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A preocupação de Anísio Teixeira sobre o conceito de educação atrela a Educação Integral ao modo de retomar o sentido de um crescimento orgânico,

humano e associa esse sentido às múltiplas dimensões do desenvolvimento

humano.

É importante ressaltar que Anísio Teixeira fez parte do grupo de educadores que produziram o “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova” em 1932. O grupo entendia que, para enfrentar os graves problemas da educação no início do século XX, era necessária uma ação decisiva do Estado em favor da escola pública, gratuita, obrigatória e leiga.

Sobre o pensamento de uma Escola Nova, Anísio Teixeira argumenta que:

Transforma-se a sociedade nos seus aspectos econômicos e sociais, graças ao desenvolvimento da ciência, e com ela se transforma a escola, instituição fundamental que lhe serve, ao mesmo tempo, de base para sua estabilidade, como de ponto de apoio para a sua projeção (TEIXEIRA, 2000, p. 25).

Em suas publicações, Teixeira não defendeu uso do termo “educação integral” cuidando para que a proposta não se confundisse com o movimento dos integralistas, corrente ideológica que pensou a educação a partir da formação do “homem integral”, do “Estado Integral” controlado pelo Estado e pela “educação integral”. No entanto, sua defesa pelo aumento da carga horária docente nos trabalhos pedagógicos e carga horária ampliada para os alunos marca o ideal para uma educação democrática por meio da escola de cunho público de educação escolar integral (CAVALARI, 1999).

Em busca de novos rumos para o ensino no Brasil, em 1927, Anísio Teixeira realizou uma viagem aos EUA para visitar instituições de ensino e, a partir dessa viagem, deu início aos estudos para sua formação teórico-filosófica que embasou a construção de um projeto de reforma na educação brasileira, influenciada pelas obras de John Dewey e Willian Kilpatrick (CUNHA,1994).

A partir dessa formação, Anísio Teixeira passou a desenvolver, com base no pragmatismo norte-americano, a ideia de uma educação escolar ampliada, que ainda nos dias de hoje é pensada e aplicada por meio das políticas educacionais brasileiras, na busca pela qualidade de ensino.

Sem sombra de dúvida, mediante o processo de urbanização e da industrialização no início do século XX e a crescente desigualdade social, as ideias inovadoras de Anísio Teixeira geraram um movimento crítico entre os intelectuais –

com impacto considerável nas políticas públicas – incitando a valorização pela transformação da educação escolar brasileira.

Pautada nos referenciais da Escola Nova, a concepção educacional que objetiva atender a demanda de alunos, ampliar o período escolar e promover a qualidade de ensino e a formação da cidadania, tem sido uma das diversas tentativas dos governos de mudar a política educacional pautadas nos modelos de educação integral. O desafio está em efetivamente tornar exequível essa proposta frente à realidade brasileira.

Dessa forma, em 1950, Teixeira consolidou a sua ideia de escola em período integral na Bahia, a partir da experiência pioneira do Centro Educacional Carneiro Ribeiro (CECR), um espaço educacional composto de quatro escolas e uma escola- parque.

O referido centro, ao longo do ano letivo regular, objetivou desenvolver atividades que propiciassem às crianças dias inteiros de instrução, sendo que, em um período, o currículo básico escolar nas Escolas Classe e, em outro período, tarefas, educação física, atividades sociais e artísticas, na chamada Escola-Parque. A ideia era de que o complexo operasse como algo semelhante a um semi-internato, ou seja, as crianças iniciavam os estudos pela manhã e retornavam às suas casas ao final da tarde.

Na década de 1960, uma das experiências em destaque na escolarização em tempo integral foram os Ginásios Vocacionais, aparelhados em São Paulo. Estes consistiram em instituições de ensino em tempo integral para jovens de ambos os sexos, com idade de ingresso entre 11 e 13 anos, e concretizaram ideias e métodos inovadores pautados no "aprender a aprender" por meio de práticas interdisciplinares e estudo do meio.

Segundo Chiozzini (2003), essa experiência foi aos poucos eliminada por ser considerada dispendiosa, malsucedida e até mesmo subversiva pelos militares, que consideravam que as instituições formavam mentes comunistas.

De acordo com Abdalla & Mota (2009), a partir da década de 1980 crescem vertiginosamente as iniciativas educacionais de escola integral:

Pode-se notar que a década de 1980 foi pródiga em promover a extensão do tempo diário de escolaridade, seja para aliviar o grau de pobreza de crianças oriundas das classes trabalhadoras, seja para

melhorar a qualidade e a produtividade do ensino oferecido pela escola pública. (P. 148)

Dentre esses projetos de escola integral, os Centros Integrados de Educação Pública (CIEP) foram, em 1985, idealizados e implantados por Darcy Ribeiro no estado do Rio de Janeiro (RIBEIRO, 1995).

Sendo considerados avançados pelo discurso oficial e reconhecidos como a primeira experiência brasileira de escola pública de tempo integral, os Cieps,

localizados preferencialmente em regiões de concentração de população carente,

ofereciam aulas referentes ao currículo básico, complementadas com sessões de

estudo dirigido, atividades esportivas e participação em eventos culturais, numa ação integrada que objetivava elevar o rendimento global de cada aluno (PARO,

1988, p. 19, apud: ABDALLA & MOTA, 2009, p. 149).

Inspirados nos CIEP, na década de 1990, os Centros Integrados de Atenção à Criança e ao Adolescente (CIAC) foram edificados como projeto de escola pública em tempo integral e reconhecidos como um programa federal, implantados em vários estados brasileiros a partir de 1991 como parte do “Projeto Minha Gente”, do governo Collor. O objetivo do programa era prover cuidado à criança e ao adolescente, por meio da educação fundamental em tempo integral, incluindo assistência à saúde, lazer e iniciação ao trabalho etc. (DI GIOVANI & SOUZA, 1999).

Cabe ressaltar que, infelizmente, apesar da preocupação com as políticas educacionais, em todos os governos da fase republicana no Brasil incorreu-se no equívoco da transposição de novos modelos pedagógicos, culminando em resultados insatisfatórios.

Na prática, a implantação da escola de tempo integral aconteceu de forma diversa, devido aos altos custos, o que dificultou a sua expansão e, por focar problemas sociais além dos limites da escola, deixou para segundo plano aqueles de natureza pedagógicas. (ABDALLA & MOTA, 2009, P. 148)

Ou seja, não basta pensar a implementação de novos modelos, o conceito de educação para o crescimento e desenvolvimento requer contextualização e a organização das “aplicações” dos modelos, assim como supõe formação e consulta pública para que se conceba uma educação escolar emancipatória.

Após esse apanhado histórico, no próximo tópico passa-se para a discussão acerca da principal influência para as iniciativas de escola integral em São Paulo: O Novo Ginásio de Pernambuco.

1.2. O Novo Ginásio Pernambucano: influências para a Escola de

Benzer Belgeler