades.102 A prevalência política dessas agremiações caminhou pari passu ao seu caráter aglutinador do ponto de vista devocional. A íntima relação entre devoção, padronização institucional e privilégios foram elementos responsáveis pela supremacia das Misericórdias em todo o império português.103

A rápida aceitação das elites locais em integrar os quadros da confraria fortalecia um sistema sem maiores investimentos financeiros da monarquia e suficientemente restrito para conferir-lhe status privilegiado. Os compromissos das Santas Casas, a partir de 1618, eram claros quanto à interdição de cristãos-novos, mestiços, mulheres.104

Representavam, no nível microanalítico, as composições hierárquicas de dádiva e retribuição que forjavam as relações sociais.105 Destaca-se, porém, que embora tenham surgido desde os primeiros anos de criação sob os auspícios da monarquia, foi a partir do Concílio de Trento (1545-1563) que as Misericórdias começaram a administrar grandes legados.106 Nos domínios ultramarinos a igual repercussão nas comunidades locais não deixava dúvidas quanto a uma pretensa homogeneidade das práticas de salvação e de mobilização das elites e, ao mesmo tempo, reafirma a forma modelar,

100 SÁ, Isabel dos Guimarães. Quando o rico se faz pobre... p. 25-52. SÁ, Isabel dos Guimarães.

Assistance to the poor on a royal model…p. 3-14. Para o caso italiano ver: CAVALLO, Sandra. Charity

and power in early modern Italy…

101 SÁ, Isabel dos Guimarães. Quando o rico se faz pobre... p. 45. 102 SÁ, Isabel dos Guimarães. Quando o rico se faz pobre... p. 58-83

103 A importância das Misericórdias como elemento fundamental para continuidade do império português

foi destacada primeiramente por BOXER, Charles R. Conselheiros municipais e irmãos de caridade. In: O

impero marítimo português... p. 286-308; ver também SÁ, Isabel dos Guimarães. As Misericórdias portuguesas de d. Manoel a Pombal... p. 39-44.

104 Segundo Isabel dos Guimarães Sá, a Misericórdia de Gouveia é um raríssimo exemplo de congênere

que admitia indistintamente a entrada de mulheres entre os confrades; ver SÁ, Isabel dos Guimarães. A

Misericórdia de Gouveia...

105 Sobre a importância da dádiva no antigo regime ver: HESPANHA, António Manuel, XAVIER,

Ângela Barreto. A representação da sociedade e do poder. In:: HESPANHA, António Manuel (Coord.).

História de Portugal – O Antigo Regime... p. 121-155; CLAVERO, Bartolomé. Antidora...; DAVIS,

Natalie. The gift in sixteenth century France…

40 tipicamente portuguesa, de tratar os pobres, os desvalidos, as crianças, os doentes, entre outros.

Diante da reorganização da caridade, ao longo do século XVI, as 14 obras de misericórdia, tão presentes no momento da fundação dessas confrarias, permaneceram como fundamentos que reiteravam um conjunto de orientações suficientemente vago do ponto de vista conceitual, possibilitando a diversificação de serviços sempre dentro de uma ótica compassiva. Segundo Isabel dos Guimarães Sá,107 a inspiração caritativa da irmandade nos seus primórdios foi sendo perdida ao longo do século XVII em virtude da grande burocratização da confraria.

A possibilidade de enquadrar auxílios sociais prementes dentro de uma perspectiva benemerente que englobava também o cuidado espiritual transformou a irmandade no paradigma do que se compreendia por assistência ao longo dos séculos XVI, XVII e XVIII. Era claro que a partir do século XVII, a confraria tinha um papel prático fundamental em termos locais, porque se encarregava, quando era financeiramente capaz, de funções importantes. Não é exagero dizer que foram as irmandades da Misericórdia quem chancelaram, do ponto de vista institucional, as principais noções de pobreza no império português. Se num primeiro momento, sua atenção foi dada aos presos e pobres, ao longo do tempo, elas assumiram serviços imprevistos no compromisso original, referendando a importância de atender as novas demandas da época, como o cuidado com os expostos e as órfãs, ou o auxílio hospitalar aos militares, por exemplo.

O grande diferencial das Misericórdias centrou-se no exercício das obras corporais. Assim, coube-lhes o protagonismo na visita aos presos, no asseio das cadeias, na alimentação e auxílio jurídico dos encarcerados; a cura dos enfermos; o fornecimento de roupas; a alimentação dos doentes atendidos; a pousada a peregrinos; as esmolas a viúvas; o atendimento aos expostos e o enterro dos mortos. Era uma lista de obras de misericórdia que terminavam por homogeneizar o que se entendia por caridade institucional e não abarcava todos os tipos de necessidades. Não se tratava de um atendimento irrestrito e tampouco destinado a todos os pobres. Os auxílios prestados pelas Misericórdias selecionavam um público a partir de princípios religiosos e morais; assim, as pessoas que as Santas Casas atendiam eram, em grande medida, os pobres que elas pretendiam atender, ficando de fora, em tese, os cristãos-novos e mestiços, no caso

41 das colônias.108 Por sua vez, o auxílio espiritual valorizou a sétima obra, “rogar a Deus

pelos vivos e pelos mortos”, por meio das missas aos defuntos, aos moldes da experiência religiosa católica.

Embora essas irmandades mantivessem onerosos serviços, grande parte dos seus recursos era disponibilizada para empréstimos a juros e despesas relacionadas ao culto religioso. De acordo com Isabel dos Guimarães Sá, a prevalência das ações de caridade destinadas à salvação das almas fez com que as Misericórdias despendessem, no cômputo geral, valores pouco proporcionais em relação aos pobres propriamente ditos. Dessa forma, o auxílio era limitado porque os recursos não eram suficientes para o grande número de beneficiários, e também porque as instituições de caridade tinham uma natureza bifronte que variou a depender da Misericórdia local: eram estabelecimentos de grande enraizamento religioso, impossibilitando um atendimento puramente corporal. A pobreza material era um elemento essencial no atendimento das Misericórdias, mas não era o único nem, muitas vezes, o principal.

O auxílio previsto, de antemão, deveria cumprir a uma série de requisitos que selecionavam os pobres. Não se trata simplesmente de incapacidade financeira diante do grande número de desassistidos,109 mas de uma visão bem assente de que determinados

serviços prestados diziam respeito apenas a algumas parcelas da população. O auxílio não era um direito dos pobres. As regras de seleção variavam conforme o serviço prestado e no caso de serviços mais restritos, como os recolhimentos de órfãs, poderia levar em conta a naturalidade, residência, idade, filiação legítima, bom comportamento e limpeza de sangue. Além disso, tal como reafirmavam as leis expedidas pela coroa, os locais de nascimento também funcionavam como critérios de seleção, os moradores das cidades tinham precedência sobre os forasteiros. Como adverte Sá, as regras de auxílio não eram empregadas em simultâneo, mas variavam conforme a possibilidade financeira de cada instituição. Assim, o enterro dos pobres e o auxílio aos expostos tenderam à maior abrangência, à medida que a seleção aos dotes foi significativamente restrita.

A seleção dos pobres foi uma das questões mais controversas no auxílio das instituições da América, porque a miscigenação tratou de embaralhar hierarquias e

108 SÁ, Isabel dos Guimarães. Charity and discrimination…p. 51-70.

109 Segundo Isabel dos Guimarães Sá, “[Os recursos da caridade] Eram limitados por dois motivos: nunca seriam suficientes para uma população pobre com a envergadura que esta assumia nas sociedades do Antigo Regime; por outro lado, a própria natureza das instituições de caridade levava a que estas só aplicassem parte dos seus recursos no socorro dos necessitados”. SÁ, Isabel dos Guimarães. Quando o rico se faz pobre... p. 110.

42 lançar novas questões para a noção de caridade vigente no reino. Certamente, tal como acontecia na Europa, o acesso às instituições de auxílio estava diretamente relacionado às redes de clientela, amizades que se estendiam do domínio privado para as instituições de assistência. Tal como aconteceu com as leis de repressão à vadiagem, nos sermões, ou mesmo nos rituais públicos, a escolha dos pobres reiterava a discussão medieval acirrada nos tempos modernos: apenas o pobre merecedor era digno de auxílio. Quando os recursos aos pobres merecedores não eram suficientes, selecionava-se a partir de critérios que consideravam a mistura de sangue um sério entrave. Como veremos adiante, as sociedades americanas não ficaram alheias ao grande número de mestiços que as constituíam.

Benzer Belgeler