• Sonuç bulunamadı

A unidade de registro ‘valorização’ do sentido do trabalho na dimensão social, diferentemente da unidade de registro de mesmo nome sob a perspectiva organizacional, busca identificar o sentido do trabalho ligado à valorização e ao reconhecimento do trabalho pela sociedade. A unidade apresentou 24 casos, sendo 37% indicados pelos entrevistados

como reconhecimento e valorização do trabalho pela sociedade e 63% com o indicativo negativo, conforme Figura 16.

Figura 16 - Dimensão social do trabalho – Valorização

Fonte: Elaboração própria (2018).

Como se pode observar, as unidades de registro “não reconhecimento” e “não valorização pela sociedade” obtiveram maior número de episódios durante o ato da pesquisa. Para essa unidade, foi elaborada apenas uma pergunta acrescida de uma justificativa, para verificar se o trabalho possui sentido: Você acha que a sociedade reconhece e valoriza o seu trabalho? De que modo você percebe isso?

Eu acho que nem tanto (não reconhece e não valoriza o trabalho), partindo do ponto que tem gente que conhece e gente que não conhece nosso trabalho, a parcela da população que conhece a organização, 90% dessa parte acredita muito no nosso potencial, reconhece o nosso trabalho[...]. E a parte que não tem tanto conhecimento em relação à gente, especificamente, às vezes não dá muito valor no primeiro contato, então eu prefiro dizer que nem tanto é valorizado assim dentro da sociedade [...] Principalmente por esse não contato com a ideia. As pessoas que vêm atrás da gente, que participam dos nossos processos seletivos pra membresia e pros intercâmbios em geral, são pessoas que realmente acreditam no nosso potencial de trabalho. Então essa parte acredita muito no que a gente entrega, as demais normalmente é porque não teve [sic] contato com o nosso produto (V2).

Não tanto (não reconhece e não valoriza o trabalho), acho que as pessoas têm muito preconceito com trabalho voluntário, por não ganhar nada (financeiramente). Acho

que é um dos grandes questionamentos que todo mundo faz. Então acho que as pessoas não veem o quanto é importante fazer trabalho voluntário hoje em dia (V4).

Acho que não (não reconhece e não valoriza o trabalho). Primeiro, tem gente que não entende, não sabe nem o que é a organização e tem gente que não dá a mínima pra trabalho voluntário mesmo, porque acham que a gente está trabalhando de graça, de besta. Não tem noção que a gente está desenvolvendo habilidades, aprendendo coisas e não dá muito importância também a viver experiências para o próprio desenvolvimento (V9).

Também houve, no contexto das afirmações, duplicação de repostas entre os fatores, com a finalidade de dar dois exemplos, um positivo e outro negativo em relação à unidade de contexto referida, conforme pode-se constatar na seguinte referência:

Parte sim (reconhece e valoriza) e parte não (não reconhece e não valoriza). Eu acho que uma parte sim, tem gente que realmente olha e diz o quanto nosso trabalho é legal, [...] acha a ideia da organização muito interessante. Mas tem gente que olha e acha apenas que a gente está trabalhando muito pra não ganhar nada. Não vê a parte do impacto que é o intercâmbio, que é o intercambista vir pra cá ou alguém daqui ir pra outro país e impactar uma comunidade. Eu acho que muita gente não vê esse lado social e vê só a parte do “trabalha de graça” (V10).

Conclui-se, a partir dos comentários, que o trabalho não possui sentido para os voluntários da associação, no que tange à valorização e reconhecimento pela sociedade, devido aos mesmos fatores que impedem o trabalho com sentido na unidade de registro “utilidade”, ou seja, o preconceito com o trabalho voluntário, no que se refere à ausência de remuneração e à falta de conhecimento relativa à existência da organização e de seu trabalho.

Para Morin (2002), o trabalho deve permitir a união entre o exercício de atividades e suas consequências sociais, contribuindo para a construção da identidade social e protegendo a dignidade pessoal, demonstrando o prazer de contribuir para a sociedade.

5.3.3 Relações interpessoais

Nessa unidade de contexto, voltada para as relações interpessoais no ambiente externo à instituição, foram registradas quatro unidades de registro, sendo duas que contribuem para um trabalho com sentido: ambiente social favorável e aceitação pela sociedade. E duas que contribuem para um trabalho sem sentido: ambiente social desfavorável e não aceitação pela sociedade.

Figura 17 - Dimensão social do trabalho – Relações interpessoais

Fonte: Elaborada pelo autor (2018).

A pergunta realizada para obtenção dos dados foi: Qual a opinião das pessoas do seu convívio social (fora da organização) acerca da sua decisão de trabalhar voluntariamente?

Houve 23 menções no total de respostas concernentes às relações interpessoais no ambiente fora do trabalho. Em 70% das citações, obtiveram-se respostas que indicavam um trabalho com sentido, com 17 menções. Houve 6 referências à não aceitação do trabalho e a um ambiente social desfavorável. Portanto, 30% das referências não apresentam contribuição a um trabalho com sentido. Nos relatos, observou-se que as pessoas do convívio social dos participantes estão concentradas na família, amigos e colegas de faculdade. No tocante às referências de ambiente favorável e aceitação, verificam-se os depoimentos a seguir: “Sim, meus amigos da faculdade acham muito legal, minha irmã quer entrar na organização, ela vai fazer 18 anos agora em dezembro e disse que em janeiro vai fazer o processo seletivo pra entrar” (V7).

As pessoas do meu convívio acham muito interessante por questão do trabalho social, a gente tem um pensamento muito similar em relação a essa questão. É importante pra essas pessoas trabalhar sem buscar um lucro pessoal no final, lucro pessoal quando eu falo é o lucro financeiro, sendo que trazendo mais pra esse lado da organização às vezes eles acham que é uma demanda muito alta de trabalho, que a gente acaba se entregando muito na organização e acham que às vezes trabalho voluntário pode ser uma coisa um pouco pesada, em se tratando da visão deles, às vezes pelo contato através da gente, de uma forma geral, uma visão satisfatória em fazer um trabalho voluntário, fazer algo pelo mundo (V2).

Quanto aos aspectos negativos da unidade de contexto, os relatos baseiam-se da seguinte forma: “(Minha mãe) não entende muito o que eu faço, porque poucas pessoas entendem bem o que eu faço, mesmo falando e ela escutando, acho que entra num ouvido e sai no outro” (V8).

Meus pais não gostam muito, porque falam que tem que arranjar um trabalho que dê dinheiro, não trabalho voluntário. Meus amigos falam que eu gasto muito tempo na organização, que eu não estou ganhando dinheiro, arranjar um trabalho que pague melhor. Aí eu falo que é uma coisa que eu acredito e é isso [...] (V4).

Além disso, teve um aspecto pontuado por um dos participantes, referente à incompreensão por parte de pessoas de faixa etária mais elevada em relação ao trabalho voluntário:

Eu tenho vários amigos que realizam formas de trabalho voluntário em organizações estudantis sem fins lucrativos e eles entendem o porquê de eu estar fazendo isso [...] só que quando a faixa etária das pessoas aumenta um pouco mais, gera um pouco de incompreensão daqueles. Eles falam que já poderia estar estagiando de forma remunerada em vez de estar fazendo trabalho voluntário (V7).

Quando comparada ao seu homônimo associado à dimensão organizacional do trabalho, essa unidade de contexto, por sua vez, possui uma ênfase maior do ponto de vista da não aceitação do trabalho, quando avaliado no contexto social, pois, segundo alguns participantes, o preconceito com o trabalho voluntário, no tocante à inexistência de remuneração, ainda é bastante evidente.

Benzer Belgeler