• Sonuç bulunamadı

III. BÖLÜM

5.3. Öneriler

5.3.2. Gelecek araĢtırmalara yönelik öneriler

Alguns cientistas apresentam argumentos contra a conclusão principal do IPCC de que o aumento na concentração dos gases de efeito estufa levou ao aumento da temperatura média. Esta conclusão resultou especialmente das simulações realizadas pelos modelos computacionais. Os que discordam desses resultados argumentam que o clima envolve muitas variáveis e os modelos são limitados, ou seja, incapazes de abranger a totalidade de tais variáveis. Também argumentam que há causas naturais que provocam mudanças do clima, como os movimentos da Terra e as atividades solares, para contestar a componente antropogênica como responsável pelo aquecimento global. Outras críticas estão relacionadas ao investimento no combate às mudanças climáticas, quando há outros problemas de maior urgência para se resolver.

O cientista canadense e cético sobre a influência humana no aquecimento global Tim Patterson afirmou à revista Veja, na edição 2006, de 02/04/20075, que todo o dinheiro desperdiçado com Quioto poderia ser usado para fornecer água potável à África. O professor de ciência ambiental Chris de Freitas, da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, afirmou à revista Veja, edição 2031 de 24/10/20076, que ser cético não significava ser contrário ao ambiente. Seria “zelar pelo ambientalismo de forma coerente”.

No Brasil, o pesquisador Luiz Carlos Baldicero Molion, da Universidade Federal de Alagoas, defende que a variabilidade natural do clima não permite afirmar que o aquecimento seja decorrente da intensificação do efeito estufa causada por atividades humanas, ou mesmo que a tendência de aquecimento persistirá nas próximas décadas. Segundo ele, a redução do albedo planetário e a atividade solar mais intensa entre 1925 e 1946 provocaram o aumento da temperatura dos oceanos. Com isso, a absorção de CO2 pelos oceanos pode ter

5 http://veja.abril.com.br/020507/vejaessa.shtml

6

sido reduzida e mais CO2 ter ficado armazenado na atmosfera. Assim, teria ocorrido um aumento desse gás como resposta ao aumento de temperatura dos oceanos e do ar subjacente. Também destaca que o clima do planeta resulta de tudo o que ocorre no Universo. Outros argumentos e estudos são utilizados pelo pesquisador para contestar afirmações sobre o aquecimento da Terra.

O bom senso, defende Molion, sugere adotar “políticas de conservação ambiental bem elaboradas e mudanças nos hábitos de consumo para que as gerações futuras possam usufruir dos recursos naturais disponíveis atualmente”. A conservação ambiental é necessária e independe de mudanças climáticas, de acordo com ele (Molion, 2008).

Em 2007, quando o IPCC divulgou seu relatório de maior alcance mundial, um dos cientistas do chamado grupo cético, Bjorn Lomborg, da Copenhagen Business School, afirmou, também à revista Veja, edição 2031, de 24/10/20077: “Num planeta onde 15 milhões de pessoas morrem todo ano por causa de doenças infecciosas que poderiam ser evitadas, e no qual só se fala em efeito estufa, me parece que estamos invertendo nossas prioridades”. Lomborg defendia que o custo de combate ao aquecimento era elevado demais para o benefício de se ter um mundo ligeiramente menos quente no futuro e seguia essa linha de pensamento em suas palestras e entrevistas.

Em 2010, Lomborg, que chegou a ser chamado de ‘Hitler do Clima’, afirmou ao jornal inglês The Guardian, na edição 30/08/20108, que irá lutar contra a mudança climática. Após rever métodos para combater a mudança climática em conjunto com um grupo de economistas, ele sugere que haja investimentos em energias limpas como eólica, marés, solar e nuclear. O cientista defende investimentos de US$100 bilhões por ano em métodos de redução do aquecimento global. Uma reviravolta em seu posicionamento frente à ameaça climática.

Em novembro de 2009, a postura de cientistas participantes do IPCC foi questionada após o vazamento de e-mails trocados entre pesquisadores do centro de pesquisas climáticas da Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Os e-mails mostravam relutância dos pesquisadores em compartilhar dados climáticos e sugeria a exclusão de papers que contrariavam conclusões de

7

http://veja.abril.com.br/241007/p_086.shtml

8

trabalhos utilizados no AR4. Tal postura foi atacada e utilizada como argumento para críticas às conclusões do IPCC, especialmente pelos céticos do clima. Chamado de Climagate, discutiu-se o episódio, que foi investigado e inocentou os cientistas envolvidos no que diz respeito à desonestidade nos dados.

Divulgado às vésperas da COP-15, não se pôde precisar qual foi o impacto de tais revelações nos resultados de Copenhague. Para Ben Stewart, diretor de mídia do Greenpeace em entrevista ao jornal britânico The Guardian9, não se pode dizer que não houve influência do episódio nos resultados da conferência. O caminho teria ficado mais longo e o fardo mais pesado. Segundo ele, a mídia criou uma simetria entre os diferentes lados do debate, contribuindo para confundir o público.

De acordo com Michael Jacobs, conselheiro do primeiro ministro britânico Gordon Brown e pesquisador adjunto na London School of Economics, na mesma reportagem, o episódio teve menos impacto do que algumas pessoas esperavam. Poderiam ter sido feitos mais questionamentos por qualquer governo durante a COP-15, mas isso não aconteceu. Houve tentativas de usar o episódio para sustentar posições contrárias a acordos globais para conter emissões, por parte da Arábia Saudita. Para ele, a descrença climática aumentou.

Bob Ward, diretor de comunicação do Instituto de Pesquisas Grantham sobre Mudanças Climáticas e Meio Ambiente, afirmou ao jornal britânico, na mesma reportagem, que o episódio "não afetou o processo político de forma direta”, pois os governos têm conselheiros científicos que sabem que se trata de “tempestade em copo de água”. Sobre o impacto na opinião pública, afirmou não ter percebido nenhuma evidência de que houve alguma grande mudança. Embora destaque que pode haver um efeito indireto, de um público confuso que sinta menor necessidade de pressionar em prol de políticas para cortar emissões.

Ao revisar os processos e procedimentos do IPCC, o IAC, organização científica mundial, recomendou10 que o painel do clima deveria ser tão transparente quanto possível na forma como trabalha, como seleciona pessoas para participar de seus relatórios e suas escolhas por informações científicas.

9 http://www.guardian.co.uk/environment/cif-green/2010/jul/08/hacked-climate-science-emails-climate- change 10 http://reviewipcc.interacademycouncil.net/ReportNewsRelease.html

Para o próximo relatório do IPCC (AR5), o presidente do IPCC Rajendra Pauchauri11 afirmou em carta aos 831 cientistas participantes que o trabalho impõe uma grande responsabilidade e é preciso certificar que erros de qualquer tipo sejam completamente eliminados do AR5. Conclamou os participantes a trabalhar com um nível de rigor talvez não antes visto nos relatórios anteriores. Já foram feitas correções de afirmações do relatório anterior, como por exemplo erros de revisão e cálculo sobre o derretimento das geleiras do Himalaia em 2035. Outros erros em cálculos e números foram detectados no mesmo capítulo e informados por cientistas participantes do próprio IPCC.

De acordo com o jornal The Guardian, Pauchauri também aconselhou que os pesquisadores mantenham distância da mídia e que perguntas sobre o grupo de trabalho dos pesquisadores sejam direcionados aos que presidem cada grupo. Questões gerais sobre o IPCC devem ser encaminhadas ao secretariado do órgão, de acordo com orientação do dirigente. Interpretações das afirmações feitas por Pauchauri dão conta que os pesquisadores são livres para falar com jornalistas sobre seu próprio trabalho, mas que deveriam evitar falar sobre o procedimento do IPCC, que é bastante complexo. Para Ben Kirtman, da área de modelagens climáticas, na Universidade de Miami, EUA, e fonte também ouvida na reportagem do jornal britânico, Pauchauri deveria simplesmente ter lembrado aos pesquisadores que eles não representam formalmente o IPCC.