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O objeto deste experimento acadêmico trata sobre a formação de finalistas dos cursos técnicos integrados em Mecânica Industrial e Telecomunicações do IFCE Campus de Fortaleza e as interfaces da qualificação e da(s) competência(s) nessa formação.

A preferência por cursos de ensino médio tornou-se necessária a este estudo porque, de acordo com Frigotto, Ciavatta e Ramos (2005), os aspectos contraditórios deixados sobre o ensino médio decorrem do fato de ser neste nível de ensino que reside a contradição fundamental entre capital e trabalho.

Tem-se como marco histórico o Decreto nº 5.154/2004. Optou-se por dar ênfase a um período histórico, porque, como ensina Marx (1974), os estudos precisam ser realizados sob uma demarcação histórica para que se possa ter uma compreensão à luz do seu tempo.

Assim, o estudo do ensino médio integrado no Brasil, desde 2004, também se faz importante, pois naquele ano aconteceu a reestruturação do Ministério da Educação (MEC) e o ensino médio passou a ser gerido pelas secretárias de educação básica (SEB) e de educação profissional e tecnológica (SETEC), o que já concedeu o primeiro diagnóstico de fragmentação dos saberes.

As altercações traçadas com as categorias da investigação foram permeadas pelo entendimento da relação/articulação entre conhecimentos gerais e específicos adquiridos, considerando sempre as contrariedades das relações sociais numa articulação com os processos históricos e os sujeitos da pesquisa. Então se observará quais os anseios dos

estudantes desses cursos ao ingressarem no IFCE e suas perspectivas acadêmicas e profissionais de hoje.

As teses norteadoras e circundantes desta investigação surgiram de muitas inquietações sobre educação e educação profissional. Também foram pautadas por questionamentos com relação a uma lógica mercadológica sobre a educação, movidas pela Teoria do Capital Humano, a qual defende a direta ligação educação e desenvolvimento econômico, marginalizando as demandas estruturais que permeiam a temática.

A indagação central deste trabalho é: como sucede a formação de finalistas dos cursos de Telecomunicações e Mecânica Industrial (cursos técnicos integrados) do IFCE

Campus de Fortaleza, após editado o Decreto nº 5.154/2004, e as interfaces de qualificação e

competência(s) nessa formação? Por questões circundantes, vêm as que estão na sequência.

• Qual a influência dos documentos nacionais que tratam sobre o ensino médio e o ensino técnico integrado sobre planos dos cursos técnicos integrados do IFCE, e como estes interferem diretamente na formação dos estudantes?

• Que concepções de qualificação, competência(s) e ensino integrado residem sobre os planos de cursos técnicos integrados do IFCE? Estas concepções coadunam-se com as expectativas dos estudantes e/ou com as exigências do capital? Como as diretrizes nacionais interferiram na elaboração desses projetos?

• Quais os anseios desses estudantes quando ingressaram no curso e que perspectivas profissionais visualizam, atualmente, no momento de finalização de seus cursos?

Referidas questões, envoltas ao objeto, ocorrem segundo Pêcheux (2009), sob a forma de uma abordagem téorico-materialista do funcionamento das representações e do pensamento nos processos discursivos. Segundo o autor, quando se fala em reprodução/transformação se designa o caráter contraditório de todo modo de produção que se baseia na divisão em classes.

O autor contribuiu também sobre a análise do sentido das palavras (expressas nos discursos), tomando como expressões determinadas pelas posições ideológicas em jogo no processo sócio-histórico em que são reproduzidas. Essa análise tem muita relação com as categorias qualificação e competências de como se modificam no discurso reproduzido historicamente e de como são apreendidas pelos sujeitos da pesquisa.

Teve-se como objetivo geral compreender a formação de finalistas dos cursos de Telecomunicações e Mecânica Industrial (cursos técnicos integrados) do IFCE Campus de Fortaleza, após a edição do Decreto nº 5.154/2004, e as interfaces de qualificação e competência (s) nela existentes; e como objetivos específicos:

• analisar as concepções de Competência(s) e Qualificação sob um enfoque sócio- histórico em que são apreendidas e definidas e como estão inseridas nos planos dos cursos a serem estudados no IFCE, atentando para quem aí discute e interfere;

• compreender a relação e as interferências das diretrizes nacionais da educação profissional na organização do ensino médio integrado do IFCE; e

• entender os interesses motivadores do IFCE para a realização dos cursos técnicos integrados e se estes se coadunam com os interesses dos finalistas dos referidos cursos.

Com relação aos pressupostos, convenceu-se da necessidade de elaborá-los, por se entender, pelas leituras de Konder (2008) e Minayo (1999), intermediadas pelos momentos de orientação, que isso se coaduna com o método de pesquisa escolhido. Como ponto de partida, havia os fatos empíricos exibidos pela realidade. Depois, se demandou superar as primeiras impressões e representações desses acontecimentos, dados pela realidade, de modo que, no ponto de chegada, se mostre o real concreto como resultado.

Para Minayo, “Ninguém coloca uma pergunta se nada sabe da resposta, pois então não haveria o que perguntar. Todo saber está baseado em pré-conhecimento, todo fato e todo dado já são interpretações, são maneiras de construirmos e de selecionarmos a relevância da realidade.” (1999, p. 93). Dessa forma, passou-se a entender que as análises da investigação devem ser orientadas com arrimo numa síntese anterior, como define Konder (2008). Portanto, os resultados desta investigação tiveram como base as seguintes pressuposições:

• as categorias qualificação e competências demonstram muitas interfaces no decurso histórico;

• professores e estudantes não participaram diretamente da elaboração dos planos de curso;

• as dicotomias ensino propedêutico e ensino técnico podem ser observadas mesmo na modalidade de ensino categorizada como integrada;

• os discentes do curso de Telecomunicações estão mais direcionados ao trabalho intelectual e mais propensos a ingressar no ensino superior, enquanto os estudantes do curso de Mecânica Industrial estão mais direcionados à realização de trabalhos manuais, técnicos e de vigilância das máquinas, e têm menos perspectivas de ingresso no ensino superior;

• há interferências dos direcionamentos nacionais na estruturação do ensino médio integrado no IFCE, mas também existem determinações de entendimentos pedagógicos locais; e

• a lógica da empregabilidade pautada na formação por competências pode ser observada na proposta de formação direcionada aos estudantes do ensino técnico integrado ( colocar no quarto item).

Todos esses fatores foram reconstituídos e/ou fortalecidos no decorrer das análises, com suporte no movimento dos pontos contraditórias circundantes da realidade - “Contradição reconhecida pela dialética como princípio básico do movimento pelo qual os seres existem [...]” (KONDER, 2008, p.47). Com fundamento na síntese das múltiplas determinações do objeto, alcançadas pelo movimento de decomposição e análise da realidade, é que se aportará ao concreto, como tenciona Sales ([199_?).

Também para Marx (1974) os estudos precisam ser realizados sob uma demarcação histórica para que se possa ter uma compreensão à luz do seu tempo. Assim, a demarcação histórica deste estudo foi definida aquisitivamente no momento de efetivação do Decreto nº 5.154/2004, promulgado no governo Lula.

A propósito, o estudo foi instigado pelas leituras de categorias gerais (qualificação, competência e ensino médio integrado) e secundárias, porque Kosic (2011) nos ensina que “[...] a dialética é o pensamento crítico que se propõe a compreender a “coisa em si” e sistematicamente se pergunta como é possível chegar à compreensão da realidade [...]” (p.20). E saber que no caso de algumas temáticas centrais ou secundárias como competências e empregabilidade, por exemplo, já existe um discurso factual e ideológico determinado pela teoria do capital humano, que se interpõem contradições, e se faz isso neste texto, expondo apontamentos de autores defensores ou contrários às categorias trabalhadas, entrecruzando com os discursos dos entrevistados. “[...] Esta abordagem ultrapassa, no entanto, o plano estritamente lingüístico ao considerar o sujeito produtor do discurso como estando situado num espaço social [...]” (BARDIN, 1977, p.214).