3.2. Dış Ticaret ve Korumacılık
3.2.4. Dış Ticarette Korumacı Politikanın Araçları
3.2.4.1. Geleneksel Yöntemler
A Cultura é um conceito tão crucial quanto a Comunicação para a compreensão das organizações pós-modernas. Morin (1977, p. 15) interpreta a Cultura como “um corpo complexo de normas, símbolos, mitos e imagens que penetram o indivíduo em sua intimidade, estruturam os instintos, orientam as
emoções”. Para o autor, o homem é, fundamentalmente, um sujeito biológico e cultural.
Geertz (2008, p. 61) reforça a perspectiva de que o homem é um ser natural e essencialmente cultural, produto da cultura que ele mesmo produziu. “Sem os homens certamente não haveria cultura, mas, de forma semelhante e muito significativamente, sem cultura não haveria homens”. O autor adota uma noção semiótica do tema, defendendo a compreensão da Cultura como uma rede estruturada pelo homem pela qual as ações humanas se guiam.
Acreditando, como Max Weber, que o homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu, assumo a cultura como sendo essas teias e a sua análise; portanto, não como uma ciência experimental em busca de leis, mas como uma ciência interpretativa, à procura do significado (GEERTZ, 2008, p. 10).
Para Geertz (2008), a Cultura é um conjunto de mecanismos de controle necessários para guiar o comportamento humano – que sem eles seria caótico. Homens sem Cultura “seriam monstruosidades incontroláveis, com muito poucos instintos úteis, menos sentimentos reconhecíveis e nenhum intelecto: verdadeiros casos psiquiátricos”. A Cultura acaba por estabelecer modelos e normas de comportamento, que passam a ser adotados pelos sujeitos como uma maneira de se manter a ordem vigente. Ou seja, institui um universo de símbolos e crenças a serem compartilhados, e de padrões de conduta a serem seguidos, como salienta Morin (1977, p.15):
Uma cultura fornece pontos de apoio imaginários à vida prática, pontos de apoio práticos à vida imaginária: ela alimenta o ser semi-real, semi- imaginário que cada secreta no interior de si (sua alma), o ser semi-real, semi-imaginário que cada um secreta no exterior de si, e no qual se envolve (sua personalidade).
Se a Cultura é o conjunto de valores e significados compartilhados por um grupo específico de indivíduos, a Cultura Organizacional, consequentemente, é aquela comum aos sujeitos inseridos em uma mesma Organização, ou seja, é um conjunto de representações mentais simbólicas dos sujeitos ligados à determinada Organização. Morgan (1996) conclui que, se a Cultura é um produto das interações sociais, ela é também responsável pela própria constituição das organizações. Ou
seja, organizações são um produto/fenômeno cultural, realidades socialmente construídas através da Cultura. Portanto, estão mais presentes como representações mentais de uma realidade compartilhada por um grupo de sujeitos do que em formas físicas, como objetos e prédios.
Marchiori (2009), autora na qual apoiaremos a concepção desta categoria a
priori, interpreta a Cultura Organizacional como um conjunto de crenças e condutas
adotadas por um grupo de indivíduos e destaca que o processo de criação de significados que origina a Cultura ocorre através da interação entre os sujeitos. Por conseguinte, entenderemos a Cultura como um produto das relações entre os sujeitos da Organização, as quais se dão através do emprego de elementos simbólicos. A Cultura constitui-se em contextos sociais, espaciais e históricos específicos, e é construída e reconstruída continuamente através das interações sociais.
Essa perspectiva demonstra que o conceito de Cultura está intimamente vinculado ao de Comunicação: o processo de construção cultural decorre de interações comunicacionais, que se dão a partir do momento em que os homens se relacionam. Percebemos, portanto, a interdependência entre os dois conceitos: a Cultura está presente nas práticas comunicacionais, ao mesmo tempo em que se constitui através delas. Deve ser interpretada não como algo fechado, mas como um processo em permanente construção através das relações humanas (que se dão pela Comunicação), ao mesmo tempo em que atua permanentemente sobre estas mesmas relações (através dos processos comunicativos).
A relação entre os indivíduos ganha centralidade nesta perspectiva. A compreensão de uma determinada Cultura exige o entendimento de como agem os sujeitos nela inseridos, ou seja, de que forma empregam elementos simbólicos na produção de ações sociais dentro de contextos social, histórico e espacial específicos. Os indivíduos são os grandes responsáveis por, através de suas interações (pela Comunicação) constituírem a Cultura e, portanto, o ser, a personalidade da Organização. “Objetivamente, a cultura se forma pela atuação dos grupos e fomenta o que se pode chamar de ‘personalidade da organização’. Os grupos relacionam-se, desenvolvendo formas de agir que vão sendo incorporadas” (MARCHIORI, 2009, p. 294).
Na condição de produto das interações diárias entre um ou mais grupos, a Cultura está sujeita a uma reformulação constante a partir do contínuo processo de regeneração levado a cabo pelos próprios indivíduos nela inseridos. Conforme afirma Morin (2008, p.19):
Cultura e sociedade estão em relação geradora mútua; nessa relação, não podemos esquecer as interações entre os indivíduos, eles próprios portadores/transmissores de cultura, que regeneram a sociedade, a qual regenera a cultura.
Além de não ser estática, a Cultura também não é singular. Subculturas nascem no seio da Organização a partir de símbolos, valores e referências compartilhados por determinados indivíduos. Enquanto alguns são partilhados por todos, outros podem ocorrer apenas em pequenos grupos. Da mesma forma, dentro de uma mesma empresa, pode haver entendimentos contraditórios, ambíguos, compreensões que se contrapõem. Conforme destacam Carrieri e Silva (2010, p. 39), “não existe uma só cultura organizacional, mas sim uma rede de subculturas, que abrange todas aquelas trazidas das experiências anteriores e paralelas vividas pelas pessoas que compõem a organização”. Para os referidos autores:
Na medida em que as pessoas se inserem no contexto organizacional, elas trazem consigo o mencionado processo de construção social da realidade e todas as suas bagagens culturais, oriundas de suas construções anteriores. Surge assim o mosaico cultural que dá vida à organização e que é a metáfora da própria organização (CARRIERI; SILVA, 2010, p. 39).
Apesar de não serem únicas, ao longo do tempo, certas concepções e comportamentos acabam tornando-se naturais em cada espaço organizacional, constituindo-se como uma Cultura dominante, tida como referência. A percepção de que o modo de pensar e de fazer dos trabalhadores é orientado por certos valores e normas dominantes fez com que muitas organizações passassem a atuar conscientemente sobre estes aspectos de forma a conseguir atingir resultados específicos. A Cultura Organizacional tornou-se, assim, um instrumento de poder, ao procurar impor um sentido único e exigir que os indivíduos se adaptem a ele, “comprem" suas propostas para se engajar em suas metas.
Scroferneker (2010) reforça que a crença dos gestores sobre a importância da Cultura Organizacional para garantir a produtividade dos funcionários os leva a tentar influenciá-la de modo a fomentar certos comportamentos. Através da atuação sobre a Cultura Organizacional, buscam também criar nos trabalhadores a sensação de pertencimento àquele universo simbólico.
É nesse universo complexo que são (re) tecidas as relações na tentativa de ‘lugarizar’ os indivíduos organizacionais. O irreal e o surreal dialogam, enquanto o real se materializa nos móveis, quadros, na arquitetura, nos ambientes, nas cores, nos odores, nas pessoas e nos equipamentos que ‘oficializam’ que estamos neste ‘lugar’ (SCROFERNEKER, 2010, p. 189).
A autora alerta que, por mais que os gestores tentem ordenar a Cultura Organizacional e lugarizar os indivíduos, estes promovem a desordem através dos diálogos visíveis e invisíveis, a partir de todas as interconexões que formam a complexa rede organizacional. Com isso, a intenção de promover certos comportamentos através da atuação sobre a Cultura Organizacional pode ter efeito contrário ao esperado. Para Morgan (1996, p. 134), esta nova tendência de gestão da Cultura é negativa, quando empregada no sentido de desenvolver “a arte da manipulação como um processo de controle ideológico”. Por outro lado, o autor acredita que há aspectos positivos nestas práticas, à medida que levam os gestores a compreenderem que a Organização é constituída não por técnicas, mas pela relação entre as pessoas, e que todas as ações gerenciais terão consequências simbólicas.
Marchiori (2009) defende que a Comunicação Organizacional é central para a gestão estratégica das organizações contemporâneas: é ela quem está diretamente ligada à produção de sentidos e, portanto, contribui para a formação do ser organizacional. A autora a interpreta a partir de uma perspectiva integrada, abrangente e estratégica, porque é nela e por ela que são construídos os elementos simbólicos que formam a Organização. Ou seja, a Cultura Organizacional é permanentemente criada e recriada através da Comunicação, ao mesmo tempo em que a Comunicação se dá tendo como referência a Cultura Organizacional. Em outras palavras, da mesma maneira que a Cultura influencia a construção da Comunicação Organizacional, a eficiência do processo comunicacional acaba por influir, também, na Cultura da instituição.
Se cultura é aperfeiçoamento, enriquecimento do homem, e comunicação é construção de significado e inter-relação, cultura e comunicação são, com certeza, recursos indissociáveis, estratégicos e responsáveis pelo desempenho das organizações. É preciso olhar para cultura e comunicação como um processo de desenvolvimento das organizações (MARCHIORI, 2009, p. 295).
Aos profissionais da área cabe o desafio de estimular o diálogo e qualificar o processo comunicacional, ações que podem produzir de forma gradual e em longo prazo positivas consequências sobre o relacionamento entre os sujeitos. O comunicador precisaria trabalhar a Cultura Organizacional através da adoção de estratégias de promoção do fluxo contínuo e multidirecional de Comunicação. Como resume Marchiori (2009, p. 316), “[...] devemos assumir a função de catalizadores, provedores e disseminadores de conteúdos, criando novos ambientes internos”.
Se a Organização é Cultura, e a Cultura é constituída através da Comunicação, então a promoção das redes de diálogo dentro da Organização, que possibilitem aos sujeitos construírem de forma participativa e conjunta as culturas organizacionais, é o caminho a ser trilhado pelos profissionais que almejam trabalhar com a Comunicação Organizacional.