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É bastante comum o processo executivo fiscal ficar paralisado em razão do próprio mecanismo do Judiciário, uma vez que a Fazenda Pública ajuíza esse, mas, na grande maioria dos casos, não tem condições de exercer controle para ficar diligenciando em um único processo, em função dos milhares feitos dos quais é parte e que tramitam no Judiciário, bem como em razão do número reduzido de procuradores existentes.

Então, temos aqui duas situações distintas: a paralisação do feito ocasionada pela Fazenda Pública, e a paralisação do feito em função da demora do próprio poder Judiciário.

Comentemos, primeiramente, os aspectos acerca da paralisação do feito em função da demora do próprio mecanismo do Poder Judiciário.

Como já dito, a Fazenda Pública ajuíza os executivos fiscais, todavia, fica no aguardo de deferimento da exordial e determinação de citação e demais atos do processo pelo Magistrado, bem como do cumprimento dos expedientes relativos ao processo por parte da estrutura do Poder Judiciário.

Importante consignarmos que a Fazenda Pública deve ser intimada pessoalmente de todos os atos do feito executivo fiscal, consoante dicção do art. 25, da Lei nº 6.830/1980: “Na execução fiscal, qualquer intimação ao representante judicial da Fazenda Pública será feita pessoalmente.”.

É óbvio que, se a própria estrutura administrativa do Judiciário acarreta a paralisação de um determinado processo, incabível se torna a responsabilização e conseqüente penalização da Fazenda Pública, que demandou o processo regularmente, atendendo a todos os requisitos processuais impostos por lei, inclusive, tendo procedido ao ajuizamento antes de decorrido o prazo prescricional do objeto para qual se busca tutela jurisdicional.

Logo, não assiste razão para o reconhecimento da prescrição intercorrente em tal circunstância. Inclusive, é condição sine qua non para o reconhecimento da prescrição intercorrente, que a paralisação do processo se dê em virtude da Fazenda Pública exeqüente não praticar ato processual que lhe competia, caracterizando aí a sua inércia, desde que regularmente intimada, além, é óbvio, do transcurso do prazo prescricional.

Essencial conferirmos algumas decisões dos nossos tribunais a respeito do tema em comento:

PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - CITAÇÃO - ANDAMENTO DO PROCESSO - SERVIÇO JUDICIARIO - SUMULAS 78 DO TFR E 106 DO STJ. Não se consuma a prescrição intercorrente pela demora da citação por motivo inerente ao mecanismo da justiça. Aplicação da Súmula 106 do STJ.

Recurso improvido. (grifo nosso) 5

5 Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 67.136 – PR. Rel. Min. Garcia Vieira. Órgão Julgador: Primeira Turma. Julg.: 02.08.1995. DJ de 04.09.1995, p. 27811.

PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. AUTOS DESAPARECIDOS POR VÁRIOS ANOS. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE: INEXISTÊNCIA, POIS O FISCO NÃO PODE SER PREJUDICADO POR FALHA DA JUSTIÇA. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 106 DESTA CORTE E 78 DO EXTINTO TFR. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. (grifo nosso) 6

TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. ICMS. IMPULSÃO PROCESSUAL. ALEGAÇÃO DE INÉRCIA DA PARTE CREDORA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO OCORRÊNCIA. PARALISAÇÃO DO PROCESSO NÃO IMPUTÁVEL AO CREDOR. PRECEDENTES DO STJ E DO STF.

I - Em sede de execução fiscal, o mero transcurso do tempo, por mais de cinco anos, não é causa suficiente para deflagrar a prescrição intercorrente, se para à paralisação do processo de execução não concorre o credor com culpa. Assim, se a estagnação do feito decorre da suspensão da execução determinada pelo próprio juiz em face do ajuizamento de anulatórias de débito fiscal a serem julgadas, em conjunto, com os embargos do devedor opostos, em razão da conexão havida entre elas, não é possível reconhecer a prescrição intercorrente, ainda que transcorrido o qüinqüídio legal.

II - Recurso Especial provido. (grifo nosso) 7

TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. PARALISAÇÃO DO PROCESSO NÃO IMPUTÁVEL À FAZENDA PÚBLICA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO OCORRÊNCIA.

1. O mero transcurso de prazo não é causa bastante para que seja reconhecida a prescrição intercorrente, se a culpa pela paralisação do processo executivo não pode ser imputada ao credor exeqüente.

2. Se a suspensão do processo decorre de determinação expressa do Juízo processante em face da oposição de embargos do devedor, não se pode reconhecer a prescrição intercorrente, ainda que transcorrido o lustro prescricional.

3. Recurso especial provido. (grifo nosso) 8

RECURSO ESPECIAL. PRESCRIÇÃO. DEMORA NA CITAÇÃO. CULPA DO EXEQÜENTE. INEXISTÊNCIA.

- Proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, a demora na citação, por motivos alheios à vontade do autor, não justifica o acolhimento da argüição de prescrição ou decadência. (Súmula 106) (grifo nosso) 9

Interessante comentar que alguns dos acórdãos citados, ao se referirem à questão da paralisação ocasionada pelo próprio Judiciário, aduzem até mesmo a impossibilidade de reconhecer a própria prescrição, dado que antes mesmo de promovida a citação do executado, tendo este entendimento sido, inclusive, objeto da Súmula nº 106, do Superior Tribunal de Justiça, cujo teor é o seguinte: “Proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, a demora na citação, por motivos inerentes ao mecanismo da Justiça, não justifica o acolhimento da argüição de prescrição ou decadência.”

6 Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 134.470 – ES. Rel. Min. Adhemar Maciel. Órgão Julgador: Segunda Turma. Julg.: 20.10.1998. DJ de 07.12.1998, p. 69.

7 Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 242.838 – PR. Rel. Min. Nancy Andrighi. Órgão Julgador: Segunda Turma. Julg.: 15.08.2000. DJ de 11.09.2000, p. 245.

8 Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 573.769 – MT. Rel. Min. Castro Meira. Órgão Julgador: Segunda Turma. Julg.: 20.04.2004. DJ de 28.06.2004, p. 282.

9 Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 827.948 – SP. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros. Órgão Julgador: Terceira Turma. Julg.: 21.11.2006. DJ de 04.12.2006, p. 214.

Nesta perspectiva, observemos que o Código Tributário Nacional, antes da alteração promovida no seu art. 174, parágrafo único, inc. I, pela Lei Complementar 118/2005, dispunha que a prescrição se interrompia “pela citação pessoal feita ao devedor”. Razão do cabimento à referência a esta Súmula.

Como se sabe, atualmente, conforme a referida alteração, a prescrição da ação para cobrança do débito tributário é interrompida “pelo despacho do juiz que ordenar a citação em

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