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As nossas falas revelam avanços em relação à construção dos conceitos prévios. Isso fica claro à medida que apresentamos uma elaboração mais sistematizada acrescentando outros atributos essenciais, que caracterizam o conceito de pensamento.

Foram momentos de partilha, de troca de experiências, de saberes tendo por base as interlocuções com os autores norteadores desse processo. A reformulação se

deu, como podemos ver, após vários momentos de estudo e discussão, o que permitiu que os conceitos fossem enriquecidos. Tiveram como base os elementos essenciais que integram o conceito de pensamento, a saber; função mental, linguagem, relações, conexões e produção de conhecimento. Além disso, consideramos também o conceito- base construído anteriormente, que, segundo Vigotsky (1998c), podemos chamar de conceito espontâneo.

A intenção era fazer uma reformulação com um grau mais abrangente de generalidades. Na elaboração de conceitos, a apreensão das propriedades ou atributos e das relações substanciais é fundamental. Cada um deles, separadamente, é imprescindível, contudo todos juntos é que darão a condição para a elaboração de um conceito.

Não podemos dizer que todas nós elaboramos realmente um conceito científico de pensamento, como podemos comprovar no quadro a seguir.

Quadro nº 10 – Conceito e pensamento reelaborado

Fonte: Ciclos de Estudo Reflexivos/2008

Na verdade, aconteceu um avanço no processo de reelaboração em função das discussões realizadas. Reiteramos que a elaboração conceitual não ocorre de forma espontânea, mas é fruto de um aprendizado sistemático e intencional, possibilitado por

CATEGORIAS REELABORAÇÃO DO CONCEITO DE PENSAMENTO

Caracterização “Pensamento é uma função mental que se manifesta através da linguagem e se fortalece através das interações sociais. É por meio do pensamento, das conexões que o sujeito é capaz de fazer diferenciação, dando sentido e significado que vai impulsionar o desenvolvimento desse pensamento” (Lenira).

Caracterização “O pensamento é uma função mental superior que resulta das ações e que nos permite descobrir as relações e conexões entre os fenômenos, ou seja, ele não se dá no vazio, é aprendido na relação com o outro através das diversas linguagens” (Simone).

Caracterização

“O pensamento se constitui numa função mental, resultante das interações sociais, que permite descobrir a essência dos fenômenos, através das conexões e relações entre os fenômenos e as experiências das pessoas” (Aiene).

Conceituação “Pensamento é uma função mental expressa pela linguagem, que reflete a essência dos fenômenos, estabelecendo relações e conexões, a sua qualidade e natureza, sendo construtivo do conhecimento” (Da Paz).

um currículo adequado. Quando se fornece as condições necessárias, o desenvolvimento dos conceitos científicos vai ultrapassar os conceitos espontâneos (VYGOTSKY, 1998c). Isso quer dizer avançamos na reelaboração conceitual pelo fato de termos nos empenhado nos estudos efetivados no Ciclo de Estudos Reflexivos, que nos deu respaldo para isso.

No início da pesquisa os conceitos construídos variaram quanto a sua categoria. A partir do processo de estudos realizados, aconteceu o que Vygotsky (1998c) denomina de movimento ascendente/descendente, o que nos possibilita dizer que houve avanço e sistematização nos enunciados produzidos por nós.

Lenira e Aiene, que se encontravam no estágio da descrição, em que os indícios apresentados não eram necessários e/ou suficientes, avançaram para um estágio mais elaborado, o da caracterização. Apresentam atributos do conceito de pensamento como: ‘função mental’, ‘linguagem’, ‘conexões’, “relações”, que são essenciais e necessários. Entretanto, conforme os autores estudados e o conceito-referência, ainda faltam elementos importantes distintivos desse fenômeno, como, por exemplo, a produção de conhecimento, que é o atributo distintivo do conceito.

Com relação à partícipe Simone, desde o início do processo, apresentou indícios que nos fizeram analisar como pertencente à caracterização, pois apresentava alguns atributos essenciais ao significado de pensamento. Após a reelaboração podemos perceber que continua na mesma categoria, entretanto percebemos alguns avanços, uma vez que inclui, no seu enunciado, outros atributos, como: ‘conexões’, ‘relações’, ‘linguagem’. Estão ausentes alguns elementos distintivos desse conceito. Um atributo importante, como “produção de conhecimento”, colocado no conceito anterior, foi retirado após a reelaboração.

É visível que aconteceu um avanço significativo, pois todas, umas mais que outras, se aproximaram dos autores com os quais dialogamos ao longo do processo desenvolvido, entretanto, não atingiram o estágio da conceituação.

No que diz respeito ao nosso conceito, desde o início da elaboração prévia, encontrávamo-nos no estágio mais elevado da categoria conceitual, uma vez que trazia no bojo do enunciado atributos essenciais e suficientes para explicar o fenômeno em questão. A sua reelaboração é enriquecida com alguns outros elementos, mas sem se descuidar do que é essencial, necessário e distintivo do pensamento.

A reformulação dos escritos iniciais ocorreu de acordo com a condição, aprendizagem e histórias de cada uma de nós, mas, nas leituras e discussões, fizemos o

que era possível ser feito. Não podemos negar que, pela nossa história de vida, há muitas limitações na formação, que não possibilitou nem possibilita um trabalho com conceitos, que consideramos a base para o desenvolvimento da forma de pensar teoricamente. Entretanto, conseguimos atingir o objetivo pretendido mesmo não tendo vivido as mesmas histórias, o mesmo processo de ensino e aprendizagem nos anos iniciais e de formação profissional. Isso nos faz relembrar que as diferenças individuais, como também a importância e o tempo dispensado aos estudos são fundamentais. Além disso, pelo fato de ser proponente da pesquisa e mediadora do processo, tivemos ainda a oportunidade de participar, como já salientado, da Base de Pesquisa e de mais estudos e discussões no curso de pós-graduação.

Afinal, a aprendizagem do conceito não advém do nada, nem de ações individuais, mas nasce da prática social, como também das experiências e vivências que se dão nos diferentes contextos sociais (Aguiar, 2003). Segundo Ibiapina (2007, p. 47), “o desenvolvimento de conceitos resulta de atividade complexa que envolve as operações intelectuais e todas as funções mentais”. Como os professores sentem dificuldade para realizar essas operações, sentem, também, dificuldade para expressar o conceito de pensamento, mesmo após estudos e discussões. Até porque nenhum ser humano muda de uma hora para outra. Para isso são necessários vontade, disposição, estudo, pesquisa e reflexão. Todavia percebemos que, no processo de formação inicial, esse não foi um elemento presente. A reflexão pode desvelar novas formas de lidar com as situações do cotidiano, uma vez que possibilita ao professor buscar alternativas de aprendizagem para si e para o aluno, ajudando, assim, na construção do conhecimento e desenvolvimento de suas capacidades.

As práticas e reflexões podem nos proporcionar um conhecimento no sentido de compreendermos que o ensino precisa ser organizado, tendo como base a curiosidade epistemológica de que fala Freire (1996), proporcionando uma educação que aposta na capacidade do ser humano, que precisa acreditar que é um ser capaz, portador dos mais diversos saberes e potencialidades.

Compreendemos que uma ação desenvolvida na perspectiva da formação de conceitos possibilitaria ver a aprendizagem sob esse novo ponto de vista. Corroborando com Ferreira e Frota (2008), pensamos que sem a apropriação de conceitos, é difícil avançar no raciocínio, nas ideias, tornando-se praticamente impossível a compreensão e a internalização das leis e teorias. Entretanto, é preciso que saibamos que formar conceito é uma atividade das mais complexas, que não se efetiva espontaneamente.

O professor precisa ser conhecedor das múltiplas facetas que envolvem o aluno e o ensino, para que possa promover estímulos e desafios constantes, fazendo com que o aprendizado, a partir da formação de conceitos, seja algo efetivo e transformador. É fundamental, então, que, como mediador, valorize os conhecimentos e experiências anteriores, pois para Aguiar (2003, p. 31), “[...] o pensamento conceitual é uma conquista que está na dependência do contexto em que o indivíduo se insere em maior proporção do que no seu esforço individual”. Assim, são necessários eficiência e consistência nas ações escolares cotidianas, assim como processos formativos que propiciem ao professor as condições apropriadas à mediação desse processo.

Belgede Kamu yönetiminde güven olgusu (sayfa 70-81)

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