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As normas internacionais abordaram a contabilização dos títulos, inicialmente, no pronunciamento IAS 25 - Accounting for Investments, publicado em 1985. A norma foi reformulada em 1994, porém, não foram feitas mudanças substanciais no texto original. Foram alterados alguns termos para atualizar a terminologia e as referências cruzadas foram corrigidas.

O IAS 25 tratava da apresentação dos investimentos nas demonstrações contábeis e respectivas exigências de divulgação. Segundo a norma, investimento

é um ativo possuído por uma empresa, para fins de acréscimo patrimonial, para fins de valorização ou para outros benefícios do investidor, tais como os obtidos de relacionamento comercial entre empresas.

Essa norma estabelecia que os investimentos deveriam ser segregados em correntes e a longo prazo. Os investimentos correntes são aqueles que, por sua natureza, são prontamente realizáveis e destinam-se a serem mantidos por prazo não superior a um ano. Os investimentos com prazos superiores a um ano são classificados como de longo prazo.

A norma estabelece duas formas para a contabilização dos investimentos correntes, podendo ser apresentados no balanço pelo valor de mercado ou pelo menor valor entre o custo e mercado. Para os investimentos contabilizados a valor de mercado, a empresa deve definir uma política para contabilização dos aumentos e diminuições no valor, podendo ser incluídos no resultado ou serem contabilizados no patrimônio líquido como reserva de reavaliação. Os investimentos contabilizados pelo menor valor entre o custo e o mercado atendem ao princípio do conservadorismo, ao registrar um valor prudente no balanço e não incluir os ganhos não realizados na demonstração de resultados.

Os investimentos classificados como ativos de longo prazo devem ser registrados pelo custo, por importância reavaliada ou ainda, no caso de títulos patrimoniais negociáveis, pelo menor valor entre o custo e o mercado, determinado de forma global pela carteira. Se forem utilizadas importâncias reavaliadas, deve-se definir uma política para a freqüência de reavaliações a ser adotada. Caso ocorra um declínio no valor do título que não seja temporário, o valor contábil deve ser reduzido.

Em 1989, o IASC iniciou um projeto, em conjunto com o Instituto Canadense de Contadores Públicos, para desenvolver uma norma que tratasse do reconhecimento, mensuração e divulgação dos instrumentos financeiros de forma abrangente. Como parte desse projeto, o IASC emitiu a minuta E40, para comentários até setembro de 1991. Com base nas inúmeras respostas recebidas foi elaborada uma nova minuta (E48), emitida em janeiro de 1994.

Devido às críticas à minuta E48, o IASC decidiu dividir o projeto em duas fases, iniciando com a divulgação e apresentação dos instrumentos financeiros,

nas demonstrações contábeis. A primeira fase foi concluída em março de 1995, com a emissão do IAS 32 Financial Instruments: Disclosure and Presentation, que trata da apresentação e divulgação de informações sobre todos os tipos de instrumentos financeiros. A segunda fase do projeto estava relacionada ao reconhecimento, mensuração e contabilização de instrumentos financeiros.

Como parte da segunda fase do projeto, o IASC publicou, em março de 1997, uma minuta para discussão: Contabilização de Ativos e Passivos Financeiros. Os comentários à minuta levam o IASC a concluir que existem muitas controvérsias e complexidades para a implementação de uma norma sobre instrumentos financeiros. A aplicação do valor justo em algumas indústrias e alguns tipos de ativos e passivos financeiros ainda apresentam dificuldades, embora exista alguma aceitação de que a mensuração de todos os ativos e passivos financeiros pelo valor justo é necessária para se obter consistência e relevância nas demonstrações contábeis.

Em junho de 1998, o IASC emitiu uma nova minuta para exposição, a E62, no qual foi baseado o pronunciamento em vigor, o IAS 39 Financial

Instruments: Recognition and Measurement, que foi emitido em 1999. O IAS 39

substituiu o IAS 25 e estabeleceu os princípios para reconhecimento, mensuração e divulgação de informações sobre ativos e passivos financeiros. Essa foi a primeira norma do IASB que tratou de forma abrangente a contabilização dos instrumentos financeiros, muito embora alguns assuntos já tivessem sido tratados em outras normas.

O IAS 39 foi objeto de inúmeras críticas, em especial de representantes da indústria bancária. O Comitê da Basiléia (Basel Committee on Bank

Supervision) elaborou um relatório contendo uma revisão das normas

internacionais de contabilidade. Para o Comitê da Basiléia (2000, p. 14), sob o IAS 39, a maioria dos passivos financeiros serão reportados pelo custo. Reportar a maioria dos passivos pelo custo e introduzir uma maior contabilização a valor justo somente do lado do ativo, irá provavelmente aumentar o risco de volatilidade nos lucros e no patrimônio liquido, que pode não refletir as práticas de gerenciamento de risco dos bancos, por exemplo, no caso de posições ativas e passivas administradas em conjunto.

Adicionalmente, o Comitê ressalta que surgem dúvidas sobre a mensuração a valor justo, particularmente com ativos (e passivos) não negociados de forma ativa, que anteriormente eram mantidos pelo custo. Na ausência de mercados ativos, existirão dificuldades de se obterem ou calcularem valores justos confiáveis – e mesmo quando valores justos aparentemente sejam estimáveis, em alguns países a confiabilidade disso será duvidosa.

O IAS 39 sofreu algumas revisões, em 2000, para aperfeiçoar parágrafos específicos e assegurar que o pronunciamento seja aplicado de forma consistente. Em 2003, o IASB efetua nova revisão do IAS 39, com o objetivo de melhorar o pronunciamento. Finalmente, em junho de 2005, o IASB emite uma emenda ao IAS 39 para restringir a utilização da opção de designar qualquer ativo ou passivo financeiro para ser mensurado a valor justo, por via dos resultados.