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3. BÖLÜM

4.2. Araştırmanın Bulguları

4.2.3. Güvenilirlik Analizi

Os micronutrientes, apesar de absorvidos em pequenas quantidades, são elementos essenciais ao crescimento e desenvolvimento das plantas. Esta absorção em pequenas quantidades se deve ao fato destes nutrientes não participarem de estruturas das plantas, porém

são fundamentais na constituição de enzimas ou então atuar como seus ativadores (DECHEN; NACHTIGALL, 2006). Abaixo, seguem as principais funções e sintomas de deficiência dos micronutrientes para posterior discussão.

O B é absorvido na forma de H3BO3 e é relativamente imóvel na planta. O boro tem

função no transporte de açúcares e na síntese de ácidos nucleicos (MARSCHENER, 1995). A deformação das folhas novas e a morte da gema apical com ocorrência de brotações laterais oriundas de gemas axilares são os principais sintomas de deficiência de B. Os frutos oriundos de plantas deficientes em B apresentam o albedo mais espesso e bolsas de goma (MALAVOLTA, 1989; MATTOS JR; BATAGLIA; QUAGGIO, 2005).

Já o Cu, Mn e Zn são elementos com comportamento tanto no solo quanto nas plantas bastante semelhantes, sendo absorvidos nas formas de cátions bivalente (Cu+2, Mn+2 e Zn+2), são pouco móveis na planta, participando dos processos de fotossíntese, respiração, controle hormonal e síntese de proteínas. Bolsas com goma nos ramos e frutos com erupções pardacentas na superfície da pele são os principais sintomas de deficiência de Cu (MALAVOLTA, 1989; MATTOS JR; BATAGLIA; QUAGGIO, 2005). Ainda segundo os autores, observa-se como sintomas de deficiência a presença de frutos não maduros com a casca com coloração verde-pálida e com pontuações necróticas que vão aumentando com o amadurecimento do fruto formando uma crosta. Folhas de tamanho normal com clorose interneval caracterizam a deficiência de Mn, enquanto clorose interneval nas folhas novas as quais são de tamanho reduzido, estreitas e lanceoladas, em ramos com internódios curtos são os principais sintomas de deficiência de Zn.

Por fim, o Fe é absorvido na forma de Fe+3 e é pouco móvel na planta. Participa dos processos de fotossíntese, respiração e assimilação de nitrogênio e de enxofre. Os sintomas de deficiência de Fe caracterizam-se por clorose generalizada e tamanho menor das folhas novas cujas nervuras são verde escuro (MALAVOLTA, 1989; MATTOS JR; BATAGLIA; QUAGGIO, 2005). É um sintoma raro em condições de campo, porém muito freqüente em viveiros telados quando não é feito o suprimento adequado desse mineral.

Para iniciar as discussões, deve-se ressaltar que segundo Quaggio; Mattos Jr; Cantarella (2005), as faixas de teores de micronutrientes consideradas adequadas para o cultivo de laranjeiras situam-se no intervalo de 36-100 mg kg-1; 4-10 mg kg-1; 35-300 mg kg-1 e 50-120 mg kg-1 e 25-100 mg kg-1, para B; Cu; Fe; Mn e Zn, respectivamente.

Figura 27. Teores foliares médios de B, Cu, Fe, Mn e Zn (mg kg-1) em função da aplicação de lodo de esgoto compostado ao solo nas doses de 0, 6, 12, 18, 24 e 30 kg planta-1, que representa 0, 25, 50, 75, 100 e 125% da quantidade requerida de N pela cultura da laranjeira, em3 épocas distintas (abril/2010; outubro/2010 e abril/2011).

De posse dos resultados mostrados na Figura 27, bem como nas Tabelas 13, 14 e 15, observa-se que para a primeira e terceira épocas de análise, todos os micronutrientes foram influenciados positivamente pela adição de lodo de esgoto ao solo na fertilização de laranjeiras ‘Pera’, exceto ao Fe que apresentou comportamento oposto. Na segunda época (outubro/2010), apenas os micronutrientes Mn e Zn apresentaram diferença significativa, com tendência de crescimento linear em função das doses de lodo aplicadas. Já quando se analisa a influência do EET no fornecimento de micronutrientes ao solo e consequentemente à absorção das plantas, nota-se que apenas o teor de Mn na segunda época de avaliação foi alterado no tecido foliar, com resposta positiva à aplicação de EET na absorção de Mn pela planta. Este resultado reflete o potencial do EET em fornecer Mn, visto este resíduo também ter influenciado positivamente a concentração de Mn no solo, conforme apresentado no item 4.2.9.

Corroborando com os dados, Firme (2007) avaliando a aplicação de EET em cana- de-açúcar para satisfazer 100% de umidade, ou seja, manter o solo na CC; 125% de umidade – 25% a mais de umidade na CC; 150% - 50% a mais de umidade na CC; e 200% - 100% a mais de umidade na CC, observou aumento no teor foliar de Mn a medida que maiores doses de EET eram aplicadas.

Fonseca (2005) observou aumento da concentração de B e Mn em folhas de milho após adição de EET, em contrapartida, não observou efeito algum sobre os teores de Cu, Fe e Mn. Johns; McConchie (1994a) verificaram que a bananeira absorveu 81% mais B quando esta recebeu aplicação de EET. Feigin; Ravina; Shalhevet (1991) relataram que devido ao B do efluente ser proveniente principalmente de sabões e detergentes, este nutriente pode ter sua concentração no EET maior que 0,1-1,0 mg L-1, levando as plantas a apresentarem fitotoxidez. Em contrapartida, Al-Jaloud et al. (1995) observaram reduções nos teores de Cu, Fe, Mn e Zn em plantas de milho irrigadas com EET. O mesmo efeito foi obtido por Pereira (2009), visto o autor ter encontrado correlação negativa e significativa entre a aplicação de EET em laranjeiras ‘Valência’ e concentração de Mn no tecido foliar. O autor justifica tal resultado devido à elevação provocada pelas lâminas crescentes de EET, já que a concentração de Mn2+ decresce cerca de 100 vezes para cada unidade de aumento do valor de pH devido ao

aumento das formas precipitadas, hidróxidos menos solúveis, e da alta estabilidade dos complexos com a matéria orgânica (BORKERT, 1991; MALAVOLTA, 2006). Como neste

experimento a aplicação de EET não afetou significativamente o pH do solo, talvez essa seja uma das justificativas para o resultado positivo observado, já que a disponibilização do Mn presente no efluente se sobrepôs ao efeito potencial de elevação de pH do solo.

Vale destacar que, de acordo com Quaggio; Mattos Jr; Cantarella (2005), todos os tratamentos mantiveram-se dentro das faixas de teores consideradas adequadas desde o início do experimento, exceção feita ao Mn, onde em todas as épocas avaliadas, os teores encontraram-se na faixa considerada baixa (< 35 mg kg-1). A aplicação de micronutrientes não

só na cultura da laranja, como em muitas outras, apresenta algumas limitações que dentre elas, destaca-se o limite estreito entre a deficiência e fitotoxidez. Na prática, a aplicação de um adubo à campo se torna muito difícil, pois em virtude da pequena quantidade exigida, a distribuição uniforme destes elementos no talhão via adubação mineral é prejudicada.

Segundo Raij et al (1996), um solo pobre em B (0,0-0,2 mg dm-3) irá necessitar de 1 g m-1 deste elemento, o que representa, por exemplo, 6g de ácido bórico por metro linear, quantidade extremamente difícil de aplicar uniformemente. Quando um resíduo, aplicado em grande quantidade através de critérios técnicos e que traz consigo concentrações satisfatórias de micronutrientes, torna a adubação destes elementos mais simples e menos perigosa, já que não são relatados problemas de fitotoxidez causados pela aplicação de lodo de esgoto ou EET, ou ainda, combinando-se estes dois resíduos.

Dentre os cinco micronutrientes estudados neste experimento, no Brasil, o B é o elemento que mais limita à produção de citros devido aos baixos teores no material de origem, pela adsorção específica que ocorre com a matriz de solos cultivados (MATTOS JR; BATAGLIA; QUAGGIO, 2005) e/ou pela facilidade com que este elemento lixivia no solo. A faixa de teor adequada no tecido foliar varia de 35-100 mg kg-1, e considerando os resultados obtidos na Figura 25, conclui-se qie o lodo de esgoto apresenta bom potencial no fornecimento deste micronutriente ao solo e consequentemente, às plantas.

Assim como no presente experimento, Santos et al. (2011) observou respostas significativas e positivas em função da adubação de tangerineiras ‘Ponkan’ no acúmulo de todos os micronutrientes em comparação às adubações com esterco de curral e principalmente, adubação mineral. Trannin; Siqueira; Moreira (2005) avaliando a aplicação de 0, 6, 12, 18 e 24 Mg ha-1 complementado com K no cultivo de milho, observaram incrementos significativos nos teores de Cu, Fe, Mn e Zn nos tecidos foliares das plantas, concluindo que de acordo com

recomendação da cultura, a dose de 12 Mg ha-1 já é capaz de fornecer estes micronutrientes de maneira satisfatória em função dos teores foliares obtidos encontrarem-se na faixa adequada. Silva et al. (1998) em experimento similar, porém na cultura da cana-de-açúcar, observaram efeito do lodo de esgoto nos teores de Cu e Zn foliar. Martins et al. (2003) estudando a absorção de Cu, Mn, Zn e Fe por plantas de milho verificaram efeito significativo em todas as doses (0, 20, 40, 60 e 80 Mg ha-1), exceção feita ao Fe. Segundo os autores, o Zn foi o elemento mais afetado pela aplicação de lodo de esgoto, seguido pelo Mn e por último o Cu. Corroborando com os dados apresentados neste experimento, os autores também encontraram redução no teor de Fe em função do aumento das doses de lodo aplicadas ao solo, e este efeito negativo pode ser resultado da absorção de Cu, Mn e Zn. Segundo Dechen; Nachtigall (2006), principalmente o Cu e Zn em menor importância podem substituir o Fe nos quelatos do solo, originando sua imobilização; além disso, elevadas concentrações de Mn na forma MnO2 oxida o Fe à forma férrica não disponível.

Chueiri, Serrat, Biele (2007) comparando os efeitos das adubações orgânica (lodo de esgoto) e mineral no cultivo do trigo observaram absorção maior de Cu e Mn em função do aumento das doses do resíduo, em contrapartida, o Zn foi sensivelmente reduzido a medida que maiores quantidades de lodo foram adicionados ao solo. A redução na absorção de Zn segundo o autor se deu em função do Mn, num fenômeno conhecido por efeito de Steenjberg (MALAVOLTA; VITTI; OLIVEIRA, 1997).

Gomes; Nascimento; Biondi (2007) aplicando 0,0; 7,7; 15,4; 29,7; 45,1 e 60,5 Mg ha-1 de lodo de esgoto na cultura do milho, observaram aumento nos teores de todos os micronutrientes avaliados (Cu, Fe, Mn e Zn) no tecido foliar das plantas, com destaque especial à absorção de Fe e Zn.

Antagonicamente aos resultados observados, Chiba (2005) em experimento conduzido no município de Piracicaba cultivando cana-de-açúcar não observou diferença significativa entre tratamento controle (adubação mineral) e tratamento com lodo de esgoto sem complementação com P quanto ao teor de micronutrientes (Cu, Fe, Mn e Zn) no tecido foliar. Segundo o autor, o resíduo utilizado encontrava-se bastante estabilizado, o que contribuiu para uma maior retenção dos metais na matriz orgânica, tornando-os pouco fitodisponíveis. Damato Júnior et al (2006) corrobora com os dados obtidos por Chiba (2005),

já que o mesmo não observou diferenciação entre aplicação de composto orgânico e adubação mineral na fertilização de bananeiras no conteúdo de B, Cu, Fe, Mn e Zn no tecido foliar. De toda forma, sabe-se que o lodo de esgoto traz micronturientes em sua constituição, em menor ou maior concentração, de acordo com o tipo de uso dominante do esgoto o qual é tratado na respectiva estação. A disponibilização destes nutrientes se dará em maior ou menor quantidade de acordo com a dosagem do material aplicada, concentração do elemento no lodo, estabilidade do material, presença de microorganismos responsáveis pela degradação do material e pH. Neste experimento, como a adição de doses crescentes de lodo resultou em redução linear no pH do solo avaliado, além do material fornecer aporte destes nutrientes ao solo, este pH mais baixo favoreceu a liberação dos elementos e consequente absorção pela planta.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A adição de doses crescentes de lodo de esgoto na fertilização de laranjeiras ‘Pera’ não afetou significativamente a altura das plantas e diâmetro do caule. Quanto ao volume da copa, houve correlação apenas na terceira época de avaliação.

O lodo de esgoto provocou acidificação ao solo estudado, elevou os parâmetros M.O., CTC, adicionou quantidades significativas de P, Ca, S e de todos os micronutrientes no solo. Em contrapartida, resultados inferiores foram obtidos quanto à concentração de K e Mg em comparação à adubação mineral. Estes resultados refletiram-se em parte na avaliação do estado nutricional das plantas, visto o resíduo complementado com fonte minerais de P e K ter sido capaz de suprir as exigências nutricionais e manter as plantas em níveis adequados para todos os nutrientes, exceções feitas ao teor de Mg e Mn que requerem complementação.

A aplicação de lodo de esgoto na fertilização de laranjeiras indicou um claro impacto no desbalanço nutricional do solo, principalmente na relação entre Ca:Mg:K, com prejuízos à absorção do segundo elemento. Além disso, é preocupante a quantidade de Zn adicionado ao solo em função dos limites permitidos pela legislação competente.

A aplicação de EET nas irrigações diárias de manutenção da cultura da laranjeira ‘Pêra’ não afetou significativamente os parâmetros vegetativos avaliados. Com relação aos efeitos químicos impressos pelo resíduo, destaca-se a disponibilização de K às plantas através do resíduo, característica interessante quando utiliza-se a combinação lodo + EET, visto o primeiro material apresentar baixa concentração deste nutriente, tornando a técnica promissora no cultivo de laranjeiras.

6 CONCLUSÕES

Não houve influência do lodo de esgoto compostado no diâmetro do caule e altura de laranjeiras ‘Pêra’ submetidas à aplicação do material.

O volume da copa correlacionou-se positivamente com as doses de lodo de esgoto compostado aplicado nas fertilizações de laranjeiras ‘Pêra’ na terceira época de avaliação. O lodo de esgoto compostado reduziu o pH, elevou os teores de M.O., CTC, e aumentou a concentração de P, Ca, S, B, Cu, Fe, Mn e Zn no solo submetido à adição do resíduo.

Os teores de K e Mg encontrados no solo reduziram em consequência da adição do lodo de esgoto compostado ao solo.

O lodo de esgoto foi capaz de fornecer as quantidades necessárias de todos os nutrientes demandados pelas laranjeiras ‘Pêra’, exceções feitas ao K, Mg e Mn.

A utilização de efluente de esgoto tratado nas irrigações de manutenção de laranjeiras ‘Pêra’ influenciou apenas o teor de K no tecido foliar.

Conclui-se que o uso do lodo de esgoto compostado como substituto de fontes nitrogenadas minerais é viável do ponto de vista técnico.

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Benzer Belgeler