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O tipo Causativo e o tipo Estativo se mostraram como os tipos mais bem delimitados, sem muitos casos de fronteira. Mesmo assim vamos comparar alguns casos mais “prototípicos” com os que se afastam um pouco da configuração estabelecida para as construções. Vejamos duas ocorrências classificadas como resultativas com sintagma adjetival.

(188) FSP950308-011: O Rio de Janeiro (ou será o Brasil todo? ) está em guerra e a ordem, pelo jeito, é fazer todos nós prisioneiros... Tipo D – CRSAdj

(189)FSP940807-104: Como exemplo, o relato da existência de uma lista com os nomes dos bicheiros que colaboravam com a guarda pessoal: entre eles, um tal Castor possivelmente, o mesmo Castor de Andrade das listas que, em 1994, continuam a fazer vítimas em palácios fluminenses.

Tipo D – CRSAdj objeto elíptico Os dois casos foram classificados como do tipo causativo e como instanciações da Construção Resultativa com SAdj. No primeiro, temos essa configuração, já no segundo caso um dos argumentos não ocorre. No entanto, o sentido básico da construção “↓ causa Y se tornar Z” permanece. A análise que se faz é que o argumento “paciente” referente a Y não se realiza lexicalmente, mas é identificado pelo contexto. Assim, teríamos uma construção herdada por

Sem .. Foco no paciente/evento (Y) paciente/especificação do evento F: cortar X

FAZER-se <

Sint. V+ se SUJ

subparte da Construção Resultativa com sintagma adjetivo com a configuração mostrada na Figura 27.

Figura 27 – Construção Resultativa – FAZER com Objeto Elíptico Construção Resultativa com FAZER

Construção Resultativa de Objeto Elíptico

Fonte: Elaborada pela autora

Os próximos dois exemplos são da construção resultativa com sintagma preposicionado. Esses casos são inequívocos e instanciações dessa construção puderam ser facilmente identificadas.

(190) FSP940817-003: Não resta dúvida de que para ser coerente com o atual esforço de estabilização o governo deve fazer da meta do equilíbrio orçamentário sua

primeira prioridade. Tipo D CRSprep

(191) FSP950625-164: Estava lançado um dos momentos míticos que fazem do vinho matéria de lendas, fonte de mistérios, de volúpia e de transcendência. como se escreve na abertura de um livro sobre o Romanée-Conti.

Tipo D CRSprep Já em casos com “mal” ou “bem”, a análise teve de ser revista. As ocorrências encontradas foram as seguintes:

(192) FSP941202-104: Ouro: Um pouco de ouro não faz mal.

Tipo D CRBM? (193) FSP940618-005: Um pouco de estoicismo e fé não faria mal a nenhum dos

pretendentes. Tipo B - EF

Sem. X CAUSAR Y TORNAR Z <causador alvo paciente>

FAZER <Os brinquedos felizes as crianças> <O assaltante de refém o padre> Sint. V SUJ OBL/PRED OBJ

SPrep/SAdj

HS

Sem. X CAUSAR Y TORNAR Z <causador alvo paciente > Prag. Y determinado pelo contexto

FAZER O assaltante reféns

Sint. V SUJ OBL/PRED Ø SPrep/SAdj

(194) FSP940603-039: Fariam bem os economistas do círculo próximo a Lula, em estudar mais profundamente o conceito de empresa particularmente a empresa de capital aberto, o meio termo ideal entre as empresas de dono e as empresas estatais.

Tipo B – EF

(195) FSP940719-068: A Fifa fez bem em recomendar aos responsáveis pelas arbitragens que, acima de tudo, não deixassem prevalecer o antifutebol.

Tipo B – EF

O exemplo (192) parece ser uma instanciação da construção proposta, pois tem a mesma configuração sintática e o sentido causativo, mesmo que bastante opaco. Nas ocorrências seguintes, contudo, o sentido causativo não é possível. Na nossa proposta, já havíamos levantado a hipótese de que a combinação FAZER bem/mal seria uma expressão fixa. Parece que essa hipótese se confirma por duas razões:

A primeira é que nos três casos (ex. 193,194 e195) não há como inserir um argumento objeto ou deslocar bem ou mal para depois do complemento de FAZER.

(196) *Um pouco de estoicismo e fé não faria a nenhum dos pretendentes mal. (197) *A Fifa fez em recomendar aos responsáveis pelas arbitragens que, acima de tudo, não deixassem prevalecer o antifutebol bem.

Isso indica que os termos, mesmo aceitando advérbios de intensidade, estão em uma posição fixa em relação a FAZER. A outra razão é que o sentido da combinação não parece ser composicional e sim dado pelo todo e que o sentido causativo só é permitido quando não se tem complemento. Assim, resta-nos tratar o caso de FAZER bem/mal de maneira diferenciada, pois, até nos casos causativos, parece-nos que estamos diante de uma expressão fixa. Novamente, casos como esse corroboram a ideia de que os diversos usos de FAZER se relacionam em termos de construção.

As construções causativas com infinitivo foram as mais frequentes dentre as causativas. A maioria das ocorrências seguiram o padrão da construção proposta. Há, todavia, alguns casos em que o complemento de FAZER não ocorre, mantendo-se o sentido causativo. Comparemos as ocorrências:

(198) FSP950226-081: Talvez até o faça dar algumas boas gargalhadas. Tipo D CCInf

(199) FSP940807-178: Do contrário, não vai conseguir fazer você sair da realidade." Tipo D CCInf

(200) FSP940327-103: «A sauna desintoxica e faz perder calorias, a massagem ativa a circulação e tonifica os músculos. Tipo D – CCInf Objeto elíptico (201) FSP950115-018: Com grande desprendimento, o presidente Fernando Henrique Cardoso fazia saber por seu porta-voz, na segunda-feira passada, que preferia, aos 220 % de aumento dos seus vencimentos, um «reajuste moderado»

Tipo D – CCInf Objeto elíptico

Em todas as ocorrências temos a ideia causativa, mas, nos exemplos (202) e (203), o lugar objeto não está preenchido lexicalmente. Nesses casos, o objeto elíptico refere-se a uma entidade mais geral, mas que é determinado pelo contexto.

No entanto, parece haver uma restrição para que essa construção ocorra: o verbo no infinitivo não poderá atribuir um papel temático de agente ao sujeito que se mescla com o objeto elíptico. Isso ocorre nos dois casos analisados em que temos os verbos “perder” e “saber”.

Embora não tenhamos tido muitas ocorrências desse tipo, é importante dizer que essa construção também pode ser formulada como uma construção herdada por subparte da Construção Causativa com Infinitivo cujo objeto é realizado. Sua representação está na Figura 28.

Figura 28 – Construção Causativa FAZER + infinitivo com objeto elíptico Construção Causativa FAZER + infinitivo

Construção Causativa FAZER + infinitivo com objeto elíptico

Fonte: Elaborada pela autora.

No que diz respeito às construções causativas com subjuntivo, os dados revelaram que são construções bastante rígidas na língua e não houve nenhuma ocorrência com alguma variação em relação à configuração postulada no capítulo 3. Nem sequer algum dado que evocasse o sentido causativo ou com a configuração FAZER que+ subjuntivo (sem a preposição

Sem. CAUSAR evento <agente causador paciente/ >

FAZER infinitivo < >

Sint. V V SUJ OBJ/ SUJ

HS

Sem. CAUSAR evento <agente causador paciente > Prag. Paciente determinado pelo contexto

FAZER infinitivo < >

com), prevista em alguns estudos, como o de Bittencourt (2001), foi encontrado. Esse fato sugere que essa construção seja realmente uma expressão fixa mista, como defende Fulgêncio (2008). Nossa posição, no entanto, é a de manter esses casos junto com os causativos, já que, em termos de construção, o seu significado é de causa. É sempre bom mencionar, apesar de nossa proposta não incluir o estudo de outros verbos além de FAZER, que verbos causativos como mandar e deixar também se integram a essa construção, mas sem a preposição “com”.

(202) O juiz mandou que eu saísse. (203) Mandei que os alunos ficassem. (204) Deixei que o copo caísse.

Vejamos algumas instanciações com FAZER:

(205) FSP941116-127: Por este motivo, Cafeteira apostou no fornecimento de transportes como uma forma de fazer com que as pessoas comparecessem às urnas .

Tipo D – CCSubj (206) FSP940912-056: O excesso de jogos ' inúteis ', campeonatos dispensáveis como a insossa Copa Bandeirantes quando o clássico foi rebaixado à categoria de pelada, em suma, esse calendário obtuso e cruel, fizeram com que os gramados botassem as

suas clorofiladas língua de fora . Tipo D – CCSubj

(207) FSP951027-114: Isso fez com que o país vivesse na pobreza durante muito

tempo. Tipo D – CCSubj

(208) FSP950717-065: Um bombeiro afirmou que o deslocamento de ar gerado por uma das explosões fez com que ele fosse jogado ao solo . Tipo D – CCSubj

Benzer Belgeler