A pesquisa foi realizada no período de 2013 a 2015, iniciando com a revisão bibliográfica das obras de Freire, seleção dos documentos nacionais sobre a formação de professores no Brasil, seleção dos documentos da rede estadual e do município de João Pessoa. Em seguida, elaboramos instrumentos de pesquisa para aplicar nos sujeitos selecionados (13 professores e 3 gestores). Elaboramos um questionário, o roteiro para a entrevista semiestruturada e uma questão orientadora para a carta pedagógica. Em seguida, fomos conhecer os espaços e sujeitos selecionados para a pesquisa.
Como se tratava de uma pesquisa de formação, fomos investigar os sujeitos e os espaços de formação na rede municipal de João Pessoa. Para isso, tivemos uma conversa agendada com o gestor, que informou que é o Centro de Capacitação dos Profissionais em Educação (Cecapro) o lugar da formação continuada. Com essa primeira conversa pudemos agendar as entrevistas e a visita às escolas. A seguir apresentamos os sujeitos e os espaços da pesquisa.
3.2.1 Os sujeitos da pesquisa
Tivemos como sujeitos23 da pesquisa 13 professoras e 3 gestores, entre eles o Secretário de Educação, Diretor da DGC e Diretora do Cecapro.
Como se trata de uma pesquisa que envolve seres humanos, a qual trabalhamos com grupos de sujeitos, submetemos o projeto de pesquisa à apreciação do Comitê de Ética e Pesquisa (CEP), obtendo a aprovação do projeto (ANEXO B) como ordena a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde que aprova diretrizes para a regulamentação da pesquisa, entre elas a criação do CEP com a finalidade de defender os interesses dos participantes da pesquisa e garantir que a pesquisa se desenvolva dentro de padrões éticos.
Tendo o projeto aprovado pelo comitê de ética e por banca de qualificação, em 2014,
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Quanto aos sujeitos da pesquisa, para preservar o anonimato, denominamos de P os professores e G de gestores da secretaria de educação. Quanto às escolas utilizaremos a letra E para nos referirmos às escolas acompanhada de números para diferenciar uma da outra. Por exemplo: E1 ESCOLA 1.
iniciamos a busca pela realização das entrevistas e impressões dos/as professores/as sobre a sua formação. Nessa perspectiva lançamos mão das cartas pedagógicas, recurso do qual Freire fez uso para escrever algumas de suas obras como: Cartas a Guiné-Bissau: registros de uma experiência em processo (1978), Cartas a Cristina (1994), Pedagogia da Indignação: cartas pedagógicas e outros escritos, Professora Sim tia não: cartas a quem ousa ensinar (2009).
No decorrer da pesquisa aconteceram mudanças na equipe da Secretaria de Educação e Cultura (Sedec), o que dificultou o combinado com o gestor anterior (2013-2014) que foi substituído pela gestora atual (2015-2016). No entanto, fez-se necessário verificar como a formação continuada estava sendo realizada após mudança de gestão. Assim, fizemos contato por telefone com a Sedec/JP solicitando agendamento de uma nova entrevista, com a nova gestora municipal, que nos informou da dificuldade de fazer agendamentos de entrevistas, tendo em vista que a rede se encontrava em greve e a gestora não podia receber para entrevista, pois estava em momento de negociação com os professores/as da rede municipal de ensino.
Explicamos a necessidade da entrevista e a relevância da pesquisa. Diante da inviabilidade, solicitamos que enviassem por escrito ou por e-mail. No entanto, não logramos êxito. Insistimos na solicitação, mas nos foi informado que passariam a questão para a gestora e depois retornariam o contato para posterior retorno. Na semana seguinte a secretária da Sedec/JP nos contatou, para que enviássemos a proposta do projeto e o roteiro da carta pedagógica. Fizemos o envio da proposta e do roteiro via e-mail; passados 15 dias não obtivemos nenhum retorno. Voltamos a ligar e nos foi informado que ela não nos atenderia por e-mail como acordado anteriormente, e que procurássemos o setor de protocolo para abrir um processo. Deste modo, buscamos os procedimentos formais e aguardamos o retorno da Sedec/JP.
Com a aprovação do Processo, retornamos à Sedec/JP, onde nos foi informado que as perguntas da entrevista não seriam respondidas pela gestora, mas sim por pessoa responsável pela formação continuada na rede, sendo o processo encaminhado para o Cecapro.
Entramos em contato com o Cecapro para realizar entrevista com a gestora do Centro, fomos atendidas por sua secretária que anotou nosso contato e ficou de retornar a ligação, mas não retornou a ligação; estabelecemos contato também por e-mail, mas não obtivemos resposta24. Dando prosseguimento à pesquisa, buscamos contato com o responsável pela
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Posteriormente, encontramos, pessoalmente a gestora no IV Encontro Estadual do Fórum de Educação da Paraíba, do qual participamos. Na ocasião ela nos passou seu contato para que pudéssemos agendar a entrevista. Sem conseguir agendamento, aguardamos o retorno do processo que foi encaminhado da Sedec
Diretoria de Gestão Curricular (DGC) para solicitar sua colaboração na pesquisa. Tentamos um primeiro contato por e-mail (18/05/2015); não obtendo resposta tentamos contato por telefone explicando que se tratava de uma pesquisa, e solicitamos um agendamento para entrevista. Ainda por telefone falamos como o próprio gestor que propôs responder e enviar a entrevista por e-mail, justificando que no momento não poderia nos receber pessoalmente, mas se caso fosse necessário entraria em contato para que comparecêssemos à Sedec.
As dificuldades encontradas no estabelecimento de contato com os sujeitos fazem parte da pesquisa, uma vez que estamos tratando com sujeitos e não com objetos. Como
aponta Chizzotti (2011, p. 28), “as ciências que pressupõem a ação humana devem levar em
conta a liberdade e a vontade humanas e estas sempre interferem no curso dos fatos e dão significado muito diverso à ação [...]”. Neste sentido, o estabelecimento de contato com os sujeitos para realização desta pesquisa foi um processo de conquista e respeito ao tempo dos sujeitos. Assim, enviamos novamente e-mail como foi solicitado pelo diretor explicando de que tratava a pesquisa e enviando roteiro de questões e mais uma vez não obtivemos resposta.
Por ocasião do IV Encontro Estadual do Fórum de Educação da Paraíba (28/04/2015), encontramos a Diretora do Cecapro e o gestor do DGC, onde pudemos agendar, pessoalmente, a entrevista para o dia 5/5/2015, o que não aconteceu naquela dada marcada, por motivos justificados. A entrevista só veio acontecer no dia 12/05/2015.
Com relação à escolha de professores/as para a aplicação dos questionários, pensamos, a priori, em realizar a pesquisa com professores/as de cada polo aos quais as escolas da rede eram distribuídas. Entretanto, o tempo para a conclusão da pesquisa não supriria a demanda de escolas a serem visitadas, somando-se a isso fatores que surgiram no decorrer da pesquisa como um ano eleitoral e de copa do mundo, que trouxeram modificações para o calendário das escolas, bem como mudanças na equipe da Sedec, com as quais já havíamos estabelecido contato e uma greve de professores25 que durou trinta dias.
Estas situações não inviabilizaram a pesquisa, mas nos fizeram rever os critérios de escolha das escolas a serem pesquisadas. Chizzotti (1991) ressalta que a coleta de dados é um
para o Cecapro. Sem retorno entramos em contato por telefone com o Cecapro para verificar o andamento do processo. Inicialmente nos foi informado que o Cecapro não tinha conhecimento do processo; logo entramos em contato novamente com a Sedec que nos informou que o processo tinha sido entregue. Ao entrar em contato novamente com o Cecapro nos foi informado que havia sim um processo relacionado à pesquisa e que seria designada uma pessoa para nos acompanhar durante a pesquisa atendendo às questões solicitadas e que aguardássemos que seria agendada a entrevista. Deste modo, fomos recebidos pela assessora pedagógica, que colaborou com a pesquisa.
25
A greve de professores teve início no dia 16 de março de 2015 na qual os/as professores/as reivindicavam
reajuste salarial e modificações no Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR). A greve durou trinta dias, sendo encerrada após decisão judicial.
processo de interação no qual o pesquisador realiza o movimento de ir e voltar nas etapas da pesquisa, o que requer permanente análise e avaliação do processo, gerando os ajustes e modificações de acordo com as situações encontradas.
Para a escolha das escolas, inicialmente solicitamos indicação da Secretaria de Educação. Sem resposta elencamos como critério as escolas que apresentavam o melhor desempenho no Índice de Desempenho da Educação Básica (Ideb), uma vez que este Índice está relacionado à formação de professores, como já discutido neste trabalho.
Para a escolha das professoras a serem pesquisadas, elencamos como critérios: professoras do Ensino Fundamental I, com tempo de magistério superior a um ano na rede municipal de ensino, que participam ou participaram das formações continuadas oferecidas pela rede, seja pela formação no Cecapro ou por outras formas de formação realizadas pelas instituições de ensino superior, via Edital26.
Elencados os critérios, fomos a campo realizar a aplicação dos questionários e provocar possibilidades de uso das cartas pedagógicas junto às professoras da rede. Destacamos que as cartas pedagógicas foram solicitadas, concomitante à aplicação dos questionários. Uma das dificuldades encontradas para realizar a pesquisa nas escolas era com relação ao critério do tempo de magistério na rede e sua participação nas formações. Uma vez que as escolas da rede municipal de João Pessoa estavam recebendo os/as professores aprovados em concurso público realizado no ano de 2014.
Em uma das escolas pesquisadas, encontramos quatro das professoras do Ensino Fundamental I que eram recém-aprovadas no concurso. Em conversa informal com essas professoras, as mesmas relataram que era a primeira vez que trabalhavam na rede municipal, duas professoras eram oriundas da rede privada de ensino e duas sem experiência na docência. As que trabalhavam na rede privada não sabiam o que era formação continuada; quando comecei a explicar me relataram que já haviam passado por formação continuada, mas que
conheciam como “treinamento” e capacitação”.
Ficamos com um universo de seis professoras em cada escola. Inicialmente, aplicamos dez questionários e dez cartas pedagógicas em cada escola, tendo em vista que por vezes as escolas tinham duas turmas para cada ano (exemplo: 2º ano A e 2º ano B). Entretanto, reduzimos para um número de 6 professoras em cada escola, uma vez que quando explicávamos o tema da pesquisa e seus objetivos, bem como da assinatura do Termo de
26 A Secretaria de Educação e Cultura de João Pessoa além de formação oferecida pelo Cecapro oferece
formação no segundo semestre do ano. A formação realizada no segundo semestre é realizada por instituições de ensino superior públicas ou privadas que têm seus projetos aprovados via licitação. Deste modo, realiza a formação a instituição que vence o processo de licitação.
Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) no qual as participantes autorizavam a publicação do conteúdo dos questionários e cartas, e mesmo ressaltando que seria preservado seu anonimato, algumas se recusavam a responder o questionário, outras que tinham aceitado em fazer entregaram o questionário em branco, outras alegavam falta de tempo devido à sobrecarga de trabalho e algumas faziam vários questionamentos entre eles se a pesquisa traria alguma mudança para a realidade das mesmas. Elas relataram que já estavam cansadas de responder a questionários que não resultavam em nada.
Deste modo, permanecemos com o universo de seis professoras para cada escola. Entretanto, só obtivemos retorno e consentimento de 13 professoras, distribuídas nas quatro escolas pesquisadas. Destas, a maioria tem licenciatura em Pedagogia e especialização, apenas uma das professoras tem o curso pedagógico e licenciatura em História. Quanto ao tempo de atuação no magistério, das professoras selecionadas encontramos 11 com tempo de magistério de 1 a 10 anos, uma com 18 anos e outra com um tempo de 22 anos de magistério. Entre elas apenas uma das professoras é prestadora de serviço, as demais são concursadas.
3.3 OS ESPAÇOS DA PESQUISA
A pesquisa foi realizada na Sedec/JP, no Cecapro, na DGC e escolas da rede municipal de ensino de Joao Pessoa. A priori, foi estabelecido contato com o gestor municipal que prontamente nos recebeu e se dispôs a colaborar com o estudo nos autorizando a realizar a pesquisa na rede municipal de ensino (ANEXO A).
Em seguida buscamos documentos relacionados à formação nacional e à formação no município de João Pessoa. Inicialmente escolhemos o Cecapro porque é o órgão responsável pelo planejamento, coordenação e supervisão de planos, projetos, programas e atividades voltadas para a capacitação, aperfeiçoamento de professores e demais envolvidos no processo educativo a exemplo de técnicos e educadores.
De acordo com a Lei 10.429, de 2005, que trata da estrutura administrativa da prefeitura do município de João Pessoa, a secretaria conta com uma diretoria especial de capacitação de professores que se organiza em departamento de formação continuada, divisão de formação de docentes e seção de formação de pessoal de apoio (PMJP, 2005). Essas unidades relacionadas à formação de professores se encontram no Cecapro que dá suporte à formação.
Figura 8 – Centro de Capacitação dos Profissionais em Educação (Cecapro)
Fonte: google street view, 2015.
Em seguida, procuramos a Diretoria de Gestão Curricular (DGC), onde são viabilizadas as políticas e propostas curriculares e projetos de formação para a educação no município de João Pessoa.
Para a realização da pesquisa com os professores/as da rede municipal escolhemos quatro escolas da rede tendo como critério de escolha escolas que atingiram a meta estabelecida pelo IDEB. Deste modo, destacamos a seguir as metas alcançadas no ano de 2013 e projetadas para o de 2013 e 2015 dos anos iniciais.
Quadro 2 – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) das escolas campo de pesquisa
ESCOLAS IDEB ALCANÇADO METAS PROJETADAS
2013 2013 2015
E1 5,1 4,6 4,8
E2 5,2 4,7 4,9
E3 3,9 3,8 4,1
E4 5,3 4,3 4,6
Fonte: Adaptado do site do INEP.
É possível verificar no quadro 2 que as escolas pesquisadas ultrapassam as metas projetadas pelo IDEB. Não utilizamos a identificação das escolas nesta pesquisa a pedido das professoras. Inicialmente, tivemos a autorização das diretoras para identificar as escolas, mas
nos foi solicitado pelas professoras que procurasse não identificá-las, bem como não identificar as escolas, uma das professoras justificou o fato de ser prestadora de serviço.
3.4 ANÁLISE DOCUMENTAL
Para o desenvolvimento desta pesquisa inicialmente realizamos um estudo das obras de Paulo Freire relacionadas à formação permanente de educadores, aliado aos estudos de Freitas (2002, 2003), para identificar os pressupostos que norteiam essa formação. Deste modo, recorremos à pesquisa documental realizando a análise dos documentos em conjunto com as informações obtidas nas entrevistas, questionários e cartas pedagógicas.
A análise documental se constitui como uma importante e valiosa fonte de informação de onde se pode obter dados que poderão fundamentar a investigação do pesquisador (LÜDKE; ANDRÉ, 2013).
Neste sentido, como discutimos a política educacional, especificamente a formação de professores, utilizamos documentos nacionais como: a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9.394/96, reformulada pela Lei nº 12.796/2013, a Resolução CNE/CP nº 1/2002, Resolução CNE/CP nº1/2006 que tratam da formação de professores para a educação básica e curso de pedagogia, o Decreto nº 6.755/2009 que institui a Política Nacional de Formação de Profissionais do Magistério da Educação Básica, O Plano Nacional da Educação – 2014 (PNE - 2014), Lei 13.005/2014 e a Resolução Nº 2 de 1 de julho de 2015 que define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada.
Como documentos relacionados à educação no estado da Paraíba analisamos o Plano Estratégico de formação dos profissionais do magistério da educação básica da rede pública do estado da Paraíba (2014-2017). O Plano é elaborado no âmbito do Fórum Estadual Permanente de Apoio à Formação Docente da Paraíba (FEPAD/PB) em consonância com o Decreto 6.755/2009, que determina a criação dos fóruns e seus respectivos planos estratégicos. No plano constam os dados relacionados à educação na Paraíba, especificamente sobre a formação inicial e continuada de professores/as.
Analisamos ainda o Plano Estadual de Educação aprovado pela Lei nº 10.488, de 23 de junho de 2015 e especificamente relacionado à rede municipal de João Pessoa. Analisamos o Plano Municipal (2015-2025) aprovado pela Lei nº 13.035, de 19 de junho de 2015, documentos locais construídos em conformidade com o Plano Nacional de Educação (2014)
propondo metas e estratégias para a educação. Ainda como documentos locais analisamos a Proposta Curricular da rede municipal de ensino de João Pessoa (2004), a Proposta de Formação Continuada para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) (PMJP/SEDEC, 2009a), propostas construídas coletivamente contando com a participação não só de professores/as da rede municipal de ensino, bem como a participação de professores/as de instituições de nível superior federais.
3.5 ENTREVISTA
Neste estudo fizemos uso de entrevista semiestruturada (APÊNDICE A) realizada com o secretário/a de educação do município de João Pessoa, com o diretor do DGC e com a diretora do Cecapro.
Segundo Lüdke e André (2013) a entrevista deve ser permeada pela interação entre o pesquisador e o pesquisado estabelecendo uma relação em que um não está subordinado ao outro, mas uma relação de reciprocidade entre ambos, de confiança em que o pesquisado não se sente preso a responder só o que convém ao pesquisador, contribuindo para a coleta de informações de forma natural sem a rigidez de entrevistas totalmente estruturadas.
Deste modo, elaboramos roteiro de questões que orientaram a entrevista. Quanto à análise das entrevistas, realizamos à luz do objeto de estudo investigado e do referencial teórico desenvolvido.
3.6 QUESTIONÁRIO
Como instrumento de coleta de dados, utilizamos também um questionário que foi aplicado junto às professoras da escola. O questionário contém além de questões acerca da formação continuada na rede municipal de João Pessoa que se constituiu objeto de nosso estudo, questões referentes aos dados pessoais dos/as professores/as pesquisados/as.
Quanto ao objetivo da utilização do questionário Chizzotti (1991) destaca:
O questionário consiste em um conjunto de questões pré-elaboradas, sistemática e sequencialmente dispostas em itens que constituem o tema da pesquisa, com o objetivo de suscitar dos informantes respostas por escrito ou verbalmente sobre o assunto que os informantes saibam opinar ou informar. É uma interlocução planejada (CHIZZOTTI, 1991, p. 55).
C) aplicadas a 13 professoras da rede municipal de João Pessoa distribuídas em quatro escolas do Ensino Fundamental I.
Para aplicar os questionários, procurávamos sempre chegar na hora do intervalo das aulas para ter contato direto com os/as professores/as, apresentando-lhes o tema e os objetivos do estudo, sua relevância e sobre a assinatura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE), no qual nos concediam a permissão de utilizar os dados na pesquisa.
Deste modo, deixávamos os questionários com as professoras e marcávamos um período de sete dias após para buscar na escola, tendo em vista que o tempo do intervalo era de apenas 15 minutos não sendo suficiente para responder o questionário. Foi aí que nos valemos da utilização das cartas pedagógicas, por entender que elas são um recurso que oferece aos sujeitos da pesquisa maior liberdade e naturalidade para se expressarem sobre a temática pesquisada.
A aplicação dos questionários e o contato com as professoras foi um processo de conquista, uma vez que muitas ficavam receosas de terem suas falas identificadas, embora quase todas fossem professoras efetivas na rede. As professoras ressaltavam que essa pesquisa não tem apresentado nenhuma contribuição para as escolas. Logo, fazíamos questão de ressaltar sempre que o estudo não culminaria num manual de como deveria ser a formação continuada na rede municipal de João Pessoa, mas que apresentaríamos possibilidades partindo da análise dos achados da pesquisa.
Neste sentido, em todas as escolas esclarecíamos que seria mantido sigilo absoluto das identidades dos sujeitos da pesquisa, bem como das escolas; ressaltávamos ainda a não obrigatoriedade em responder as questões e de desistir a qualquer tempo de participar da pesquisa.
Em uma das escolas não tivemos contato direto com os/as professores/as para explicar-lhes sobre o questionário e a carta pedagógica. Estivemos na escola e fizemos contato com a diretora da escola que nos apresentou a supervisora. A supervisora nos fez os questionamentos sobre a pesquisa recebeu os questionários e a mesma os aplicou. Logo, nesta escola não tivemos nenhum contato com as professoras e dos seis questionários deixados só obtivemos respostas de dois.
3.7 CARTAS PEDAGÓGICAS
A escolha pelas cartas pedagógicas ancorou-se na perspectiva freireana. Mas, antes de justificar a escolha pelas cartas como um recurso metodológico de coleta de dados, faz-se
necessário destacar o que vem a ser esse instrumento.
De acordo com o dicionário Aurélio de Língua Portuguesa, carta é: “1. Comunicação
manuscrita ou impressa, endereçada a uma ou várias pessoas; missiva, epístola [...].”
(FERREIRA, 2004, p. 144).
Ao realizar o estudo sobre as obras de Freire, verificamos que com frequência Freire fez uso de cartas e escreveu obras utilizando esse recurso, que ultrapassa a visão de carta