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Geleneksel ve yeni nesil elektrolit çözeltileri

2. KURAMSAL TEMEL VE KAYNAK ÖZETLERİ

2.5 Bir Elektriksel Çift Tabaka Kapasitörünün Yapısal Bileşenleri

2.5.1 Geleneksel ve yeni nesil elektrolit çözeltileri

As discussões que se seguem focam no desejo dos pacientes em comemorar seus aniversários ou realizar importantes feitos nessas datas, suscitando as reflexões acerca da relação entre vida e morte. De acordo com Arantes (2016), no final da vida, os pacientes estão caminhando para o acabamento, mas nesse momento a vida fica mais bela e cheia de vitalidade; indicando, pois, que são comuns e até saudáveis esses momentos em que eles estão preocupados com suas vidas e com o desejo de comemorá-las.

“O Pipa estava muito empolgado e animado com aniversário, falou o que desejava para o momento, o que queria e como esperava que fosse. Kiara comentou que isso traz um fôlego de vida, que ele melhorou muito depois que começou a sonhar com o aniversário. O irmão e o pai vão conseguir chegar a tempo para estarem presentes na festa. Ele estava muito feliz, conseguiu passar muito tempo na varanda, fora do leito”.

Nesse caso, a proximidade em relação à data de aniversário despertou, no paciente, animação e empolgação para viver esse momento, ocasionando, inclusive, uma melhora física do seu estado. Como destacado pela profissional Kiara, a possibilidade de sonhar, planejar e desejar algo em relação ao aniversário despertou um fôlego de vida, um sopro de energia e de

alegria no paciente. Acerca dessa relação, complexa e, de certa forma, metafísica, Arantes (2016, p.90) ressalta que “de repente, todo o seu corpo funciona bem. O que é, então, que acontece com a pessoa? Ela funciona bem, também. É a famosa visita da saúde, a melhora antes da morte, a bela força da última chama da vela”. A melhora da morte traz vida e saúde antes do momento derradeiro, possibilitando a vivência de experiências transformadoras e reconfortantes.

Dotada da compreensão acerca da importância desses momentos, a equipe mobilizou um grande investimento para organizar a festa de aniversário do Pipa. “A equipe, tanto a da enfermaria como a do voluntariado, estava muito mobilizada e empenhada na organização da festa. A festa foi organizada no térreo do CPC. Esta foi uma doação de voluntários da APP e tinha como o tema os “Vingadores”. Estava muito bem organizada, com decoração, personagens, lembrancinhas, comidas e animadores. A chegada do paciente no local da festa foi muito emocionante. Ele chorou bastante ao ver o pai e o irmão. Abraçou-se a eles e todos choraram muito, inclusive a equipe. Pipa estava contemplativo em relação a tudo que continha na festa, mas estava sempre atento ao pai. Ele ganhou muitos presentes da equipe e tirou muitas fotos com a mesma. Alguns profissionais não estavam na escala de trabalho do dia, mas foram prestigiar esse momento”.

De certa forma, essas vivências também exercem a função de despedida da equipe para com o paciente, o encerramento, o fechamento da relação construída entre eles. “Mulan destacou: ‘Foi tão lindo. Lá no terceiro antes dele descer, a equipe toda estava tão emocionada, todo mundo chorou, parecia que era a despedida dele’”.

Alguns outros desejos dos pacientes que queriam comemorar seus aniversários despertaram reflexões acerca da dimensão da autoestima e da esperança presentes no processo de finitude. “Caso da Boneca de Pano: ela está sem infecção, mas está com dor abdominal sendo tratada em casa. Ela fará aniversário e vai completar 18 anos. Mulan: ‘Ela quer ter 15 dias de descanso para poder fazer uma festa de aniversário lá no interior. Eu liberei a Quimioterapia, essa semana tem, mas semana que vem não tem, ela quer que eu confirme que ela está bem para poder ir’”.

Mulan continuou relatando a demanda da paciente: ‘A Boneca de Pano tem o sonho de ganhar uma maleta de maquiagem’. Margarida alegrou-se com a notícia. Moama comentou: ‘A autoestima é o que mais faz recuperar, é fruto de elogio e autocuidado. Tem que aproveitar essa vontade dela. Isso é sinal de vida’. Princesa Jujuba: ‘Ela quer se maquiar, ela se cuida, ela é muito vaidosa’. “A Associação providenciaria a maleta de maquiagem”.

Tal paciente estava vivendo, de acordo com as avaliações da equipe, um processo de negação, pois continuava investindo em terapêuticas curativas que a deixavam mais tempo internada no hospital. A paciente não queria ir para casa e não concebia a ideia de ficar sem quimioterapia, pois depositava muita expectativa de cura no uso dos medicamentos. Com a proximidade do aniversário, porém, a paciente resolveu que gostaria de ficar 15 dias em casa junto com a família. Ela escolheu, no tempo dela, de acordo com as possibilidades dela, estar em casa no seu aniversário; demonstrando uma compreensão bastante apurada de toda a situação e indicando que, nesse momento, suas prioridades haviam sido transformadas.

Ademais, a demonstração do desejo em ganhar uma maleta de maquiagem, mesmo com a deformação de face, indicou a dimensão de um profundo respeito por si mesma e de um investimento em si, na sua vaidade e na sua aparência. Os profissionais compreenderam tal investimento como um sinal de vida e de autocuidado. De certa forma, a paciente substituiu o cuidado através dos medicamentos por um cuidado mais genuíno, vindo de si mesma, a possibilitando estar em contato consigo mesma e com sua família. Essa mudança, porém, não significou a perda da esperança, haja vista que ela não negou a importância da quimioterapia, de modo que ela queria ter a garantia que estava bem para poder ir para casa e tomou uma dose maior na semana anterior para poder passar uma semana sem o medicamento. Escalonando, desta forma, suas prioridades de outra maneira. Arantes (2016) destaca que a esperança alivia a dor nesse momento, não podendo haver algo que destrua essa possibilidade de alívio. Acerca da importância crucial da esperança nos pacientes em finitude, iremos discorrer com mais profundidade posteriormente.

O cuidado dos profissionais em resgatar aspectos de vida nos pacientes se deu também após o óbito, através do cuidado com o corpo.

Enfermeira Florzinha relatou um caso marcante: ‘Quando ele morreu, eu que tive que arrumar o corpo porque a enfermeira que estava de plantão era novata e não sabia, fiz até o eletroencefalograma. Foi o momento mais difícil, mas eu aguentei. Arrumei ele todo e até passei gel no cabelo dele, já que ele gostava tanto. Arrumei ele como ele gostava de ser, de estar. Foi um momento muito emocionante’.

Nesse caso, o cuidado com o corpo foi dotado de muito zelo e preocupação. Não era um corpo despersonalizado, apenas biológico, sem subjetividade; pois, ao respeitar a memória do morto através do resgate dos gostos e das características do paciente, a profissional o personalizou, o individualizou, o chamou pelo nome, marcou a relação com a alteridade do outro no momento derradeiro e para além dele. De acordo com Lévinas (1997), estamos implicados na morte do outro e somos, por ela, responsáveis; não podendo deixar o outro

sozinho nesse momento. Na atuação descrita acima, além de acompanhar o outro em sua morte, a profissional cuidou dele para além desta, implicada em uma resposta que sinaliza inequivocamente o ser pelo e para o outro, independente do sofrimento provocado por esse contato.