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NEUBAUER E LANK (1998), VERGARA (1993) E DE VERGARA E BRANCO (1994)

Parikh, Neubauer e Lank (1998) realizaram um levantamento internacional sobre a

intuição. A pesquisa desenvolvida pelos autores foi realizada em nove países (Áustria, Brasil,

Estados Unidos, França, Holanda, Índia, Japão, Reino Unido e Suécia) com 1.312

serviços. Para os autores, uma questão fundamental é a revitalização das organizações para que

elas possam sobreviver às alterações que estão sendo demandadas pelo atual contexto e sob esse

pensamento o trabalho realizado por eles pretende contribuir para aqueles que estão interessados

em investigar a intuição, a sua aplicabilidade e a sua validade no cenário organizacional.

O resultado global da pesquisa (PARIKH, NEUBAUER e LANK, 1998, p. 101-139)

revelou que a intuição é vista como um atributo positivo entre os gerentes mais maduros (idade

superior a 45 anos). Os executivos nos cargos mais elevados das empresas consideram-se

extremamente intuitivos (73,4%). Ressalta-se que no levantamento realizado, 39,4% dos

administradores entrevistados pertencem à área industrial e os demais ao setor de prestação de

serviços.

Pela orientação intuitiva, os administradores acreditam que se obtém: inovação (79%),

idéias (70,8%), criatividade (67,5%), visão (60%), imaginação (53,3%) e espontaneidade

(52,7%). A orientação racional contribuiria para as questões de: concretude (65,5%), realização

(53,8%), prática (48,8%) e sensibilidade (48,4%).

Na descrição do que seria intuição, a resposta mais freqüente (23,4%) diz que ela é uma

decisão/percepção sem a utilização dos métodos lógicos-racionais, seguida pelas respostas que a

intuição é uma percepção inerente; compreensão inexplicável; sensação que vem de dentro com

17,1% e que ela é a integração de experiência anterior; processamento de informações

acumuladas com 16,8%. Assim, a percepção dominante é a de que a intuição é algo como uma

antítese da lógica/raciocínio. Há também conotação com conceitos populares como

pressentimento (12%), sexto sentido (7,4%), percepção/visão espontâneas (7,3%), introvisão

A área de estratégia e planejamento indicou um maior interesse pela intuição (79,9%),

seguida pela de desenvolvimento de recursos humanos (78,6%), marketing (76,8%), pesquisa e

desenvolvimento (71,6%) e de relações públicas (64,3%).

A intuição foi associada a um forte sentimento interior, emoção para 16,4%; incapacidade

para explicar a conclusão com base nos fatos disponíveis para 14%, tomada de decisões pouco

influenciadas pelo raciocínio lógico para 13,1% e percepção/visão espontâneas para 6,9%.

Apenas 7,5% dos administradores afirmaram que usam mais a intuição do que a

lógica/razão em sua vida profissional, contra 38,9% que usam mais a segunda do que a primeira.

Os outros 53,6% usam a intuição e a lógica/racioncínio mais ou menos na mesma medida.

A porcentagem de administradores que apóiam a inclusão da intuição no currículo escolar

aumenta progressivamente com o grau das instituições: escola primária (38,5%), escola

secundária (42,9%), faculdade/universidade (53,6%), chegando a 64,9% nos estudos do nível

pós-graduação.

A avaliação da pesquisa permitiu a seus autores concluir que a intuição faz parte do

cotidiano dos administradores, mas com muitas restrições para a sua utilização. O aspecto

idiossincrático da palavra intuição tem dificultado a sua aceitação de uma maneira geral. Todavia,

verifica-se que os estudos e práticas referentes à intuição nas organizações estão tendo o

compromisso de desmistificá-la, lidando com o preconceito das pessoas para falar e responder

sobre este assunto, explorando-a em aspectos que possam melhorar e contribuir para a atividade

de gerenciamento.

Os pesquisadores acreditam que para a gestão moderna, uma das possibilidades para não

se sucumbir aos múltiplos problemas gerados pelas sucessivas mudanças, é fazer uso da intuição

manifestados. Cultivar as habilidades intuitivas ajuda na investigação, favorece perscrutar o

mesmo problema sob diversos ângulos.

Com relação à pesquisa realizada especificamente no Brasil, Parikh, Neubauer e Lank

(1998, p. 250-267) a realizaram com uma amostra de 204 administradores, representando os

cerca de 80.400 administradores que atenderam às especificações do levantamento.

A orientação intuitiva revela que os administradores brasileiros acreditam que se obtém:

inovação (85,3%), criatividade (84,9%), visão (73,4%) e espontaneidade (72,9%). A orientação

racional contribui para as questões de: concretude (75,2%), sensibilidade (70,2%), prática

(66,2%) e realização (59,4%).

Na descrição do que seria intuição, a resposta mais freqüente (29,4%) diz que ela é uma

decisão/percepção sem a utilização dos métodos lógicos-racionais, seguida pelas respostas que a

intuição é uma previsão com 23,3%, percepção inerente; compreensão inexplicável; sensação que

vem de dentro com 18,3% e que ela é a integração de experiência anterior; processamento de

informações acumuladas com 15,1%. Assim, a percepção dominante, seguindo o quadro do

levantamento global é a de que a intuição é algo como uma antítese da lógica/raciocínio. Há

também conotação com conceitos populares, com uma pequena variação do obtido no

levantamento global: percepção/visão espontâneas (9,3%), processo subconsciente (8,8%), sexto

sentido (7,5%), premonição (6,4%) e decisão/solução de problemas sem dados/fatos completos

(6%).

A área de estratégia e planejamento indicou um maior interesse pela intuição (81,8%),

seguida pelo marketing (76,7%), desenvolvimento de recursos humanos (70,7%),

investimento/diversificação (69,8%) e pesquisa e desenvolvimento (64,6%).

No quesito sobre como a intuição poderia ser identificada os resultados da pesquisa

percepção/visão espontâneas para 14,6%, um forte sentimento interior, emoção para 13,2%; forte

impulso de tomar uma decisão específica com 11,7%, incapacidade para explicar a conclusão

com base nos fatos disponíveis com 7,8% e sentimento de certeza para 5,9%.

A maioria (53,5%) dos administradores brasileiros afirma que usam mais lógica/razão do

que a intuição a em sua vida profissional; a proporção dos que usam mais a intuição é quase

desprezível (4,4%).

A porcentagem de administradores que apóiam a inclusão da intuição no currículo escolar

aumenta progressivamente, com uma mínima diferença entre faculdade/universidade para o nível

de pós-graduação (diferença de 0,1%): escola primária (23,1%), escola secundária (29,5%),

faculdade/universidade (54,6%), estudos no nível de pós-graduação (54,5%).

Vergara (1993, p. 130-157) também promoveu uma pesquisa sobre a intuição na tomada

de decisão, quando foram ouvidos depoimentos de 57 gestores do 1º, 2º, e 3º escalões da

hierarquia organizacional de organizações públicas e privadas, de pequeno e médio porte e 13

profissionais autônomos como parapsicólogos, médicos, astrólogos, professores de práticas

orientais, artistas plásticos e estudantes.

No campo dos gestores, 23% demonstraram não terem dúvidas quanto ao significado de

intuição, afirmando que “a intuição não tem base lógica, não tem explicação, é percepção extra-

sensorial” (VERGARA, 1993, p.151).

Para a questão “decisões tomadas intuitivamente conduzem a resultados esperados?”

(VERGARA, 1993, p. 153) os resultados forma: 2% dos gestores não souberam dizer; 23%

responderam que sim; 26% comentaram que nem sempre e o restante, 49%, nada declarou.

Somente um gestor, das 70 pessoas entrevistadas afirmou não acreditar em intuição.

Apenas 9% dizem acreditar, mas não tomam decisões intuitivas e 89% asseguram tomar decisões

que é intuição; o termo lhes é confuso. De acordo com a autora, a pouca clareza com que a

maioria dos gestores define intuição está relacionada com a dificuldade de se explicar o sentido

da própria palavra e, também, pode ser atribuída à confusão que muitos fazem entre racionalidade

nas suas múltiplas formas, sentimento e a intuição.

Ao se comparar as duas pesquisas, os dados confirmam essa dificuldade, dado o grau de

subjetividade que o termo remete, uma vez que na pesquisa de Parikh, Neubauer e Lank (1998)

53,5% dos administradores brasileiros afirmam que usam mais lógica/razão do que a intuição em

sua vida profissional, em contraste com a de Vergara (1993), onde 89% dos entrevistados

afirmam que utilizam a intuição na tomada de decisão.

Já o estudo de Vergara e Branco (1994) com 323 profissionais vinculados a várias

empresas (227 atuavam no setor de serviços, 33 no de comércio e 63 no da indústria) de porte

pequeno, médio e grande, sediadas no Rio de Janeiro, e de entrevistas realizadas em seis

empresas de grande porte situadas no Rio de Janeiro e em São Paulo, permitiu evidenciar que

entre as empresas pesquisadas, assuntos relacionados com a dimensão intuitiva são tratados com

certa compatibilidade com o mundo dos negócios, fazendo parte do dia-a-dia das organizações,

definindo, muitas das vezes, o sucesso de decisões estratégicas (notadamente, foi constatado que

as empresas de grande porte são mais receptivas à intuição), embora a intuição praticamente não

esteja sendo privilegiada nos programas de treinamento e desenvolvimento das empresas como

dimensão a ser desenvolvida.

Contudo, o que se verifica é que tanto no estudo promovido por Parikh, Neubauer e Lank

(1998) quanto no de Vergara (1993) e de Vergara e Branco (1994), a estatística demonstra que a

intuição está presente na cultura gerencial, talvez, ainda com muitas restrições e resistências para

confirmação da intuição permeando o processo decisório já pode prognosticar sua utilização nas

organizações, o resgate de seu significado e o seu desenvolvimento no ensino administrativo.

Este capítulo apresentou o termo intuição sob as dimensões filosófica, psicológica e

administrativa visando esclarecer o seu significado. O capítulo também trouxe uma visão crítica

do processo intuitivo, um contraponto às teorias apresentadas, bem como evidenciou os

Benzer Belgeler