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Dış Ticaret İlişkileri Ve Pratik Gümrük Politikaları

3. DEVLET GÜMRÜK POLİTİKASININ KURUMSAL YÖNLERİ

3.1 Dış Ticaret İlişkileri Ve Pratik Gümrük Politikaları

Inicialmente é importante situar o debate sobre a democratização do poder local. Será adotado aqui, de forma resumida, o balanço do estado da arte sobre a política municipal no Brasil feito por Antônio Sérgio Fernandes e Washington de Souza Bonfim (2006). Segundo esses autores, predominou no Brasil nos anos setenta e oitenta do século passado análises empírico-descritivas que focalizavam o papel dos movimentos sociais e a luta de tais movimentos contra o poder público. Para os autores essa perspectiva foi inspirada pela abordagem neo-marxista dos movimentos sociais da Europa pelo fato de o paradigma europeu ser mais crítico e articulado com os pressupostos da chamada ‘Nova Esquerda’. Ao mesmo tempo, correntes analíticas que focalizavam a ação coletiva ou o pluralismo eram consideradas como funcionalistas e de direita. Ainda segundo os autores, teria sido marcante nesse período, também, a questão da autonomia dos movimentos sociais em relação às instituições políticas. As instituições e as elites políticas eram tratadas como atores coadjuvantes que dirigiam a atenção a certas demandas da população, mas com ações de corte

clientelista. Desse modo, as instituições e as elites dirigentes não eram consideradas como dimensões relevantes para a análise (FERNANDES; BONFIM, 2006, p.153, 154).

Nas décadas de oitenta e noventa, vários governos municipais, conduzidos por partidos ou coalizões de partidos progressistas, desenvolveram práticas que tinham por objetivo democratizar a gestão pública; ampliar o exercício da cidadania; inverter as prioridades de governo e aumentar a accountability. Segundo os autores, recebeu destaque o papel dos conselhos gestores de políticas sociais que se tornaram exemplos da institucionalização da participação em gestões públicas, mas a maioria dos trabalhos deixou de demarcar o papel das elites dirigentes e a questão da representação profissional nesses conselhos. Foi nesse contexto que o OP ganhou destaque e, além de ter passado a ser a experiência mais difundida no Brasil, acabou se transformando em uma importante prática de inclusão política (FERNANDES; BONFIM, 2006, p. 157- 161).

Os mesmos autores destacam que, em tais estudos, as mudanças constitucionais de 1988 são consideradas como a grande oportunidade de ampliação dos espaços públicos de participação dos grupos excluídos da população brasileira. Esta noção de espaço público estaria vinculada a um tipo de abordagem “normativa” do fenômeno democrático que faria confusão na utilização dos conceitos de participação e deliberação, termos quase sempre empregados de maneira intercambiável (FERNANDES; BONFIM, 2006, p. 161,162).

Quanto ao período anterior à Constituição de 1988, esclarece Pedro Jacobi (1999) que o modelo de gestão pública adotado no Brasil até o final da década de setenta “estava estruturado com base na concentração do poder decisório e da execução no nível do governo federal, definindo atribuições e competências residuais para o nível estadual e definindo para os municípios atribuições de interesse local” (JACOBI, 1999, p. 35).

A grande mudança ocorreu a partir da Constituição de 1988. Segundo Celina Souza (2006), a nova Constituição Federal ressaltou as competências concorrentes ou comuns entre os três níveis de governo (ver tabela abaixo). Os governos locais passaram a ser os principais provedores de saúde pública e aumentaram sua participação na educação fundamental como “resultado de políticas induzidas pela legislação e por incentivos financeiros” (SOUZA, 2006, p. 131).

Esfera de governo Serviços / atividades

Federal-estadual-local (competências compartilhadas)

Saúde e assistência pública

Assistência a portadores de deficiências

Preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural Proteção do meio ambiente e dos recursos naturais Cultura, educação e ciência

Preservação das florestas, da fauna e da flora Agricultura e abastecimento alimentar Habitação e saneamento

Combate à pobreza e a fatores de marginalização social Exploração de atividades hídricas e minerais

Segurança no trânsito

Políticas para pequenas empresas Turismo e recreação

Predominantemente Local

Pré-escola e educação fundamental Saúde

Preservação histórica e cultural

Somente local

Transporte coletivo Uso do solo

QUADRO 3 - Competências concorrentes entre as esferas de governo e competências municipais Fonte: SOUZA, Celina.Sistema brasileño de gobierno local.2006, p. 131.

Dessa forma, a partir da Constituição de 1988 os municípios brasileiros adquiriram novo status. Nos artigos 1º. e 18º. o Município ficou definido como ente federativo, ficando expressa tanto as suas competências como esfera governamental como as ações que lhe são vedadas. A sua autonomia foi demarcada pela determinação constitucional de que o Município deve reger-se por Lei Orgânica própria elaborada e promulgada pela Câmara Municipal. Portanto, o Governo Municipal não está subordinado a qualquer autoridade estadual ou federal no desempenho de suas atribuições exclusivas.26

A autonomia municipal foi demarcada, também, por meio da ampliação dos recursos financeiros. A Constituição de 1988 transferiu para o Município o imposto sobre a transmissão de bens imóveis e manteve na sua esfera o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), bem como, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, exceto aquele incidente sobre transporte intermunicipal e interestadual e comunicações. Segundo o Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM) foi mantida a participação do Município em 25% do produto da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços e em 50% do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores, ambos arrecadados pelos estados. Foi assegurada ainda a participação no resultado da exploração do petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no

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respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por esta exploração – royalties. Isso marca uma importante mudança em relação à constituição de 1967, segundo a qual, a União tinha a prerrogativa de instituir isenção de tributos de competência dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

As novas atribuições dos governos municipais a partir de 1988 impõem reflexões sobre o papel do prefeito. Suas atribuições são amplas pelo fato de ele ser uma referência política e depositário da confiança de expressiva parcela da população do município. Como Chefe do Executivo Municipal possui atribuições como planejar, comandar, coordenar, controlar, manter contatos externos, bem como, prestar contas de sua administração nos termos estabelecidos na Lei Orgânica do Município e na Constituição Federal. Além dessas atribuições executivas, deve-se ressaltar que o prefeito, agente político responsável por uma unidade autônoma, é conduzido ao cargo por meio de eleição direta. É um porta-voz dos interesses e das reivindicações municipais perante as outras esferas de governo e forças políticas que possam contribuir para o bem-estar da população e o desenvolvimento do município. Oficialmente, apenas o prefeito pode falar em nome do Município como seu representante. Portanto, como líder político cabe-lhe a tarefa de negociar com grupos organizados e lideranças locais, ouvir suas reivindicações, buscar apoio e integrá-los no processo decisório municipal.

Com base nos conjunto de mudanças introduzidas pela Constituição de 1988, alguns analistas discutem as especificidades do regime democrático brasileiro em relação às experiências participativas. Segundo Denise Vitale (2004) a Constituição teria introduzido

(...) a democracia semidireta ou participativa como um dos princípios fundamentais da República. No bojo da nova Carta, o conceito de democracia adotado não se limitou ao restabelecimento de eleições para presidente, governadores e prefeitos. Previu também a participação direta dos cidadãos nas decisões públicas (VITALE, p. 239, 2004).

Ainda segundo Vitale (2004), essa valorização do poder do município, bem como a sua autonomia e a previsão de participação popular no planejamento dos municípios, teria favorecido o desenvolvimento do Orçamento Participativo no Brasil.