2. AZERBAYCAN’DA GÜMRÜK POLİTİKASININ OLUŞUMU VE
2.1 Gümrük politikasının ’da bağımsızlığın ilk aşamalarında kurulması
2.2.1 Günümüzde gümrük işinin özü, devlet düzenlemesindeki rolü ve önemi
De início e para efeito de comparação é importante lembrar que a perspectiva teórica adotada pelas vertentes participativa e deliberativa pressupõe que, no processo de deliberação participativa, os cidadãos não se tratam como objetos de possível manipulação estratégica, mas como sujeitos livres e portadores de direitos iguais. Essa linha de interpretação, que vislumbra relações de corte basicamente altruísta, incorpora valores da tradição republicana, segundo a qual, a participação política é justificada pela ideia de virtude cívica e pela noção de bem comum. Em marcante contraste, a vertente teórica ancorada na tradição liberal afirma que esse tipo interpretação pode resultar em fortes equívocos ao
ofuscar a questão do conflito de interesse potencialmente presente em qualquer tipo de relação social e institucional.
Conforme discutido na seção anterior, sendo os choques de interesses inevitáveis, os arranjos institucionais são mecanismos fundamentais para viabilizar a mediação de conflitos e regular as disputas resultantes da existência de objetivos divergentes. É nesse sentido que F. Reis (2004) afirma que a construção de instituições políticas implica, necessariamente, a instauração de espaços de deliberação e a presença de fatores normativos e deliberativos que propiciem “pactos bem-sucedidos”. Ressalta ainda, que a ênfase nos aspectos estratégicos envolvidos na deliberação não implica negar a importância da comunicação e do debate enquanto referências do ideal democrático. (REIS, F., 2004, p.67- 80).
Essa concepção de interesse está ancorada nos fundamentos lógicos desse conceito estabelecido por Alessandro Pizzorno (1966). Esse autor demonstrou a relação dialética existente entre o sistema de solidariedade e o sistema de interesse. Em sua perspectiva, o sistema de solidariedade seria aquele em que é possível realizar uma ação individual identificando seus fins com aqueles defendidos por outros indivíduos, configurando um pertencimento a tal sistema e uma separação, circunstancial, em relação a outros sistemas. Quanto ao sistema de interesses, seria caracterizado pelo fato de seus membros compartilharem de forma funcional e objetiva os critérios e valores que definem uma determinada ação, porém, a existência de valores comuns não implicaria um sentimento de pertencimento a esse sistema e sim um ponto de contato entre interesses diversos (PIZZORNO, 1966, p. 36,37).
Essa caracterização tem o conceito de interesse como definição central. Na descrição de Pizzorno, o interesse de um ator (indivíduo ou coletividade) é a manifestação da ação pela qual ele se “distingue” de outros atores e que lhe permite melhorar sua posição em comparação com os demais atores. Nesse sentido o sistema de interesse implica um sistema
de solidariedade subjacente e o sistema de solidariedade se constitui pela referência aos
valores de um sistema de interesses. Essa relação implica a delimitação de “áreas de igualdade”, ou seja, espaços constituídos para compartilhar interesses, fundados em certos valores, que para serem realizados dependem de uma ação integrada por indivíduos com “igualdade de participação”. Esse tipo de igualdade seria característica das situações em que os participantes de uma coletividade colocam-se como iguais frente aos valores de um determinado sistema de interesse (PIZZORNO, 1966, p.36,37).
Fábio Reis (2000) recorre a tais formulações teóricas para ampliar a compreensão do conceito de interesse e ressalta que nenhuma ação deve ser tratada a priori como estritamente solidária ou auto-interessada. A partir de tal compreensão esse autor desnuda o conceito de interesse e o define como um fim ou objetivo próprio de um ator. Nesse sentido, a caracterização de uma ação como positiva ou negativa dependeria do ponto de vista adotado pelo ator ou pelo observador que analisa o curso da ação. Portanto, a participação em prol de um grupo pode ser tomada como exemplo de solidariedade e de motivação altruística, mas, a mesma ação, ao defender os interesses de um grupo em detrimento de outro, pode ser considerada um exemplo de egoísmo. O sucesso de uma ação coletiva não dependeria da natureza egoísta ou altruísta das motivações para a ação, mas da coordenação dos interesses divergentes manifestados pelos atores (REIS, F., 2000, p.116-119).
Portanto, para que os interesses sejam defendidos sem redundar em conflito aberto é necessário criar regras que institucionalizam a disputa entre interesses divergentes. Torna- se, portanto, necessário a construção de mecanismos institucionais para a tomada de decisão e para permitir o controle democrático por parte dos cidadãos de tais processos. Nesse sentido, o distanciamento existente entre os cidadãos e seus representantes eleitos pode e deve ser amenizado por meio da criação de arranjos institucionais que assegurem aos cidadãos a possibilidade de debater e deliberar em relação às políticas públicas, sobretudo, nos níveis subnacionais.
Essa relação entre instituição e conflito de interesse pode ser fecunda para abordar, de forma inovadora, as contribuições das experiências de ampliação da participação política, como o orçamento participativo, para o aperfeiçoamento das instituições políticas da democracia. Se esse argumento estiver correto, será possível evidenciar que o orçamento participativo pode contribuir para a implementação de ações governamentais responsivas às preferências dos cidadãos e para tornar as instituições políticas mais permeáveis à pluralidade de interesses. Nesse caso, será inevitável constatar, também, sua vulnerabilidade ao processo de “esclerose institucional”. Deve-se lembrar que, em função do confronto de interesses divergentes, os arranjos institucionais que estão sendo denominados de “instituições participativas” correm os riscos inerentes a qualquer processo de tomada de decisão: a formação de lideranças especializadas e afastadas da base e a captura pela estrutura burocrática.
Dessa forma, com base nos argumentos expostos nestes dois primeiros capítulos, é possível reafirmar que as instituições políticas são essenciais para cumprir com os critérios de um processo democrático porque estruturam os mecanismos necessários para tentar
efetivar os princípios que norteiam a democracia poliárquica. Em função disso, os estudos sobre as instituições políticas devem ir além da descrição das estratégias ou dos impasses institucionais e buscar verificar a extensão em que os critérios de um processo decisório democrático são viabilizados. Isso é possível porque o encadeamento de ideias que compõem o processo democrático funciona como um fio ético que permite delimitar diferenças e julgar se os critérios definidores da democracia estão presentes em um determinado processo decisório ou se estão norteando uma determinada política pública.
Para discutir a pertinência das afirmações feitas nesta seção, os conceitos de instituição e de interesse, apresentados acima, serão associados, no capítulo cinco, aos critérios da democracia poliárquica, bem como, à noção de minipopulus, para analisar as experiências participativas que constituem o elemento empírico desta tese.