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9. Ortak Tarım Politikasının Etkileri

9.5. Genişlemenin OTP Üzerindeki Etkisi

A Caatinga é o único Bioma exclusivamente brasileiro, se estende por 750.000 Km2 e engloba todos os nove estados nordestinos e Minas Gerais (Ab’Sáber, 2003). Constitui um dos Biomas menos estudados do Brasil (Prado, 2003) e cerca de 20% da sua área está desertificada devido a processos antrópicos (Alves et al., 2009). Ações governamentais tentam mitigar este processo através de estratégias para a conservação deste domínio (MMA, 2004).

Este Bioma é caracterizado por clima seco seguindo os critérios da nova delimitação do semi-árido (MIN, 2005): i. precipitação pluviométrica média anual inferior a 800 milímetros; ii. índice de aridez de até 0,5 calculado pelo balanço hídrico que relaciona as precipitações e a evapotranspiração potencial, no período entre 1961 e 1990; e iii. risco de seca maior que 60%, tomando-se por base o período entre 1970 e 1990. Além de apresentar precipitações baixas e irregularmente distribuídas (principalmente entre os meses de fevereiro a junho), altas temperaturas e incidências de irradiação solar, grande incidência de espécies endêmicas e especializações em plantas para a redução da perda hídrica, como a presença de espinhos, folhas caducifólias e raízes profundas em árvores lenhosas (Alves et al., 2009).

Foram monitorados vestígios de uso de instrumentos por macacos prego em duas áreas de ocorrência de Cebus spp. representando dois diferentes tipos de Caatinga. A serra do Estreito, localizada no município de Jucurutu (Figura 1a&b, Figura 2a&b) apresenta um padrão de vegetação classificado como Caatinga arbustiva aberta (Alves, 2007). Esta Caatinga é caracterizada pelo expressivo número de árvores retorcidas que variam entre um a três metros de altura além de uma grande quantidade de vegetação herbácea. A média histórica de precipitação acumulada dos últimos 10 anos é 712,7 mm3 com variação de ± 234,72 mm3. No

ano de estudo (2009), foi registrado o acumulado de 936,6 mm3, superando a média histórica (dados cedidos gentilmente pela Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio Grande do Norte no ano de 2009). Os dados foram coletados numa área de Caatinga arbustiva aberta dentro e na periferia da RPPN Stossel Brito que possui uma área de 7,5 km2. Neste tipo de Caatinga, os frutos carnosos são disponíveis principalmente por herbáceas e cactos e, em média, o tamanho destes frutos são de 0,5 cm e máximo de 4 cm (Passiflora foetida, Phoradendron affine, Cissus verticillata, Capparis cynophallophora, Commiphora leptophloeos, Pilosocereus gounellei, Cereus jamacaru). Esta unidade de conservação pode ser considerada como a área de maior representatividade da Caatinga arbustiva aberta do estado do Rio Grande do Norte devido ao seu ótimo estado de conservação, suas riqueza e diversidade biológica. Esta área possui formação geológica com pedras de alta dureza e baixa friabilidade (ortognaisse diorítico a granítico com restos de supracrustais – CPRM, 2005a).

A serra de Luís Gomes, localizada no município de Luís Gomes (Figuras 1a&c; 2c&d) é classificada como Caatinga arbustivo-arbórea (MMA, 2003; Alves, 2007). Esta região é indicada como área de Caatinga prioritária para unidade de conservação e pesquisas científicas devido à riqueza biológica, apresentando muitos indicadores de biodiversidade, endemismo e potencial risco de ação antrópica (MMA, 2003). Esta área é mais úmida do que a Serra do Estreito e contém maior disponibilidade de frutos carnosos e maior tamanho: média de 5 cm e máximo de 10 cm (Capparis cynophallophora, Commiphora leptophloeos, Pilosocereus gounellei, Cereus jamacaru, Pouteria gardneriana), assim como árvores mais altas (variando entre três a 20 metros de altura). A média histórica de precipitação acumulada dos últimos 10 anos é de 820,6 mm3 com variação de ± 272,3 mm3. No ano de estudo (2009), foi registrado o acumulado de 1009,2 mm3, superando a média histórica (dados cedidos pela EMPARN no ano de 2009). O município está situado em área de abrangência das rochas metamórficas que compõem o embasamento Cristalino, onde predominam granitos, gnaisses e

migmatitos variandos, xístos e anfibolitos, às vezes cortados por veios de quartzo e pegamtito (CPRM, 2005b).

Em ambas as áreas de estudo, a variação sazonal influencia fortemente a paisagem e, consequentemente, a disponibilidade de recursos para a reprodução de animais e plantas. Na estação chuvosa, é observada uma vegetação exuberante com fase reprodutiva bem definida na maioria das espécies. Na estação seca, a paisagem muda drasticamente para disponibilidade de água reduzida, árvores com a ausência de folhas e frutos carnosos e é observada uma estação reprodutiva restrita a poucas espécies (a exemplo de ninhos ativos de Juriti, Leptotilla verreauxi, estes que reproduzem ao longo do ano).

Animais de estudo

Na regiao nordeste do Brasil ocorrem três espécies de macacos prego: Cebus libidinosus, C. flavius e C. xanthosternus. Cebus flavius apresenta uma distribuição espacial restrita ao nordeste brasileiro acima do Rio São Francisco, encontrada inicialmente na Mata Atlântica (Oliveira & Langguth, 2006) e recentemente Ferreira et al., (2009) encontraram uma população habitante da Caatinga do Estado do Rio Grande do Norte. Cebus libidinosus possuem uma área de ocorrência amplamente distribuída entre os Biomas Caatinga e Cerrado.

Segundo a IUCN, dentre as duas espécies de macacos prego encontradas no nordeste brasileiro acima do Rio São Francisco, Cebus flavius é a única que apresenta o status de criticamente em perigo (Oliveira et al., 2008), enquanto que Cebus libidinosus apresenta um status de menor preocupação (Rylands et al., 2008).

Os macacos pregos galegos (C. flavius) possuem de modo geral uma coloração amarelada ao longo do seu corpo, com alguns tons mais escuros nos braços e coluna, estes

animais também apresetam tufos curtos dirigidos para trás, de modo que a cabeça apresenta um perfil arredondado frontal sem tufos eretos ou crista ou almofadas (Oliveira & Langguth, 2006). Os C. libidinosus possui coloração no corpo amarronzada, seus ombros possuem tons mais escuros tendendo para o vermelho, cabeça branco-amarela, possui topete pequeno comumente formando duas pequenas pontas.

Duas populações de macacos prego não habituadas a presença humana e mapeadas por Ferreira et al., (2009) foram estudadas: Cebus flavius, habitantes da Serra do Estreiro e C. libidinosus, habitantes da Serra de Luís Gomes.

Durante o estudo, foram efetivamente contabilizados grupos com o número máximo de 40 indivíduos para a população de C. flavius (n = 8 avistagens), e 50 animais para a população de C. libidinosus (n = 7 avistagens).

Esforço amostral

Entre agosto a setembro de 2008 e janeiro de 2009 (fase preliminar) e fevereiro a dezembro de 2009 (fase efetiva) foram efetuadas 26 excursões de campo com duração de cinco dias em cada área de estudo que resultaram num montante de 1.560 horas de coleta de dados.

Registro metodológico

Parcelas monitoradas

Percorreu-se uma área total de 361,18 e 225,40 hectares (Jucurutu e Luís Gomes, respectivamente), onde foram observadas evidências da presença de macacos prego a exemplo de sítios de quebra e fezes, bem como observações in situ dos macacos (Figura 1).

Foram definidas quatro parcelas representantes de cada área de estudo para amostragem mensal. Na escolha destas parcelas optou-se por áreas que fossem distantes entre si (superiores a 400 metros), que apresentassem disponibilidade de espécies vegetais produtoras de sementes (a saber: Manihot dichotoma, Syagrus cearensis e/ou Diclea grandiflora), e em regiões de difícil acesso onde não havia presença humana. Cada parcela mediu em média 3 hectares (em Jucurutu) e 5 hectares (em Luís Gomes). Foram realizados registros de GPS de todas as plantas produtoras de sementes. Com o objetivo de obter registros sistemáticos na coleta de dados, dentro de cada parcela foram construídas trilhas que eram percorridas na mesma direção e sentido a cada visita amostral mensal.

Durante um estudo preliminar foi verificado que havia uma grande disponibilidade de martelos e bigornas em ambas as áreas de estudo, devido a formação geológica nestes ambientes. Pedras utilizadas como martelos apresentaram grande variação de tamanho (média = 10,13 cm; I.C 95% = ± 7,02 cm – Figura 3). Bigornas poderiam ser constituídas por pedras ou troncos de árvores, e, em especial as bigornas de pedras variavam entre 10 cm a mais de 5 metros de comprimento (Figura 3).

Fenologia das espécies vegetais produtoras de sementes e frutos cultivares

Amostragens fenológicas foram realizadas nas parcelas em ambas as áreas de estudo. Dado o grande numero de plantas distribuídas em cada parcela, a amostragem fenológica foi promovida mensalmente em 10 indivíduos de cada espécie vegetal registrando a presença de folhas, flores, frutos e sementes e em qual estado de maturação ao longo do ano. Especialmente em Luís Gomes, região com maior tradição agrícola, a fenologia também foi empregada em algumas áreas adjacentes às parcelas onde ocorria a produção de frutos cultivares (ex. manga, milho, caju).

Durante o ano de 2009, correspondente ao período de estudo, em ambas áreas, as maniçobas (Manihot dichotoma) apresentaram frutificação entre fevereiro a abril. Os cocos catolés (Syagrus cearensis) apresentaram dois ciclos de frutificação ao longo do ano, o primeiro entre janeiro a maio, e o segundo entre agosto a dezembro. Os frutos nativos em sua grande maioria apresentaram o período de frutificação dentro do período da estação chuvosa (janeiro a junho), enquanto que, os frutos cultivares apresentaram distintos períodos de frutificação. Por exemplo, a manga (Manguifera indica) apresentou frutos maduros entre janeiro e fevereiro (manga), o milho (Zea mays) entre junho e julho, e o caju (Anacardium occidentalis) entre outubro e novembro.

Figura 1 - Áreas de estudo contendo mapa geral (A), área de estudo de Jucurutu (B) e área de estudo de Luís Gomes (C). Maiores detalhes conferir a legenda

Figura 2 – Sazonalidade nas áreas de estudo. Figuras a-b = Jucurutu (Caatinga arbustiva aberta) estação chuvosa e estação seca, figuras c-d = Luís Gomes

Figura 3 – Exemplos de bigornas e martelos usados nos sítios de quebra. Figuras: a = representa um sítio de quebra de semente de maniçoba (Manihot dichotoma), b = sítio de quebra com bigornas grandes (> 1m), c = zoom da bigorna, d = imagem de martelos utilizados em sítios de quebra de maniçoba, e =

Definição e registro de presença de sítio de quebra

Neste trabalho, foram considerados sítios de quebra ativos aqueles em que havia, concomitantemente, a presença de pedras menores (martelos) sobre pedras maiores (bigornas) e sementes quebradas num raio de até 20 cm da bigorna. Sítios de quebra inativos eram aqueles em que ocorria a ausência de uma destas condições. No presente trabalho, somente os sítios de quebra ativos foram mensurados.

Nos deslocamentos entre as trilhas dentro de cada parcela, era registrada a localização geográfica dos sítios de quebra ativos, além de informações sobre as sementes quebradas como a espécie e o estado de maturação. Quando eram encontrados sítios de quebra contendo sementes de diferentes espécies e/ou estado de maturação, estes eram classificados como sítios de quebra mistos. Para o registro dos dados de GPS, utilizou-se o equipamento GPSMAP® 76CSx, Garmim com unidade em UTM e datum SAD 69.

Os estágios de maturação das sementes quebradas foram classificados de acordo com as características morfofisiológicas de cada espécie de sementes. As sementes de maniçoba (Manihot dichotoma) foram classificadas como verdes, quase maduras e maduras. Sementes verdes apresentavam o epicarpo verde e volumoso e o endocarpo estava totalmente constituído; sementes quase maduras tinham epicarpos desidratados com rachaduras e prontos para a dispersão explosiva, também era evidente o mesocarpo com coloração de maduro e endocarpo seco; sementes maduras eram encontradas dispersas em torno das plantas produtoras com epicarpo maduro e seco (ver Figura 6).

Os estágios de maturação das sementes de coco catolé (Syagrus cearensis) foram classificados como verde, quase maduro, maduro e podre. Sementes verdes apresentavam o endocarpo constituído em sua maior parte por líquidos; identificava-se o estágio quase maduro pelo epicarpo bastante volumoso e comestível assim como o endocarpo em formato

de polpa; sementes maduras eram encontradas com epicarpo e endocarpo secos; o estágio podre era observado quando o endocarpo estava fermentado e constituído por larvas de insetos (ver Figura 6).

Ao final de cada registro, os sítios eram limpos, de modo que as sementes encontradas até um raio de 20 cm da bigorna eram descartadas para além dessa distância. Quando eram encontradas sementes quebradas nos sítios de quebra inativos, estas também eram descartadas seguindo o mesmo procedimento. A limpeza de sítios de quebra deu início a partir da última excursão preliminar (janeiro de 2009), e possibilitou que as visitas contínuas dos animais às parcelas resultassem em registros que indicavam o uso mensal de sítios de quebra.

Registro do peso dos martelos

Dado o grande número de sítios de quebra ativos, os registros das massas dos martelos ocorriam sequencialmente a cada 10 sítios de quebra ativos (isto é, apenas o primeiro, 10º, 20º, 30º e assim por diante). Os martelos sobre as bigornas eram coletados e medidos com o auxílio de uma balança com precisão de 1g (modelo ER2856st). Após pesados, os martelos eram retirados e depositados a mais de 20 cm da bigorna, para evitar que as mesmas pedras fossem pesadas em meses subsequentes. Ao encontrar sítios de quebra mistos, os martelos eram medidos e registrados como pertencentes a sítios de quebra mistos.

Foram mensuradas, além das massas das pedras (martelos) acima da bigorna (0 cm), a massa de outras pedras (potenciais martelos) distribuídas entre os raios de 1 a 20 cm e entre 21 a 100 cm. Após o registro destes potenciais martelos os mesmos eram depositados nos seus locais de origem.

Preparação do banco de dados geográficos: Distância mais próxima entre pontos

No programa ArcMap™ ERSI software® (versão 9.3), a partir dos dados de GPS referentes às plantas produtoras de sementes e aos sítios de quebra, foram calculadas: i.) distância mais próxima entre plantas produtoras de sementes; ii.) distância mais próxima entre sítios de quebra e plantas produtoras de sementes e iii.) distância mais próxima entre sítios de quebra.

Optou-se por calcular os pontos mais próximos e não a distância euclidiana para retirar o possível erro decorrente do formato das parcelas. Assim, mesmo as parcelas possuindo áreas semelhantes em média, parcelas com formatos mais retangulares resultariam em maiores distâncias do que parcelas com formatos quadrados.

Análise de dados

As massas dos martelos amostrados sobre as bigornas foram transformados em log10 para assumir distribuição normal segundo o teste Kolmogorov-Smirnov (N > 4; D > 0,35; p >0,20) e, portanto, empregaram-se testes paramétricos para estes dados. As medidas das distâncias não apresentaram distribuição normal segundo o Kolmogorov-Smirnov (N > 146, D < 0,23; p <0,01), tendo sido empregados testes não paramétricos.

Foi utilizado o teste Kruskal-Wallis seguidos dos post hocs para testar as predições 1 e 4. Para testar a predição 5, utilizou-se o Teste Mann-Whitney. A correlação de Spearman foi utilizada para testar a predição 4. Para testar a predição 2, utilizou-se o teste one-way ANOVA seguido do post hoc de Fischer (LSD) para as comparações entre os fatores. Para testar a predição 3, utilizou-se o teste repeated measures ANOVA seguido do post hoc de Fischer (LSD) para as comparações entre os fatores. O nível se significância foi de 5% ou menor de acordo com as correções dos testes de post hoc. O programa Statistica 8, Copyright© StatSoft foi utilizado para a análise estatística dos dados.

RESULTADOS