3.1. Ulusal ve Uluslararası Gemi İnşa Piyasasının Durumu
3.1.1. Genel Durum
A Constituição garante ao contribuinte o direito de não ser compelido a pagar tributos em relação aos fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei, que os tenha instituído ou aumentado (artigo 150, III, “a”).276 A prescrição é desnecessária, pois a previsão constitucional que defende o contribuinte de ato normativo que implique prejuízo ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e à coisa julgada (artigo 5º, XXXVI), seria suficiente a obstar qualquer incursão do legislador dos tributos pelo seguimento dos fatos sociais que, por se terem constituído cronologicamente antes da edição legal, ficariam a salvo de novas obrigações.277
O objeto do princípio constitucional é resguardar a pessoa da lei retroativa, assim entendida “aquela que rege fato ocorrido antes de sua vigência” 278, com a finalidade de “estabilização e segurança das relações jurídicas, cercadas de muitos cuidados e garantias, quando entram em jogo o patrimônio e a liberdade dos cidadãos, caso típico das exceções tributárias.”279 Há, no entanto, algumas exceções ao princípio, ensina Paulo de Barros Carvalho280, concernentes nas hipóteses de preceitos interpretativos ou, no caso de infrações ou de sanções, para beneficiar o acusado. Mas Constituição não permite à lei retroagir para alcançar novas incidências, sob pena de promover insegurança, que “acabaria por ruir a própria estrutura interna do sistema. Corolário dos princípios republicano e da segurança jurídica, o princípio da irretroatividade das leis tributárias constitui importante viga mestra do
Constituição Federal, e não o ingresso de caminhões no aterro sanitário de Gramacho. A nova base de cálculo do tributo significou, na verdade, uma redução da anterior prevista no Código Tributário do Município de Duque de Caxias, de maneira que não se desrespeitou a finalidade do princípio da anterioridade, que busca impedir a surpresa do contribuinte com a exação criada ou majorada.”
275 BARRETO, Paulo Ayres. Imposto sobre a renda e preços de transferência. São Paulo: Dialética, 2001, p. 45. 276 Regina Helena Costa ressalta que qualquer obrigação tributária, independente da natureza, deve observar o
princípio da irretroatividade da norma tributária: “Seria o caso, por exemplo, de uma lei que, ao instituir nova obrigação acessória, determinasse sua aplicação a partir de momento anterior à sua edição. Não se trata de lei que venha instituir ou aumentar tributo; em conseqüência, não se aplica à hipótese o disposto no art. 150, III, a, CR. Mas, induvidosamente, o sujeito passivo não pode ser alcançado por essa exigência, pois as leis, em regra, não retroagem”. (Curso de direito tributário: Constituição e Código Tributário Nacional. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 69).
277 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. São Paulo: Noeses, 2008, p. 290. 278 Ibid., p. 292.
279 Ibid., loc. cit. 280 Ibid., loc. cit.
sistema, influenciando fortemente o processo de produção normativa e os atos de aplicação de direito.”281
Luís Eduardo Schoueri282 faz ressalva sobre a aplicação do princípio às normas tributárias indutoras:
[…] a par da segurança jurídica, deve-se indagar acerca da eficácia das normas tributárias indutoras, em si. Tendo elas a função de modificar comportamentos do contribuinte, não podem elas atingir situações sobre as quais o contribuinte já não tem mais qualquer controle ou influência.
Assim, por exemplo, quando, em 23 de dezembro de 1994, o Decreto nº 1.343 aumentou a alíquota do imposto de importação de diversos produtos, muitos foram os contribuintes que apelaram ao Poder Judiciário, alegando retroatividade da norma tributária. A jurisprudência firmou-se em sentido contrário aos contribuintes, constatando que o fato gerador do imposto somente se dá com a entrada da mercadoria no território aduaneiro, descabendo, daí, cogitar de desrespeito ao princípio da irretroatividade. Outra poderia ter sido a solução, tivesse sido ponderada a natureza da norma que majorou o tributo, quando se revelaria norma tributária indutora, visando a inibir a importação de diversos produtos, dada a precária situação da balança de pagamentos do País. Ora, nesse caso, a norma somente poderia atingir aqueles contribuintes cujo comportamento pudesse ser influenciado por ela. Tratando-se de mercadoria já adquirida e embarcada, objeto do contrato firme e irretratável, a decisão do importador já não mais poderia ser influenciada pelo incremento da carga tributária. Neste sentido, já não poderia subsistir a norma tributária indutora, porque nada induziria. Ausente o efeito indutor da norma, no caso concreto, então caberia a observância das garantias constitucionais própria das normas meramente arrecadadoras, como a anterioridade.
Igual ponderação poderia ser útil no trato do tema da aplicabilidade, ou não, da Súmula 584, do Supremo Tribunal Federal, cuja superação é hoje apontada pela doutrina e que também na Alemanha gera igual indignação. Caso se trata de introdução de norma tributária indutora, então somar-se-á mais uma argumentação contra sua aplicação no exercício em curso, se já transcorridos os fatos que seriam influenciados pela norma tributária indutora.
Por fim, deve-se ressaltar que tal raciocínio deve ser estendido, também, à norma tributária indutora que seja benéfica ao contribuinte: nenhum sentido se pode encontrar na aplicação retroativa de um incentivo fiscal; se o contribuinte já incorreu na hipótese desejada pelo legislador, sem que a tanto fosse movido pelo incentivo fiscal, a concessão deste configura privilégio odioso, se não justificada por outro fundamento constitucionalmente válido (por exemplo: concede-se um benefício retroativo não para incentivar o
281 BARRETO, Paulo Ayres. Imposto sobre a renda e preços de transferência. São Paulo: Dialética, 2001, p. 46. 282 Normas tributárias indutoras e intervenção econômica. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 271-273.
próprio beneficiado, mas para que outros contribuintes se vejam motivados a idêntica atitude). Ter-se-á o ‘efeito carona’, acima já referido, decorrente da aplicação retroativa da norma tributária indutora de caráter benéfico.
Em que pese a coerência da tese apresentada, entendemos que ela não se justifica, pois seria casuística, repercutindo em desestabilização do sistema jurídico, que não justificaria o benefício pontual alcançado pela eficácia da norma tributária indutora.