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Güvenlik Sorunlarının Turizm Talebine Etkileri

2.1.1. Güvenlik Kavramı ve Kuramsal Çerçevesi

2.1.1.5. Güvenliğin Turistik Talebe Etkileri

2.1.1.5.4. Güvenlik Sorunlarının Turizm Talebine Etkileri

Como já foi referido anteriormente, a acomodação aqui discutida provém da própria orientação jesuíta. Embora Valignano seja colocado como o “arquiteto” da acomodação, ele não a sistematizou sem que uma boa base estivesse formada previamente. Como já foi colocado, tanto Xavier quanto Torres demonstraram um

336 Pedro Ribadaneira. Prefácio à primeira edição das Constituições da Companhia de Jesus. 1559. In:

LOYOLA, Inacio de, op. cit, p. 20.

337 ZUPANOV, Ines. One Civility but Multiple Religions, Paris, Research Fellow, CNRS, 2003.

338 AGNOLIN, Adone, Religião e Política nos Ritos do Malabar (século XVII): interpretações

diferenciadas da missionação jesuítica na Índia e no Oriente. Clio – série de revista de pesquisa histórica,

S.I., Número 27-1, 2009, p. 234.

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esforço em favor de uma adaptação aos japoneses. Mas essa brecha já havia sido aberta pelo próprio fundador da ordem, Ignácio de Loyola, que falava em “entrar pela porta deles para se sair pela nossa”.340 Loyola, por sua vez, baseou-se nas Escrituras para formular tal frase. A adaptação aos interlocutores para conduzir a Cristo está presente na carta de São Paulo aos Coríntios. O próprio Catecismo Tridentino faz citação desse trecho.341

A acomodação não era, contudo, um processo indiscriminado de aceitação e imitação das características dos povos em processo de evangelização. Ela precisaria ser bem dirigida e os melhores guias para a mesma eram, não por acaso, as duas virtudes fundamentais da formação jesuítica: a obediência e a prudência.

A obediência jesuítica era bastante rigorosa. Nas suas Constituições está colocado que os membros devem “deixar-se guiar e dirigir pela divina Providência, por meio do Superior como se fossem um cadáver que se deixa levar para onde for, e tratar à vontade”.342

Ela possui três níveis: a obediência do ato – que consistia em cumprir a ordem dada; a obediência da vontade – na qual o individual deveria cumprir a ordem como fosse deliberação da sua própria vontade; e por fim a obediência da inteligência – que seria o aniquilamento da vontade e inteligência próprias em favor de uma sintonia perfeita343.

Contudo, a Companhia tinha total noção que nenhum trabalho catequético seria bem realizado somente na base da obediência e disciplina de ferro. Para Eisenberg:

A obediência cega pregada nos Exercícios Espirituais era de pouca utilidade no contexto de rápido desenvolvimento institucional no qual a ordem se via inserida já em 1553. O fervor missionário dos irmãos da ordem – estivessem eles no Oriente, na América ou dispersos pela Europa – dependia de sua crença na virtude de suas próprias decisões e

340 Apud. O‟MALLEY, John W., op. cit. 341 AGNOLIN, Adone, op. cit., (2001), p. 51.

342 Constituições da Companhia de Jesus, VII, cap. 6, §547. In:LOYOLA, Ignácio de (santo), op. cit., p.

174.

343 COSTA, Célio Juvenal. A Racionalidade Jesuítica: civilização e organização. In: VII SIMPÓSIO

INTERNACIONAL PROCESSO CIVILIZADOR, Piracicaba, 2003. Disponível em:

http://www.uel.br/grupo-

estudo/processoscivilizadores/portugues/sitesanais/anais7/Trabalhos/xA%20racionalidade%20jesuitica%

115 da aceitação dos comandos de seus superiores, como se esses fossem o produto de sua própria deliberação.344

Nas mais diferentes missões, os padres e irmãos enfrentaram situações jamais imaginadas até então. Muitas delas foram polêmicas, como vimos até aqui, e não produziam um consenso nem mesmo dentre os membros da Ordem. Tais situações pediam respostas não formuladas nas Constituições ou em qualquer outro documento regrador da Companhia. O próprio padre Polanco afirmara que havia perguntas que “porque aca no se sabe lo particular no puede responder”.345 Assim, deixava-se as respostas para o discernimento e prudência dos missionários.

Daí chegamos ao segundo guia da acomodação: a prudência. Aqui, a longa e sólida formação moral do jesuíta mostrava-se essencial. Isso porque a prudência não significava precaução, mas, muito mais complexo do que isso, significava “julgamento são”.346

A primeira advertência que Cosme de Torres fez ao advogar pela acomodação aos japoneses, ainda nos primeiros anos de sua estadia, foi justamente:

Hão de ser os padres mui prudentes pera se saber acomodar com a gente da terra, a qual cousa hé mui difficultosa. Porque às vezes hé necessário mostrar exteriormente grande severidade e às vezes pôr-sse debaixo de seus pées. E para conhecer isto hé necessário gram prudência.347

O fato de que uma viagem padrão de Lisboa a Nagasaki durava de dois anos a dois anos e meio e o retorno se estendia por mais vinte e dois a vinte e três meses348, exponenciava a importância que a decisão do jesuíta missionário tinha.

Valignano, na sua proposta de acomodação para o Japão, esteve sempre oscilando entre a obediência e a prudência. Como vimos anteriormente, ele foi obrigado a revisar algumas das suas deliberações na segunda visita que fez ao Japão, como lhe fora pedido pelo padre Geral da ordem, Acquaviva. Ao mesmo tempo, também apelou

344 EISENBERG, José. Op. cit, p. 37.

345 POLANCO apud LONDOÑO, Fernando Torres. Op. cit., p. 28. 346O‟MALLEY, John W., op. cit., p. 131.

347 Cosme de Torres. Carta ao jesuítas de Goa. 29 de setembro de 1551. . In: MEDINA, Juan Ruiz de

(ed.), op. cit., (1990), p. 217. (grifo meu).

348 CURVELO, Alexandra. A Arte Namban no contexto dos impérios ibéricos. In: SIMPÓSIO

INTERNACIONAL NOVOS MUNDOS – PORTUGAL E A ÉPOCA DOS DESCOBRIMENTOS. 23 a 25 de novembro de 2006. Berlim. Disponível em: HTTP://www.dhm.de/ausstellungen/veue- welten/pt/docs/alexandra_curvelo.pdf (acesso em 01/12/11).

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para a obediência quando escreveu os diversos regramentos a serem seguidos pelos missionários em atividade no Japão.