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3. MATERYAL VE YÖNTEM

3.1 Materyal

3.1.4 Benzetim-4 malzeme özellikleri

A pesquisa foi realizada através da inserção no cotidiano das equipes em questão, a fim de que se pudesse haver uma maior interação da pesquisadora com os sujeitos da pesquisa

e uma maior proximidade com as questões relativas às vivências cotidianas. O estudo no cotidiano como corpus de pesquisa é o estudo da vida vivida, segundo Spink (2016), e o estudo da rotina, segundo Stecanela (2009). A proposta objetivou apreender o que se passa no presente, naquilo que se repete e que, portanto, compõe uma rotina, um modo particular de operar e de se relacionar com os fenômenos, que apontam para as configurações sociais mais amplas nas quais os sujeitos estão inseridos.

Spink (2007) destaca a diferença entre pesquisar o cotidiano e pesquisar no cotidiano. Para a autora, a proposta de investigar o cotidiano demarca a discussão acerca do distanciamento do pesquisador em relação ao campo, pregando pressupostos de neutralidade. Já a perspectiva de investigar no cotidiano, permite levar em consideração a interação do pesquisador com o campo, haja vista que “quando pesquisamos no cotidiano, nos posicionamos como membros competentes desses lugares e territórios, que compartilham códigos e expectativas” (SPINK, 2007, p.12) e podemos produzir uma compreensão compartilhada do fenômeno. Nas palavras de Stecanela (2009, p.73): “a dicotomia ‘observador/campo’ dá lugar à relação ‘observador-no-campo’”, compartilhando sentidos e vivências com os sujeitos da pesquisa. Aqui as próprias oposições entre observador-campo e sujeito-objeto são anuladas, permitindo sua inter-relação.

De acordo com Stecanela (2009), a pesquisa no cotidiano permite a abertura ao novo e ao inusitado através do contato com o que o que se mostra, com o que está presente em estado bruto e que deve ser explorado, escavado e lapidado. Além disso, permite a percepção do que está para além do dito, além do discurso organizado e racional e possibilita o contato com a via da sensibilidade, das afetações, dos desejos e dos traumas irrompidos pelo contato com o outro - no caso desta pesquisa, com o outro que cuida de quem está morrendo. Ainda segundo a mesma autora, a atenção do pesquisador deve estar voltada para os detalhes do cotidiano na tentativa de abarcar o fenômeno, já que:

[...] a exaltação dos detalhes, dos pormenores pode, eventualmente, ser reveladora das estruturas sociais, permitindo recompor o todo através das partes, pois, através do pequeno, do ínfimo, da dobra, da sobra ou da sombra, é possível ter uma ideia de como as práticas sociais cotidianas são produtoras da estrutura social e como essa última acaba por influenciar as primeiras (STECANELA, 2009, p.69).

A pesquisa de campo foi realizada do dia 17 de julho ao dia 01 de novembro de 2017, contabilizando 30 dias de visita ao Hospital, com média de três dias por semana e média de 20 horas semanais de acompanhamento. As idas ao Hospital não seguiram dias fixos e

variaram de acordo com a disponibilidade das equipes e dos serviços, e com demanda da pesquisadora.

Através da pesquisa no cotidiano, o pesquisador mantém-se aberto e alerta a tudo o que acontece, utilizando-se da descrição detalhada no diário de campo como um importante instrumento para construção do corpus da pesquisa. Cardona, Cordeiro e Brasilino (2014) explicam que, costumeiramente, os registros iniciais no diário de campo são feitos de maneira mais aleatória e desorganizada, mas, com o avançar da pesquisa e a apropriação e familiarização do campo de coleta pelo pesquisador, as informações tornam-se mais organizadas e focalizadas nos objetivos da pesquisa, facilitando a compreensão do material descrito. Os autores ainda destacam que nos diários devem ser registrados os acontecimentos do cenário de pesquisa e as impressões do pesquisador acerca desses fenômenos.

Deste modo, o diário de campo compõe o material de análise desta pesquisa, dando maior propriedade ao tema de estudo, e será trazido no decorrer deste escrito. Esta compilação trata-se dos registros das observações e reflexões sobre o cotidiano dos serviços, as falas dos sujeitos e as impressões da pesquisadora.

Além da pesquisa no cotidiano, tinha-se o objetivo inicial de realizar grupos focais com os profissionais das equipes acompanhadas. O principal objetivo destes grupos é reunir informações detalhadas sobre um tema específico a partir de encontros grupais com os participantes selecionados, buscando colher informações que possam proporcionar a compreensão de percepções, crenças, atitudes sobre um tema, produtos ou serviços (TRAD, 2009). Segundo Brigagão et al (2014, p.73), a obtenção do corpus da pesquisa através da formação de grupos se dá com foco “nas interações entre os/as participantes, no modo como se posicionam e são posicionados/as ao longo do encontro grupal, nas relações de poder que estabelecem entre si, nos repertórios linguísticos que circulam e nas práticas discursivas construídas nesse contexto”. Deste modo, nos grupos focais, os indivíduos interagem no encontro e assumem posições, compartilham experiências, negociam e coproduzem sentidos e significados para o fenômeno em questão.

Foram encontradas, porém, importantes dificuldades para a realização desses encontros, tais como: indisponibilidade de tempo dos profissionais, não existência de local adequado para a realização do encontro, grande diversidade nas agendas das equipes que impossibilitou a pactuação de um dia em comum no qual todos pudessem participar do momento e intenso contato com as questões coletivas a partir do acompanhamento do cotidiano.

Decorrente das dificuldades encontradas para a formação dos grupos focais, optou- se por modificar a estratégia inicial e foram realizadas entrevistas semiestruturadas com os

profissionais dos serviços em questão. A necessidade de realização dessas entrevistas surgiu a partir do intento de compreender de que modo os trabalhadores de saúde, diretamente envolvidos com os processos de cuidados analisados nesta pesquisa, lidam com as vivências desse cuidado. Tal estratégia facilitou uma compreensão mais aprofundada sobre o fenômeno estudado, além de sintetizar algumas questões constantemente trazidas no cotidiano.

Foram realizadas, então, 10 entrevistas com profissionais que compunham as equipes de Cuidados Paliativos e das Unidades de Terapia Intensiva, estas seguiram um roteiro de perguntas (Apêndice I) e foram autorizadas de acordo com a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice II). É mister ressaltar, porém, que o roteiro foi apenas um norteador da entrevista e que as perguntas variaram de acordo com as demandas do momento.

Breakwell et al (2010) aponta que a entrevista é um instrumento de pesquisa bastante adaptativo, podendo ser utilizado com outros processos de obtenção de dados e não se restringindo a abordagens, orientações epistemológicas ou teorias. O autor destaca que as entrevistas são variáveis no que tange à forma e função, e dependendo da estruturação (estruturada, não-estruturada e semiestruturada) originam dados variados, além de haver a interação direta entre pesquisador e pesquisado.

Segundo Minayo (2010, p.261), a entrevista semiestruturada “consiste na combinação de perguntas fechadas e abertas, em que o entrevistador tem a possibilidade de discorrer sobre o tema em questão sem se prender à indagação formulada”. A entrevista facilita o diálogo entre entrevistador e entrevistado, proporcionando uma maior interação empática entre eles, e possibilita a certeza de que as hipóteses e pressupostos da pesquisa serão cobertos no diálogo.

As duas estratégias aqui detalhadas para obtenção do corpus corroboram com a proposta para análise do material coletado: a Desconstrução em Derrida. Esta se mostra pouco trabalhada nas pesquisas em saúde, tornando-se um importante e impulsionador desafio aos pesquisadores, e será detalhada no tópico a seguir.