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1. BÖLÜM

4.3. GALATASARAY ÜNİVERSİTESİ’NİN KURULMASINDAKİ KATKILARI

poder existir uma informação realmente livre e sem constrangimentos de uma censura  institucional. Se essa autorregulação não estiver a funcionar, é isso que mais tarde ou  mais cedo vai justificar uma censura qualquer institucional. (…) É sempre complicado  estabelecer os limites. O limite tem de estar dentro da cabeça de cada um (…) tem de  haver consequências com a autorregulação e muitas vezes não as têm”.   Por sua vez, João Palmeiro refere que “no sector específico dos conteúdos não  existe autorregulação (…)“. Acrescentando ainda que “em termos estritamente atuais  em  Portugal,  o  sinal  de  autorregulação  que  existe  é  um  sinal  de  autorregulação  empresarial, mesmo assim em grande perda de velocidade que são os Provedores do  Leitor…”.  

Neste sentido, para Jacinto Godinho, “a regulação do jornalismo devia ser feita  disto,  de  provedores,  de  conselhos  deontológicos,  de  códigos  de  conduta,  de  conselhos  de  redação e  de  seniores  que  desapareceram  (…)  “.  Ou  seja,  “o  jornalista  não  pode  ser  cidadão”.  Godinho  reforça  a  importância  de  definir  o  que  é  o  ato  jornalístico e distingui‐lo da opinião jornalística: “temos de passar a mensagem do que  é jornalismo e do que não é. A opinião devia estar afastada da prática jornalística, o  que não significa que o comentário esteja, são coisas diferentes. O exercício da crítica  não é incompatível com o exercício da isenção e da imparcialidade. Nem o comentário.  Embora neste país se confunda muito, opinião com comentário. A isenção é identificar  o equilíbrio entre as partes. O exercício da atividade jornalística já é autorregulação.  Fornecer dados não contaminados (…) ”. 

90  No que diz respeito ao Sindicato dos Jornalistas, Carlos Camponez considera que  “o mecanismo verdadeiramente de autorregulação que nós temos em Portugal é o  Sindicato.  É  uma  coisa  autónoma.  O  Conselho  Deontológico  do  SJ  tem  sido  uma  forma de por sócios fora do Sindicato, as pessoas chateiam‐se com os pareceres e  saem.  Isso  mostra  alguma  seriedade  porque  mesmo  apesar  disso  o  CD  não  tem  olhado para essa questão”.   Mais cético se mostra Carneiro Jacinto para quem “tal como estamos atualmente,  não adianta grande coisa o que o CD possa fazer ou não, raramente se pronuncia seja  sobre o que for, e havia matéria quase todos os dias, e isso leva‐nos para um outro  ponto que é importante e que é assim: a deontologia não tem que ser regulada pelo  cidadão, ou cidadãos que se sentem ofendidos por coisas que leem, deve haver uma  iniciativa própria da parte do SJ, do CD, da ERC, de eles irem atrás do que se passa e  dizerem  que  não  pode  ser  e  explicar,  e  porquê,  quais  são  os  limites,  e  por  aí  fora,  porque para isso há os tribunais e os tribunais julgam questões que possam violar a Lei  de  Imprensa,  mas  a  experiência  diz‐nos  que,  rarissimamente  o  jornalista  perde  uma  causa e às vezes devia perder”. Com efeito, Godinho defende que em termos ideais, “o  CD  deveria  ser  a  cúpula  de  uma  série  de  outros  organismos,  por  exemplo  dos  Conselhos  de  Redação.  Seria  o  Conselho  ideal  para  dar  uma  orientação  a  todos  os  jornalistas”. 

O jornalista refere também que “muitos jornalistas vêm para a profissão sem saber  quais são os seus deveres e como é que ela deve funcionar sob a forma da classe, e  muitos  não  entendem  o  funcionamento  do  Conselho  de  Redação  (CR)”.  Para  o  entrevistado, apesar deste mecanismo de autorregulação ser “uma fórmula híbrida”,  considera “que estão bem‐feitos”. Frisando que “não tem havido a capacidade para  transformar os CR em órgãos de autorregulação dentro de uma redação”. Considera  ainda que, “falta um mecanismo que eu penso que a Lei prevê que são os códigos de  conduta, ou seja, penso que o Código Deontológico e, especialmente, os seus artigos  são uma malha muito vasta, ou seja, muito vaga. Como é que isso se pode resolver?  Acho que os códigos de conduta deveriam ser os auxiliares de ligação entre o CR e o  Código Deontológico funcionando  ali como algo que seria  a base de funcionamento 

91  dos  CR,  e  cada  um  deles  teria  que  gerir  e  adaptar‐se  às  mudanças  dos  tempos,  podendo colocar‐se também a questão das sanções a aplicar ”. 

Quanto ao papel da figura do Provedor, para Godinho representa “um mediador,  que  faz  uma  mediação  interessante  (…)  ”.  Já  Viriato  Teles  afirma  que,  apesar  da  importância  que  representa  o  papel  do  Provedor  em  sede  de  autorregulação,  “nos  últimos anos tem‐se verificado uma tendência decrescente do número de queixas de  contacto dos ouvintes e telespectadores que obviamente pode ter a ver com o estilo  particular de cada Provedor, mas também terá a ver com aspetos mais objetivos, que  serão,  como  por  exemplo,  as  alterações  que  os  programas  do  Provedor  têm,  atualmente  à  tarde,  e  que  geram  pouca  visibilidade  (…)  ”.  Por  outro  lado,  esclarece  Teles  que,  “a  relação  dos  provedores  com  os  profissionais  nem  sempre  tem  sido  pacífica.  O  Provedor  para  ser  bom  Provedor,  muitas  vezes  tem  que  ter  atitudes  incómodas e desagradáveis para os amigos, e para os seus colegas, é a única maneira  de ser um Provedor a sério”. 

Quisemos  ainda  saber  como  algumas  destas  individualidades  veem  a  autorregulação como uma solução para uma comunicação mais responsável por parte  dos  jornalistas  e,  neste  sentido,  quais  são  as  suas  prespetivas  futuras.  Com  efeito  Carneiro  Jacinto  refere  que,  “vejo‐o  mal  [esse  caminho].  Há  um  cruzamento,  um  conflito de interesses dificilmente dirimível”. A este propósito e para explicar melhor  a sua dúvida de que esse caminho esteja a ser feito, deu como exemplo, “o caso da  jornalista da TVI, Ana Leal, que fez uma grande reportagem: “Verdade Inconveniente”  sobre  os  colégios  privados.  Houve  a  tentativa  do  seu  despedimento  proposto  pela  Judite  de  Sousa,  isto  é  uma  decisão  política  que  não  tem  nada  a  ver  com  o  que  a  jornalista  fez,  a  qual  cumpriu  integralmente  as  questões  deontológicas.  É  um  caso  gravíssimo”.  Ainda  a  este  propósito,  o  entrevistado  salientou  aquilo  que,  em  seu  entender,  se  está  a  passar  com  o  controle  informativo  por  parte  dos  editores  dos  jornais, para o qual, segundo ele, devemos todos tomar consciência: “há outra coisa  em  que  você  tem  que  refletir,  tem  de  fazer  a  sua  análise  do  que  na  sua  opinião,  enquanto cidadã e consumidora de informação, é o mais importante do que viu, ouviu,  ou  leu,  e  ver  depois,  se  isso  corresponde,  ou  não,  ao  que  são  os  destaques  mais  importantes dos jornais, das rádios e das televisões. Aí é que está a grande “nuance”. A 

92  questão deontológica de fundo é essa. Eu como editor e atendendo à situação que o  país vive, o que é que são as preocupações das pessoas, etc., [e verificar que] isso não  foi  manchete  de  nada,  mais,  pelo  que  eu  me  apercebi,  nem  apareceu  na  primeira  página  de  coisa  nenhuma.  Essa  é,  na  minha  opinião,  a  questão  de  fundo  da  deontologia.  Pode  dizer‐me  que  isso  é  uma  orientação  editorial.  Aí  é  que  joga  a  questão política, económica, a questão de quem é o patrão, está ligado a quem, etc.,  quem é que fala com quem (…), e essa é uma coisa muito perigosa para a democracia  porque  se  isto  continua  assim  depois  nós  começamos  a  ser  enganados  sistematicamente,  nós  cidadãos,  por  aquilo  que  vemos,  ouvimos  e  lemos  e  isso  é  brutal”.  

A  finalizar  este  tópico,  relativamente  às  perspetivas  futuras  da  autorregulação,  Mário  Mesquita  é  bastante  claro  e  objetivo  ao  afirmar:  “sou  profundamente  cético  (…) é um milagre que ainda exista autorregulação (…) ”.